CLAIRE
Sentiu o incomodo natural quando os fortes raios de sol bateram contra seu rosto. Ela sempre gostou do verão, mas este em particular não estava tão bom. E talvez o fato de achar que a temperatura estava excessivamente mais quente que nos outros verões se devesse somente ao fato de que vivia sua primeira crise existencial na adolescência.
Ela nunca achou que fosse acontecer, e agora que aconteceu, foi muito pior do que poderia prever. Deu mais uma lambida em seu sorvete de creme enquanto Mandy terminava de pagar um sorvete de chocolate e vinha a seu encontro.
Caminharam juntas pela mesma calçada. Era o lugar onde sempre encontravam amigos da escola, gente arrumada e bonita, ideal para passar o tempo quando ficar em casa as vezes pode se tornar torturante.
" – Claire... eu preciso te contar uma coisa..." – Mandy escondia um pequeno sorriso por trás do sorvete.
" – Pois diga." – Respondeu sem tanto interesse, sua mente estava distante.
" – Eu e Phillip Carter... nós... você sabe... estamos... tipo... juntos."
Parou o passo por um instante. A amiga chamou sua atenção. " – Você tá namorando?" – Como assim namorando?! Não seriam muito novas para isso?
" - Ah. Não. Namorando não. Digo... Não sei. Ele ainda não me pediu, mas..." – Mandy olhou para os quatro cantos e então pegou Claire pelo cotovelo e a puxou para um canto entre uma loja e outra. E finalmente cochichou. " – Ontem ele deu uns... avanços pra cima de mim. Sabe?"
Claire arregalou os olhos, sem parar de tomar o sorvete. " – Como assim avanços?"
Mandy corou. " – Ele segurou no meu peito."
" – Mandy!" – Claire a repreendeu.
" – Mas eu tirei a mão dele na hora. Pode apostar que sim! A questão é... que agora ele veio com um papo de que gosta de mim de verdade e quer que exista algo serio entre a gente."
Claire sacudiu a cabeça, recusando a acreditar que escutou isso. Ambas tinham apenas treze anos de idade. O que pode existir de sério? Philip tinha quinze, e até onde ela lembra, tinha sérios problemas de coordenação motora, pois não sabia andar de bicicleta e demorava para amarrar os sapatos, o que Philip Carter acha que pode levar a sério?
" – Ah! Por favor Claire, eu achei que você ia ficar feliz por mim."
Ela apenas torceu o nariz. Pensar nisso só fazia ela lembrar do fatídico episódio no porão de casa. Aquilo era coisa de homem e mulher... mulher com um grande par de tetas, pois é disso que os homens gostam. Pelo menos é disso que Chris parece gostar. Mulheres assanhadas como Jennifer Redwood... E Claire definitivamente não tinha tetas, nem beleza, nem uma bunda legal, nada que pudesse chamar a atenção de um homem. Mandy também não. Aliás... em que parte desse planeta Philip Carter é um homem?
" – Mandy.. não acha que somos muito novas pra isso?"
A amiga ficou séria. " – Por favor Claire. Eu acho que passar tanto tempo com seu irmão te deixou um bicho do mato!" – ela falava igual a mãe agora. " – você já menstruou, não já?"
" – Sim. E daí?"
" – Bom... isso significa que criança você não é mais! Nunca pensou em um menino bonito? Ou um ator? Alguém que você gostaria de abraçar, beijar... ouvi-lo dizer que te ama?"
O coração de Claire bateu mais rápido, e Mandy continuou...
" – Você nunca imaginou um menino bonito, que so de lembrar do rosto dele é como se tivessem borboletas na sua barriga?" – Mandy abraçou a sí mesma, revirou os olhos e deu gritinhos. " – E então você suspira e diz... ELE é um príncipe encantado! Oh meu Deus, por favor, faça com que um dia ele seja só meu!"
Mas é claro que ela já pensou. Talvez não exatamente assim, nem nessa ordem. Mas já. E Claire sabia que isso não era algo em que ela devesse pensar.
Claire reparou que a amiga mesmo mais baixa que ela, já parecia mais velha. Estava mais arrumada que o de costume. Roupas legais, sapatos que combinam, estava usando até maquiagem! Bem, parece que Mandy finalmente decidiu entrar pra turma das vadias, afinal!
" – E vai me dizer que Philip Carter é um príncipe?!"
