Disclaimer: Essa história não é de minha autoria, mas sim da autoria GeekChic12. Eu apenas a traduzo.
Existem regras. Ignore-as e você se fode. E não é no bom sentido.
BPOV
Suspirando, relaxei contra o braço do sofá, me afundando ainda mais no confortável acolchoado bege escuro. Eu estava aproveitando muito meu dia de folga depois da completa insanidade do plantão na noite anterior. Mesmo assim, depois de ter dormido o dia inteiro, eu estava bem acordada às 11h da noite, contentemente assistindo episódios repetidos de Friends no Nick at Nite quando aconteceu. A TV apagou bem quando o galo de Joey e Chandler cantou, sinalizando o começo do meu episódio favorito de todos os tempos, e o meu apartamento inteiro de repente apagou. Meu coração palpitou mais rápido e minha respiração acelerou, parecendo alta demais na escuridão silenciosa. Eu não diria que tinha medo do escuro, mas eu definitivamente tinha medo do desconhecido - e o escuro é a porra de um ótimo exemplo de algo desconhecido.
Desbloqueei meu celular e usei-o como um substituto de lanterna para me guiar até a janela. O quarteirão inteiro estava sem luz, e parecia que alguns outros da redondeza também. Era bem difícil ter uma tempestade por aqui, então eu não conseguia entender o que tinha causado esse apagão.
Andei até a cozinha para procurar as velas que eu sabia que tinha guardado em um dos armários. Eu não era do tipo de tê-las pela casa, mas eu fiquei bem decepcionada comigo mesma quando descobri que só tinha duas velas. E elas eram do tipo miniatura.
Puta merda.
Eu sabia que ia dar merda se eu tentasse ficar carregando elas pelo apartamento, então decidi colocar uma no banheiro, usando meu celular pra me levar de lá até a cozinha, onde eu acendi a outra.
Eu tinha ficado no meu apartamento o dia todo, mas de repente eu tinha certeza de que tinha um psicopata com um machado se escondendo em algum lugar por aqui. Logicamente, eu sabia que isso era impossível, mas tudo estava muito quieto, caralho. Cada minúsculo barulhinho do piso de madeira, feito por mim ou por algum vizinho do andar de cima se tornava alguém se escondendo no meu armário ou quarto de hóspedes, só esperando para que eu entrasse para me atacar.
Assim que eu começava a relaxar um pouco, uma nova onda de medo descia pela minha espinha, me fazendo flexionar os ombros. Sentei no chão do banheiro, encostada contra a parede, esperando e rezando para que as luzes voltassem.
Para me distrair, comecei a ler um dos vários livros não terminados que eu tinha no celular. Olhei para cima depois de um tempo e vi que a bosta da vela já estava quase na metade.
Eu queria poder desligar minha mente e ir dormir, mas nem fodendo que isso ia acontecer.
Quando meu telefone vibrou na minha mão, soltei um grito e quase o deixei cair antes de abrir a mensagem de Edward.
Tudo bem contigo? ~E
Me perguntei como ele tinha ficado sabendo sobre o apagão. O Nox não era tão longe do meu apartamento, então talvez eles também estivessem sem luz.
E eu estava bem?
Não, para falar a verdade.
Acho que sim. ~B
Tem certeza? Eles não sabem por quanto tempo vai ficar sem luz. Tá terrivelmente frio hoje. ~E
Ele parecia tão preocupado comigo.
De repente gelada, fui até o meu quarto e peguei meu cobertor, me enrolando novamente no chão do banheiro, olhando triste minha vela fraca.
Eu ainda não tinha respondido Edward quando outra mensagem dele chegou.
Estou com luz. Por que você não passa a noite aqui? ~E
Você não está no trabalho? ~B
Não. O Garrett dá conta. Vem pra cá. ~E
Mordisquei na unha do meu dedão por um segundo antes de responder.
Eu realmente não deveria. ~B
Por favor. Eu ia me sentir melhor. ~E
Suspirei e encostei minha cabeça no joelho.
