Capítulo VI
- Então, Edward. O que você deseja de mim?
Ok. Essa perguntou soou bem sugestiva. Eu gostaria que a resposta fosse simplesmente: você.
- Está a fim de sair? Nós poderíamos, não sei, só se você quisesse.
Eu sempre fico encantada quando ele age dessa forma. Como se ficasse nervoso perto de mim. Ele está de braços cruzados na frente do corpo, tenho vontade de arrumar qualquer desculpa só para tocar nele. A aparência dele é tão cansada. Ele tem olheiras escuras embaixo dos lindos olhos verdes.
- Claro, o que você tem em mente?
- O que você gostaria de comer?
Você.
- Qualquer coisa para mim está bom.
- Você gosta de pizza? Eu conheço uma pizzaria maravilhosa aqui perto.
- Claro, faz tempo que não como pizza.
Olho para o céu, está começando a escurecer e esfriar.
- Vamos passar no meu quarto para eu pegar um casaco e a minha bolsa.
Fazer sexo é fácil. Essa coisa de conversar requer muita habilidade.
Chegamos ao meu quarto. Fico sem saber se convido ele para entrar ou não. Na dúvida, deixo a porta aberta e ele me segue.
- Pode ficar à vontade.
Ele senta no sofá que do lado oposto ao guarda-roupas e recosta.
Entro no banheiro para retocar a maquiagem.
Me pergunto se minha roupa está adequada para sair com ele em um encontro.
Será que isso é um encontro?
Não.
Somos apenas amigos.
Apenas dois amigos saindo para comer uma pizza.
Se fosse um encontro eu saberia.
Mais importante.
Eu gostaria que fosse um encontro?
Não preciso nem pensar duas vezes na resposta.
Reaplico um pouco de batom e olho no espelho. Será que estou demorando demais?
Saio do banheiro e enquanto me debato se devo ou não colocar uma sapatilha, percebo que Edward está dormindo no sofá.
Dou um sorriso e observo a criatura mais linda do mundo. Deitado todo torto no sofá do meu quarto. Ele é como um sonho. Se bem que nos meus sonhos ele costuma estar acordado, muito bem acordado.
Sem saber o que fazer, tento deixa-lo um pouco mais confortável. Tiro os sapatos, puxo as pernas dele para o lado, coloco um travesseiro embaixo da cabeça e jogo um cobertor sobre ele. Nada disso faz ele acordar, deduzo que o que ele mandou o pai dele me dizer era realmente verdade. Ele está mesmo trabalhando demais.
Sento na cama e fico um bom tempo apenas admirando aquele rosto de traços perfeitos, tentando memorizar tudo da melhor forma possível. Os cabelos estão uma bagunça. Lembro-me de quando enfiei as mãos através dos fios sedosos enquanto ele me beijava com paixão. Fecho os olhos, respiro fundo e acabou o momento doce. Me dou conta de que o dono das minhas fantasias está presente no meu quarto e de repente sinto calor nas partes íntimas.
Arrependo-me de tê-lo coberto, poderia apreciar melhor o seu corpo caso não o tivesse feito.
O que eu estou fazendo? Estou tarando uma pessoa enquanto ela dorme. Isso é um novo tipo de perversão, até mesmo para mim. Resolvo sair do quarto um pouco. Levo a carteira comigo.
Encontro Ângela no corredor. Ela tem um sorriso conhecedor nos lábios. Ignoro.
- Angie, você saberia me dizer se a pizzaria aqui perto entrega?
- Claro, Bella. Eu tenho o telefone na minha sala.
Aproveito a ida à sala dela para pedir a pizza. Não sei o que ele gosta, então peço vários sabores. Peço uma para Ângela e para as outras enfermeiras também.
Assim que as pizzas chegam, pago inclusive a das enfermeiras que me dão um sorriso agradecido, eu realmente gosto delas. Levo algumas caixas para o meu quarto. Temos uma mesinha, coloco as caixas encima e me pergunto se devo acordá-lo ou não.
Olho para ele mais uma vez. Me entrego ao desejo de me aproximar e tocar o seu belo rosto de anjo.
Sento na beiradinha do sofá e passo a mão delicadamente nos seus cabelos. Ele se remexe confortavelmente e não acorda.
Aproximo meu rosto e dou um beijo na sua bochecha. Meu coração está acelerado e estou respirando com dificuldade. Aproveito para inalar um pouco do seu delicioso cheiro.
É como um pedaço do paraíso.
- Edward – chamo uma vez, ele nem se mexe.
Passo as mãos no rosto dele.
- Edward.
Ele abre os olhos. Me dou conta que estamos próximos demais. Lambo os lábios e ele abaixa os olhos até eles. Vejo refletida em seu olhar a mesma fome que eu sinto. Não é comida que queremos.
Fecho os olhos e balanço a cabeça me obrigando a esquecer que meu corpo está quente. Minha pele clama pelo seu toque, mas eu não posso. Não posso ceder à luxúria.
- Me desculpe. Quanto tempo eu dormi? – a voz dele é rouca e baixa, e parece ainda mais sexy. Se ele usa essa voz no meu ouvido dizendo qualquer coisa, eu sou um caso perdido.
- Duas horas – ele faz uma careta - Não se preocupe, você está cansado.
Faço um carinho nos cabelos dele por puro instinto, percebo meu gesto e afasto a mão.
Ele fecha os olhos.
- Não pare, é bom – ele diz.
Sorrio novamente e afago seu rosto. Ele sorri também.
