Albus desceu as escadas sentindo-se deprimido, hoje era o dia de reunião Weasley na mansão Potter, e só isso lhe parecia motivo o suficiente para ele querer cortar os pulsos. Suspirou, quando foi mesmo que ele passou de queridinho da vovó para ovelha negra? Ah sim, quando ele tinha ido parar na Sonserina e esquecido que Potter's e Weasley's não podiam se relacionar com Malfoy's, uma coisinha tão simples e pequena, bem que tinha ouvido falar que sua família era simplória. Fazer o que né?

- Você acordou campeão! – seu pai lhe cumprimentou, e ele se esticou contente, recebendo seu tradicional beijo na testa, a única coisa que ainda valia a pena naquela casa, sorriu, sentando-se graciosamente em seu lugar, sem querer dizer ao pai que ''acordar" não valia quando a pessoa nem havia dormido.

- Bom dia papai – ele sorriu espontaneamente para o pai e Harry sorriu de volta, ao perceber que seu filho ainda sabia como sorrir.

- Fico feliz em ver esse sorriso Al – Hermione declarou, enquanto entrava na cozinha carregando uma jarra de suco de abobora – eu sinto falta dele, quase nunca sorri.

- Porque será né tia? – ele perguntou sarcasticamente e Hermione baixou as vistas, Al era seu sobrinho favorito e não concordava com o tratamento que recebia da família, já tentara varias vezes falar com Ron sobre isso, mas tinha desistido com medo de ter uma briga mais seria com o esposo, ainda assim era triste ver como o menino se apagava na presença da família.

- Al... – ela tentou falar, mas foi interrompida quando corujas invadiram a cozinha, cartas caindo por todos ao lados.

- Finalmente uma alegria nesse verão – todos ouviram quando Albus pronunciou a fala com veneno saindo de cada silaba. Al pegou sua carta e estava prestes a guardá-la, no seu habito de nunca abrir cartas junto a família quando percebeu que ela estava mais pesada que o normal.

- Então James, quantos N.O.M'S você conseguiu? – a voz excitada de Hugo perguntou e Albus revirou os olhos, seu primo sempre fora muito preconceituoso, herança do pai, e assim como toda a família, tratou-o mal quando soube que tinha se tornado um sonserino, isso antes de estudar em Hogwarts, quando ingressava no colégio apenas ano passado tornara-se ainda pior, não precisou de uma semana lá para ser contaminado pela doença 'odeie o Severus, ame o Sirius', expressão gentilmente criada por Scorpius que todos usavam pensando tratar-se de Snape e Sirius Black e a rivalidade entre sonserina e grifinoria, quando na verdade se referia a ele e o irmão, usando o segundo nome de ambos para criar a metáfora perfeita.

- E aí esta ele de novo – Hermione sorriu, se referindo ao sorriso que Albus nem percebeu ter aberto.

Al sorriu pra ele outra vez e começou a abrir sua carta no momento que seu irmão respondia a pergunta do primo.

- Eu consegui todos! – ele disse extasiado – menos historia da magia e adivinhação.

- Então você não conseguiu todos né irmãozinho? – Al perguntou, sarcástico, lendo a já tradicional lista de materiais.

- Como eu ia dizendo – seu irmão tentou ignorá-lo, mas estava claro que tinha se incomodado com o comentário.

- Está tentando me ignorar 'maninho'? Não está tento muito sucesso – ele gozou, sacudindo o envelope, procurando o motivo do peso extra. O que caiu em sua mão o fez arregalar os olhos e sorrir satisfeito.

- E eu também consegui um Ótimo em DCAT, meus resultados foram iguaizinhos ao do papai – ele disse, estufando o peito em orgulho, seu pai sorriu.

- Nossa Jimmy, estou tão orgulhoso de você – ele disse, rindo da cara do irmão. Seu irmão corou de raiva, o rosto na mesma cor dos cabelos da maioria ali sentada.

- Olha! Eu sou monitora! – a voz alegre de Rose se fez ouvir, e as pessoas viraram pra ela, sorrindo.

- Surpresa seria se não tivesse conseguido ! – Al disse, indiferente. Rose olhou para ele e deu a impressão de murchar.

- O que você quer hein Al? – James perguntou, levantando-se da cadeira, bravo. Al levantou a sobrancelha, sem realmente se abalar - acordou decidido a estragar nossa felicidade?

- Querido, apenas ignore seu irmão, não vale a pena – Gina disse gentilmente, segurando com afeto o ombro de James.

- Temos que fazer uma festa! – a voz animada de sua avó se fez ouvir, e ainda assim parecia estar a quilômetros de distancia, seu corpo todo tremia e as coisas pareciam estar ficando vermelhas – uma festinha para a Rose e pro Jimmy, pelos bons resultados, e um presente pra Rose, como manda a tradição Weasley. – E foi naquele momento que a primeira lagrima molhou seu rosto.