Faziam três semanas desde o baile de gala beneficente - desde o nosso encontro perfeito.
E eu estava evitando ele.
Ele tinha me chamado várias vezes, para conversar, para fazer o que normalmente fazemos, até para jantar uma vez, mas eu tinha recusado todas as vezes. Eu estava me envolvendo demais, e precisava pensar.
Eu deveria ter confiado nos meus instintos quando a primeira regra tinha sido quebrada, mesmo sem ser intencional. Eu sabia que isso podia ficar bem bagunçado, e eu tinha razão. Pelo menos para mim.
Minhas emoções estavam confusas recentemente, especialmente depois do baile, quando Edward fez com que eu me sentisse a pessoa mais importante do mundo para ele.
Ele não tinha entrado aquela noite quando voltamos para o meu apartamento, escolhendo me beijar contra a porta até que meu cérebro tivesse se liquefeito, e minhas pernas quase não conseguissem mais segurar meu peso.
Eu tinha entrado e me encostado na porta fechada, deslizando para o chão enquanto as lágrimas caiam pelo meu rosto.
Emocionada, toquei meu lábio e chorei em silêncio.
Na manhã seguinte, decidi que eu deveria me manter afastada dele até colocar a cabeça nos eixos. Me mantive ocupada, cobrindo turnos de outros médicos residentes no hospital, mas ainda assim não consegui tirar Edward da cabeça.
Passar a noite inteira no seu apartamento era uma porra de uma péssima ideia.
Ok. Já to indo pra aí. ~B
Soltei um grunhido depois de ter enviado a mensagem, querendo que houvesse um jeito de pegá-la de volta do universo.
Ótimo. Dirige com cuidado. ~E
Coloquei o rosto nas mãos e gritei de frustração, antes de me levantar e ir lavar o rosto e colocar um casaco. Ia de legging mesmo.
Peguei minha bolsa e minhas chaves, apaguei o que tinha sobrado da velas e saí correndo pela porta, descendo as escadas escuras.
Agradeço todos os dias pela invenção dos celulares.
Eu já estava bem fodida desse jeito, imagina com uma perna quebrada.
Fiz uma nota mental para investir em uma lanterna e velas gigantescas.
Quando cheguei na casa de Edward, ele abriu a porta vestido em uma calça de pijama xadrez azul e verde e uma camiseta cinza.
Seu cabelo tinha crescido um pouco desde a última vez que eu o tinha visto, e estava daquele jeito caótico e delicioso de sempre.
A barba por fazer cobrindo seu maxilar estava estranhamente combinando, e o piercing na sobrancelha estava de volta.
A rotina de saltos e piruetas que o meu estômago fez quando ele abriu a porta não foi um bom sinal.
Nem um pouco.
E aquela ideia de colocar a cabeça nos eixos, hm Bella?
Fiquei parada ali por uns bons 30 segundos, seriamente considerando dar a volta e ficar no meu apartamento cavernoso, escuro e cheio de psicopatas com machados.
Parecia bem menos perigoso do que a outra alternativa.
Edward só me observou com um olhar preocupado enquanto eu discutia comigo mesma. Ele finalmente cruzou a soleira da porta, suas meias arranhando no capacho da entrada, e me abraçou. Ele afundou o rosto no meu cabelo, respirando fundo.
Meus braços ficaram congelados por um momento, antes que eu pudesse mexê-los para uma posição confortável ao redor da sua cintura.
"Oi", ele disse no meu cabelo.
"Olá". Minha resposta foi abafada, meu rosto pressionado no algodão macio da sua camiseta.
"Tudo bem?"
Fiz que sim, fechando os olhos e sentindo seu cheiro limpo, hipnotizante.
"Ótimo. Agora vem cá, entra. A gente tá deixando todo o ar quente sair." Ele juntou nossos dedos, e eu só hesitei por mais um ou cinco segundos antes de cruzar pela porta aberta.