" – Claro que não. Mas é bonitinho e... os outros rapazes olham mais para as meninas que já tem alguém na fila de espera. Sabe como é, eles são competitivos. Mas meu objetivo não é namorar alguém tão menininho quanto Philip. Eu quero um namorado de parar o transito, um príncipe, alto, lindo, de corpo perfeito, que todas as outras meninas morram de inveja quando nos ver passeando de mãos dadas... alguém... tipo o seu irmão!"
Claire queria esmurrar o nariz de Mandy quando ela lhe deu um tapinha no braço e falou de Chris. Ela não devia ter lhe dado tapa nenhum! Doeu!
" – Ohhhh! Todas as meninas comentam sobre ele! Ainda mais agora que ele está de moto! Seria tão perfeito! E de quebra, nós seriamos cunhadas!" – Ela apertou Claire pelos ombros e deu pulinhos afetados.
Nesse mesmo dia Claire voltou para casa triste e cabisbaixa. Tudo o que ela queria era tomar um banho e...
" – Claire! Minha filha! Que bom que você chegou. Vamos sair com a mamãe. Hora das compras." – A andava sempre bem arrumada, mas hoje estava mais bem arrumada que o de costume, estava usando um vestido de passeio.
E era só o que faltava. Odiava sair com a mãe, ela sempre demorava muito e obrigava Claire a comprar roupas que nunca usava. Tentou elaborar uma boa desculpa para ficar em casa, cólica, dor de cabeça, enjoo... quando...
" – Vamos Chris. Vamos filho." – Chamou a mãe.
Imediatamente surgiu Chris com uma tromba imensa, revirando os olhos e carregando com ele as chaves do carro.
" – Chris vai levar a gente?" – Perguntou.
" – Claro. Seu pai pagou pela carteira de habilitação dele por um motivo... para que ele fizesse todo o trabalho que seu pai odeia fazer, como nos levar ao shopping."
Trocou um olhar cúmplice com Chris enquanto eram arrastados até o carro. Percebeu que no fundo no fundo, parecia que ele se sentia bem de passear por ai no carro do pai e bancando o adulto metido. Pensou nas palavras de Mandy logo cedo... e sentiu vontade de chorar.
Essa ida ao shopping foi muito deferente das outras, antes ela e Chris riam, brincavam e se provocavam. Irritavam a mãe e se apoiavam no enorme fardo que era aquilo para os dois. Hoje Chris parecia distante... sempre trombando com alguém conhecido, e parecia esquecer ainda mais dela quando encontrava alguém do sexo feminino. Como isso aconteceu tão rápido? Como ela não viu nada disso antes? Em que momento ela e Chris se afastaram?
O resto da tarde foi o previsível. Claire foi direto para o banheiro e tomou um longo banho. Se enrolou em uma toalha e tomou o rumo do quarto. No caminho ela escutou a mãe chamar.
" – Claire, filha. Passa aqui no meu quarto para pegar suas compras."
Não eram suas compras. Não escolheu nada daquilo.
Quando entrou no quarto da mãe, viu a mulher ruiva vestida em um roupão de seda branca, sentada em sua penteadeira enquanto secava o cabelo. Era uma cabeleira ruiva e longa, num tom forte de vermelho que chamava muito a atenção. A mãe sim, era uma mulher bonita. Não Jennifer Redwood, ela não. A mãe sim era uma beleza, rara, difícil de ver até na televisão. Ela tinha uma pele branca que apesar de ruiva, não tinha uma única sarda, tinha olhos azuis claros e enormes, dentes brancos e perfeitamente alinhados, alem de ser alta, magra e não ter criado nenhuma única ruga com a idade. Claire ficou triste... foi por casa de toda essa beleza que a mãe deve ter saído de casa e... enfim... também foi por causa de toda essa beleza que o pai a aceitou de volta mesmo... naquelas circunstâncias.
O pai era um homem simples, não era igual ao Chris. Ele tinha um cabelo louro avermelhado bem ralinho, olhos escuros, era magro e era inclusive mais baixo que a mãe, branquinho e frequentemente ficava vermelho... A única coisa do pai em Chris era o nariz longo e o queixo quadrado, fora isso, provavelmente todo o resto era da falecida mãe, o cabelo castanho revolto, sedoso, tão macio de passar a mão, olhos azuis escuros puxadinhos, a pele fácil de bronzear... Esperava que Chris não tenha puxado mais nada do pai, principalmente o fraco por mulheres bonitas e virar um completo idiota diante delas...
" – Está pensando no que, filha?"
Claire encarou a mãe um tempo. " – Nada, só estava te achando bonita."
