Slytherin 21
Eu não tinha caído no "truque da mochila caída" hora nenhuma. Nem por um segundo. Nem por um milésimo de segundo. Eu sabia que Scorpius só queria ficar a sós com Teddy, mesmo assim fingi acreditar e sai da sala como pedido, porque eu realmente acreditava que aqueles dois precisavam conversar, e porque eu sabia que Teddy sabia como se defender.
Mesmo assim eu tinha ficado tão apreensivo quando Scorpius não apareceu mesmo depois da aula de feitiços ter começado que eu estava quase roendo as unhas quando a aula estava prestes a acabar – quase, pois não importava o quão nervoso eu estivesse, eu não ia deixar isso transparecer na frente dos outros, principalmente levando em conta que estávamos dividindo a aula com grifinorios – quando finalmente fomos liberados eu sai da aula o mais rápido possível, sem correr, é claro – correr destruiria minha dignidade – mas rápido o suficiente e com a postura rígida o suficiente para fazer qualquer pessoa entender que devia sair da minha frente.
O primeiro lugar que eu fui, foi, é claro, a sala do Ted, se Scorpius não tinha aparecido havia chances dele ainda estar lá, por isso eu entrei na sala como um trovão, sem me importar com coisas pequenas como bater para anunciar minha presença. Entretanto eu não precisei mais de dois segundos na sala para notar que estava procurando no lugar errado.
Teddy, que parecia ocupado corrigindo alguns papeis, apenas levantou o olhar na minha direção e deu de ombros, como se soubesse exatamente o que eu estava procurando e quisesse confirmar que não estava com ele.
- Al? – ele me chamou quando eu estava quase na porta.
- Sim? – eu estava com pressa, mas mesma assim me virei, olhando pra Ted curioso.
- Boa sorte! – aquilo me fez parar e olhar pra Ted, realmente olhar para ele. Olhar por detrás da mesa, dos trabalhos escolares, da postura de professor, por detrás do sorriso levado e dos cabelos multicoloridos, por detrás da imagem que eu tinha construído dele. Olhar em seus olhos e vê, finalmente vê toda a verdade por dentro deles, a verdade que aquela pequena frase carregava.
Nunca tinha sido sobre nós dois, e se um dia isso realmente passou por nossa mente, então aquela era a hora em que estávamos desistindo disso. Nos dois sabíamos nossos lugares, e apenas tínhamos achado um no outro uma forma diferente de chegar ate lá.
- Obrigado! – eu respondi, abandonando a postura sonserina apenas por um segundo, mas eu sabia que assim como eu, Teddy tinha visto todas as camadas de palavras e significados que aquela única palavra carregava.
Com sorriso alegre do meu primo ainda estava gravado a fogo em minha memória quando eu disparei sala a fora para o lugar onde eu sabia ia achar meu Malfoy.
Eu sabia, pela reação de Teddy comigo, que a conversa que os dois tiveram tinha sido intensa, séria, e provavelmente reveladora, assim como nossa troca de frases foi, logo Scorpius precisaria de um lugar para pensar, para tirar sua mascara e se deixar ser, um lugar onde ele poderia demonstrar de corpo inteiro o que passava por sua mente, e eu sabia que só existia um lugar nesse castelo inteiro onde Scorpius se sentia a vontade o suficiente para fazer isso.
Nosso quarto.
Eu nem mesmo vi por onde eu estava indo, meus pés praticamente me carregavam para lá automaticamente, aquele lugar era meu pedaço de céu e eu conseguiria chegar até lá mesmo de olhos fechados. Não demorou muito para eu estar de frente ao quadro que guardava a entrada dos nossos dormitórios.
Eu não estava ofegante ou agitado, mas mesmo assim respirei fundo duas vezes antes de falar a senha – Flecha dourada – afinal eu queria estar no meu estado mais calmo para encontrar um Scorpius que talvez parecesse exatamente o oposto.
Portanto, imagina minha surpresa ao encontrar o loiro confortavelmente deitado em sua cama, lendo, tranquilo um livro sobre dragões.
- Corps? – eu perguntei, enquanto deixava minha mochila em seu lugar habitual, olhando meu amigo platinado de maneira quase desconfiada.
- Oh, você chegou – Scorpius me saudou alegremente, fechando o livro que lia e o pousando suavemente ao seu lado.
- Você está bem? – eu perguntei, sentando-me na beira da cama dele, quase como se estivesse com medo de me aproximar, e talvez eu estivesse mesmo, afinal esse Scorpius anormalmente calmo não foi, de forma alguma, o que eu estava esperando encontrar.
- Por que eu não estaria? – ele perguntou, dando de olhos, embora seus olhos parecessem brilhar de uma forma estranha que eu não sabia descrever.
- Eu não sei – e de repente, eu estava sem palavras, pego desprevenido numa situação para a qual eu não tinha me preparado.
- Albus, você sabia que os dragões são monogâmicos? – Scorpius me perguntou de repente, as mãos acariciando o livro ao seu lado como se o mesmo fosse um tesouro incomparável.