- Pedi pizza da pizzaria aqui perto, assim podemos ficar aqui mesmo, vamos comer se não vai esfriar – levanto, meu corpo protesta pela distância, mas eu preciso dela para me controlar.
Puxo uma cadeira e coloco as pizzas encima. Sentamos no sofá.
Ele se desculpa novamente por dormir e me conta como o hospital tem estado cheio.
A polícia descobriu um orfanato onde as crianças eram terrivelmente abusadas tanto física, quanto psicologicamente. A maioria delas está desidratada e abaixo do peso.
- São 23 crianças no total – ele continua – tem sido muito cansativo. Tenho conversado com cada um deles. Alguns passaram por lares adotivos que foram praticamente piores que o orfanato. É terrível. Estou fazendo tudo o que posso. Estamos levantando fundos para criar um novo orfanato para eles. Até temos algum dinheiro, mas falta mão de obra voluntária
Estou muito abalada pela história. A familiaridade dela me deixa nervosa.
- Eu gostaria de ajudar, se pudesse – me vejo falando – Carlisle sempre me diz que preciso encontrar algo para fazer. Talvez esta seja uma boa oportunidade para dar alguma utilidade ao meu diploma.
- Você é formada em que? – eu sei que ele está surpreso por eu ter uma profissão, eu mesma não acredito que consegui me formar em algo.
- Pedagogia. Me formei há 5 anos, mas nunca exerci a profissão, sabe.
Abaixo a cabeça e olho para minhas mãos. Lembro de um sonho antigo. De um época onde eu achava que poderia ajudar crianças que não tinham ninguém por elas. Isso foi antes de eu me perder. Antes da minha vida virar um inferno e eu desejar nada mais que a morte.
- No começo do tratamento, Carlisle viu que eu tinha essa vocação e me incentivou a continuar meus estudos. – Continuo olhando as mãos. – Um diploma, foi a condição para que ele continuasse sendo meu médico. Ele achava que ter uma profissão poderia me ajudar a enxergar meu lugar no mundo. Ele sabia que outros médicos tinham rejeitado o meu caso e se aproveitou disso.
Na época eu achei a proposta absurda, mas vendo o que ele me propôs como tratamento hoje...
- Eu gostei do curso, mas me perdi demais na vida, você sabe. – ele assente – eu tenho pensado bastante em tentar achar um emprego. Minha família me deixou bastante dinheiro, logo não preciso realmente trabalhar, por isso nunca achei atraente a idéia de ter um chefe. Mas trabalho voluntário seria ótimo.
- Isso seria simplesmente perfeito, Bella. Quando você quiser posso te levar ao hospital para conhecê-los. Você gostaria de me ajudar no projeto?
- Claro, o que eu puder fazer, é só falar. Além das consultas com o seu pai e os grupos de ajuda, tenho feito muito pouco. Manter a cabeça ocupada, ainda mais com uma causa tão nobre vai me ajudar. Carlisle vai gostar de saber.
Ele olha para mim e parece ver algo. Finjo que não percebo sua olhada diferente. Continuo comendo a pizza e seguimos em um silêncio confortável até que ele está dormindo sentado novamente.
Refaço a rotina de deixa-lo mais confortável e vou me trocar.
Apago a luz e deito na minha cama. Olho para a perfeição que dorme a poucos metros de mim, não consigo dormir. Viro para um lado e para o outro até começar a relaxar.
Acordo de madrugada suada, ofegante. Sinto-me quente e molhada. Sento na cama atordoada. Edward dorme feito pedra. Desço as mãos pelo meu corpo, uma mão aperta um mamilo e a outra entra na calcinha. Toco meu clitóris que já está inchado de tesão. Tê-lo tão perto fez com que os sonhos fossem tão reais...
Começo a acariciar o clitóris, olho para ele. Fecho os olhos e seguro um gemido. Começo a lembrar o sonho e continuo esfregando.
Estou no meu quarto saindo do banheiro. Edward vem na minha direção e segura o meu braço.
- O que você está fazendo, Edward?
- Senti o cheiro da sua excitação e fiquei de pau duro querendo te foder – ele diz naquela voz sexy no meu ouvido, tal como eu desejei mais cedo.
Ele desce as mãos pelo meu corpo e enfia os dedos na minha buceta.
- Eu sabia que você estava molhada.
Ele abre o zíper da calça e chega a minha calcinha para o lado.
Segura as minhas coxas e me levanta no colo. Me encosta na parede e me fode deliciosamente contra ela. Sinto o pau dele entrando bem fundo enquanto ele mete uma e outra vez.
- Sou louco por você.
Eu sei que foi só um sonho, mas só a lembrança me faz ficar quente novamente. Mordo os lábios segurando o gemido. Esfrego o clitóris freneticamente. Fecho os olhos com força. Minha respiração fica difícil. Sinto os espasmos. Mordo o lábio com mais força suprimindo um grito enquanto gozo. Deixo escapar o nome dele bem baixinho imaginando que é a mão dele e não a minha.
Quando abro os olhos, descendo do céu. Para meu total desespero e mortificação, o objeto do sonho em questão está muito acordado. Com uma expressão de fome. Seus olhos estão me queimando e mesmo dentro da calça, consigo ver a sua ereção.
Oh, e agora? Quem poderá me defender?
Nota da autora:
Quero agradecer muito a todos que comentaram e favoritaram a fic. Vocês fizeram uma pessoa muito feliz. Amei todas. Obrigada pelos elogios!
Continuem comentando. O que acharam do capítulo?
Volto logo.
Bjs!
