Sem entender o que estava acontecendo com ele, Kakarotto decide perguntar a Tarble, uma vez que não sabia como Vegeta iria proceder com a sua dúvida...

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Com o passar dos dias, Nyei estava conseguindo domar o seu medo ao ponto de inclusive tocar no braço do saiya-jin, algo que era incapaz de fazer até pouco tempo atrás e fica feliz com isso. Quem não gostou disso foi Kireiko, pois, não podia compartilhar a cama de Kakarotto, como costumava fazer e estava ficando irritada.

Além disso, notara que ele não a estava procurando e sim, ela tinha que procura-lo e não compreendia, pois era como se libido dele estivesse baixa, precisando muitas vezes acariciar a cauda para tornar a ter o sexo ardente de antes.

Kakarotto entrou em seu quarto que mais parecia uma casa, com uma dependência que era uma sala enorme, tendo também uma cozinha imensa e uma pequena área onde ficava o quarto dos escravos. Havia acabado de retornar de uma sessão de luta contra Vegeta e ao observar Nyei, ocupada com a faxina, suspira, praticamente desabando no sofá ao se recordar da conversa com Tarble há alguns dias atrás, enquanto que com os cotovelos apoiados nos joelhos, massageava as suas têmporas com os dedos.

Batera na porta de Tarble apenas por educação, pois com certeza este sabia quem era.

– Entre, nii-san! - abre a porta com um sorriso e nisso, ambos se sentam nos espaçosos sofás um de frente para o outro.

O jovem príncipe nota que seu amigo e irmão estava nervoso e não entendia por quê.

Então, pigarreia e pergunta, arqueando o cenho:

– Aconteceu algo?

Após alguns minutos, o vê erguer a face, esta um tanto confusa, enquanto arqueava o cenho, tornando a olhar para o chão novamente, para suspirar e então, perguntar, após pensar em como falar para que não soasse como uma loucura:

– Não conheço muito da nossa cultura e espero que possa me ajudar. Sinto-me estranho perto de Nyei. Assim... tipo, tenho que controlar minha cauda que quer se enrolar na cintura dela, uma vez quase conseguindo, como se tivesse vida própria. Quero toma-la em meus braços e possuí-la. Sinto-me tão possessivo ao ponto de não suportar que outros machos a toquem. Por algum motivo, não consigo a mesma satisfação que conseguia com qualquer fêmea, o que considero estranho. Nunca tive problema com a minha libido.

Nisso coça as mãos em sua cabeça, bagunçando temporariamente o cabelo para depois tornar a falar, após suspirar:

– Não entendo o que está acontecendo comigo. Você sabe? Não posso perguntar a Vegeta, então, dos saiya-jins que tenho amizade, só me resta você.

Então, vê que Tarble fica surpreso e um tanto sem graça, quando pigarreia a garganta e se concentra em como explicar ao seu amigo:

– Bem. Acredito que você tenha uma ligação com ela e isso o está afetando e muito.

– Ligação? O que é isso? - o olha com confusão.

– É algo que nem nós, saiya-jins, sabemos ao certo como funciona... Digamos que seja uma atração poderosa, ao ponto de "mexer" conosco a um nível profundo, podendo ser tanto por parte da fêmea, quanto do macho ou ambos. Esse sentimento poderoso que surge em nós, faz com que buscamos apenas ter relações com o companheiro, quando um acaba tendo ligação com outro. Além disso, aumenta a possessividade e igualmente o desejo para com este, assim como o instinto de proteção. Claro, estamos falando do verdadeiro vínculo, que é raro entre nós. O falso vínculo não chega ao extremo como o verdadeiro, sendo mais para evitar que os saiya-jins tenham relações com várias fêmeas e vice-versa, podendo acabar inclusive em incesto, embora em nossa cultura, isso não seja mal visto. Mas, é evitado, pois este tipo de união irá gerará indivíduos geneticamente fracos e propensos a doenças.

– Não sabia do vínculo e nem que existia um verdadeiro e falso.

– Sim. Existe. Além disso, o falso é proporcionado através da marcação entre o casal, sendo esta única para cada um. A marcação se torna um vínculo e então, este vinculo cria uma ligação entre eles, embora seja consideravelmente fraca. Seria um vínculo forçado. Porém, se um deles ou ambos, acabarem tendo um verdadeiro vínculo com outra pessoa, o falso será automaticamente anulado e as marcas desapareceram. Assim como, caso um deles tenha uma ligação verdadeira com o outro, se tentar marcar a força, o falso não ficara, pois será subjugado pelo verdadeiro, cujo vínculo é apenas uma consequência da ligação, enquanto que no falso, a ligação é uma consequência do vínculo forçado.