Fiquei parada no meio da sala, meio desconfortável, enquanto a sua mão ainda segurava a minha. Ele se virou para me olhar. "Esse lugar é muito bonito," comentei, depois de notar algumas obras de arte nas paredes.
"Ah. É, acho que você não tinha visto ainda, minha prima me ajudou a redecorar."
"Sua prima?"
"Alice," ele disse com um sorriso. "Ela é uma figura. Tipo você." Ele piscou. "Você gostaria dela."
Eu não sabia como responder a isso, então apenas limpei a garganta e desviei o olhar.
Ele apertou meus dedos. "Bella..."
Fechei os olhos. Eu sabia que isso era uma má ideia. Ele queria conversar. Eu podia sentir as minhas defesas caindo, enquanto eu tentava desesperadamente reconstruí-las, revelando pedaços da garotinha assustada com um coração despedaçado escondida do outro lado.
Não era que eu quisesse desistir do amor para sempre em razão da filha da putisse de Riley. Mas era um fato. Ele tinha me machucado. Muito.
Ele tinha sido o primeiro homem a quem eu tinha dado meu coração, e ele tinha alegremente pisado em cima dele.
E tinha a minha carreira, minha educação. Minha vida toda. Eu mal tinha tempo de comer na maioria dos dias, quem dirá tentar manter um relacionamento verdadeiro com alguém.
Não que Edward quisesse um relacionamento comigo, mas algo tinha mudado.
"Olha só. Aquela noite..." ele começou, exalando pelo nariz.
"...foi perfeita." Eu terminei com um suspiro, olhando para as nossas mãos unidas.
"Então porquê?"
Voltei meus olhos para ele. "Eu acho que você sabe a resposta disso, Edward."
"Ah, sim. As regras," ele disse em um tom petulante.
"Eu deveria ir embora." Me virei para a porta.
"Espera aí," ele disse. "Onde você vai? De volta para o seu apartamento gelado e escuro?" Pegando minha mão, Edward tentou me puxar para longe da porta, para dentro do seu apartamento, sua vida. "Sério. Não precisamos conversar agora," ele me assegurou. "Você tá cansada? Quer dormir?"
Olhei nos seus olhos verdes simpáticos, grata que ele não iria me pressionar a responder perguntas hoje. "Não. Dormi o dia todo."
"Ok. Vamos sentar, quer assistir um filme?" Ele perguntou. "Vou fazer pipoca."
Soltei um exalo aliviado e concordei, soltando sua mão e largando minha bolsa no sofá, antes de me ajoelhar na frente da sua prateleira para ver que filmes ele tinha.
Coloquei o filme no aparelho e fui usar o banheiro.
Eu já tinha estado aqui antes, claro, mas nunca tinha bisbilhotado, nunca quis saber dos pequenos detalhes que iriam invadir minha mente e possivelmente me fariam desejá-lo ainda mais.
Dessa vez, eu simplesmente estava muito curiosa. Sua pele tinha sempre um cheiro tão bom, e cacete, eu precisava saber que tipo de sabonete ele usava.
Depois de lavar as mãos, puxei a cortina do box só um pouquinho para olhar ali dentro. Dei uma risada e balancei a cabeça. Sabonete líquido shower gel Axe Dark Temptation¹.
É claro.
Idiota.
"Você tá brincando comigo," Edward disse quando ele se juntou a mim no sofá alguns minutos depois, uma vasilha de pipoca cheia no seu colo.
Inalei o aroma amanteigado e olhei de canto para ele. "O quê? Não gostou?"
"Não, é perfeito. Só estou surpreso. Não sabia que você era uma fã de Monty Phyton².
Comemos pipoca e assistimos os créditos hilários. Nossos dedos se encostavam de vez em quando ao pegar pipoca na vasilha, e eu podia sentir uma faísca correndo pelo meu braço cada vez. Era enervante, e levemente ridículo considerando que esse homem já tinha estado dentro de mim mais vezes do que eu poderia contar.
