CHRIS

Não Conseguia respirar, falar, gritar ou até mesmo se mover. Tudo o que podia fazer era tremer de frio e de fraqueza., a medida que os baldes e baldes de água gelada eram jogados violentamente contra seu corpo nu, machucado e emagrecido. Dois homens o seguravam de pé para que não caísse durante o banho.

Depois, veio mais um com uma lâmina de barbear. Ele puxou o cabelo de Chris com toda a força para trás. Naquele momento, ele realmente achou que fossem mata-lo, finalmente. Mas não, com movimentos bruscos, seu captor foi raspando e jogando no chãos mechas grossas e molhadas de cabelo castanho e grisalho ... Chris não se lembrava de alguma vez na vida ter cisto seu cabelo tão crescido. Quando terminaram com o cabelo, lhe arrancaram a barba, que também já estava enorme e com muitos tufos brancos. Não se lembrava de ter envelhecido tanto assim. Estaria preso lá há quanto tempo? Meses? Anos? Já não sabia mais dizer.

" – Caralho! Esse americano filho da puta tem mais piolhos do que cabelo!" – Disse um.

" – Também está coberto por sarnas!" – Disse um outro – " – Depois teremos nós que nos lavar com desinfetante. Tudo porque encostamos nesse porco!"

" – O chefe disse que ele deve estar limpo e alimentado antes do entardecer. Não é pra vocês discutirem. É pra obedecer!"

Alimentado?

O estômago de Chris chegou a doer quando escutou essa palavra, doeu tanto que quase desmaiou outra vez. Durante o seu "semi-desmaio", onde não sustentava as pernas e ainda via tudo rodar, pode sentir que aqueles homens socavam e forçavam seu corpo dentro se sacos de pano, provavelmente roupas, quando acabaram ele foi arrastado pelos corredores a fora, chegando novamente em outro quarto úmido, escuro e vazio. E ali mesmo, atirado no chão. Gemeu com o impacto. Um minuto depois, voltou um homem, que o colocou de quatro e por fim, forçou sua cabeça contra uma massa, gosmenta, que imediatamente, Chris não conseguiu identificar o que era, somente que era comida!

Chris começou a chorar, mas nem mesmo o choro o impediu de comer. Aquilo podia ser lavagem de porco, poderia ser lixo, poderia ser alguma brincadeira sádica de seus captores lhe dando algo bem esdrúxulo para engolir... aquilo poderia ser qualquer coisa, mas não importava. Simplesmente porque era comível. E ele comeu sem pensar, como um animal faminto, enfiando ainda mais o rosto e as mãos contra a tigela, fazendo barulhos tão altos quanto o de um porco. Quando a comida acabou, Chris ainda tinha a cabeça enfiada na tigela de barro, como se esperasse que mais comida fosse brotar dalí, então o mesmo homem que o botou para comer o puxou pela gola jogando-o do outro canto da sala.

" – Americano." – Chamou um homem armado. " – Temos noticias boas para você, seus amigos e sua linda irmã estão vindo te buscar."

Demorou um pouco para processar a noticia. Amigos. Irmã. Um resgate? Teriam entrado em um acordo? Eles já estariam lá? Ele finalmente iria embora? Casa... Ela... aquela garota, o tempo passou mas ela não aprendeu. Ela sempre ia atrás dele, sempre ignorava suas ordens, sempre foi rebelde, só fazia o que queria, quando queria e como queria... ela deveria ter ficado naquela maldita universidade, bem longe dele, deveria ter levado uma vida normal... Mas não, ela era teimosa feito uma mula, cabeça dura, foi atrás dele em Raccoon City, não satisfeita acabou sequestrada porque insistiu em continuar procurando por ele. Se meteu com gente perigosa, poderia ter se machucado, poderia ter morrido. E de todos os perigos, o pior, foi ele mesmo. Ela não deveria ter ido atrás dele, ela não deveria chegar perto dele... ele só fez mal a ela...

" – Claire... Claire..."

Acampamento militar da Força Aérea Britânica – Ilhas Malvinas.