O sorriso da mãe era reluzente. " – Oh, meu anjo! Obrigada!"
" – Mãe..."
" – O quê?" – Perguntou distraída enquanto passava hidratante.
" – Você... acha que um dia... assim, talvez, quem sabe... eu possa ficar parecida com você?" – Claire tentou perguntar de maneira desinteressada, mas quando percebeu o olhar de pena da mãe, viu que não conseguiu.
" – Mas Claire..." – A mãe parecia confusa. " – Você já é parecida comigo."
Tá... provavelmente ela estava falando do cabelo muito ruivo e dos olhos. Mas Claire estava falando de outra coisa. " – Tá certo." – Também não estava afim de render o assunto, ou arriscar fazer a mãe ficar brava seja lá pelo motivo que fosse. " – Hn... me diz o que eu tenho que levar pra eu guardar de uma vez."
Então a mãe a olhou com uma curiosidade incomum, e Claire estava envergonhada por isso. " – Filha, vem aqui." Não questionou apenas se aproximou.
E foi aí que a mãe sorriu, de uma maneira bem mais amigável que o de costume. " – Olha pro espelho." Claire obedeceu. " – Senta aqui do meu lado.". E ali, sentada de frente ao espelho com a mãe, ela percebeu, que ambas eram de fato, idênticas. Os mesmos olhos, nariz, boca, o mesmo queixo pontudo. E então Claire sorriu. " – Viu? Eu não disse? Agora espere!"
A mãe remexeu nas gavetas e disparou a tirar um arsenal de potes lá de dentro. " – Calma. Eu não vou te maquiar muito, nem devo. Você é muito nova.. mas, deixe-me ver. Oh claro... uma base, pó... rímel e um batom claro. Você não precisa usar sombra agora, seus olhos já são lindos. Deixe o blush para depois, com mais treino, pois se não souber usa-lo direito é melhor nem usar! " ela ia falando e passando aquilo tudo no rosto de Claire que, por algum motivo, não protestou. " – Pronto. Agora olha outra vez."
E ela olhou. E gostou do que viu!
" – Ah! Minha bonequinha!" – A mãe se levantou num salto, correndo para as sacolas, abrindo tudo enquanto resmungava algo sobre finalmente poder arrumar a filha tão bonita que ela teve. Que sempre foi tão frustrante ter tido a menininha que ela sempre sonhou ter, e essa menininha insistir em se comportar feito o menino que ela definitivamente nunca quis ter. Ela batia palminhas e fazia planos em voz alta sobre irem a manicure ou ao cabeleireiro juntas. " – Esse. Toma, veste esse aqui."
Claire olhou o vestido preto achando que ele era muito liso e sem graça a principio, mas quando tirou a toalha e o vestiu, viu que no corpo ele parecia muito melhor. Ia até o meio das coxas, o decote que faltava na frente, aparecia discreto na parte de trás, e ainda realçava a cintura. Sim. Claire descobriu que tinha cintura!
" – Olhe para você!" – Disse a mãe com uma mão na cintura, e a pose orgulhosa. " – E então?" – Ela sorria.
Claire se olhou no espelho mais uma vez, ela já tinha quase a altura da mãe, e embora ainda não tivesse o corpo dela, tinha um corpo até muito mais desenvolvido do que acreditava ter. " – M...mãe?"
" – O quê?"
" – Você... me acha bonita?"
" – Você só pode estar brincando!" – Ela sorriu. " – Tem um espelho na sua frente, Claire, e ele não mente jamais. É muito simples, jogue fora suas camisetas, bermudas e calças largas, e tudo o que você verá todos os dias quando se olhar, é isso aí que você está vendo agora. E oh meu Deus, me lembre de fazer sua sobrancelha!"
Fazia tempo que não via a mãe feliz, sempre brigavam tanto, nem podia imaginar que passar um tempo com ela pudesse de fato ser divertido. Mas era.
" – Oh, como a minha menininha é linda! Aliás, até mesmo desarrumada, Chris precisou dar umas encaradas em pelo menos dois homens que estavam torcendo o pescoço pra você." – Ela comentou distraidamente enquanto olhava o restante das roupas. " – Onde já se viu! Homem velho olhando pra uma mocinha!"
Mas espera... Claire não viu nada disso acontecer. " – Ele fez isso foi? Ah mãe... deviam estar olhando pra você, não pra mim."
