Capítulo 10: 8x21: Existence.
O bebê era especial. Era isso que todos falavam desde que ela se descobriu grávida e tudo que ela desejava era que ele fosse normal para que tudo isso terminasse. Ela foi levada para o lugar mais isolado possível para ter o bebê, mas mesmo assim foi encontrada. As dores das contrações a distraiam de seu nervosismo e do medo que a consumia imaginando que sairia de dentro dela.
Aquela multidão fitando o parto não lhe ajudava em nada, mas tentou ignorar. Fechou os olhos e concentrou-se apenas nas contrações tentando guiar-se por elas.
- Está chegando! – Ela ouviu Mônica, dizer e isso lhe deu forças para continuar. Até que enfim ela ouviu um choro e suspirou aliviada.
- É um menino. Monica disse, porém, logo um deles se aproximou para ver o bebê. Monica o segurou defensivamente, mas após dar uma olhada no bebê, o homem se afastou e fez um sinal para que todos fizessem o mesmo. E assim sem mais nem menos foram embora e finalmente Scully teve seu filho nos braços. Era um lindo garotinho saudável e ela chorou dessa vez de alegria, não de dor.
- Obrigada, meu Deus. Obrigada. Ela resmungou agradecida por ele ser humano provando que ele não era nada do que diziam todo esse tempo. Ele era apenas filho dela e de Mulder, fruto do amor que um dia compartilharam na cama e agora ele devia saber a verdade oculta durante todos esses meses.
- Porque eles foram embora? Não entendo. – Comentou Monica, surpresa.
- Não sei. Mas não me importo. Scully beijou o bebê que ainda chorava desesperadamente e levou-o ao peito para mamar.
- Scully! – As duas ouviram a voz de Mulder gritando desesperado do lado de fora.
- Avise-o que está tudo bem. – Scully pediu a Monica.
- Ela está aqui dentro e precisa ir para o hospital. Monica disse a ele que logo entrou na casa correndo para vê-la. Ela estava suada e pálida porém com um semblante alegre amamentando o bebê.
- É um menino. – Ela disse a ele.
- Scully, você está tão pálida. Venha, temos que levar você para o hospital. Ele a carregou até o helicóptero e voltou para a casa com Monica para saber o que havia acontecido.
Ele nem tivera tempo de olhar para o bebê, seu desespero era tanto que só pensou em deixa-la segura, mandando-a para o hospital o mais rápido possível.
Não havia sinal de ninguém em torno da casa e ele imaginou que agora que haviam visto o bebê o deixariam em paz. Talvez ele não fosse aquilo que eles imaginavam. Quando finalmente estava liberado para vê-la, ela já havia recebido alta e tinha ido para casa. Ele mal podia esperar para vê-la e ver o rosto do bebê dela.
Quando encontrou-a, ela segurava o bebê e parecia mais linda que nunca fazendo-o apaixonar-se ainda mais. O bebê tinha os olhos e os cabelos dela, não sendo possível investigar quem seria o pai dele.
- Como vai chama-lo? – Ele perguntou curioso.
- William, em homenagem ao seu pai. – Ela disse com um sorriso e ele brincou sobre o pai do bebê ser o Skinner, mas ela acreditou que ele havia entendido que aquela fora a maneira dela dizer que o pai do bebê era ele.
- Não entendo porque não o tiraram de nós. – Ela disse então, confirmando novamente que o bebê era deles dois.
- Talvez ele não seja o que eles pensaram que ele fosse. Mas ele ainda é um milagre, não é? Ele disse retoricamente com um sorriso, satisfeito pela revelação implícita dela. Todo esse tempo, porque ela não havia lhe contado que o bebê era dele? E como se ela pudesse ler seus pensamentos, ela respondeu:
- Desde o momento que engravidei eu temi a verdade sobre o porquê e como. E sei que você temia também.
- Acho que nós dois temíamos as possibilidades. – Ele fez uma pausa e a olhou profundamente. – A verdade nós dois sabemos.
- E qual é? – Ela perguntou insegura. Mulder ainda com William nos braços inclinou-se para beija-la. Um beijo que havia sido esperado por muito tempo, porque ele não ousou fazer isso enquanto ela estava grávida por temer o que havia acontecido em sua ausência. Scully correspondeu ao beijo e o abraçou, com William em torno deles. Quando a soltou perguntou:
- Então, William, está é a sua maneira de me contar que o bebê é meu filho? – Ele perguntou sorrindo com um brilho especial nos olhos.