- Isso mesmo, vamos fazer uma festinha – a voz de Albus saiu tão baixa que quase não seria ouvida se não estivesse tão tremula – uma festinha pro orgulho da família, os orgulhosos adolescente grifinorios – e quando Al levantou a cabeça todos puderam ver as lagrimas que desciam velozmente por sua face – vamos chamar amiguinhos grifinorios e decorar a sala com cores grifinorias, porque a grifinoria vale a pena! – então Al se levantou bruscamente, a cadeira caindo atrás dele num estrondo – mas vamos ignorar nosso filho sonserino! Afinal, ele não vale a pena! – e sob o olhar surpreso de todos Al jogou na mesa uma coisa brilhante antes de sair correndo da cozinha.

E ali, boiando graciosamente num prato de cereal, estava o motivo pro peso extra da carta de Albus.

Um brilhante distintivo de monitor.


Ver seu filho sentado no batente da janela, olhando pro nada com um olhar tão triste na fronte lhe cortava a alma.

- Al – ele chamou baixinho, e o menino enxugou as lagrimas rapidamente antes de se voltar para o pai com um olhar cortante.

- O que quer? Não deveria estar lá embaixo organizando a festa pro seu filhinho? – ele perguntou acido e Harry suspirou antes de se aproximar.

- Eu vim lhe devolver isso – Albus arregalou os olhos quando lhe pai lhe estendeu o distintivo – parabéns.

- Porque? – ele perguntou, enquanto pegava o distintivo com violência – porque eu tenho que passar por isso pai? – e as lágrimas que o menino anteriormente tinha tentado esconder voltara a brilhar em seus olhos – eu costumava ser o mascote da família! Eu era diferente, mais quieto e calado, e as pessoas gostavam de mim por isso, claro que eu era zoado, mas nunca realmente me importei com isso porque sabia que era brincadeira, a única coisa que eu gostaria de saber é quando essas brincadeiras passaram a ser reais, realmente maldosas. Eu não pedi para ir para a sonserina, mas eu quis ter a oportunidade de me conhecer, jogar as mãos pro alto e deixar o chapéu me mostrar se eu realmente era o costumeiro grifinorio ou se eu era realmente diferente, ou quão diferente eu era.

- Albus...

- Não, deixa eu continuar – ele quase implorou e quando seu pai se calou ele continuou, a voz fraca e a cabeça baixa – não foi como se eu tivesse planejado minha amizade com Scorpius, mas ele foi tão prestativo, sorridente, e no mar de inseguranças e atitudes imbecis comigo o sorriso dele foi minha bóia de salvação. Eu só achei que minha família também me apoiaria, e o que eu recebo quando chego em casa? Gritos e acusações de traição

'Eu só queria apoio papai! E o que eu recebo em troca? A certeza que vocês desistiram de mim! Afinal, não teriam dito que eu não valia a pena se não tivessem desistido teriam?'

'Eu não preciso de uma festa para mim, ou presentes caros, apenas um sorriso afetuoso e a certeza que sou amado, e eu não tenho nada disso, você sabe como é difícil para mim voltar pra essa Mansão? Sempre é a parte mais deprimente do ano, e eu passo todas as férias esperando o momento de reencontrar meus amigos, minha família, a verdadeira, porque não final das contas sangue não representa nada'

- Albus...

- Vai embora papai! Me deixa sozinho! Já fazem quatro anos que eu fico melhor assim!

Ele não queria ir, queria abraçar o filho e dizer que o amava, mas sabia que naquele momento o gesto não seria bem aceito, e mesmo contra sua vontade ele foi, sem perceber que um ruivo de 16 anos estava encostado na parede como se quisesse se fundir a ela.

- Al...


Não era sua vontade estar ali, mas era orgulhoso demais para perder a festa do irmão, ou a oportunidade de mostrar ser mais forte que qualquer um ali, por isso, tomou um longo banho, colocou uma toalha com água quente em cima de seus olhos ate que a doentia cor vermelha neles desaparecesse, vestiu sua melhor roupa, um conjunto de calças negras, um suéter negro que lhe favorecia os músculos, sapato de marca e um casaco de couro de dragão, que Scorpius tinha lhe dado no seu aniversario, penteou seus cabelo da maneira que Gwen nunca aprovava, por dizer que chamava muita atenção dos olhares femininos e desceu até os jardins, onde sabia que a festa estava acontecendo.

Suspendeu uma sobrancelha quando viu que seu nome tinha sido incluído nos cartazes de parabéns, embora não tivesse nenhum sonserino na festa, riu de maneira conformada e entrou no ambiente da festa, tentando em vão esconder o sorriso superior quando os olhares surpresos de sua família voltaram-se para ele, surpresos demais ao ver como ele parecia tão incrivelmente bem vestido.