" - Chris não me ajuda a me livrar dos homens inconvenientes, a não ser quando acham que ele é meu namorado." – Ela riu. " – Mas pelo menos pra cuidar de você, ele serve." Então mais uma vez, Claire viu os grandes olhos azuis da mãe varrerem ela por completo. " – Filha... falando em Chris, me ocorreu algo que..."
O quê? O que ela ia falar sobre Chris?
" – Claire. Eu sei que as vezes você gosta de subir para o sótão e termina dormindo lá com o Chris. Mas... já está na hora de você parar de fazer isso.'
A mãe não sabe do segredo. A mãe não sabe que ela já sabe a verdade, há muito tempo. E para falar a verdade, foi há muito tempo a ultima vez que ela subiu lá. Então por quê? O que tem de errado em ficar com seu irmão? A não ser que... o horror correu pela espinha de Claire.
" – Por quê? Ele reclamou?"
" – Não! De maneira nenhuma! Filha, homens são lerdos, imaturos, distraídos e burros por natureza! Ele ainda deve achar que você tem dois anos de idade, é que o seu absorvente é fralda!" – Claire definitivamente não gostou de ouvir isso. " – E é por isso que eu estou falando com você. Você não é mais criança, filha. Já é uma jovem mulher... não demora muito, e terá até um namoradinho. E mesmo irmãos, vocês não tem mais idade para dormir juntos. As pessoas falam... não é bonito um homem e uma mulher já feitos dormirem juntos se não são casados."
" – Sim, mamãe." – ela tinha razão. Claire se olhou no espelho mais uma vez, e viu que o quadril estava sim, mais largo do que ela imaginava, e os seios eram maiores do que ela pensou que realmente fossem. Ela não devia subir mais, aquilo estaria completamente errado, totalmente inapropriado e... infelizmente, o Chris, por ele, nunca iria se importar ou notar a diferença.
CHRIS
Olhou o maldito folder em suas mãos pela enésima vez, só naquele dia. " Junte-se a Força Aérea dos Estados Unidos" . As ofertas pareciam tentadoras. O salário era baixo, mas tinha chance de seguir carreira... era uma boa opção, bem melhor que ir pra faculdade e passar mais tempo dependendo do pai. Até porque, nunca pensou o que faria numa faculdade, ou que curso faria... nem nunca gostou de estudar, para ser sincero. Mas pegar a Sharon e partir direto para um lugar que botaria uma farda, aprenderia a pilotar e ainda moraria sozinho, isso sim era tentador!
Ah claro... e as garotas adoram!
Deveria levar a Claire a uma festa hoje a noite, ela ficaria lá para dormir, e amanha a buscaria no fim da tarde, sendo assim, amanha era um bom dia para passar na agência dos correios e solicitar os papeis de apresentação para a Força Aérea.
" – Claire! Vamos. Assim eu também vou chegar atrasado."
" – Já vou!" – ela gritou do andar de cima.
Então ele escutou a corridinha delicada escadas a baixo, na ponta dos pés. Ele percebeu que era por causa do salto. " – Um minuto, um minuto... so mais um minutinho!" – Ela pediu. Parou um minuto em frente ao espelho da sala e soltou um suspiro de frustração. Abriu a bolsa e tirou um lápis de olho... a mãe reclamou dela usar lápis ou sombra, mas Claire usava assim mesmo. Depois retocou o batom, com uma destreza em deslizar aquela coisa nos lábios, que Chris nunca um dia imaginou que ela teria. O Batom era rosa escuro, mas parecia vermelho por causa da pele branca e do cabelo ruivo. Ele se lembrava que a mãe deu ordens claras sobre não usar batom escuro.
Claire no fim das contas gostava de provocar. Afinal, passou a se embonecar, assim como a mãe queria. Mas começou a se embonecar do jeito dela... e não da mãe. Claire gostava da saia curta, ou dos shorts curtos, gostava de maquiagem forte, acessórios tipo gargantilhas e pulseiras nada delicadas ou discretas, gostava de coletes justos e eram frequentes as brigas por ela insistir em deixar a barriga de fora! Não era vulgar, não chegava a isso, a mocinha tinha bom senso... mas ela estava longe de ser a lady que a mãe planejou que ela fosse. E principalmente, longe de ser discreta.
" – Acabei. Vamos?"
" – Eu não sairia assim sem um spray de pimenta!" – Provocou.
Ela olhou para ele sem achar nenhuma graça. " – Te espero no carro."
Credo... ele só fez um elogio.
" – Mulheres."
