Fuckin' Perfect
By: Jubs.
To: Debs-chan, por todos as reviews, pelo carinho e pela amizade.
Music by: Pink
[5 º Tomo – Novos caminhos]
"Nada sucede ao homem que sua natureza não seja capaz de suportar."
XVII
Em meio ao trabalho e as mudanças para um apartamento no centro da cidade, nove meses se passaram. Sara e Yume haviam morrido há um ano e aquela era a primeira vez que Sesshoumaru as visitou no cemitério. Naquele meio tempo, os movimentos em sua mão voltaram, mas com algumas sequelas, como tremores e alguns movimentos involuntários em seus dedos. Sua perna e seu andar já não eram os mesmos, e quando precisava percorrer longas distancias a dor era tanta que continuou a usar a bengala para auxilia-lo.
Sua antiga casa foi reformada e tombada como patrimônio histórico e Sesshoumaru não se sentiu tão só ao mudar-se para um apartamento de dois quartos, um que ele transformou em um escritório. Voltou a trabalhar novamente e, por alguns minutos ao dia, sentia como se pouco houvesse mudado. Porém, estar ali, sabendo que não voltaria a grandiosa casa e que nem mesmo andava da mesma forma de outrora, lhe trazia um gosto amargo na boca.
Os nomes gravados em preto na polida lapide cinza apenas marcava tudo o que perdeu e como sua vida havia acabado. Os nove meses de terapia o ajudaram a se preparar para aquele momento, mas a avalanche de sentimentos era forte demais para que ele pudesse aguentar, já não era tão forte. Queria fugir daquele lugar e daquelas terríveis sensações, mas sentiu uma mão em se ombro, o que lhe deu um pouco mais de coragem em permanecer naquele lugar.
- Imaginei que seria decente voltar hoje, sabe? Te dar apoio...
- Obrigada Hakudoushi. – A voz de Sesshoumaru saiu abafada, pois tentava reprimir as lagrimas.
- Desculpe o atraso.
- Não se preocupe. – Suspirou e voltou-se para o primo, finalmente o encarando. – Eles foram embora faz pouco tempo.
Sua família fez uma cerimônia pela data de morte de Sara e Yume, mas Sesshoumaru ficou no cemitério até o anoitecer para prestar sua homenagem sem os olhares de pena dos familiares. Queria se desculpar por não ter ido visita-las naquele ano que havia passado. Pela primeira vez, não se sentiu mal ou inseguro por Hakudoushi ver seu momento de fraqueza.
- Vamos. – Recuperou o tom frio e metálico de sua voz. Hakudoushi acenou e o seguiu.
Andaram em silencio por cerca de meia hora pelas ruas mal iluminadas próximas do cemitério até chegarem em um pequeno e vazio bar de esquina. Sentaram-se em uma mesa distante da entrada e pediram suas bebidas em um curto sussurro. Sesshoumaru já não tinha mais pesadelos, mas tinha uma certeza inabalável de que naquela noite teria. Suspirou novamente enquanto esperava as bebidas chegarem e encarou Hakudoushi, que parecia pensar em como iniciar aquela conversa.
- Como você está, Hashi? – Faziam meses que não o via, logo, deveria ser educado e perguntar como ele estava antes de questiona-lo sobre onde Hakudoushi havia estado e por que havia sumido daquela forma.
- Estou bem e você? – Ele abriu um sorriso quando as bebidas chegaram.
- Melhorando.
- Eu sei o que você vai me perguntar agora, porém, antes disso eu gostaria de me desculpar e saber como está seu tratamento.
- Não preciso mais de acompanhamento psiquiátrico e médico, psicologicamente estou estável e não faço mais terapia, estou apenas na fisioterapia para cuidar das sequelas. Mudei de casa e estou sobrevivendo. O que mais você quer saber?
- Ahm... Rin esta bem?
Não sabia como responder aquilo. Faziam meses que a não via. Depois do aniversário de Sangô ela ligou para marcarem de se encontrar, mas Rin teve que desmarcar pois sua proposta em realizar uma pesquisa nos Estados Unidos tinha sido aceita. Rin disse que o estudo duraria um ano e que, quando retornasse, gostaria de ter a oportunidade para conversar com Sesshoumaru e tentar a tal amizade. A última vez que a viu foi na noite anterior ao embarque, e ainda assim não conversaram muito.
- Ela viajou Hashi, já fazem sete ou oito meses.
- Ah sim... – Ele continuou sorrindo. – Ela é uma boa pessoa, não gosto de pensar que a machuquei.
- Mas você a machucou e não tente negar isso para si mesmo. – Viu o sorriso do primo morrer, mas não se sentiu melhor com aquilo. – Ainda sente algo por ela?
- Não dessa forma, Sesshoumaru. Quando eu vi o seu estado no hospital, o quanto você sentiu e ainda sente a perda de Sara, eu percebi que eu não sentia o mesmo amor por Rin. Sempre fomos mais amigos do que namorados e acho que foi por isso que acabei a machucando.
- Acredito que você fez a coisa certa por ela.
- E não por você. – Os olhos lilases de Hakudoushi brilhavam pelo arrependimento. – Nunca fui bom em lidar com essas coisas...
- Você acha que foi fácil pra mim? – Pontadas de raivas podiam ser percebidas em sua voz. – Você sempre foi como um irmão pra mim, mas quando as coisas ficam feias você simplesmente some?
- Eu senti ciúmes. – Hakudoushi se calou por um momento, dando a chance para os dois finalmente beberem. – A forma como ela falava de você, ela nunca falou de mim naquele tom. Rin nunca me falou sobre a sua terapia, mas eu pensei que o certo a fazer era me afastar e dar uma chance para você, quem sabe você ficava melhor sem mim no caminho...
- Você enlouqueceu?
- Não Sesshoumaru, eu conheço Rin e ela nunca falou ou olhou para um paciente da forma como ela fazia com você.
- E depois o que? Era só esperar você sair e eu me lamentar e ser consolado por Rin? Depois de perder minha esposa e filha?
- Caramba! Não foi o que eu quis dizer!
- Você nunca soube se expressar. – Sesshoumaru revirou os olhos e abriu um meio sorriso, sendo seguido pelo primo.
- Enfim, mesmo que demorem anos ou nunca aconteça, eu precisava deixar esse caminho livre pra você.
- Entendo. – Terminou sua bebida. – E por onde você tem andado?
- Nenhum lugar em especial. Tenho arranjado qualquer trabalho possível e me mudei bastante. Acho que não fui feito para ficar em um lugar só.
- E quando vai embora?
- Pensei em ficar duas semanas dormindo no seu sofá.
- Vou pensar no seu caso.
- Prometo que videogame só aos fins de semana!
- Esta bem, pode ficar no meu sofá, mas voltei a trabalhar normalmente, então nada de barulhos após às 23h.
- Sim senhor!
E, desta forma, o equilíbrio e a tranquilidade voltaram a reinar. Nunca foi difícil com Hakudoushi. Não era à toa que sempre foram muito próximos, mesmo com a distância e possíveis brigas. Era como se sentir em casa depois de um longo dia de trabalho, fácil e confortável. Nem mesmo viram as horas passando no bar, apenas pediam novas bebidas enquanto se recordavam do passado. Todos os tortuosos caminhos os levaram para aquele lugar e era inegável o quanto havia crescido naquele meio tempo. Por mais que tivesse sido difícil e muito sofrido, alcançou uma certa estabilidade. Em um ano Sesshoumaru entrou em seu inferno pessoal, mas se tornou mais forte e finalmente estava conseguindo sair. Sua vida estava voltando à um ritmo normal e brindou a isso.
