Capítulo 13

- Você nunca se contraiu tanto assim antes. – Ele comentou com um ar de exibicionismo enquanto deitava-se ao lado dela, apoiando-se sobre um ombro para fita-la.

- A gravidez aumenta muito a libido e a minha ficou contida até agora. – Ela explicou com a voz melodiosa que soava como música aos ouvidos dele.

- Porque não me disse isso antes? Quantos meses perdidos... Quantos anos perdidos... – Ele suspirou pensativo.

- Eu não sei quanto a você, mas eu sei porque neguei a mim mesma por tanto tempo a atração que sentia por você.

- Ah é? Ele ergueu uma sobrancelha. – Porque?

- Porque eu pensava que o sexo poderia ser muito ruim e estragar a nossa amizade. Por outro lado, se fosse bom também estragaria a nossa amizade. Eu não queria estragar as coisas.

- Você pensou que sexo comigo poderia ser ruim? – Ele perguntou com um tom indignado.

- Você é bom em muitas coisas, imaginei que em alguma coisa você tivesse que ser ruim. – Ela riu.

- E tinha que ser nisso?

- Era uma das poucas coisas que eu ainda não sabia sobre você.

- Verdade... Ele ponderou. – Mas você disse que estragaria nossa amizade se fosse bom também. Porque pensou isso? Ainda somos amigos, mas com vantagens. – Ele deu um sorriso malandro e lhe deu um beijo rápido nos lábios.

- Bem, eu já disse, nós não somos conhecidos por nossos longos relacionamentos. Como saber que não iriamos estragar esse também?

- O que fez você mudar de ideia? – Ele se deitou novamente e a puxou para deitar-se sobre o peito dele.

- William. Você ficou ao meu lado o tempo todo, mesmo sem saber que ele era seu filho. E eu entendi que você sempre vai estar do meu lado, não vai?

- Do lado, em cima, embaixo. Aonde você quiser. – Ele garantiu rindo e ela não segurou um sorriso.

- Nunca podemos terminar uma conversa de maneira séria?

- Já fomos sérios tempo demais.

- Verdade. – Ela deu um longo suspiro e o abraçou com força quando ouviram William chorando através da babá eletrônica.

- Deixe que eu vou. Se o problema for comida, eu lhe chamo. – Ele deu uma piscadela e seguiu para o quarto enrolado na toalha, ignorando os protestos dela. Mas a verdade é que ela estava feliz por ele estar ali ajudando-a mesmo quando ela achava que não precisava de ajuda. E ele era muito bom trocando fraldas, parecia até que já havia feito aquilo antes. Então ela relaxou e resolveu vestir-se e comer alguma coisa. Ela ainda nem sequer havia retornado a ligação da mãe dela dois dias antes. Então pensou que o momento era apropriado para isso também. Obviamente a mãe dela ficou animada com a notícia e disse que iria visita-la o mais rápido possível. Como ela há havia ficado chateada por ter sido avisada apenas um dia depois do nascimento, Dana achou que não era o momento ideal para contar sobre ela e Mulder também.

(...)

- Minha mãe está vindo para cá. – Ela despejou a notícia sobre Mulder enquanto ele vestia uma camiseta e uma calça de moletom.

- Ótimo, posso contar que sou o pai? – Perguntou ele empolgado.

- Ela já sabe. – Scully sorriu.

- Aparentemente sou o último a saber então. – Comentou, chateado.

- Meu irmão não sabe ainda e provavelmente não vai ficar muito animado.

- Azar o dele, pois eu não vou a lugar algum. – Ele garantiu. Segurando o rosto dela.

- É eu percebi. – Ela fitou as calças dele. -Você pretende mesmo ser um pai que fica em casa agora?

- Por enquanto sim. Não que eu esteja feliz em ter sido despedido, mas não vou me preocupar com isso agora. Minha prioridade agora é você e William. – Ele beijou a testa dela.

- Obrigada Mulder. Por tudo. Especialmente por não me odiar por ter escondido a verdade todo esse tempo.

- Odiar você? Impossível. Eu entendo. Sério. E eu que tenho que lhe agradecer. Você me salvou tantas vezes e agora você me deu mais um motivo para lutar e sobreviver.

- Eu amo você, Mulder. Eu sempre amei você. – Ela o abraçou.

- E eu amo vocês dois. Vocês são o meu mundo. – Ele acariciou os cabelos dela e por um momento o mundo pareceu desaparecer naquele abraço.