Capítulo 11:
William acordou mais tarde que o esperado, o que era bom, porém ainda era cedo: cinco da manhã. Naquele momento Mulder agradeceu o fato de estar desempregado e não ter que se preocupar em perder algumas noites de sono.
Porém assim que Scully o colocou no peito, ele se acalmou e começou a suga-la de forma afobada.
- Ouch! Ela reclamou. – Devagar, William.
- Tão pequeno e já sabe apreciar as coisas boas da vida, não é garoto? – Mulder sorriu e beijou o topo da cabeça dele.
- Tal pai, tão filho. – Scully brincou e os dois selaram os lábios num beijo rápido.
- Ele não tem o melhor cheiro que você já sentiu na vida?
- Tem sim. – Scully acariciou os pequenos dedos do bebê enquanto o amamentava. – Você pode voltar a dormir, Mulder. Não precisa ficar me assistindo fazer isso.
- E perder isso? Nem pensar.
- Acho que ele terminou, finalmente. Você é um garoto guloso, William. - Scully
- Posso segurar ele agora? – Mulder perguntou, completamente empolgado com a experiência.
- Está bem, mas ele precisa arrotar, deixa eu lhe mostrar como segura-lo.
- Eu sei. Eu disse que tive bastante tempo livre. – Ele tirou o bebê dela e para sua surpresa o segurou com jeito, deixando-a ainda mais apaixonada.
- Não imaginei que você seria tão bom nisso. – Ela elogiou.
- Acho que nós já lidamos com coisas terríveis, fazendo com que um recém-nascido seja moleza. – Ele sorriu e sentiu que algo molhou sua camisa. – Que foi isso?
- Você esqueceu de colocar uma fralda no seu ombro e agora sua camiseta foi batizada. – Scully riu. – Sabia que tinha mamado demais.
- O pacote é muito atraente, logo ele não queria largar, não é meu filho? Acho que tem um presente na fralda dele também.
- Deixe-me troca-lo enquanto você tira essa camiseta. – Mulder entregou William a ela e retirou a camiseta, já lavando a mancha de leite na torneira. Quando voltou, Scully já estava colocando-o no berço novamente.
- Sujou as calças também? – Ela perguntou com um tom divertido ao ver que ele tinha voltado apenas de boxer.
- Não, mas dormir de calça jeans não é muito agradável. – Disse ele, entrando embaixo das cobertas novamente. Scully arrumava o sutiã e fechava a blusa do pijama quando percebeu o interesse dele nos movimentos dela.
- O que você está olhando?
- Eles parecem tão apetitosos.
- Eles estão doloridos, isso sim. Sinto que vou explodir. – Ela reclamou, deitando sobre o peito dele. – Como você pode estar tão quente, se acabou de deitar-se?
- Porque eu estou perto de você. – Ele a abraçou. – Quer que eu os massageie pra você? – Perguntou com um olhar malicioso.
- Não. – Ela suspirou. – Eu só quero dormir. – Segundos depois ela já estava num sono profundo e Mulder apenas cobriu-a e adormeceu também.
William dormiu pelo resto da noite, fazendo com que Scully acordasse revigorada, espreguiçando-se demoradamente ainda com os olhos fechados. Quando ela esticou os braços buscando por Mulder, percebeu que ele já havia se levantado, então fez o mesmo. Era incrível como a recuperação dela havia sido rápida, já não sentia mais dores em seu corpo e se pudesse voltaria para o trabalho naquele momento exato. No entanto assim que olhou para William ainda adormecido no berço, se deu conta que não havia outro lugar no qual ela realmente queria estar naquele momento.
Com um último suspiro ela finalmente levantou-se da cama e viu que Mulder havia deixado um bilhete no criado-mudo avisando que tinha ido para seu apartamento tomar um banho e alimentar os peixes, porém logo estaria de volta.
Ela queria fazer o mesmo e já que William não parecia querer acordar, ela levou a babá eletrônica para o banheiro e tomou uma ducha quente e demorada na qual qualquer vestígio de cansaço que ainda lhe restasse foi levado junto com a água que descia pelo ralo. Ela estava pronta para o dia que estava amanhecendo e queria agora matar as saudades do pai de seu filho de forma adequada. No dia anterior ela estava tão exausta que nem disse a ele o quanto ela havia ansiado por estarem juntos novamente.
Mas Mulder sabia que ela se sentia assim e sentia o mesmo. Aqueles últimos dois meses haviam sido torturantes e cheios de dúvidas, porém agora tudo estava as claras finalmente. Ao menos esta verdade já estava revelada e era exatamente o que ele esperava.
Ele devia sentir o mesmo, pois não demorou muito a voltar, inclusive veio com uma mala, o que demonstrava que ele não pretendia sair dali tão cedo.
