2° ano

- Ok, essa é uma situação pela qual eu não estou acostumado a passar.

Albus falou olhando a quantidade extraordinárias de cabeças ruivas na sua frente.

Ele deveria ter desconfiado, quero dizer, durante todo o período letivo as únicas cartas que recebia era de seus pais, e ainda assim sua mãe parecia sempre estar com dores nas mãos, afinais as cartas de seu pai eram muito mais comuns. Um ano inteiro sem receber noticias de ninguém da família, e então uma semana depois das férias começarem mandam ele se arrumar para o almoço na Toca.

Ele devia ter desconfiado.

- Se serve de consolo, eu não podia imaginar que isso iria acontecer. – O garoto falou receoso, todos aqueles olhos raivosos olhando-o como se ele fosse um alienígena o assustavam.

- O que exatamente você achava que não iria acontecer Albus? Você quebrar a tradição Weasley e ir para a sonserina ou quebrar a tradição Weasley e ficar amigo do Malfoy?.

- Acho que quebrar a maldição Weasley e ser amigo do Scorpius. – Ele estava apavorado, estava pensando na manchete do profeta diário do dia seguinte, 'Garoto é assassinado por família enfurecida'.

Mas era tão difícil para eles acreditarem que ele não planejara isso? Ele sequer imaginou que todos os seus medo tornar-se-iam verdade, mas o mais doloroso foi ver sua família contra ele, ele que sempre achou que eles eram seu porto seguro, mas enganou-se e isso doeu mais que ter visto a raiva nos olhos dos outros, olhos acusando-o de traidor.

- Esta tentando ser sarcástico Al? Não esta funcionando! – James me repreendeu.

- Ora o que querem que eu diga? Que eu implore o perdão absoluto de vocês? Só por que eu não sou um grifinorio? Ou por que eu fiz um amigo que vocês não aprovam? Onde estavam todos vocês quando eu me senti um lixo por ter ido para a sonserina? Onde estavam todos vocês que se intitulam minha família, mas estão sendo hipócritas ao ponto de me condenar por uma coisa que eu não tenho controle.

- Não ouse nos chamar de hipócritas mocinho! – condenou Molly.

- Vocês são o que então? Vivem por ai pregando a igualdade, não importa qual tipo, mas quando alguém de sua família prova ser diferente a primeira coisa que fazem é condena-lo, julga-lo, abandona-lo, isso para mim vovó é hipocrisia. – O garoto estava furioso, nem sequer sabia de onde vinha a coragem para falar assim com a avó. – Vivem falando como os sonserinos são ruins e como julgam os mestiços e nascidos trouxas, mas vocês não são como eles ao julga-los sem nem mesmo conhece-los? Nem todos os sonserinos são ruins vovó e a maior prova disso tá aqui, gritando com a senhora!

- Não grite com a sua avó rapazinho. – Gina falou exasperada. – Esta agindo como um perfeito sonserino.

- Não mamãe, eu estou agindo como um garoto cansado de ser o bode expiatório de todo mundo. – ele suspirou e abaixou a cabeça, respirando fundo e quando voltou a ergue-la os lindos olhos verdes brilharam em frieza – mas numa coisa você tem razão, estou agindo como um perfeito sonserino – e surpreendendo a todos ele sorriu sarcasticamente – porque mamãe, eu sou um, e eu adoro!

Com isso o garoto subiu calmamente as escadas, poderia estar sorrindo por fora, mas por dentro estava destruído, nunca em sua vida imaginou se sentir assim, sujo, rejeitado, só torcia para que seu pai continuasse o tratando bem, não suportaria a rejeição dele também.

Fechou a porta do seu quarto e lentamente se deixou escorregar ate o chão, o rosto entre as mãos, lagrimas grossas turvando-lhe a visão.

-Eu só queria que voce estivesse aqui Corps.


Albus nunca se sentiu tão desconfortável ao atravessar a barreira para a estação 1 ³/4, não pela barreira em si, ela continuava tão 'solida' quando ano passado, mas a pequena multidão ruiva que seguia em sua travessia parecia tornar suas pernas pesadas e suas costas pareciam queimar diante da intensidade dos olhares.

É claro, cada membro da família tinha uma desculpa a dar, seu tio Jorge apenas trazia seu filho, Fred a estação como um bom pai, Carlinhos tinha decidido mostrar a seu filho, Antony, onde ele embarcaria para Hogwarts dali a três anos , seus avos queriam matar a saudade da estação.

Mas ele sabia, que todos eles, cada um deles, apenas queria vigiá-lo, ver o menino que tinha feito a família Weasley entrar em conflito, eles queriam ver seu encontro com Scorpius.

Tudo que ele queria era enrolar os familiares ate o horário da partida, onde finalmente entraria no trem e falaria com seu melhor amigo sem olhares em cima de si.

Mas como que para contrariar seus planos Scorpius entrou sem seu campo de visão menos de cinco minutos depois. O loiro o avistou ali e acenou alegremente para ele, a figura elegante de seus pais atrás dele.

E mesmo com toda a pressão em cima dele, Albus sorriu e correu em direção ao amigo.

- Albus, onde você...? – sua voz começou, mas parou ao ver qual o destino do garoto.

Scorpius o abraçou, sorrindo feliz.

- Você cresceu! Esta diferente – ele disse o olhando criticamente.

- Voce também! – ele exclamou, e era verdade, Scorpius estava maior, quase do seu tamanho e seus cabelos platinados estavam mais cumpridos, batendo no meio do pescoço.