No carro, seus pensamentos estavam distantes, distantes em seus planos para o futuro, enquanto não suportava mais morar naquela casa, quanto ansiava por finalmente começar a viver a vida. Quando olhava para Claire, ela também parecia distante, não rendia muito assunto e com o tempo deixou de ser a menina falante que ela sempre foi. Talvez fosse coisa de mulher, mulheres estão sempre se irritando... mas ele sentia que já faz um tempo que ela evitava até olha-lo nos olhos.
Quando chegaram em seu destino, a festa já tinha começado. Vários adolescentes no gramado, musica alta e todos os indícios de que lá dentro acontecia tudo o que normalmente acontece numa festa como aquela em que Chris já foi em várias. E um arrepio estranho correu na espinha dele. Especialmente quando viu vários grupinhos de meninos se alvoroçarem com a chegada de Claire, sem nem ao menos se preocupar em disfarçar. Apontando e se cutucando.
" – Claire, espera."
" – O quê?"
" - É que..." – Claire era uma mocinha muito, muito bonita. Bem mais bonita que a média. Também era mais alta que a média e ganhou mais corpo também. E para piorar ela não sentia vergonha nenhuma em expor todos os atributos que ela tinha. E ela não estava errada em ser vaidosa, nem em usar as roupas que gostava... Mas Chris era homem, era um jovem adulto e já foi adolescente, e ela sabia muito bem, que o mundo la fora podia ser cruel com as mulheres. " – Eu..." – Ele não sabia como começar. " – Eu não queria ser o chato, já basta o pai e a mãe pegando no seu pé... mas eu so queria te pedir, que tomasse cuidado com esses garotos. Eles nunca estão apaixonados por ninguém, eles só querem mais uma menina bonita pra acrescentar na lista. São egoístas. Só pensam no piruzinho deles."
" – Eu sei. Eu vejo você."
Chris tomou um susto. E riu. " – O quê? Eu?"
" – Sim. Você. Cada semana procurando uma menina diferente. Sua lista já está enorme. Concluo que você também não ama ninguém. Que é egoísta e que so pensa..."
" – Hey! Eu posso saber o que eu foi que eu te fiz? Eu só to tentando ajudar."
Ela fechou os olhos e respirou fundo. " – Desculpa. Eu não devia ter falado assim."
Chris sentiu-se culpado. Infelizmente, ele deu motivos para que Claire concluísse isso dele. " – Escuta... essas meninas, as meninas com quem eu saio as vezes. Elas não tem significado maior pra mim. Mas você é diferente. Você é especial, eu não quero que você se magoe."
" – Eu sou diferente, Chris?" – Ela deu um riso debochado. " – E por quê? Só eu tenho sentimentos agora? E só esses meninos podem me magoar? Suponho que as moças com quem você sai não sofram então. Suponho que você também pense que nunca magoou ninguém."
" – N... não é a mesma coisa."
" – Talvez eu seja exatamente como elas. Já parou pra pensar nisso?"
Ele não gostou do que ouviu. " – Não fala isso, Claire."
" – Escuta. Eu não quero brigar. Eu estou perdendo a festa e você está perdendo..." – Ela respirou fundo mais uma vez... " – Seja lá o que ou quem for. Você pode ficar tranquilo, que nem aqui, nem em outro lugar, nem hoje e nem nunca, qualquer um desses garotos vai fazer comigo algo que eu não queria."
Chris ficou sem ação diante do que ela disse. Não aconteceria se ela não quisesse, mas ela não excluiu a hipótese de querer... Queria protestar de alguma maneira, discutir, ou fazer algo pra eliminar de vez isso da cabeça dela. Mas não teve tempo.
" – Tchau, Chris. Boa noite." – Ela disse antes de toca-lo no rosto e beija-lo na bochecha. Então foi embora.
Contou alguns minutos dentro do carro, muito arrependido, de muitas coisas. Entre elas de não ter percebido em que momento Claire passou a ter uma imagem tão negativa dele. E a outra, de não ter visto a adolescência de Claire chegar tão rápido... com ela... tão solta.
Tentou afastar o turbilhão de maus pressentimentos que invadiram sua mente quanto dirigia rumo a casa da Polly, ou seria Pamela... Paddy... definitivamente, sua cabeça não estava boa. Quando a moça entrou no carro, ela o encarava com uma expressão de poucos amigos.
" – O quê?"
" – Christopher você está sujo de batom!"
Imediatamente ele passou a mão no rosto, contatando que limpou o batom rosa de Claire.
Continua...