- Na verdade não. – eu não sabia o que exatamente aquilo tinha a ver com a situação, mas resolvi responder mesmo assim, ciente que um Malfoy quase nunca pergunta algo em vão, mas sabendo que se esse fosse o caso eu estaria a um passo de levar Corps para a enfermaria.
- Eles são, é quase inacreditável na verdade, que seres tão poderosos quanto os dragões escolham apenas um companheiro, alguém que os completa da melhor forma e os ajudará a completar seus objetivos, a melhor manutenção a espécie, e fique com ele para sempre, mas eles o fazem, é incrível e poeticamente bonito. – de alguma forma Scorpius tinha conseguido capturar meu olhar durante seu discurso caloroso, e a paixão que vi neles me fez perder o fôlego e tornou impossível para mim me desviar daquelas orbes nebulosas – eu nunca pensei em mim mesmo como um dragão, eu sempre pensei em mim mesmo como uma pessoa que faria o que fosse necessário para alcançar meus objetivos, manter a família Malfoy onde ela realmente pertence, independente do que isso me custasse ou custasse aos outros, independente do que isso faria aos meus próprios sentimentos, então eu vim a Hogwarts e tudo mudou, porque eu conheci um menino assustado com incríveis olhos verdes que virou meu mundo de cabeça para baixo – naquela hora um sorriso doce tomou o rosto bonito da minha companhia, um sorriso direcionado a mim que tomou minhas palavras mesmo quando meu desejo era interrompeu seu discurso, estando surpreso demais por ele – eu pus vocês sob minhas asas, Albus, lhe defendi com tudo o que eu tinha e lhe ensinei a fazer o mesmo, vi como você gradualmente se tornava mais confiante, poderoso e imponente e eu fiquei tão orgulhoso disso, vi como lentamente você foi se tornando um sonserino melhor que eu, até que chegou ao ponto onde eu simplesmente parei de ver.
"Ver a forma como meus sentimentos por você gradualmente mudavam de proteção e amizade para algo ainda mais profundo, como seus sentimentos pareciam fazer o mesmo, ver a forma como você jogava comigo, me fazendo sentir ciúmes e raiva das meninas estrategicamente escolhidas para estar ao seu lado, ver a forma como você passou a enxergar ainda mais longe que eu e como tentou me guiar no caminho que eu tão estupidamente me recusava a notar, a ver como eu deixei de ser um animal primitivo e assustado e finalmente me tornei um dragão, um dragão que já tinha escolhido seu companheiro eterno, mas teimava em o reinvidicar para si."
"Um dragão que tinha escolhido você"
- Scorpius! – eu sussurrei, incapaz de fazer qualquer outra coisa, enquanto meus olhos se molhavam com lagrimas não derramadas, minha boca se curvava num sorriso fácil e meu coração finalmente se livrava do peso que parecia ter se alojado lá desde o momento que eu descobrira que eu era perdidamente apaixonado pelo menino, não, pelo homem a minha frente.
- Eu amo você Albus Potter, eu espero que você me perdoe por ter levado tanto para perceber isso – Scorpius disse, se aproximando de mim, seus dedos longos tocando minhas bochechas e limpando o rastro de lagrimas que eu nem mesmo notara ter derramado.
- Na verdade, eu estou pensando seriamente em um castigo apropriado por ter me deixado esperando por tanto tempo – eu disse, na minha melhor voz sonserina, embora o efeito pudesse ser menos eficiente quando minhas palavras pareciam sair entrecortadas, graças a emoção que eu não conseguia esconder.
- Eu vou esperar por isso ansiosamente.
- Eu amo você Scorpius Malfoy, eu realmente, realmente amo – eu sussurrei, incapaz de pensar, falar ou sentir qualquer outra coisa.
- Eu espero que você saiba que eu te farei repetir isso inúmeras vezes – Scorpius falou, descansando sua testa na minha, o seu rosto relaxado de uma forma que eu nunca tinha presenciado antes.
- Eu não vou me importar – e eu não iria, porque cada vez que essas palavras saírem de minha boca, elas estarão carregadas de verdade – eu amo você meu dragão.
E então a boca de Scorpius estava sobre a minha e nada mais importava.
ETA! QUE DEMORA MEU PAI!
eu nem vou falar nada, porque eu sinto que nada desculpa o tempo que eu levei para atualizar a fic.
Vou pedir um obrigado especial ao querido Henrique Callil, que me mandou uma review perguntando por mim e me tirou do torpor que eu estava enfiada e me deu aquele pontapé final para eu terminar o cap e vir postar isso a vocês!
MAS MUDANDO DE ASSUNTO.
NOSSOS MENINOS FINALMENTE ESTÃO JUNTOS!
o que será que acontece depois disso? nosso tao aguardado final feliz ou mais algumas complicacoes?
E o Teddy? como meu ursinho fica?
o que vocês acham?
Comentem e me falem!
E até a proxima pessoal