Sorriu ainda mais quando todas as atenções femininas saíram de seu irmão para se concentrar apenas nele.

- Albus, parabéns! – uma menina da corvinal que não se lembrava o nome disse – você realmente merece, quero dizer, você é tão bom com todo mundo, mesmo sendo um sonserino.

- Pois é, nem mesmo eu sei de onde tirei isso – ele disse maldosamente, sabendo que toda sua família estava ouvindo.

- Nossa, eu adoraria ser da Sonserina se pudesse ser sua companheira monitora – outra menina, dessa vez da grifinoria falou, obviamente dando em cima dele.

- Pena que você não é, não é mesmo? – uma voz sarcasticamente conhecida respondeu, enquanto braços finos enlaçavam sua cintura. Albus virou, um sorriso no rosto, segundos antes de sua boca ser tomada num beijo faminto por sua mais que querida namorada.

Ele mais sentiu que viu os olhos arregalados e as bocas escancaradas de seus familiares, já que nunca tinha se preocupada em contar a eles sobre seu namoro com Gwen, mas não se incomodou com isso quando o corpo tão familiar e a boca quente estava tão juntos a sua própria.

- Cara, você não imagina o quanto eu odeio quando vocês fazem isso! – uma voz arrastada se fez ouvir, e Albus se arrepiou quando se desgrudou do beijo para olhar Scorpius, tão bem vestido quando ele - tá bonitão hein Al? Claro que esta, essas foram as roupas que eu lhe dei! – o sorriso de Scorpius era impossível de não se retribuir.

- Eu já sou lindo naturalmente besta! – ele respondeu – o que estão fazendo aqui?

- Acho que somos seu presente de parabéns – Scorpius respondeu olhando na direção do seu pai que lhe sorriu um sorriso satisfeito.

- Parabens Al! Parece que todos nós temos um distintivo! – Gwen falou, e só então ele percebeu que preso a blusa cara de Gwen havia um distintivo de capitão do time.

- Espera, se você é nossa nova capitã então quem é o outro monitor? – ele perguntou, surpreso.

- Eu não ganho parabéns? – Scorpius sorriu, e Albus arregalou os olhos, numa agradável surpresa.

Então ele sorriu, porque sempre soube que Scorpius devia ser seu companheiro, e ali entre os braços dos dois melhores amigos ele finalmente pode curtir sua própria festa.


Scorpius sorriu para seu melhor amigo ao senti-lo tenso ao seu lado, tinham sido chamados a sala da diretora assim que chegaram a Hogwarts, dando lhes tempo apenas para desfrutar do jantar de boas-vindas, e ele sabia que Albus estava apreensivo com esse chamado tão rápido, com medo de qualquer coisa que já pudesse ter feito de errado.

- Sr. Potter, Sr. Malfoy, vocês chegaram – Minerva sorriu para nós dois assim que entramos em sua sala. – eu imagino que estão pensando sobre o motivo desse chamado tão urgente – eu assenti, sabendo que Al não estava em condições de responder – na verdade eu os chamei aqui para tirar suas possíveis duvidas quando a nomeação de vocês como monitores, quando o normal parece ser um casal responsável por cada casa.

Ao seu lado ele sentiu Albus se interessar, afinal eles tinham passado todo o verão se perguntando sobre isso, fora as já incontáveis piadinhas que tinham sofrido apenas no caminho ate a escola de idiotas maldosos que perguntavam quem exatamente era a mulher do 'casal'.

- seria ótimo se pudesse nos esclarecer isso diretora – Albus falou e eu soube que ele já tinha recuperado seu controle. Minerva suspirou e sorriu.

- Na verdade Sr. Potter, isso é muito fácil de explicar, embora todos achem que a tradição escolar seja um casal de monitores por casa, essa situação é relativamente nova, sendo usada a pouco mais de 100 anos atrás, quando as mulheres estavam finalmente tomando o controle de suas próprias vidas, antes disso acontecer, o colégio mandava que fossem escolhidos como monitores os dois alunos mais capacitados do ano, não importando se eles fossem dois meninos, duas meninas ou um casal, por isso, esse ano eu resolvi que colocar vocês dois como monitores, afinal, são, sem sombra de duvidas, os melhores alunos da sonserina, alem de terem um maravilhoso trabalho em equipe!

Scorpius sorriu, sabendo que aquela era a mais pura das verdades.

- Bom, isso sem duvida nos esclarece muito coisa diretora – eu disse, num tom de despedida, entretanto ela parecia ter percebido isso porque nos chamou novamente.