Ao sair do bar com um Hakudoushi ligeiramente bêbado, sentiu seu celular vibrar. Não reconheceu o número de imediato, mas abriu um meio sorriso ao ouvir a voz dela e se lembrou daquele café da manhã há 9 meses.
Pretty pretty please don't you ever ever feel
Like you're less than fucking perfect
Nove meses atrás
Sesshoumaru abriu os olhos lentamente, era como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Não sentiu dor e não teve pesadelos, mas tinha a leve noção do que havia ocorrido no aniversário de Sangô, foi quando tudo voltou. Rin estava ali, há duas portas de distância, bêbada demais para voltar para casa. Se levantou da cama e andou pelo corredor, com o propósito de checar que ela ainda estava ali. Sorriu imperceptivelmente ao vê-la dormindo tranquilamente.
Não sabia se aquilo era uma boa coisa, aquela amizade com Rin, mas tentaria, afinal, era inevitável encontrá-la. Desceu para a cozinha e começou a preparar um simples café da manhã, escutou passos na escada, afinal, no silencio daquela casa, era possível escutar tudo. Miroku havia dormido na casa de Sangô e Kagome deu uma pausa com sua briga com Inuyasha, não sabia se ainda brigavam por conta do lámem ou pela discussão com Miroku.
- Sesshoumaru? - Ouviu um sussurro e se virou para encarar Rin. Ela usava a roupa da noite anterior, a maquiagem estava borrada e ela parecia confusa.
- Bom dia. – Não era intencional o tom frio.
- Me desculpe por ontem. – Sesshoumaru ofereceu uma xícara com café, a qual ela simplesmente tomou sem nem notar. – AI! Sesshoumaru! Queimei minha língua. Por que não me avisou que era café?
- É isso que a ressaca faz com você? – Arqueou uma sobrancelha e segurou um sorriso. – Te deixa lenta assim?
- Eu teria cuidado se fosse você, sou perigosa quando estou de ressaca.
- Rin, apenas sente e tome um pouco de água. – Colocou um copo e uma garrafa de água gelada na frente dela.
- Obrigada. – Rin sorriu.
- Se quiser, tem algumas roupas se você quiser e uma escova de dente. – Percebeu que o sorriso dela ficou tremulo. – Não são roupas de Sara, Kagome às vezes deixa suas roupas aqui e também tenho uma escova de dentes nova.
- Olha Sesshoumaru...
- Vou separar as roupas pra você e conversaremos.
Nem mesmo prestou atenção aos protestos da psicóloga. Apenas seguiu para o quarto que Inuyasha às vezes dormia e separou uma simples roupa e pegou a escova de dentes. Voltou para a cozinha e a esperou tomar um banho pacientemente enquanto terminava seu café, já nem percebia que continuava a mancar, ao menos o movimento dos dedos da mão esquerda estavam voltando. Rin apareceu quase meia hora depois, havia tomado banho e mantinha um sorriso sem graça nos lábios. Ela estava adorável.
- Sente-se melhor?
- Sim, muito obrigada. – Ela se sentou em frente à mesa e se serviu café, agora consciente do quão quente ele estava. – Me envergonhei muito ontem à noite?
- Não, você não fez nada de errado. – A voz de Sesshoumaru era distante. – Você estava falando sério ontem?
- Sobre sermos amigos? – O sorriso dela era divertido. – Sim. Eu estava bêbada ontem, mas eu realmente gostaria disso.
- Isso é estranho, Rin.
- É muito estranho e, se você não se sente confortável com isso...
- Não é questão de confortável ou não, nos conhecemos num momento em que eu estava muito vulnerável, mas é como falamos ontem, é inevitável nos encontrarmos.
- Então vamos mesmo tentar?
- Assim que começarmos a sua 'terapia'. – O meio sorriso dele a animou. – Vamos tomar apenas café agora, okay?
Conversaram sobre a festa de Sangô e hipotetizaram os motivos que levaram Inuyasha e Miroku a discutirem e, consequentemente, a discussão entre Kagome e Inuyasha. Sesshoumaru defendia que poderia ter algo relacionado à 'mão amaldiçoada' de Miroku, enquanto Rin achava que altas quantidades de álcool tornou a briga maior. Ele finalmente não se sentia tão culpado de estar em uma conversa tão descontraída com Rin.
A vida parecia um pouco mais fácil naquele momento, mesmo com o desconforto inicial, ter Rin ali fez com que ele percebesse que talvez sobreviver não fosse o suficiente. Mesmo com a falta que Sara e Yume faziam, não era mais tão difícil, principalmente agora que não via Sara pelo apartamento. Sua alucinação realmente havia o ajudado. E, de repente, Kagome, Inuyasha, Miroku e Sangô surgiram na cozinha, mas sem quebrar aquele breve momento de calmaria de Sesshoumaru.
- Dormiram aqui? – O tom frio de Sesshoumaru mascarou a curiosidade.
-Não, mas pensamos que seria divertido tomar café da manhã com você. – Kagome respondeu sorrindo, ignorando a cara de sono dos outros três ao seu lado. – Não sei se eles ainda estão bêbados ou se a ressaca já começou.
- Não se preocupe, Kagome. – Sesshoumaru se sentou próximo de Rin.
- Estamos interrompendo alguma coisa? – Miroku perguntou divertido ao perceber que a psicóloga estava ali.
- Não, apenas estávamos tomando café da manhã e conversando. – Ela sorriu.
- Dormiu aqui? – Inuyasha se pronunciou confuso enquanto se sentava e colocava o café em uma caneca.
- Sim. Eu fiquei muito bêbada ontem e não podia dirigir, então Sesshoumaru me ajudou.
- Nunca esperava esse tipo de gentileza de Sesshoumaru. – Sangô se sentou ao lado de Rin e rapidamente repousou a cabeça nos braços para tentar dormir um pouco.
- Sangô. – Sesshoumaru simplesmente estreitou os olhos sem finalizar suas ameaças. – Podemos comer em silencio?
- Sim senhor, assim a ressaca passa mais rápido. – Rin levantou seus olhos e sorriu para ele.
O silencio se aproximou devagar, mas não deixou a cozinha tão cedo. A maioria do que estavam ali não pensavam em muitas coisas por conta de uma grande dor de cabeça graças a ressaca, mas Sesshoumaru logo se viu perdido em pensamentos novamente. Sua xicara de café esfriava lentamente, porém parecia não importar. De alguma forma, aquilo parecia certo e um pouco familiar, todos ali, como se realmente fossem uma família e como se tivessem se conhecido a anos. Sangô e Rin mostravam que realmente era só uma sensação, pois começaram a fazer parte daquele grupo a tão pouco tempo.
Mas rapidamente eles voltaram a conversar animadamente na mesa, como se o efeito do café e chás tivessem agido. Rin se prontificou a dar uma carona para Sangô, já que Inuyasha, Kagome e Miroku decidiram passar o dia ali.
Sesshoumaru nunca terminou sua conversa com Rin, sim, tentariam ser amigos, porém, quando começariam realmente? Sentia-se ansioso para vê-la novamente e em conhecer sua vida e, mesmo sentindo-se daquela forma, já não se sentia tão culpado. Permitiu-se aproveitar o café da manhã com sua família, por mais que não fossem Sara e Yume. Despediu-se de Sangô e Rin quase na hora do almoço, pois elas o ajudaram a arrumar a cozinha e Rin voltou a colocar o vestido azul-marinho, deixando a roupa que Sesshoumaru havia lhe emprestado dobrada aos pés da cama.