Deixou que a água quente caísse sobre seu corpo dolorido, relaxando-o por todo o tempo que julgou necessário. Durante o banho, as memórias do acontecido na Ilha Rockford e na Antártida lhe perseguiam a cada segundo. Claire não era militar, não era uma combatente, não estava preparada para nada daquilo, como ela pôde? Ela cruzou o país e enfrentou a infestação de Raccoon City só para procura-lo, invadiu um prédio da Umbrella só porquê lá supostamente haveriam pistas sobre seu paradeiro, poderia ter morrido... e seria tudo culpa dele. Qual era o problema dela em ficar quieta?

Se ele soubesse que ela o procurava esse tempo todo... ainda mais depois do jeito em que se separaram. Não, prometeu para si mesmo que agiria como se aquela noite nunca tivesse acontecido. Mas mesmo, assim, ele era fraco, tão fraco... Tudo o que Claire disse provavelmente era verdade, ela podia estar completamente fora de sí, mas mentirosa, nunca foi. Aquela mulher... aquela mulherzinha... Claire tinha razão, era traiu o seu pai, ela lhe plantou um belo par de chifres, ela sugou seu pai até onde não pode mais. Ele vivia por ela, para ela, Chris viu um homem forte e viril se transformar em uma coisinha magra e de cabelinho ralo, completamente submisso aos desejos e vontades da esposa. Controlado por medo e ciúme. Durante todo esse tempo, ele mesmo, Christopher, nunca teve valor foi só mais uma peça no jogo. Ele foi pai? Chris pensava, que se um dia tivesse um filho seu, ele sim seria sua prioridade... Seu velho pai, não foi um bom pai, mas foi o único pai que teve, e foi para ele que fez uma promessa...

Aquela noite nunca existiu, mas Chris ainda fugia de Claire, o fantasma do beijo que trocaram o perseguia e beijar sua irmã não deveria ser uma memória boa, deveria ter sido fácil resistir a maciez dos lábios visivelmente tão inexperientes dela, mas foi o contrario, aquilo só a deixou mais tentadora... e também mais proibida. O calor do corpo dela não devia lhe deixar zonzo, o toque dela não deveria fazê-lo tremer, mas ainda durante o voo de fuga da Antartida, ele tremeu.

'Me prometa, Chris. Prometa que nunca vai me deixar sozinha outra vez.'

Isso era tão insano. Como seu sua vida já não estivesse em um inferno o suficiente, ainda acabou envolvido em toda essa trama perigosa contra a Umbrela. Toda essa loucura e horror... só quis proteger Claire ficando longe dela e mas com seu sumiço só a atirou na boca dos leões, que chance ela teria? Que chance ELE tem?

Cada murro e ponta pé recebido por Wesker ainda doía em Chris. Como alguém poderia lutar contra um homem que não é mais um homem, mas sim um monstro sobre-humano. Ela botou as mãos em Claire, ele a jogou longe como se fosse um punhado de merda... ele poderia te-la matado ali mesmo, diante de seus olhos, com um único golpe numa fração de segundo, sem nenhuma sombra de remorso, só para mostrar que podia. Para completar sua coleção de burrices, decidiu ficar para enfrentá-lo... E se tivesse morrido ali? Quem tiraria Claire daquele lugar? Era tão burro... tão fraco... era um fraco miserável, insignificante, um verme... talvez Wesker tivesse razão, talvez...

" – Chris." – A voz feminina e familiar o chamou do lado de fora. Ela não podia, definitivamente não podia vê-lo assim. Fechou o chuveiro com toda a pressa e enrolou uma toalha na cintura.

" – Eu já estou..." – E ela entrou. " – ... saindo."

" – Oh, não sabia que estava aqui."

" – Tudo bem, pode usar. Mas... o que faz aqui?

Claire abraçou sua muda de roupas e toalhas. " – Me disseram que era aqui o meu alojamento... com você."

Claro. Idiota. É a sua irmã, para todos os efeitos é uma Redfield, filha de seu pai e logo sua irmã, por quê dariam um alojamento, um para cada um, se ambos são... irmãos. " – Tudo bem." – Respondeu sem olha-la nos olhos. A verdade era que ser visto só de toalha por Claire não é mais algo confortável, e nem um pouco natural como era antes.

