Após um mês, sentindo pelo Ki que seu pai e irmãos não estão na mansão do genitor, Kakarotto consegue se encontrar com a sua mãe.

Porém, ela...

OooOooOooOooO

"De você", ela fala em pensamento enquanto ruboriza ainda mais se possível, pois, a visão do maravilhoso corpo dele nu estava gravado a ferro e fogo em sua mente.

Não, nada. Obrigada por perguntar.

Por nada. Vou ver o treinamento do Tarble.

Então se retira, deixando uma jovem suspirando atrás dele, aborrecida por não ter coragem de falar de seus sentimentos para com ele, por causa de seu passado, sendo usada como um brinquedo por seu mestre anterior.

Na imensa sala de treino, observa que Tarble melhorou e muito. O ki dele se intensificou e já conseguiu unir com exatidão a sua mente e corpo. Via que o sensei deles revisava os aprendizados, corrigindo o jovem príncipe sempre que preciso e sendo severo na medida certa. Podia-se notar o quanto estava feliz por sentir seus poderes elevando-se.

Sempre sofrera por ser considerado fraco e Kakarotto sentia empatia, pois, já sofrera o que o jovem sofreu, embora que no caso do jovem príncipe fora duas vezes, senão, três vezes pior. Se admirou quando soube que a sua vida foi salva graças a Vegeta.

Ficou admirado com esse lado em seu amigo. Um lado impensado para muitos. Não se surpreendera em considera-lo como amigo, mesmo com várias opiniões divergentes, pois sentira que este também começava a vê-lo assim, como um de seus melhores amigos, que o compreendia e Tarble e que os "apelidos" para com ele, não eram para serem de ódio, era apenas o jeito dele de se expressar e nunca esperaria ouvir ele se referir a ele como amigo.

Afinal, era bem reservado e viveu a vida inteira como um solitário e seria ainda mais, senão tivesse o irmão caçula que o via com intensa admiração e respeito, genuíno. Notou, que poucos podiam ser considerados seus amigos, mas, preferia assim.

O treino havia acabado de ser encerrado, pois já estava tarde e Tarble recebera "lição de casa" para fazer, pois, podia fazer em seu quarto, sozinho. Além disso, se tivesse alguma dúvida, poderia conversar mentalmente com qualquer um deles, pois já dominara a técnica.

Kakarotto notou um olhar fugaz de tristeza, logo dissipado e sabia o motivo.

Afinal, sentia-se mal de esconder essas habilidades do seu irmão. Mas, sabia melhor do que ninguém como ele era e não queria arriscar seus melhores amigos, uma vez que até então, somente tinha como amigo seu irmão, por saber que este lhe protegeria de tudo e de todos e que de fato, salvou-lhe a vida quando era bebê. Sentia uma imensa e calorosa gratidão.

Antes que Tarble saísse, Kakarotto pede para esperar um pouco e decide conversar em particular com o seu sensei, que o olha como se já soubesse o que ele queria fala-lhe, o que é percebido prontamente pelo mesmo.

O senhor já sabe o que quero falar, né? - pergunta em tom de confirmação.

Claro. E também me passou essa ideia na cabeça.

Além de todo o treino e da roupa, que o senhor deixou propositalmente pesada, faz-se necessário a ajuda da minha mãe. O que acha? Posso leva-lo para a casa do meu pai, sinto que nem ele ou os meus irmãos estão lá.

Verdade... E acho uma ótima ideia. Ele precisa ser forte para se proteger e não depender de ninguém, por mais que acredite que Vegeta o defenderá, ele precisa aprender a não depender dos outros, caso por algum motivo, este não possa ajuda-lo.

Vou conversar com ele e explicar o porque de manter segredo.

Claro. Tem minha aprovação.

Ótimo. Obrigado, jii-chan. - e com seu sorriso habitual, vai se encontrar com Tarble que olhava curioso quando eles saíram do quarto que foram conversar em particular.

Tarble, gostaria de ampliar ainda mais os seus poderes? - pergunta sorrindo.

Tem como?! - ele fica estarrecido, mas depois abana a cauda com extrema felicidade - Eu adoraria.

Somente precisa guardar segredo. Tudo bem?

Claro. - embora uma leve tristeza passasse em seus olhos.