Ao dar adeus, viu nos olhos de Rin a promessa de que voltariam a se reencontrar.
XVIII
A voz dela era abafada, como se murmurasse em um local com muito barulho, mesmo que Sesshoumaru apenas conseguisse perceber a voz de Rin. Porém, sentia-se estranho ao falar com ela ao lado de Hakudoushi, pois não conseguia mascara as desenfreadas batidas de seu coração. Acenou para um taxi, sem nem ao menos perceber que continuava com o celular colado a sua orelha. Esperou o primo entrar no carro para finalmente tomar consciência de ela continuava a falar do outro lado da linha.
-Sesshoumaru? Você está me ouvindo? – A voz de Rin o despertou de seus devaneios.
- Sim, está tudo bem? – Finalmente se pronunciou, mas a frieza excessiva não era proposital. Falou rapidamente para o taxista seu endereço e voltou a prestar atenção na ligação.
- Ah sim! Liguei para avisar que vou voltar na quinta e pensei que, talvez, pudéssemos nos encontrar e conversar sobre tudo.
- Podemos marcar na sexta-feira?
- Claro! Te ligo assim que desembarcar para vermos o horário e aonde! Mal posso esperar para voltar!
- Imagino, dá para perceber que você está animada.
- Muito, mas não posso falar alto, estou dentro da universidade e não posso falar direito.
- Não se preocupe, vamos conversar quando você voltar.
- Até lá! Beijos.
- Até logo. – Desligou o celular e percebeu o olhar curioso de Hakudoushi, que estava sentado ao seu lado.
-Quem era? – O tom de voz do primo era completamente despreocupado, o que não coincidia com o olhar curioso.
Demorou alguns segundos para Sesshoumaru decidir se contava ou não para Hakudoushi. Era estranho e irreal ter tido aquela breve conversa com a ex de seu primo, por que sabia o quão errado era sentir seu coração pulsando de tal forma. Claro, Hakudoushi falou sobre aquele assunto improprio e havia lhe dado tal abertura, mas não podia se aproveitar daquilo, porém, não poderia mentir para Hakudoushi. Afinal, ela apenas queria sua amizade, não era? E, se fosse apenas a amizade, aquele beijo que permanecia vivo em sua memória nada teria significado. Deuses.
- Era Rin. – Falou como se nada daquilo importasse.
- Achei que não falava mais com ela. – Hakudoushi abriu um meio sorriso.
- Depois que ela viajou, realmente paramos de nos falar. – Não queria mais falar sobre aquilo, principalmente com ele, mas aquele olhar de Hakudoushi o forçava a continuar. – Ela não tem muitos amigos aqui e queria que nós tentássemos uma amizade. Rin foi viajar e, agora que está voltando, decidiu me ligar para voltar a discutir esta possibilidade.
- "Amigos".
- Apenas amigos, Hakudoushi. – Olhou assassinamente para o primo que se calou.
Sim, aquilo era completamente desconcertante. Sabia o que passava na cabeça de Hakudoushi e também sabia o que se escondia nos olhos lilases que estavam quase sempre tranquilos. Ciúmes. Então por que tiveram aquela conversa mais cedo? Era tão absurdamente desnecessário. O taxi apenas não se preencheu com aquele desastroso silencio pela música que tocava na rádio. As duas semanas que Hakudoushi passaria ali seriam daquela forma? Não poderia mais ter a liberdade de falar sobre seus amigos? Não que realmente quisesse fazer tal coisa, porém, Hakudoushi era seu melhor amigo no final das contas, não é mesmo?
Quase deu graças quando o taxi parou em frente ao prédio, jogou algumas notas no assento do passageiro e saiu do ar sufocante que havia tomado o interior do carro. Sabia que seu primo o seguia para o apartamento, sua cabeça doía tanto que desejava apenas descansar. E alguém poderia o culpar? No 'aniversário' de um ano da morte de sua família teve que lidar com o ciúmes e inseguranças de outro homem e se viu obrigado a perceber que até a ligação da psicóloga mexia com ele. Nada mais era normal em sua vida, como tudo podia mudar em apenas um segundo? Ao entrar no apartamento, pegou o necessário para deixar Hakudoushi confortável no sofá e voltou a seu quarto, nem mesmo ouviu quando ele o chamou para conversarem. Estava exausto e precisava de algumas horas de paz.
Ao acordar, aquele gosto amargo permanecia em sua boca, nem mesmo escovar os dentes ajudou a tirar o sabor, nem mesmo poderia culpar um pesadelo, pois não os teve. Tentou andar silenciosamente pelo apartamento para preparar seu café da manhã sem acordar Hakudoushi, mas o primo tinha o sono extremamente leve. Não queria ter outra conversa sobre Rin, não queria se sentir como o menino culpado que vai receber um castigo. Sabia que era errado, tão errado, mas tinha algum controle? No fim das contas, alguém tem algum tipo de controle sobre os próprios sentimentos? É possível tentar esconder e mascarar, mas domá-los completamente? A única coisa que Sesshoumaru sabia naquele ponto era que não seria o primeiro a falar, aquilo mataria o pouco orgulho que ainda tinha.
- Olha, eu fico feliz que você e Rin vão ser amigos, eu sei que passei dos limites ontem. – Hakudoushi se pronunciou quase meia hora depois de ter seguido o primo para a cozinha.
- Sim, você passou. – Sua voz era distante e desinteressada.
- Mas ela foi importante pra mim e eu fico preocupado.
- Sinceramente, Hashi? Não existe nada entre eu e Rin, não entendo como você pode pensar em 'deixar o caminho livre' para que eu fique com ela sendo que nossa única relação foi profissional. Eu estou me recuperando de tudo o que aconteceu e nem mesmo consigo pensar em outras mulheres, principalmente na sua ex-namorada e minha ex-psicóloga.
- Mas você vai…
- E você acha que eu poderia começar alguma coisa com a sua ex? Que eu simplesmente iria ignorar que um dia você teve sentimentos por ela e do relacionamento que vocês tiveram? Mesmo se eu ficasse interessado por ela, eu nunca faria nada. – Sesshoumaru falou irritado.
Tudo o que queria era ter relembrado sua vida ao lado da esposa e filha, não ficar numa discussão sobre a psicóloga na noite passada. Era a primeira vez em um ano que a visitava e precisava realmente falar sobre Rin? Até mesmo falar com Rin? Sim, era bom ouvir a voz dela, mas era absurdamente injusto com a memória de sua família. Além de ter que enfrentar todas as coisas que Hakudoushi havia lhe dito e tentar não entrar em uma briga com o mesmo, falar que entendia por que não queria prolongar o assunto.
- Se esse dia chegar eu não quero que você me veja como um obstáculo. – Hakudoushi falou calmamente e com um sorriso no rosto. – Por que no momento em que você me ver como um obstáculo entre você e a sua felicidade, você vai se ressentir e me odiar. Você não estará tomando nada de mim, então não tem o porquê se sentir culpado, por que eu também estou torcendo pela sua felicidade.
- Eu continuo não te entendendo, mas obrigada.
Sentiu a raiva amenizando, afinal, tudo o que Hakudoushi queria era sua felicidade, assim como Sesshoumaru queria a felicidade do primo. Mas, aparentemente, Hakudoushi percebeu certas coisas antes mesmo que Sesshoumaru conseguisse e era isso o que o irritava, até mesmo ver o primo mais maduro e tranquilo. Mas usaria a raiva para motiva-lo, exatamente como Sangô havia lhe ensinado. E então a conversa começou a fluir sobre outros assuntos e a paz foi reestabelecida sem as sombras do passado.