- Porque não respondeu minhas cartas?

- Tive alguns probleminhas em casa – ele sussurrou, envergonhado.

- Imagino que ser amigo de um Malfoy não lhe rendeu abraços e sorrisos – a voz arrastada do Malfoy pai, tão parecido com a de seu amigo, se fez ouvir.

- Minha família não aceitou muito bem

- Já esperava por isso – o maior disse, olhando para sua família que os olhavam, Draco Malfoy parecia ser um homem simpático, na medida que seu sobrenome permitia, ao saber da amizade de seu filho com ele, o maior dos Malfoy não pareceu satisfeito, mas não disse nada que estimulasse seu filho a romper sua amizade com Albus, ate mesmo se mostrou satisfeito ao ver seu filho tão feliz – prazer em conhecê-lo Sr. Potter – ele disse estendendo a mão a Albus que a apertou.

- O prazer é meu senhor.

- Não se preocupe querido, eles logo se acalmaram – a voz calma da mãe de Scorpius lhe disse e Albus olhou em sua direção, Astoria Malfoy era uma mulher belíssima, com cabelos castanhos claros e possuidora de belíssimos olhos pretos ela expressava calma e carinho por todo seu ser, e ela mais de uma vez já tinha ouvido seu Tio Ron se perguntar como Malfoy tinha conquistado tamanha mulher.

- Espero Sra. Malfoy. – ela sorriu para ele e acenou positivamente.

- Porque você não pega sua mala e entra no trem querido? – ela perguntou, sua voz o acalmando consideravelmente – tenho certeza que poderemos acalmar as feras.

- Obrigado senhora! – ele sorriu feliz antes de correr para sua família e pegar sua mala, partindo rapidamente em direção ao trem, ignorando os gritos de sua família, e junto com Scorpius que já lhe esperava na porta da cabine entrou no trem e olhou pela janela somente para ver os Malfoys se dirigindo a sua indignada família, e seu pai acenar discretamente para ele, mandando com um movimentar de olhos que ele entrasse logo.

- Vamos! – Scorpius o puxou pela mão e juntos começaram a procurar por uma cabine vazia onde poderiam se sentar. – Desculpe por isso.

Albus parou e encarou seu amigo curiosamente diante de tal sussurro.

- Por minha causa você brigou com sua família – ele explicou.

-Não se preocupe Scorpius, só o fato de eu ser um sonserino já renderia inúmeras reclamações, acho que eles só usaram sua existência para descontar tudo de uma vez.

- Isso não muda a situação Al!

- Muda sim! – Albus falou determinado – eles são minha família Corps, deveriam me apoiar independentemente da minha casa ou amizades! Não é como se de repente decidisse me tornar o novo Lord das Trevas, mas é exatamente assim que eles estão me tratando! A única coisa que eu precisava era de apoio, alguém em que se apoiar, eu queria eles ao meu lado, mas eles me viraram as costas sem nem olhar para trás! – Albus já tinha lagrimas nos olhos ao terminar de falar.

- Não importa se eles viraram as costas para voce Al! Eu estou bem aqui contigo e vou sempre estar! – Scorpius falou, tocando em seu ombro confortadoramente.

- Sim! Obrigado Corps – Albus sorriu para o amigo, sentindo parte do peso sair de seu ombro

E sorriu mais ainda quando ouviu a voz de Gwen chamando-os para sentar com ela em uma cabine mais a frente.

Não importava o que sua família ou o mundo inteiro achava.

Scorpius e a sonserina seriam sempre um lugar para retornar.


Estavam andando em direção ao Salao Principal rindo de uma piada boba contada por Gwen quando foram interceptados por um grupo de grifinorios corpolentos do terceiro ano, o hall que naquela ora estava cheio foi parando lentamente para observar o confronto que seguiria.

- Com licença, será que podemos passar? – Al disse com uma tranqüilidade inocente, tentando usar de sua aparência pequena e frágil para escapar da situação, por mais que soubesse que era briga que os grifinorios queriam.

- Como um lufa lufa frágil, mas não admira que não tenha sido escolhido para a grifinoria Potter, mas passa de um bastardo covarde – Al cerrou os punhos, abaixando a cabeça.

- Isso mesmo, abaixe a cabeça Potter, reconheça nossa superioridade.

- Que superioridade? – a voz de Albus saiu baixa e tremida, mas de uma maneira gelada que chamou a atenção das pessoas que observavam a cena – você se acha tão superior a gente por causa da tão falada 'coragem grifinoria' mas eu não te vejo fazendo nada mais que perseguir três alunos do segundo ano covardemente Davon! – Al levantou a cabeça mostrando um sorrisinho cínico que fez arfar muitas pessoas que conheciam o menino por sua tranqüilidade e insegurança – você não passa de um garoto medíocre, sem o mínimo de talento, que nos persegue para tentar aumentar o própria imagem com os companheiros, sinto muito Davon, mas esse garoto aqui você não vai conseguir rebaixar, agora com licença, sua presença esta me deixando doente

E saiu do hall deixando os grifinorios e metade de Hogwarts boquiaberta.

- Al, cara isso foi incrível!

- É, você mostrou para eles!

- Eu só cansei de ser o pseudo-grifinorio que eles esperam que eu seja, sou um sonserino, gostem eles ou não, só estava honrando a escolha do chapéu – então Al virou-se, presenteando Gwen com um de seus mais brilhantes sorrisos.

E Scorpius sorriu ao ver o verde da gravata da Sonserina brilhar no pescoço de Al.