Minha cena favorita começou. "Bring out yer dead!" gritei junto com o filme, fazendo Edward se engasgar com a pipoca rindo.
"I'm not dead!"
"I'm getting better."
"I think I'll go for a walk."
"I feeeeeeel happyyy. I feeeeel happyyyy."³
Morrendo de rir, sufocando com o sotaque inglês horrível de Edward enquanto ele falava junto com o filme.
No final, minha barriga estava doendo de tanto rir. Notei então quanto tempo fazia que eu não me sentia tão feliz e relaxada. Minha vida era tão organizada, e não era comum eu me deixar aproveitar algo tão bobo quanto um filme engraçado.
Nós tínhamos terminado a pipoca bem rápido, e havíamos passado o resto do filme sentados encostados no sofá. Ele colocou a mão no meu joelho e usou a outra para desligar a TV.
Ele se virou para mim com um sorriso grande que se assemelhava ao meu. "Sorvete?"
"Boa ideia, meu lorde!" Imitei.
"Mas é claro que é uma boa ideia!"
Ele não tinha nem hesitado.
Dei uma risada muito alta, me curvando na cintura. Quando me endireitei, Edward segurou meu rosto nas mãos. Seus olhos estavam felizes e enrugados nos cantos, e meu peito se apertou. Ele se inclinou e me deu um beijo, e nada pareceu assustador, muito rápido ou "contra as regras" quando sua língua encostou na minha.
"Tudo bem?" Edward sussurrou contra os meus lábios, sua respiração quente me aquecendo também.
Virei meu corpo para ele e deslizei os dedos atrás da sua orelha enquanto seus lábios deslizavam sensualmente contra os meus.
Com a minha afirmação, ele se moveu para frente, me pressionando nas almofadas do sofá, e eu me dei conta do quanto tinha sentido falta do seu corpo em cima do meu.
Suas mãos correram pelo meu corpo, parecendo querer me rememorar. A legging fina de repente se tornou a minha ideia mais genial de todas quando ele estocou contra mim e suas mãos mornas deslizaram pela minha coxa e bunda.
Tirei sua camiseta e corri a língua pelos lábios ao ver tanta pele exposta.
Fazia tempo demais.
Seu dedão esfregava círculos logo embaixo do meu blusão, e meus olhos se focaram na data tatuada em cima do seu coração. Passei o dedo por cima. "Me conta?" Sussurrei, olhando para cima para ver seus olhos se fechando.
Edward limpou a garganta e se afastou, sentando no lado oposto do sofá. A perda do calor do seu corpo me fez sentar enrolada, os braços ao redor das pernas dobradas, recostada no sofá.
Ele encarou a tela preta da TV, e eu fiquei com medo de ter arruinado a noite com a minha pergunta. Até que ele falou baixinho. "O 'J' é de Jasper," ele começou. "Ele era o meu melhor amigo. Crescemos juntos, fazíamos tudo juntos." Ele se virou para mim antes de adicionar, "Fomos para a faculdade de medicina juntos."
Meus olhos se arregalaram. "Você fez medicina?"
Ele assentiu. "Sim." Limpando a garganta de novo, ele continuou. "Cirurgia, na verdade. A mesma coisa que o meu pai e Rose. E você." Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso, que sumiu um segundo depois. "Nós estávamos tentando descobrir nossas especialidades. Eu queria fazer cirurgia plástica, por razões óbvias, e ele me chamou de canalha por querer ficar apalpando seios o dia todo." Edward riu um pouco. "Nós estávamos no telefone um dia enquanto ele dirigia para Tacoma para ver Alice."
"Sua prima?"
Edward me lançou um sorriso apertado. "Sim. Eles estavam noivos."
"Estavam..." Eu disse, sabendo onde isso ia dar mas ao mesmo tempo não querendo descobrir a razão pelo olhar assombrado nos seus olhos.