Pretty pretty please if you ever ever feel
Like you're nothing you're fucking perfect, to me
Os dias passaram sem grandes novidades no apartamento de Sesshoumaru, mas ele sabia que não duraria. Talvez aquele clima de tranquilidade fosse por que passava a maior parte do dia no trabalho e nunca sobrava tempo para sentar e conversar direito com o primo, que sempre procurava algo novo para fazer durante as tediosas noites no silencioso apartamento. Sexta-feira havia chego, Rin havia ligado antes para marcarem local e hora e Sesshoumaru sabia que Sangô fora busca-la no aeroporto, até mesmo havia comentado com Hakudoushi, porém, sentia-se ainda estranho por falar deste assunto com ele.
- Já está indo? – Ouviu a voz do primo vindo da sala e conteve um suspiro cansado.
- Sim. – Sua voz saiu num murmúrio. – Falei que você poderia se juntar a nós.
- Não, relaxa, vou sair com Miroku hoje. Faz tempo que não ficamos bêbados juntos. – Hakudoushi sorriu divertido quando Sesshoumaru finalmente saiu do quarto. – Sabe que isso não é um reunião, não é?
- Por que diz isso? – Perguntou irritado.
- Essa gravata, Sesshoumaru. Ninguém usa uma gravata para encontrar amigos.
- Por que todo mundo tem um problema com a minha gravata? – Resmungou enquanto tirava a mesma e a jogava no sofá.
- Outra coisa antes de você sair.
- O que é agora?
- Tente se divertir, sabe? O tom frio e sério não é divertido pra mais ninguém além de você. - Ele apenas conseguiu rir com a expressão de desgosto de Sesshoumaru. – Bom, eu vou logo também e, como te conheço, você vai chegar bem mais cedo do que eu, então não espere acordado.
Sesshoumaru apenas revirou os olhos e saiu do apartamento. Não havia marcado nada de interessante com Rin e sabia que Hakudoushi sentia-se desconfortável com aquela situação, por tal razão não se surpreendia que o primo beberia o possível para tirar aquilo da cabeça. A verdade é que nunca tentou ser amigo das namoradas que ele teve, nenhuma delas, sabia que o relacionamento não duraria muito tempo, então era estranho iniciar uma amizade quando o relacionamento dele havia terminado.
Tentou esquecer aquela esquisita sensação e caminhou até um pequeno e simples bar que não ficava tão distante do apartamento. Preferia andar, mesmo que sua perna o incomodasse, assim conseguia sentir o vento em seu rosto, finalmente apreciava as pequenas coisas que a vida lhe trazia. E Rin estava parada na esquina, um casaco fino a protegia da brisa, mas os pensamentos conflitantes em sua mente não permitiam que ele abrisse um pequeno sorriso ao notar que ela parecia bem mais bonita e madura depois dos nove meses.
- Boa noite, Sesshoumaru. – Ela abriu aquele estonteante sorriso que ele tanto conhecia, nem mesmo se lembrava da falta que aquilo fazia.
- Boa noite. – Respondeu baixo e entrou no bar, sabendo que ela o seguia.
Não se preocupou com a frieza com que a tratou, ela havia o visto em piores momentos e tinha consciência que não a afastaria por aquele gesto. Não conseguia esquecer ou simplesmente colocar no fundo de sua mente aquelas sensações, fazia um ano que perdeu sua família, Hakudoushi havia voltado e com aquela estranha conversa e agora Rin estava ali, na sua frente. Ela calmamente pedia sua bebida, tentando ignorar a expressão séria de Sesshoumaru, que logo pediu sua bebida também. Esperavam uma das mesas ficarem livre para ficarem mais acomodados.
- Rin, eu preciso ser honesto com você. – Ele percebeu que ela tentava não se mostrar abalada. Sesshoumaru não pode deixar de abrir um meio sorriso, ela sempre tentava parecer uma pessoa forte, mesmo quando não era. – Hakudoushi voltou. No dia que você me ligou, ele apareceu.
- Ele sabe que você esta aqui comigo? – Rin perguntou ligeiramente confusa.
- Sabe.
- E ele está bem? – Finalmente ela voltou a sorrir.
- Sim, tem viajado e trabalhado... você sabe como ele é.
- Aparentemente eu não sei, não imaginava que ele fosse capaz de simplesmente sumir como ele fez.
- Não o julgue desta forma, Hashi tinha seus motivos. Eu mesmo não entendo os motivos dele, mas ele não é do tipo que toma uma decisão no impulso.
- Por que você sempre o defende?
- Eu sei que ele te machucou, Rin, mas ele é como um irmão pra mim. – Rin finalmente pode visualizar o sorriso dele. – Hakudoushi parece ser imprevisível, mas ele não é. Quando ele demorou para ir me visitar no hospital, é por que ele tinha motivos. Não espero que você entenda, mas ele é família pra mim, se eu e você vamos tentar essa tal amizade, você pode acabar encontrando com ele novamente. Isso é algo possível pra você?
Sesshoumaru percebeu um brilho de confusão nos olhos da psicóloga, mas ela conseguiu disfarçar quando as bebidas chegaram. Rin ainda ganhou tempo ao brindar e ao tomar alguns goles da cerveja, Sesshoumaru apenas conseguiu soltar um curto riso e passou a experimentar a cerveja a sua frente. Foi ela que o fez falar de si mesmo, a ser honesto com algumas pessoas, então não podia se arrepender de ter falado a verdade para ela, certo?
- Ele não me machucou, ele me pegou de surpresa. Nós estávamos praticamente morando juntos e tudo parecia bem, Hashi simplesmente sumiu. Não vou mentir, eu gostaria de saber o motivo dele ou que ele ao menos tivesse falado pra mim, criasse uma história e tivesse me machucado, mas não foi assim. Seria perfeito se eu pudesse falar com ele e entender o porquê, mas podemos ir lidando com as situações quando elas estiverem presentes?
- Pra isso, você tem que começar a falar sobre você, não é mesmo?
- Tem que ser em um consultório?
- Pode ser onde você se sente confortável.
- Ótimo. – O sorriso estonteante que ela tinha voltou, o garçom voltou para indicar uma das mesas que ficaria livre. – Tem alguma mesa do lado de fora?
- Estão limpando elas, mas se quiserem, posso leva-los quando estiver pronto.
- Obrigada. – Ela simplesmente apagou o sorriso para voltar a beber.
- Falar entre quatro paredes não é fácil pra você?
- Do lado de fora dá para respirar quando fica difícil.
XIX
Enquanto esperavam a mesa ficar limpa, Rin contou da pesquisa que realizou naquele um ano e no quanto havia se mantido ocupada. Trabalhou em um hospital naqueles meses, deu palestras em clínicas escolas, mas não fez muitos amigos. Sesshoumaru tentou não parecer surpreso por aquele detalhe, como ela não conseguia fazer amigos? Ela era tão tímida e insegura daquele jeito? Pediram uma segunda cerveja, mas o garçom as levou para a mesa, para onde guiou o casal também. Ela respirou profundamente.
- Então, o que quer saber? – Rin perguntou docemente.
- Rin... não foi assim que começamos.
- Ótimo. – Ela suspirou novamente. – Quais são as suas credenciais?
- Sou um advogado, mas posso fingir ser psicólogo por algumas horas.
- Acho que é o suficiente. – Ela riu, tendo em resposta apenas um sorriso gentil dele.