– Então, eu tenho ligação com Nyei? - olha estarrecido para Tarble.

Este confirma com a cabeça e fala:

– Além disso, pela intensidade, acredito que você tenha uma ligação verdadeira e já garanto que não será fácil subjuga-lo, senão, impossível. Além disso, sei do trauma dela e isso será ainda mais complicado. Sua cauda é o instinto em nós e o instinto clama para que o envolva na cintura dela.

– O que significa envolver a cauda na cintura de uma fêmea? - pergunta curiosamente, feliz pela explicação que estava tendo, embora estivesse preocupado pois se tratava de Nyei.

Tarble quase cai do sofá, enquanto o olha estarrecido por ele não saber algo tão básico, vendo-o coçar a nuca sem graça frente a reação do mais jovem.

Então, se recorda da vida dele que fora contada pelo sensei deles, Eichiteki, compreendendo que era impossível dele saber dos costumes de sua raça, se ninguém o ensinasse, além de saber somente alguns.

Inspirando profundamente, fala, se recuperando da surpresa:

– As fêmeas executam uma dança erótica com as caudas, sendo uma única coreografia para cada uma. Se um saiya-jin sentir atração, pois para a nossa cultura, como sabe, a cauda tem grande significado, ele irá tentar entrelaçar sua cauda na dela em um sinal claro que aceitara a coreografia. Se ela aceitar, as caudas irão se acariciar levemente e depois, um irá enrolar a cauda na cintura do outro, mostrando a possesividade e o fato de que ambos pertencem um ao outro. Agora, se a fêmea não aceita-lo, ela irá bater uma vez na face do macho com a sua cauda em uma negação não verbal. Somente as fêmeas se exibem. Portanto, a cauda na cintura indica posse. Você está mostrando aos outros que ela é sua e de mais ninguém, o mesmo valendo para as fêmeas em relação aos machos.

– Então é isso que a minha cauda quer fazer, ditada pela ligação verdadeira que possuo com Nyei? - nisso, desenrola sua cauda da cintura e a segura em uma de suas mãos, observando-a enquanto falava, fitando-a um tanto aborrecido.

– O problema é a Nyei, nii-san... Não sei como ela se sentiria com a sua cauda a envolvendo na cintura - fala preocupado - Você foi ter uma ligação verdadeira com alguém que será um tanto complicado para ter na cama.

– Bem, para a minha sorte ela está treinando para perder o medo de mim. Inclusive, chegou a tocar o meu braço, algo que nunca fez. Além disso, consegue dormir comigo na mesma cama, embora um pouco afastados. Outro dia vi que a minha cauda estava quase a alcançando, quando a detive.

Tarble ri e fala entre risadas:

– Sua cauda é geniosa, hein?

– Pelo visto sim. - nisso, a solta e enrola na cintura. - mas, é o vínculo que inconscientemente a manda fazer isso né? Quer dizer, eu, em um nível profundo.

– Isso mesmo, nii-san e não há como romper essa ligação, a menos que um dos companheiros morra, embora que o verdadeiro demora anos para sumir, a menos que surja outro verdadeiro. Nós ainda não sabemos a real profundidade do vínculo, porque nenhum dos nossos ancestrais se importou em desvendar ou pesquisar, pois, apenas tínhamos relações entre nós. Com as viagens da nossa raça pelo espaço, isso se tornou um tema de interesse. Porém, é algo completamente desconhecido, pois quando pensávamos que havíamos descoberto tudo sobre a ligação verdadeira, descobrimos algo novo. Chega a ser um tanto frustrante.

– Só espero que ela sinta o mesmo que eu sinto. - ele confessa, profundamente preocupado neste aspecto, pois não sabia se o sentimento era reciproco.

Nisso, Tarble reflete que estava ficando na mesma situação de seu irmão, pois ao contrário dele, como sabia sobre o vínculo, sentia que tinha uma ligação verdadeira com Kireiko e chegava ao ponto de muitas vezes sentir ciúmes dele, pois já sentira o seu cheiro nela em várias ocasiões.

Claro, que se controlava, mas, confessava ser difícil. Temia que acabasse comprando briga com ele apenas por causa de Kireiko.

Agora, Kakarotto, é que fica olhando para Tarble, que parecia perdido em pensamentos, até que o chama:

– Tarble, tudo bem? Tarble?

– Hã? - nisso, é despertado de seus pensamentos, vendo a face preocupada de Kakarotto.

– Tudo bem? Vi que estava pensativo. Há algo o incomodando?

Olha para seu grande amigo e irmão, perguntando-se se conseguiria abordar com ele o fato que possuía uma ligação, pelo visto, verdadeira em relação à Kireiko.

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