- Agora sim isto vai parecer um episódio de "Mad about you". Ela sorriu ao abrir a porta e vê-lo com a mala.
- Agora posso ficar aqui por quanto tempo você desejar que eu fique. – Ele lhe deu um beijo rápido e foi entrando.
- Fique para sempre. – Ela o fez soltar a mala e pulou nos braços dele beijando-o de forma voraz. Mulder agarrou-lhe os cabelos úmidos e terminou o beijo em seu pescoço enquanto a descia no chão novamente.
- Parece que alguém sentiu minha falta, não é garoto? – Ele olhou para William que estava deitado no bebê conforto sobre a mesa enquanto Scully tomava café.
- Eu estava sentindo sua falta há oito meses. – Ela disse com um tom sincero.
- Não fale assim, porque senão eu não saio nunca mais deste apartamento. Você sabe que posso fazer isso. Estou desempregado. – Ele brincou, preparando-se para pegar William no colo. – Eu e esse carinha íamos nos divertir enquanto mamãe trabalha. – Mulder começou a embalar o bebê que pareceu gostar daquilo.
- Agora sei porque demorei tanto a dizer que amava você. 24 horas e você já está querendo que eu te sustente. – Ela se aproximou para beijar o topo da cabeça de William.
- Pensei que você fosse uma mulher moderna, Scully. Que gostasse de ter a última palavra.
- Eu sempre terei a última palavra, Mulder, mesmo que você não fique em casa.
- Você não devia tomar café. Eu li que causa cólicas no bebê. – Ele comentou ao vê-la sorvendo um gole da xícara que estava sobre a mesa.
- Você tem lido sobre muita coisa, não é? – Ela ergueu uma sobrancelha com um ar inquisitivo.
- É, algumas... – Ele balançou a cabeça. – Não tive muito contato com bebês desde que eu mesmo fui um e eu queria saber o que fazer. Acho que estou me saindo bem, não acha? – William continuava tranquilo no colo dele.
- Você leu algo sobre mães também ou apenas sobre bebês? – Ela quis saber com interesse.
- Se eu contar pra você o que eu li, você vai rir. – Ele colocou William de volta no bebê- conforto.
- O que? Agora vai ter que me contar.
- Não. – Ele se negou, um tanto tímido.
- Vamos, Mulder. Você não tem vergonha ter uma coleção de filmes pornô, o que pode ser mais vergonhoso que isso?
- Eu li "o que esperar quando você está esperando". – Ele confessou, depois de uma longa pausa e Scully deu uma gargalhada.
- Mentira!
- Juro! Eu queria saber o que me esperava. Até que você foi fácil de lidar até agora. – Ele sentou-se no sofá e Scully sentou-se ao lado dele.
- Bom se você realmente leu, devia saber que mães não podem fazer sexo por um certo período de tempo, não?
- Eu sei. Mas eu também sei que podemos fazer várias coisas que não envolvem necessariamente adentrar esta parte do seu corpo que está sensível no momento. – Ele deu um sorriso lascivo aproximando-se do rosto dela, fitando-lhe os lábios.
- Ah Mulder, se você soubesse como eu gostaria de... – Ela suspirou e foi interrompida.
- Sério? – Ele perguntou com interesse. – Mas ontem você não parecia pensar assim.
- Olha só o que tinha acabado de sair de dentro de mim. – Ela olhou para William e Mulder sentiu-se um tanto envergonhado por ter de certa forma forçado uma aproximação na noite anterior.
- É... eu não posso imaginar como seja isso. Me desculpe por ontem. Mas é que eu estou com tanta saudade de você, Dana. – Ele inspirou profundamente no pescoço dela, sentindo o cheiro do perfume dela.
- Eu sei, também estou. – Ela confessou. – Mas ao mesmo tempo...
- O que? – Ele se adiantou, com interesse.
- Eu não estou me sentindo bem, comigo mesma. Estou inchada, meus seios transbordam leite, meu peso...
- Eu não me importo com nada disso. – Ele a interrompeu. – Tudo isso é consequência do melhor presente que você já me deu. Eu a amo ainda mais por isso. Eu não vou forçar você a nada que você não queira, mas quero que saiba que para mim você está mais linda que nunca.
- Você realmente acha isso, Mulder – Ela perguntou com uma voz cética.
- Grávidas são sexies. – Ele garantiu.
- Ah não me diga que você assiste pornô com grávidas, porque isso seria bizarro.
- Está bem, não assisto. – O tom dele não foi nada convivente.
- Oh Deus!. – Ela fez uma expressão enojada.
- Bom, ao menos prova que o que eu disse é verdade, não?