- Como quer começar? – Finalmente Sesshoumaru esqueceu do tom frio e distante.
- Acho que do começo é justo. – Rin tomou sua cerveja calmamente, e logo pediu outra. – Quando eu tinha um ano, meus pais me abandonaram num orfanato, nada dessas coisas de uma cestinha na porta com uma nota para cuidarem de mim, eles me largaram lá e nunca voltaram. Fui adotada com quatro anos por um casal de missionários e acho que tive uma vida melhor do que eu poderia ter tido.
- Você tentou algum contato com seus pais biológicos?
- Eu quis, eu fui atrás de quem eles eram, mas isso não ia mudar nada do que aconteceu. Eu passei anos me culpando, achando que, mesmo com um ano, eu fiz algo de errado para que eles me deixassem daquela maneira, depois de um tempo, percebi que a culpa não era minha. Eles não estavam prontos para serem pais e não me queriam, ninguém é obrigado a ficar numa situação que o deixa infeliz.
- Mas você era uma criança, eles tinham a responsabilidade de cuidar de você.
- Não se preocupe. – Rin abriu um sorriso novamente. – Eu tenho pais que me amam, que me ajudam e que querem estar comigo. Não é certo abandonar uma criança, mas é melhor viver rodeado de carinhos do que por pessoas que não se importam com você. Eu tive a sorte que muitos outros não tiveram.
- Você se sente culpada?
- Às vezes, foi me dada uma chance enquanto outros não tiveram, isso também não é justo. Muitos crescem dentro de orfanatos e seguem suas vidas, isso é influenciado pela índole da pessoa e como ela foi tratada... se eu deixasse a culpa por ter tido essa chance, quando outros não tiveram, me consumir, eu não poderia ajudar mais ninguém e isso também não é justo.
- Como você aprendeu a lidar com as coisas dessa forma? Por que isso realmente é impressionante. – Sesshoumaru não tentava mascarar o tom chocado em sua voz, Rin sorriu sem graça.
- Acho que com meus pais. Depois que eu fui adotada, meus pais continuaram a viajar pra ajudar vilarejos e a populações em situações de vulnerabilidade e eu ia com eles. Mesmo com a culpa, minha família estava ajudando outros e isso me ajudou também. Não é como se eu tivesse tirado algo de alguém, mas era estar dando e fazendo o meu melhor para os outros.
- E como era essa vida?
- Todo o ano nos mudávamos para um local diferente, então eu aprendia sobre outras culturas enquanto vivia nelas, aprender outras línguas era mais difícil, principalmente por que ela falado principalmente inglês entre os missionários. Morávamos principalmente em países da África ou América do Sul ou Central, mas como nos mudávamos todo ano, era difícil fazer amizades.
- Não tem contato com mais ninguém desta época?
- Três ou quatro pessoas, mandamos cartas ou e-mails, mas somos mais antigos colegas do que realmente amigos.
- Agora entendo o porquê isso é tão importante.
- É a primeira vez que eu não tenho vontade de viajar, é como se eu tivesse encontrado o meu lugar. – A nova cerveja dela chegou, Sesshoumaru finalmente se deu conta que tinha que terminar sua cerveja quase quente.
- Fico feliz por isso, Rin. – Ele falou suavemente, depois de terminar a cerveja e pedir outra. –E os seus pais?
- Eles ainda viajam, eu não fui a única criança que eles adotaram. Acho que eles não conseguiriam ter uma vida diferente do que a de missionários, mas também não conseguiriam voltar para uma casa sem os filhos. Eles nunca puderam ter filhos, então acabaram criando as que foram abandonadas. Minha mãe, Emi, é uma professora e meu pai, Katsuo, é médico, então eles conseguem fazer muitas coisas boas por onde passam e, mesmo quando eu estava lá e sempre me mudando, a minha educação foi muito bem cuidada por eles.
- Sua primeira vez estudando fora de casa foi na faculdade então?
- Sim. – Ao ouvir o riso dela, Sesshoumaru sentiu seu coração acelerar. - Foi uma época estranha, mas mesmo tendo estudado em casa, a minha carta e as notas que eu tirava fazendo os testes anualmente impressionaram algumas faculdades, só que a minha inexperiência me prejudicou na hora de fazer amigos. Mas eu consegui uma bolsa, não precisava dividir meu dormitório...na pós-graduação eu já havia me acostumado a não viajar tanto.
- E isso mudou quando se mudou pra cá.
- Exatamente! Lá eu só tinha me acostumado, aqui eu me sinto em casa, fiz amigos, tive um relacionamento até que estável pela primeira vez. – Rin sorriu sem graça e bebeu a cerveja que estava a sua frente.
- Você se arrepende de alguma coisa? – Apenas perguntou por uma crescente curiosidade, queria saber mais sobre a vida dela.
- Todo mundo se arrepende, mas acho que todos cometem erros e as vezes escolhem os caminhos errados por que temos que aprender com eles, mesmo que seja doloroso.
Ela sempre o impressionava e o deixava sem palavras. As horas passaram para as pessoas nas outras mesas, porém para os dois, nada parecia mudar. Ela contava cada vez mais sobre a sua vida e a cerveja nunca parecia acabar, mas o encanto acabou próximo às 3 horas da manhã, a cerveja estava fluindo e começando a deixá-los ligeiramente bêbados. Sesshoumaru terminou sua cerveja e pediu a conta, deixando Rin surpresa.
- Eu ouvi o bastante e acho que agora podemos ser amigos.
- Obrigada. – Rin não sabia mais o que dizer.
- E como seu novo amigo, não posso deixar você dirigir nesse estado.
- Você está querendo tirar vantagem de uma garota bêbada? – Ela perguntou divertida.
- Eu prefiro garotas sóbrias.
Sesshoumaru fez ela rir, o que sempre lhe dava uma boa sensação. Voltaram para o apartamento dele e não perceberam que Hakudoushi ainda não havia voltado, ele a levou para o quarto, pedindo para que ela se sentisse a vontade, mas ao invés de realmente tentar tirar alguma vantagem dela, Sesshoumaru apenas pegou um travesseiro, coberta e seu pijama, para poder dormir no sofá. Apenas esperava que Hakudoushi não chegasse e encontrasse aquela estranha situação.
You're perfect
You're perfect
Acordou com a luminosidade do lado de fora do apartamento. Sentia sua cabeça doendo ligeiramente, culpa da quantidade de cervejas da noite anterior, tentou dormir por mais algumas horas, mas foi acordado com o som do chuveiro sendo ligado algumas horas depois. Ao menos Rin não se sentia envergonhada de tomar banho na casa dele depois da terceira vez, mesmo que não fosse a mesma casa. Enquanto ela tomava banho, começou a preparar algo para comerem, mas percebeu que seu telefone piscava avisando uma mensagem de voz.
- Hey, Sesshoumaru! Sai com o Miroku e com a Sangô e acho que não volto pro apartamento hoje, vou dormir no apartamento dele por que é mais perto daqui. Me liga de tarde pra gente ir no Inuyasha, mas liga bem tarde por que vou estar de ressaca. Até.
Não queria visitar Inuyasha, gostaria de passar o dia pensando nas histórias que Rin havia lhe contado e tentar entender como era possível ela não ter feito amizades durante sua vida. Ela era estonteante, divertida, extremamente inteligente e rápida, engraçada, forte e as experiências de vida que teve eram incríveis, como aquilo era possível? Entendia a atração que ela despertava nos homens, mas não como havia levado anos para finalmente encontrar algo tão necessário como amigos, a segunda família. Por mais frio e distante que Sesshoumaru pudesse ser, ao menos, durante anos, criou e manteve as poucas amizades que tinha, não era muito, mas era o suficiente para não passar sua vida em branco.