Kakarotto olhando-o amavelmente, fala, colocando a mão no ombro dele, que olha para o saiya-jin, que se agachara.

Sei o quanto idolatra Vegeta e com razão. Ele lhe protegeu através de seu poder e status por anos a fio. Você desenvolveu uma admiração e respeito formidáveis e com razão. Mas, por ficar próximo dele, sabe como é o seu gênio e que seus novos amigos, não poderiam contra a fúria deste. Você tem vários amigos, agora, e é importante que possa usar seus novos poderes para proteger a si e a eles. Sei que se sente culpado, mas, pense que assim terá seu próprio poder e quem sabe, não possa lutar um dia junto com o seu irmão, como sempre sonhou? - e sorri, vendo o jovem ficar alegre e animado, sem ter a névoa de tristeza atrás de seus olhos.

Eichiteki e sua esposa observavam a cena e ambos consentem com a cabeça, sorrindo.

Então, vamos? - e estende a mão para o jovem, que seca uma lágrima fugaz no canto de seus olhos, segurando a mão dele e apertando-a.

Obrigado.

Nisso, soltam as mãos e ele segue o saiya-jin, que já via com seu outro anii-uê.

Após saírem do castelo, alçam voo para a casa de Bardock.

Tarble já o vira várias vezes pelos corredores e no salão de reuniões. Sabia como ele era, pois ouvira, inclusive, da boca de seu novo irmão mais velho, Kakarotto. Ele era como todos os outros saiya-jins, embora, que um pouco diferente, pois não mandou seu filho para outro planeta, como muitos fazem com os fracos, ou o assassinou quando bebê.

Após alguns minutos, chegam a mansão de Bardock e uma serva, que ele não conhecia, atende a porta, tratando ambos com profundo respeito e temor. Eles se identificam.

Sou um dos filhos de Bardock, Kakarotto e este aqui é Tarble. Queria ver a minha mãe, Liluni.

A serva então olha para os saiya-jins, para o mais alto, assimilando a informação e notando que ele era aqueles que os escravos mais antigos falavam e podia ver nos olhos deles a bondade e respeito para com eles, algo inexistente nos saiya-jins.

Fica boquiaberta, até que se refaz, convidando-os a entrar e falando que ia chamar Liluni. Preocupado, Kakarotto pergunta:

Minha kaa-chan está bem? - se preocupava com ela, pois sentira seu ki do castelo e não estava nada bem.

Bem... - ela fica incerta, até que fala - Anda bem deprimida. Quase não come. É como se tivesse perdido o amor a vida. Dá pena vê-la naquele estado.

A face despenca e após alguns minutos, fala que irá encontra-la e faz sinal para que Tarble, entristecido, o siga. Ele possuía um coração tão gentil e bondoso quanto Kakarotto e por isso, sentia-se triste, mesmo por alguém que não conhecia pessoalmente e só ouvira falar. Imaginava como o seu amigo estava se sentindo.

Com a face angustiada, ele vai até um dos quartos dos servos que ficavam no porão. Os mais velhos reconhecendo-o, passavam a olha-lo tristemente por saberem que aquela, considerada como uma mãe para ele, estava profundamente deprimida. Alguns que foram comprados recentemente, o olhavam ressabiados, embora curiosos, até que lhes é explicado quem era aquele saiya-jin. Então, ficam aliviados de imediato, para depois sentirem pena do mesmo.

Em um quarto levemente escuro, Tarble para na porta e o outro adentra, sentando-se na cama ao lado da mãe, que estava deitada.

Ela se encontrava tão triste que não notara um de seus filhos ali. Kakarotto então fala em pensamento com o jovem príncipe:

"Tarble, vá ao castelo e traga minha imouto, junto com Kireiko, sinto que meu pai e irmãos irão demorar bastante"

"Claro, nii-san"

Nisso, o príncipe sai dali, voando rapidamente ao castelo, mas, tomando cuidado de não elevar muito o seu ki. Afinal, ninguém poderia saber, ainda, o seu verdadeiro poder.

Na mansão de Bardock, Kakarotto afaga o rosto cansado e emagrecido de sua mãe, que desperta levemente, enquanto ouve a voz gentil e amável que não ouvia faz tempo:

Tadaima, kaa-chan. Senti saudades.

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