- Mais uma coisa senhores, você sabem que os monitores chefes de cada casa possuem a alternativa de se alojarem em quartos próprios, entretando, a sonserina, sempre visando um melhor conforto – ela disse num tom claro que essa não era exatamente a palavra que iria usar – construiu quartos, não apenas para seu monitor chefe, mas para todos os monitores da casa, entretanto a pouco menos de 40 anos o quarto destinado a acomodação feminina soterrou e cortamos essa tradição da casa verde, achando que seria injusto que apenas um dos monitores possuísse seu próprio quarto, entretanto eu estava pensando, que já que se tratam de dois meninos, vocês não se importariam em dormir no mesmo quarto, mas é claro, se quiserem podem permanecer no seus dormitórios.

- Aceitamos a oferta diretora, obrigado – eu disse, antes que Albus tivesse a chance de dispensar tamanho luxo.

- Obrigado meninos, era só isso.


- Cara, eu estou exausto – eu disse, me jogando na minha cama, no quarto que era só meu e do Albus, era um quarto enorme, com todo o luxo que eles podiam ter, sem duvida muito melhor que o dormitório conjunto que eles antes tinham, sorriu quando Al lhe respondeu com um resmungo, jogado na cama perto da janela, que ele tinha feito questão de pegar, não que eu me importasse muito, a minha cama era próxima do banheiro, o que me dava a oportunidade de entrar primeiro e sempre irritar o Albus com minha demora em me arrumar.

- Eu sei como se sente – ele respondeu, quando finalmente parecia ter encontrado a voz – mesmo com a agenda que fez para conseguirmos conciliar treino e estudos eu ainda me sinto esgotado, fora que ultimamente a Gwen esta me monopolizando durante todo meu tempo livre, me parece que só consigo lhe ver durante as rondas – ele disse, virando aqueles incríveis olhos verdes na minha direção e eu tive que engolir em seco antes de conseguir dizer qualquer coisa, eu não sabia o que era aquilo, mas os olhos de Al sempre me fazia perder a capacidade de fala.

Entretanto eu sabia exatamente do que Albus estava falando sobre Guinevere, ela parecia estar o tomando para si o tempo todo, na verdade eu tinha a leve impressão que ela fazia isso de propósito, para manter-lo afastado de mim e isso já estava me irritando profundamente, Albus era meu melhor amigo também, ela nem o teria conhecido se não fosse por mim e só porque achava que podia beijar aquela boca maravilhosa, pensava que era dona do Albus? Há!

Lentamente eu sai da minha cama e fui ate a dele, me posicionando a suas costas e começando a lhe massagear os ombros do jeito que eu sabia que ele gostava, o suspiro de Albus pareceu me relaxar também.

- Sinto sua falta, momentos como esse parecem cada vez mais escassos - disse, apoiando meu queixo em seu ombro.

- Sinto sua falta também Corps – ele respondeu, virando o rosto na minha direção e depositando um beijo no meu rosto, como nunca tinha feito antes – obrigado pela massagem – ele disse antes de sair da cama e se dirigir ao banheiro.

E parado ali, com o coração acelerado, eu me perguntei porque não tinha virado minha cabeça naquela hora


- E aquele foi o ultimo – eu disse, contente demais por finalmente termos acabado os N.O.M's

- Férias! – Gwen comemorou, apoiada em mim, eu sorri, ela não parecia mais tão pegajosa depois de uma conversa franca que eu tive com ela a alguns meses atrás, logo depois daquele beijo que eu dei em Scorpius, eu corei apenas em pensar naquilo, já que ainda não tinha descoberto o porque eu tinha feito aquilo.

- É – Scorpius concordou, tão entusiasmado quanto ela – e Al, não se preocupe, eu juro que irei derrotar os dragões ruivos e te tirar da torre amaldiçoada.

Eu sorri, ainda vermelho pro meu melhor amigo, e acenei, concordando, porque eu sabia que ele junto com Gwen ia cumprir a promessa.

- Meu herói!

- E eu achando que eu deveria ser a donzela em perigo – Gwen gozou, rindo da minha cara.

- Repita isso e eu definitivamente te boto em perigo mocinha – eu ameacei, em tom risonho.

- Ah, não faça isso, porque então eu terei que suar duas vezes – Scorpius entrou na brincadeira, passando a mão por cima de nossos ombros e nos guiando até os jardins.

E eu sorri, porque pensei que podia brincar só mais um pouco embaixo daqueles braços calorosos enquanto o sol do verão parecia iluminar nossos sorrisos.


NÃO ME MATEM! * se esconde* eu sei que o cap demorou, mas em compensaçao ele foi bem maior que todos os outros, alem de ter a novidade de ser narrado pelo ponto de vista do Scorpius em algumas ceninhas.

eu gosto desse cap, tem um pouco de td, incluindo uma chaminha de romance, rsrs

ah e já sabem ne?

R E W I E W

eu juro que seus dedinhos nao vao cair