Foi quando a viu atravessando o corredor, o cabelo desarrumado e ainda molhados, os olhos quase fechando pelo sono, mas estranhamente não usava as roupas da noite anterior, mas um outro vestido leve, Sesshoumaru tentou não pensar sobre aquele pequeno fato. Apenas esperava que o banho a despertasse, porém não era o caso, sabia que ela não estaria de ressaca, quer dizer, não tinham bebido tanto assim, não é mesmo? Rin abriu um gentil sorriso ao finalmente percebe-lo ali e se sentou na bancada da cozinha.
- O café está quente. – Ele avisou prontamente ao entrega-la a xicara, tentando não abrir um sorriso ao se lembrar de nove meses atrás.
- Deuses, achei que não fosse se lembrar disso. – Ela revirou os olhos, tentando segurar o riso. – Desculpa ter feito você dormir no sofá.
- Não é um problema, mas agora sei o porquê Hakudoushi tem reclamado de dores no corpo.
- Ele tem dormido aqui, tinha esquecido... – Rin bebeu lentamente o café. – Ele não voltou ontem de noite?
- Dormiu na casa do Miroku, era mais perto de onde foram ontem. – Ele explicou lentamente, não queria falar sobre Hakudoushi.
- Isso é esquisito, não é? – A psicóloga pergunta um pouco embaraçada pela situação.
- Sim, não quero que ele tenha a ideia errada sobre nós.
- Eu entendo.
Ao vê-la sorrir, percebeu que talvez ele mesmo estivesse tendo a ideia erra sobre eles. Lembrou-se daquele estranho beijo que haviam compartilhado a tanto tempo atrás, não sabia se Rin se lembrava ou se pensava sobre aquilo, mas sabia que amigos não faziam aquele tipo de coisa, então era melhor se esquecer que aquilo aconteceu e da marca que havia deixado nele. Notou que ela o olhava curiosamente, como se o rosto de Sesshoumaru expressassem mais do que a fria indiferença de sempre.
- Você está bem? – Rin finalmente perguntou.
- Você veio preparada para dormir aqui? – Mudou a pergunta para não falar o que estava realmente pensando.
- Bom, a única vez que saímos eu acabei dormindo na sua casa e, como fomos à um bar novamente, pensei que seria melhor me preparar caso eu não estivesse em condições para dirigir.
- Foi uma boa ideia.
Pela primeira vez, um silencio desconfortável despertou entre os dois. Haviam conversado tanto no bar, Rin havia falado tanto de si mesma que já não tinham o que conversar? Se encaravam abertamente, mas a psicóloga não sustentava mais um sorriso, ela parecia um tanto preocupada. Seria pela situação? Sesshoumaru gostaria de saber se ela se arrependia de ter iniciado aquela amizade. Não existia mais a oportunidade de seus familiares e amigos chegarem para quebrar aquela estranha sensação, nem mesmo Hakudoushi chegaria no apartamento naquela hora. Foi então que Sesshoumaru percebeu que se preocupava com a psicóloga, aquela expressão no delicado rosto dela o inquietava.
- No que esta pensando?
- Hum? – Rin piscou surpresa com o tom de voz que ele usava, mas sorriu novamente. – Nada, apenas bobagens.
- Somos amigos agora, não é mesmo?
- Rin... – Apenas a olhou de canto enquanto servia-se mais café.
- É só que... vai demorar para ficarmos realmente confortáveis um com o outro, certo? Eu fui sua psicóloga, namorei seu primo e nós nos beijamos uma vez... Acho que, mesmo que eu tenha falado sobre mim, ainda demora para tudo fluir.
- Isso vem com o tempo. – Abriu um meio sorriso. – O que vai fazer hoje de tarde?
- Estava pensando em ler alguns artigos e...
- Você sabe que hoje é sábado? – Ele apenas ergueu uma sobrancelha.
- Não me julgue, você parece ser do tipo que trabalha todos os minutos dos dias.
- Eu era assim antes do acidente, hoje passo meu tempo livre fazendo outras coisas, algo mais saudável, sabe?
- Então o que eu deveria fazer?
- O que você quiser, Rin. Eu, por exemplo, leio um livro, saio com meus amigos, jogo alguma coisa.
- Você realmente mudou, Sesshoumaru. – Rin tocou a mão dele gentilmente e sorriu.
Instintivamente, o youkai acariciou a mão dela, parecia algo tão natural naquele momento, mas a atração que ele sentia por Rin não era. Se tivesse a coragem de olhar nos olhos dela, perceberia que aquele sentimento era mutuo. Ambos se afastaram por conta de diferentes pensamentos, mas que tinha a mesma origem: Hakudoushi. Sesshoumaru não queria provar que o primo estava certo e Rin não queria que a situação se tornasse ainda mais complexa.
- Talvez eu devesse ir para casa... – Rin sussurrou ao se levantar.
- Tem certeza? Hakudoushi vai chegar apenas no final da tarde.
- Não é esse o motivo, Sesshoumaru. – Sua voz continuava no mesmo tom baixo, mas o olhou com certa firmeza.
- Por que está fugindo? – Fez uma nova pergunta, nem mesmo percebia que bloqueava a passagem dela.
- Estamos começando, não quero estragar tudo.
- Você não vai estragar tudo. – Um sorriso sincero cruzou os lábios dele. – Por que está falando isso?
- Porque a forma que você me olha é... inquietante.
- Se é tão ruim assim, eu posso parar de olhar diretamente para você.
- Não falei que era ruim. – Rin voltou a abrir um meio sorriso.
- Sesshoumaru, cheguei mais... ahm... – Hakudoushi parou na porta da cozinha. – Estou interrompendo?
XX
Sesshoumaru e Rin sentiram seus corpos congelando. Estavam a alguns centímetros de distância, mas nada comprometedor, apenas perceberam que aquela conversa era talvez impropria, dada a situação em que estavam, se Hakudoushi não tivesse se pronunciado, seria possível que esquecessem aquele certo impedimento? Se afastaram lentamente, Sesshoumaru nem ao menos transparecia o sorriso que sustentou segundos atrás e Rin parecia ainda mais desconfortável naquele momento.
- Não está interrompendo, Hashi. – O youkai se pronunciou tranquilamente. – Estávamos apenas conversando e tomando café da manhã.
- Agora que você dormiu no sofá, entende o por que eu reclamo todos os dias? – Sesshoumaru percebeu certo alivio no rosto de Rin, apenas por que Hakudoushi havia notado que alguém havia dormido no sofá. – Bom dia, Rin. – A voz de Hakudoushi parecia amena e doce ao se dirigir à ela.
- Bom dia. – Mal conseguiam ouvi-la. – Obrigada pelo café, mas vou para casa agora.
Nem ao menos se despediu, passou rapidamente pelos dois homens e pegou as coisas que havia deixado no quarto de Sesshoumaru, não ouviu uma curta conversa na cozinha, mas ao entrar na sala, percebeu que Hakudoushi parou em frente a saída. Teria realmente que lidar com ele naquele momento? Depois da óbvia situação entre ela e Sesshoumaru? Aliás, aonde ele estava? Olhou para a cozinha e percebeu que não havia nenhum sinal de vida.
- Podemos conversar?
- Hakudoushi...
- Eu gostaria da chance de me explicar. – Ele sorriu ligeiramente. – Posso te acompanhar até seu carro ou podemos tomar um café... Não vai demorar muito tempo, eu prometo.