- Esta foi a sua maneira de dizer que me ama? – Ela perguntou contornando os lábios ainda úmidos pelo beijo, com a ponta do dedo indicador. Mulder colocou William no berço e tomou o rosto dela entre suas mãos.
- Porque você não me disse, durante todo esse tempo? Me deixou pensar que poderia ser outro...
- Eu já disse... quando houveram dúvidas sobre o fato de ele ser humano ou não, achei que era melhor manter em segredo. E você foi dado como morto, não queria olhares penalizados de viúva grávida. – Scully tocou a mão dele. – Eu pensei em contar diversas vezes...
- E eu amei este bebê o tempo todo, como se ele já fosse meu. Acho que no fundo eu sempre soube... – Ele a abraçou com força e beijou o topo de sua cabeça.
- Eu jamais iria querer mais ninguém como pai do meu filho. – Ela garantiu. – Eu amo você, Mulder. Você e William são as pessoas mais importantes para mim. – Ela o fitou emocionada.
- Eu amo vocês também, Dana. Mulder então a beijou novamente, dessa vez com fúria, esquecendo-se de que ela havia recém parido um bebê, mas ela correspondeu com a mesma ânsia apesar do cansaço, pois ela também havia esperado muito por aquilo. William dormia tranquilamente no berço enquanto ele lhe beijava o pescoço, provocando-a.
- Mulder, você sabe que não posso, não sabe? – Ela o lembrou, cochichando no ouvido dele.
- Eu sei. Só estou matando as saudades. – As mãos dele escorregaram até os seios dela, que estava cheios e ela ficou incomodada e virou-se.
- Mulder, não... – Ela se retraiu constrangida.
- Desculpe, mas você estava correspondendo então eu pensei...
- Não é isso. Eu quero, mas olhe para mim. Eu recém tive um bebê. Meu corpo está diferente. Eu não estou me sentindo confortável nele... Para fazer isso.
- Eu gosto do seu corpo de grávida. Eu tive muitas fantasias com ele durante esses dois meses. – Ele fez uma pausa e depois perguntou: - Isso é muito sacana? – Scully riu.
- Vindo de você? Esperado. Mas mesmo que eu continuasse a incentivar você, você sabe que não poderíamos ir até o fim. Ainda acha uma boa ideia?
-Eu sei. Você não precisa ficar envergonhada. O seu corpo é incrível, olha o que ele acabou de trazer ao mundo. – Ele espiou William que dormia confortavelmente no berço.
- Você não faz ideia como eu sinto falta de tocar você. De dormir com você. Sentir a sua pele contra a minha. Ela inspirou, sentindo o perfume do pescoço dele, enquanto suas mãos deslizavam pelas costas dele sob a camiseta. – Mas estou tão cansada e dolorida. – Ela confessou.
- Então deite-se. Ele a guiou até a cama e a fez deitar-se, colocando os pés dela sobre a mesma. –Me deixe cuidar de você, fazer-lhe uma massagem, Scully. Me deixe retribuir tudo que você fez por mim.
- Está bem. – Ela suspirou. – Mas não se surpreenda se eu dormir enquanto você faz isso. –
- Será um elogio. Ele sorriu e desligou a luz, deixando apenas a luz do abajur ligada, para deixa-la mais à vontade. Também aumentou a temperatura do aquecedor quando se deslocou ao banheiro para pegar o creme que ela usava para massagens.
Retirou as calças dela delicadamente e começou a esfregar o creme de cânfora e menta nas pernas dela com uma pressão agradável, aquecendo-a e lhe dando uma sensação anestésica.
- Você é muito bom com suas mãos, Mulder. – Ela disse com um tom de voz fraco, sem abrir os olhos.
- Eu sei. – Mulder gabou-se e prosseguiu com movimentos circulares desde os calcanhares até a base do quadril dela. Aquilo teria sido muito excitante se ela não estivesse cansada demais para pensar em qualquer coisa, especialmente porque logo provavelmente teria que amamentar novamente. Então ela deixou-se adormecer e Mulder a vestiu novamente e cobriu-a. Quando ele foi lhe dar um beijo de boa noite, ela segurou-o pelo braço dizendo:
- Deite-se aqui comigo. Me abrace. – E ele a obedeceu, encaixando seu corpo contra o dela num encaixe perfeito.