"Ele estava me xingando sobre o negócio da cirurgia plástica de novo, e eu estava tentando convencê-lo de que eu seria um herói, fazendo reconstruções, não silicone e cirurgia no nariz." Ele balançou a cabeça. "A voz de Jasper cortou no meio da risada. Eu ouvi um 'merda', e então o barulho ensurdecedor de metal amassado antes da linha cair."
Edward abaixou a cabeça, afundando a mão no cabelo. Me aproximei, sentindo a necessidade enorme de confortá-lo. Meus braços se enrolaram ao seu redor, e eu beijei o seu ombro nu. Ele não tinha dito em voz alta, mas o jeito como seu rosto tinha se contorcido em aflição me disse que Jasper não tinha sobrevivido.
"Sinto muito que você perdeu seu amigo, Edward. E de uma maneira tão trágica." Eu não sabia mais o que falar, então encostei a cabeça no ombro dele e o segurei. Ele tinha dividido uma parte de si comigo - algumas partes, na verdade - e eu não queria nada além de estar com ele naquele momento.
"Eu abandonei a faculdade depois daquilo," sua voz baixa continuou. "Eu já estava irritado com os egos super inflados ao meu redor, e acho que perder Jasper foi a gota final."
A cabeça de Edward ainda estava abaixada, e eu corri meus dedos pelo seu cabelo,fazendo cafuné. Partia meu coração vê-lo tão triste, e me senti culpada do alívio pelo fato da tatuagem não ser a marca de uma ex-namorada.
Ele limpou a garganta de novo. "Eu fiquei perdido por algum tempo, mas alguns anos atrás decidi abrir o bar. Eu e Rose tínhamos herança do nosso avô, então eu não fiquei devendo nada para a universidade, ainda bem."
"O bar é ótimo. Combina com você," eu disse, tentando tranquilizá-lo, mesmo sabendo que ele não precisava disso.
Havia tantas coisas que eu queria fazer por ele, e isso me assustava.
Edward virou a cabeça para mim, abrindo um sorriso torto. "Obrigado".
EPOV
"Você se lembra da noite em que nos conhecemos? No seu bar?" Bella perguntou. Suas mãos ainda estavam em mim, e eu não queria me mexer, não queria que ela parasse de me tocar.
Ri. "Acho que eu não conseguiria esquecer nem se tentasse. Aquele vestido..." Assobiei, e ela deu uma risadinha.
"É, aquele é o meu vestido de 'Tomando-o-controle-da-minha-vida-sexual'."
Levantei uma sobrancelha e lambi o meu lábio. "Eu diria que deu certo."
Ela me deu um tapa, e balançamos um pouco enquanto ríamos. Era bom aliviar o clima depois de falar sobre a perda de Jasper.
"O que você notou primeiro em mim?"
"Sinceramente?"
Ela assentiu.
"Aquela bunda."
Bella riu. "Ok, o que mais?"
"Bom, quando você sentou no bar, foram os seus olhos." Tão escuros e cheios de segredos.
"Uh-huh. Tem certeza que não foi a vista privilegiada dos meus peitos naquele decote gigante?"
"Não. Olhos." Insisti.
"Peitos."
"Ok, olhos e peito."
"Ah, fala sério."
"Cala a boca," eu disse com uma risada. "Notei várias coisas sobre você," continuei. "Tudo."
Ela se inclinou de leve e pressionou os lábios no canto do meu maxilar. "Estou feliz que conheci você, Edward," ela murmurou, se afastando.
"Estou feliz que cheguei primeiro em você," falei. "Todos os caras naquele lugar estavam olhando como se você fosse algo de comer."
Balançando a cabeça, Bella olhou para baixo e riu. Suas bochechas estavam rosadas, e ela estava adorável. "Eu não teria levado qualquer cara para casa naquela noite."
"Não?"
"Não," ela respondeu. "Sei lá, vi algo em você. Você era todo confiante, mas eu vi além disso. Tive a sensação de que você era um cara legal."
"Foi uma boa noite."