- Apenas um café e, se eu não gostar do que você tem para me dizer, eu posso te dar um soco.
- Então, vamos.
Sesshoumaru apenas os ouviu saindo do apartamento. Sentia certo alivio de não ter que se explicar para Hakudoushi, mas se perguntava o que teria acontecido se ele tivesse chego no final da tarde, como havia dito. Sentia-se exausto por tudo o que havia acontecido nos últimos tempos, apenas seguiu para seu quarto e se jogou na cama, querendo apenas descansar e esquecer um pouco de suas indagações. Acordou quase duas horas depois, ao ouvir a porta de entrada sendo aberta, porém, não moveu um musculo, não tinha certeza se queria conversar com o primo.
O estranho em tudo aquilo era que não sentia-se culpado. Fazia um ano que havia perdido tudo, ainda era assombrado por algumas coisas, mas não sentia a esmagadora culpa quando olhava para Rin. Nem mesmo quando se forçava a lembrar que ela estava anteriormente com seu primo. Apenas sabia que, ao olhar para o delicado rosto de Rin, sentia alivio, como se conseguisse respirar novamente. Sara nunca havia lhe proporcionado aquela sensação, talvez fosse por isso que a culpa não se mostrava presente.
- Sonhando acordado? – Ouviu a voz de Rin. Sentou-se confuso na cama e a encarou em silencio por alguns segundos, talvez fosse apenas uma alucinação.
- Achei que havia ido embora.
- Eu tinha. – Ela sorriu. – Mas percebi que tinha esquecido meus sapatos aqui. Hakudoushi abriu a porta pra mim e falou que ia para a casa de Inuyasha. Aliás, se estiver interessado, ele falou que você pode aparecer lá mais tarde.
- Ele tinha mencionado algo assim na mensagem de voz. – Sesshoumaru, pela primeira vez, não sabia o que fazer. – Você está bem?
- É... esquisito. – Rin riu um pouco divertida e se sentou aos pés da cama. – Ao falar de Hakudoushi ontem, não esperava realmente encontra-lo e ouvir respostas para minhas perguntas. Ele havia se explicado quando terminamos, mas nada realmente fazia sentido, agora é diferente.
- Hakudoushi consegue ser honesto.
- Verdade, mas com ideias estranhas.
- Que tipo de ideias?
- Ele teve ciúmes de você naquela época, por que parecíamos mais do que psicóloga e paciente.
- Somos amigos agora, ele não estava errado.
- Ele falou que parecia mais do que isso... – Ela não o olhava mais, sua voz mantinha um certo tom de tristeza.
- Rin... – Finalmente Sesshoumaru se moveu e a tocou gentilmente no braço. Hakudoushi não estava errado, estava? Eles tinham se beijado de fato, mas não era o tipo de relação que buscavam naquela amizade. – Não se preocupe com o que ele falou, as vezes as pessoas percebem a situação de uma forma diferente.
- Mas e se ele não estiver errado? – Rin finalmente o encarou, mas logo se levantou, afastando-se do toque dele. – É melhor eu ir, de verdade agora.
- Fugindo de novo?
- Sim, pelo mesmo motivo desta manhã. – Ela sorriu. – Não quero perder uma amizade que acabei de fazer.
- E quem disse que estaria perdendo uma amizade?
- Sesshoumaru… - Ela sussurrou sem saber o que fazer exatamente.
Após alguns segundos em silencio, a psicóloga fez uma curta reverencia e se voltou para a porta, não viu quando ele se levantou silenciosamente, apenas sentiu a fria mão dele em seu braço, segurando-a sutilmente. Sesshoumaru fechou os olhos lentamente ao sentir o aroma suave dos cabelos de Rin, apenas desejando senti-la entre seus braços novamente. Não queria vê-la se afastando novamente, queria apenas sentir a pele dela se arrepiando com o mais simples toque de suas mãos.
- Não me deixe sozinho de novo. – Se ouviu sussurrando sem nem ao menos saber seus próprios motivos.
Rin se movimentou graciosamente, sem desperta-lo de seus pensamentos, e abraçou a cintura do youkai. Também não sabia o por que fazia aquilo, estava confusa e perdida com as palavras ditas por Hakudoushi, mas perdeu o chão com as atitudes de Sesshoumaru. A verdade era que não queria deixa-lo sozinho, que esqueceu o segundo par de sapatos só para poder voltar e vê-lo novamente, mas os sentimentos entravam em conflito. Realmente queria que fossem amigos, mas não podia negar o efeito que ele tinha sobre ela. Sentiu uma das mãos de Sesshoumaru acariciando suas costas e a outra bagunçando os seus cabelos. Ali, dentro daquele abraço, ambos acharam um porto seguro. Era como se um vazio fosse preenchido por alguns segundos, mas uma hora teriam que se afastar e sentir o vento gelado apagar lentamente o calor provocado por sentimentos ainda não compreendidos.
- O que quer fazer então? – A voz de Rin saiu abafada, pois seu rosto permanecia contra o peitoral do youkai.
- O que você quiser, Rin. – Ele se afastou um pouco, para olhar os grandes olhos castanhos dela e abriu um pequeno sorriso.
- Você fica melhor sorrindo.
- Você também. – Sesshoumaru acariciou o rosto de Rin, mas não tinha coragem de se aproximar mais, não queria se arrepender de suas atitudes e não queria afasta-la novamente.
Mas é impossível prever a atitude das outras pessoas. Desta vez não existia pressão alguma, não era como se ele estivesse precisando de terapia ou ela estivesse namorando, o contexto e o tempo eram diferentes, talvez por isso a psicóloga não demonstrava vergonha ou medo, mas uma certa urgência. Naqueles breves segundos em que Sesshoumaru refletia no que fazer, Rin levou uma de suas mãos para a nuca do youkai e sorriu. Apenas o puxou para perto de si, sentindo os lábios que nunca havia realmente esquecido.
You're fucking perfect to me
Estranhamente, aquilo parecia certo, confortável e justo. Era como se, depois de um ano infernal, eles estivessem finalmente recebendo a recompensa pelo seu sofrimento. A imagem de Sara não o assombrava e não fazia com que Sesshoumaru se sentisse culpado por seguir em frente com sua vida, como se merecesse alguma coisa de bom depois de ter perdido tudo. O acidente, por mais doloroso que tivesse sido, trouxe algumas coisas boas para a vida dele, mesmo que admitir isso também trouxesse certa dor e culpa.
Seu relacionamento e sua forma de se relacionar havia se modificado, passava mais tempo com a família e entendia a necessidade de tê-los em sua vida de forma ativa. Aprendeu muito mais sobre si mesmo durante as sessões de terapia e havia conseguido lidar e se livrar de uma culpa que o consumia por quase toda a sua vida. E, ao sentir os lábios de Rin, soube que talvez não precisasse de uma nova amiga, mas sim de alguém com quem ele pudesse ser quem ele era em sua totalidade, não apenas o mesmo frio e indiferente Sesshoumaru.
Para Rin, se antes não tivesse sentido qualquer tipo de vergonha em tomar a atitude, agora sentia as gélidas mãos do medo lhe tocando. Sim, era algo recíproco, mas haviam dito por duas vezes que não queriam estragar aquilo. Não queria se afastar dele, não queria que aquele momento acabasse e tivessem que voltar para a realidade. Depois de 9 meses sem amigos e se sentindo como se não pertencesse a lugar algum, era bom sentir-se em casa ao sentir as doces caricias dele.