Do lado de fora, abriu o armário e tirou seus remédios e caixa de curativos. Foi uma puta surra! Wesker mostrou muito bem como ele era fraco e incapaz... uma lição que Chris aprendeu e nunca iria esquecer... Cada costela quebrada estava ali doendo para lembra-lo, casa corte e escoriação. E para completar, ainda havia a suspeita de que tenha ganho uma hérnia de hiato ainda a se confirmar. Começou passando uma gaze com álcool no pontos que tinha no tronco e na barriga, devagar... movimentar era dolorido para ele, podia sentir cada costela quebrada reagir. Depois disso feito, procurou a tala para o ombro esquerdo, o medico disse que deveria ficar com ela por no mínimo um mês. Chris conhecia a palavra LIXO. Um lixo era o que ele parecia, um LIXO era como ele se sentia. E nada mais do que um belo punhado de LIXO.

" – Procura por isso?" – Ela perguntou segurando uma tala azul nas mãos. Ela tinha o cabelo molhado, solto e bagunçado. Os pés pequenos e descalços tinham algumas escoriações, assim como os joelhos e os braços, o resto do corpo estava coberto por uma toalha.

Chris desviou o olhar. " – É... justamente isso." – Fez menção de pegar a tala mas ela a afastou.

" – Deixa que eu te ajudo." Então ela chegou perto e o fez tremer quando ela o tocou no peito, as mãos brancas, inacreditavelmente delicadas e de unhas curtas passearam por seu braço e ombro esquerdo. Aquilo não estava certo... não podia estar certo.

" – Eu faço isso sozinho." – Ele tentou para-la, segurando-a pelo pulso.

" – E por quê?" – Claire ergueu uma sobrancelha, deixando a mão parada entre seus rostos, com o pulso firmemente apertado por ele. " – Você me salvou, não foi? Sempre assim... um irmaozão, sempre lá para sua irmãzinha. Nada mais justo que agora eu cuide de você."

Deus... me ajude!

Isso era tão errado... tão errado. Chris queria fugir, mas sob qual desculpa? Afinal, aquela noite nunca existiu. E se Claire mudou de ideia? E se ela botou a cabeça no lugar e... agora o errado seria ele, em enxergar outra intenções nas atitudes dela. Até que ponto Claire seria sádica em lhe repetir essa frase sobre irmãozao e irmãzinha, molhada e só de toalha, tão perto... depois daquela noite. Não! Porque aquela noite nunca aconteceu!

Soltou a mão dela, e deixou que ela o tocasse.

" – Eu sinto muito pelo Steve." – Soltou a frase enquanto ela encaixava a tala com cuidado.

" – Eu também." – Ela respondeu parando um instante.

" – Foi horrível. Mas... Você ainda é muito jovem, quando menos esperar, conhecerá um outro rapaz, e será como se Steve nunca tivesse existido."

Claire prendeu a primeira fivela depois de passar a primeira correia em seu pescoço, depois as duas mãos passearam em seu peito, prendendo a segunda fivela na frente. " – E eu aposto que isso te deixará muito feliz. Aliviado." – Ela chegou mais perto, encostou tronco com tronco, passou as duas correia restantes em suas costas e então levantou o olhar, encarando-o. " – Afinal, vai finalmente se livrar de mim. Não é?" – E afivelou.

" – Claire... não faz assim... por favor."

" – Assim como?"

Não chegue perto. Não se aproxime. Não insista. Vá, antes que seja tarde. Ele quis dizer, mas não pôde, não sem antes fazer uma acusação.

" – Claire, sobre aquela noite... me diga que passou. Por Favor, me diga que passou."

E os olhos dela escureceram. E ela se afastou. " – Passou, se você quiser que passe. Tudo vai depender da sua resposta." – E então ela fez com que a toalha dela fosse ao chão. Ela tinha seios fartos, quadril largo, os mamilos eram dois botões cor de rosa e duros, e ela muito ruiva lá em baixo também.

Se realmente existir alguém aí em cima, por favor me ajude!

" – Eu pensei em te deixar em paz. Juro que pensei. Se você não me vê como mulher eu devo te respeitar e seguir o meu caminho. Mas um irmão não tremeria com o meu toque. Um irmão não ficaria incomodado com a minha presença. Se aquela noite não existiu, você não fugiria de mim como o Diabo foge da cruz. Um irmão vê a irmã nua e não sente desejo, uma irmã pode cuidar das feridas de um irmão machucado, pode entrar no banheiro dele, pode dividir um quarto com ele. Olha pra mim, Chris."