"Sim," ela disse, rindo. "Muito boa. Tão boa que você queria outra, mesmo eu tendo dito que era coisa de uma vez só." Ela deu um sorrisinho.
Depois eu sou o confiante.
De qualquer maneira, ela estava certa. A Bella tinha me enlouquecido naquela noite, e eu precisava de mais. Ela tinha me dito de primeira que só queria uma noite, nada de amarras, e por mim estava ótimo. Me lembro de mandar um obrigado silencioso para o cara lá em cima também.
Eu não me amarrava.
Quando eu perguntei se ela queria transar de novo algum dia, ela hesitou um pouco mas acabou me dando o seu número. Eu soube naquele momento que tinha sido tão bom pra ela quanto tinha sido para mim - não que os seus gritos já não tivessem me dito isso. Na próxima vez que nos vimos, ela me apresentou uma espécie de contrato que ela tinha achado na internet. Dei risada, mas as regras pareciam uma boa ideia naquela época. Sem complicações. Agora, depois de meses tentando reprimir meus sentimentos por Bella, encarei seus profundos olhos castanhos e soube que eu queria as complicações. Com ela. Me virei na sua direção e coloquei a mão no seu maxilar, meu dedão acariciando as maças do seu rosto. Ela descansou o rosto na minha palma, suas pálpebras se fechando devagar.
"Bella..."
Ela respirou fundo e abriu os olhos. "A gente devia ir dormir."
"Não faz isso," eu disse, balançando a cabeça frustrado. "Não me deixa de fora de novo."
"Não posso fazer isso agora, Edward."
"Não pode fazer o quê? Você não consegue só conversar comigo?
"Nós estamos conversando."
Nesse momento, a ficha caiu, me atingindo como uma tonelada de tijolos na cabeça. "Quem é ele?"
"Quem?" Suas sobrancelhas se franziram em confusão.
"O cara que te deixou assustada pra caralho disso aqui." Sinalizei nós dois e então coloquei a palma na pele do meu peito. "De mim."
Ela ficou pálida de repente, e eu soube que tinha acertado em cheio.
"Isso não..." ela parou.
"Não é o quê? Da minha conta? O caralho que não, Bella, e você sabe disso."
Ela se levantou de repente. "Eu deveria ir." Dando um passo para trás, ela olhou ao redor de si, parecendo perceber pela primeira vez onde estava. "Me desculpa, eu..."
"Não faz isso de novo, Bella. Porra, você não pode continuar evitando o que está acontecendo aqui," eu disse, me levantando do sofá e caminhando até ela. "Não importa o que esse cara fez para você, o jeito que ele fodeu com a sua cabeça, você precisa perceber que eu não sou ele."
Quando ela fechou os olhos, uma única lágrima escorreu pela sua bochecha.
Quando ela os abriu novamente, seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas opacos, e ela olhou para a janela. "O sol já está nascendo. Vou indo. Eu te ligo."
Estupefato, assisti-a pegar suas coisas e sair do meu apartamento. Tive a sensação de que o meu peito estava oco quando ouvi o barulho da porta se fechando, e eu tinha uma porra de uma boa certeza que eu deveria esperar sentado pela sua ligação.
¹-Axe Dark Temptation ou Axe Tentação Sombria/Negra/Misteriosa, em tradução livre.
²-Filme inspirado na série de comédia britânica dos anos 70 do grupo de mesmo nome, Monty Python.
³- Falas do filme Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
"Tragam seus mortos!"
"Não estou morto!
"Estou melhorando."
"Acho que vou dar uma caminhada."
"Me siiiiinto feliiiiiiiz! Me siiiiiiiinto feliiiiiiiz!"
Regra dos Amigos com Benefícios #7 - Nada de passar a noite juntos. Sem exceções.
Status da Regra: Despedaçada.
Sim, faz um mês. Sim, tem 4.000 palavras. Sim, só faltam mais DOIS CAPÍTULOS.
Vou começar com a #vaibella pra ver se essa menina se toca de uma vez.
Como sempre, obrigada pelas reviews!