Ao finalmente se afastarem, Sesshoumaru continuou a segura-la, estudando interessado o rosto avermelhado de Rin, que permanecia com os olhos fechados, mas com um singelo sorriso nos lábios. Em sua visão, Rin não era apenas a psicóloga, mas, de alguma forma, nos poucos momentos que passaram juntos, a via de uma forma completamente diferente. Não era apenas a beleza estonteando que ela possuía, mesmo para uma humana, era a forma que falava e o significado de suas palavras, era pela suas ideias e formas de pensar e, por fim, eram os sacrifícios que ela fazia para trazer o sorriso no rosto de seus pacientes e amigos. Rin tinha falhas, mas naquele preciso momento, ela era perfeita aos olhos do youkai.
- Esta com fome? – Ele sussurrou, despertando-a.
- Um pouco... – Ela respondeu no mesmo tom, mas não conseguia olhá-lo nos olhos no momento.
- Podemos pedir alguma coisa para comer e ver algum filme. – Sesshoumaru falou com naturalidade. – Sabe, coisas que amigos fazem.
- Não vai na casa de Inuyasha hoje?
- Se eu estou lhe oferecendo passar o dia aqui apenas indica que eu não irei.
- Mas eu escolho o filme. – Rin falou divertida e um pouco ameaçadora com uma de suas sobrancelhas erguida.
Sesshoumaru apenas sorriu em resposta.
Alguns meses se passaram. Hakudoushi voltou para suas viagens e Rin e Sesshoumaru realmente começaram a cultivar sua amizade, mesmo que sua atração fosse visível para todos, eles tentavam se focar na amizade para não estragarem tudo. A psicóloga também criou laços com Inuyasha, Kagome e Miroku, eles a aceitaram de bom grado no grupo, principalmente ao verem o efeito que ela tinha no youkai mais velho. Para demonstrar toda a verdade, ao ficarem sozinhos com a tensão entre os dois, alguns beijos aconteciam, mas era algo que todos sabiam e esperavam dos dois. Naquela noite, depois daqueles meses de crescimento, o grupo em questão estava em um bar de karaokê, Sangô, Kagome e Rin cantavam uma música animada, enquanto os outros três permaneciam sentados na mesa observando.
- Quando você e Rin vão assumir que estão juntos? – Miroku perguntou, levando um chute por debaixo da mesa de Sesshoumaru.
- Sesshoumaru é muito babaca. – Inuyasha falou ligeiramente irritado.
- Não é isso. – O mais velho não desviava os olhos das garotas cantando. – Nós somos amigos agora e não importa o significado das palavras que trocamos, pois eu a respeito. E respeito ainda mais Sara, se fosse de outra maneira que tudo tivesse acontecido, talvez eu e Rin estivéssemos 'juntos', mas preciso de mais tempo.
- Sara não gostaria que você ficasse sozinho. – Um sussurro de Inuyasha chamou a atenção de Sesshoumaru, que finalmente o olhou.
- Eu sei disso, mas ainda assim sinto como se precisasse honra-la. – Sesshoumaru sorriu ligeiramente para o irmão, que tentou esconder sua surpresa com tal movimento.
- Se serve de alguma coisa, Sara aprovaria Rin. – Miroku falou sorrindo também.
-Sei disso também.
Quando a música acabou, eles voltaram a olhar para as garotas retornando a mesa e bateram palmas para elas. Rin se sentou ao lado de Sesshoumaru e tentou não tecer comentários ao vê-lo sorrindo, nenhuma delas tentou, apenas apreciaram o fato de que ele estava se divertindo. Continuaram bebendo e a conversa foi levada para outros rumos, nem mesmo perceberam as horas passando e era como se nada tivesse mudado. Sesshoumaru havia percebido que esses momentos estavam se tornando mais frequentes. Até mesmo a memória do acidente se tornava tão distante que parecia nunca ter realmente acontecido.
Levantou o olhar para a porta, sem nem mesmo saber o porquê. Viu Sara e Yume na porta, sorrindo. Porém, desta vez, o youkai nem ao menos questionou sua sanidade, faziam tantos meses que não tinha suas alucinações que pensou que elas tinham acabado, mas ao vê-las sorrindo e acenando, soube que era verdadeiramente o fim. Sua mente finalmente abria mão do sofrimento e da perda para começar novamente. Talvez, fosse exatamente aquilo: sair, se divertir, se permitir as coisas boas da vida sem se esquecer do passado. Não tomava remédios, não fazia terapia, mas o que lhe foi tirado estava pronto a ir embora. Tudo ocorreu em cerca de segundos, mas sorriu para o que havia perdido.
- Tudo bem Sesshoumaru? – Ouviu a voz de Rin em seu ouvido.
- Sim. Apenas fiquei distraído. – Sua voz estava distante, mas a olhou e não pode deixar de sorrir. – Mas acho que estou bêbado.
- Então vamos, eu te levo para casa.
Se despediram de todos e pagaram pelo o que haviam consumido. Rin havia bebido também, então Sesshoumaru não a deixou dirigir, seu apartamento ficava ali perto e poderiam voltar andando. Havia se tornado um costume Rin dormir ali quando marcavam de sair à noite, tanto que Sesshoumaru havia comprado um sofá melhor, já que era um abito dormir na sala.
- No que está pensando? – A voz dela ecoou pela rua silenciosa.
- Eu não me arrependo de nada. – Ele falou sem olhar para ela. – Tudo o que eu passei depois do acidente, eu não me arrependo das coisas que falei os das decisões que tomei. Nem mesmo me arrependo das vezes em que te beijei.
- Sesshoumaru... – Rin sussurrou desconfortável.
- Eu acho você perfeita, Rin. – Ele parou e a encarou longamente. – Eu esperei por mais de um ano para falar isso. Acho que Sara ficaria feliz com tudo o que fiz, mas não por ter a usado como desculpa para não te falar como me sinto. Eu estou apaixonado por você, Sekime Rin. E eu não estou bêbado, foi apenas uma desculpa para ir embora.
- Não sei o que falar Sesshoumaru. – Rin, mesmo iluminada fracamente pelas luzes da rua, estava avermelhada. Mas um sorriso logo se formou. – Não durma no sofá hoje.
- Eu nunca mais quero dormir no sofá. – Levantou o rosto da psicóloga, porém ela o beijou.
- Acho que podemos vender o sofá. - Ela falou rindo e voltou a andar pela rua. – Você vem?
- Sempre.
Pois é meu povo amado, eu sei que demorei meses e meses para terminar a história, mas minha vida está um caos completo.
Eu fui fazer meu intercambio na Itália, mas tive que voltar em janeiro. Agora tenho dupla cidadania e estou me mudando de novo, vou morar em Amsterdam. Minha vida tem sido uma correria com grandes colheradas de depressão, por isso peço as mais sinceras desculpas pela demora... Espero que gostem do final, se tiverem criticas, podem mandar, contanto que sejam construtivas. Agora, se forem sobre erros na escrita, eu peço desculpas, mas não fico revisando frase por frase, faço o melhor que posso e nem sempre sair perfeito...
Por fim, Debs-chan, espero que tenha gostado. Afinal, ainda é seu presente! Fiz com todo o amor e carinho que tenho e, por mais que tenha algo que você não goste, eu achei meio necessário!
Espero que todos tenham gostado. Eu ainda estou escrevendo as outras fics, mas elas também vão demorar um pouco pra sair (eu vou embora do Brasil nessa terça (02/06) e tenho que organizar minha vida lá, mas espero conseguir escrever... Bom, espero ver vocês em outras histórias!
Obrigada!