E ele olhou. Ele não sabia se ela não percebeu sua ereção por baixo da toalha, ou só teve algum motivo para fingir ignora-la.

" – Olhe dentro dos meus olhos, chegue perto de mim, e me diga que só me vê como uma irmã, diga que não me deseja, diga que não se importa de me ver nos braços de outro homem... E eu viro as costas para você agora, e vou seguir a minha vida. Eu serei pra você a irmã que deveria ter sido, eu vou conhecer alguém, e deixar que ele entre, talvez eu me case, tenha filhos e eles vão te chamar de tio..."

" – Para! Não fala mais nada!" – Implorou. E quando percebeu já era tarde, ela chegou perto outra vez. Perigosamente perto. Os olhos dela brilhavam, a boca dela tremia... ele nunca deveria fazê-la chorar, nunca. Ela pousou as mãos trêmulas em seu abdômen, percorreu o peito e chegou na nuca. Chris arrepiou cada pelo de seu corpo quando os dedos dela enroscaram em seu cabelo. " – Claire... a gente estragou tudo." - E só quando escutou a própria voz, percebeu que chorava também.

Claire o beijou. Um beijou molhado e estalado. Desavergonhado. " – Hum... A gente sempre estraga tudo, Chris." – Ele não tentou resistir, apenas a beijava de volta e a abraçava forte, sentindo o toque da pele dela, quente, macia feito seda. " – Ah... Espera..." – Tentou protestar quando percebeu que a toalha que ele tinha na cintura, também foi ao chão. Mas Claire não pareceu se importar. Chris soluçou quando ela segurou o seu sexo e começou a massagea-lo devagar. " – Claire... eu não posso... a gente não deve... ah... ainda... Claire... Por Favor..." Ela não parou e quem teve que parar, foi Chris, de uma maneira muito vergonhosa, quando ejaculou em menos de dois minutos, na mão dela, sujou a barriga dela e a dele também.

Ela pareceu desapontada e Chris nunca sentiu tanta vergonha. Enxugou os olhos com as costas da mão. " – Eu sinto muito."

Claire o beijou mais uma vez. " – Tudo bem. Está tudo bem. So promete que vem pra casa comigo."

" – Eu vou."

Claire sorriu. " – Chris?"

" – O que?"

" – Você me quer?"

" – Você sabe que sim."

" – Então porquê resiste ainda?"

Podia ser um machismo imbecil, poderia ofende-la se confessasse, mas a verdade era que, pior que quebrar a promessa de seu pai, pior que quebrar o tabu e todas as regras morais que conhecia, pior que ser o verme que ele já era... seria além disso tudo, deflora-la. " – Eu não estou pronto pra você ainda. Eu não vou coseguir suportar... eu não posso te machucar, você so tem dezenove anos... é uma menina... eu não posso..." Então ele percebeu que ela sabia onde ele queria chegar. E ela riu.

" – Chris. Eu nunca disse que eu era virgem." – E rindo, ela se afastou.

Como assim não era virgem?!

Ela disse que o amava desde sempre... então como ela transou com outro? A primeira vez da Claire, sua Claire... foi com alguém que ela não amava, foi só sexo, foi muito menos do que ela merecia... e o único culpado disso, era ele.

Claire vestiu uma camiseta da Força Aérea e um shorts. Ela tinha um sorriso maligno no rosto. Ela parecia achar a ingenuidade dele uma coisa engraçada, e Chris queria gritar por causa disso. Também vestiu uma muda de roupas e deitou do lado dela, emburrado.

E essa noite assim como nas seguintes, dormiram juntos, deixaram que suas mãos explorassem o corpo um do outro, se descobriram ao beijos, mas não teve coragem de fazer sexo com ela. E o real motivo, ele não sabia explicar.

" – Claire... de todas as maneiras que eu imagino esse caminho, em nenhuma delas o final é bom."

" – As vezes um final ruim não importa, se o inicio e o meio, sozinhos, já valerem a pena."

Continua...