Bardock lutava diariamente para cruzar mais um dia, enquanto que por dentro se encontrava em cacos...
Enquanto isso, algo acontece que o surpreende. Visões. Visões que não tinha há meses e que irromperam em sua mente, sendo estas difusas, embora algumas fossem nítidas, adicionando-se o fato que sabia aonde aconteceria, embora, sua mente lhe gritasse que não soubesse, mas, estranhamente, tal lugar e seres era estranhamente familiar...
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– Mas, não acha estranho que essa alteração indica um distúrbio nele ao nível emocional? Tipo, que ele sempre fica alterado, todos os dias, fora do castelo, mas, não por raiva e ódio, sendo um sentimento igualmente forte, só que de tristeza, praticamente depressão. - fala preocupado, olhando atentamente para o saiya-jin ao seu lado, que olhava para a frente.
– Também, depois de tudo... Se ele está assim, o culpado é ele mesmo por essa situação. Por isso, não estou preocupado. Não tenho pai e assim decidi desde aquela noite fatídica. - fala com irritação, suprimindo o sentimento de preocupação pelo seu genitor que ameaçara surgir nele, pois se encontrava, ainda, muito ressentido.
– Entendo os seus sentimentos, Kakarotto nii-san. Mas, se for mesmo depressão, há o perigo de...
– Não me importo e preferia que a gente conversasse sobre outra coisa. A vida privada "daquela coisa" não me diz respeito. - fala daquela coisa com a máxima de irritação que consegue.
– Entendo. Desculpe.
Nisso, ao virarem o corredor, vêem Bardock entrando no salão com a pose altiva, por mais que estivesse em cacos, podendo ser percebido os sacos nos olhos e o olhar apático, como se estivesse fazendo um esforço sobre-humano para aparentar estar bem, quando era extremamente o oposto.
Novamente, o sentimento de preocupação pelo seu genitor surge, porém, consegue suprimi-lo, esperando algum tempo para entrar.
Bardock vira o rosto e vê seu filho, o olhar frio e o brilho de raiva nos orbes ônix, fazendo-o tremer levemente, embora lutasse para se manter firme, pois, no último tempo, afogava sua depressão no álcool, varando, praticamente, todas as noites no bar na Central de Elite, bebendo até não aguentar mais, acabando por adormecer muitas vezes sobre o tampão da mesa.
Nunca havia sido assaltado por sentimentos tão poderosos, como dor, saudade e ira por si mesmo, quando pensava em Liluni, além do imenso buraco que havia em seu interior. Um buraco que o sugava, diariamente e do qual, não possuía forças para sair.
Acreditava que em breve, sucumbiria a este, inclusive de livre e espontânea vontade por não suportar mais viver, não encontrando motivos para isso.
Todos os dias, reunia os cacos de seu coração e de seu âmago, os colando debilmente para cruzar mais um dia, cumprindo suas obrigações, para no final do dia, estes se soltarem. Cada dia se tornara uma tortura intensa, se arrastando em agonia para ele que era assaltado por lembranças de Liluni e depois dela morta, que o castigavam impiedosamente com requintes de crueldade e do qual, não podia correr ou fugir.
Quando bebia até não aguentar mais, sendo que para um saiya-jin ficar bêbado era necessário uma dose absurda de álcool, devido ao metabolismo deles. Nesse momento de extrema embriaguez, ficando em um canto, com a cabeça caída no tampão, conseguia bloquear por apenas algumas horas a dor que sentia em seu interior. Uma dor pungente e lacerante, que nunca sentira antes.
Nos últimos dias pensava em sua filha, se recordando da única vez que a viu e que foi nos braços de uma das escravas de seu filho, quando esta fingia ser a mãe de Lian.
Achara o nome lindo e conseguira se recuperar um pouco, ao pensar que era uma parte dele e de Liluni que ainda vivia. Passou a desejar conhecer a filha, sentir o cheiro dela e abraça-la, pois, mesmo sem revê-la, sentia que ela havia se tornado seu balsamo acalentador, sendo, que a existência dela, era a única coisa que ainda o prendia naquele mundo, pois, nada mais o importava.
Porém, sabia que seu filho mais novo nunca permitiria que ele chegasse perto dela e não podia culpa-lo, pois, tentara matar sua filha há alguns meses atrás e frente a isso, claro que nunca permitira qualquer aproximação.
Havia tentado algumas vezes, mas, fracassara, algumas vezes por se sentir indigno de vê-la, uma vez que a mãe dela foi assassinada brutalmente e cruelmente por culpa dele, assim como, tentara mata-la, agradecendo no fundo do seu coração, não sabendo que possuía um, por Kakaroto tê-lo derrotado, a salvando.
Tremia ao pensar que se ele não estivesse lá para defendê-la, ela teria sido morta por ele mesmo, sendo tal pensamento aterrador para Bardock, que não conseguia sequer processar direito a visão dela sendo morta por suas mãos, pois, sabia que poderia acabar ruindo de vez.
Porém, de repente, sente uma avalanche de flashes em sua mente, alguns difusos, somente conseguindo discernir, inicialmente, uma espécie de alienígena com corpo humanoide, todo branco, com uma cauda comprida, semelhante a um lagarto com a ponta roxeada, assim como uma parte de sua cabeça, ombros e a parte posterior do antebraço de uma raça que nunca vira antes e um jovem, alto, que estava de frente a este, não conseguindo discernir o contorno deste, que estava difuso demais, enquanto que do lagarto estava quase nítido, embora que o jovem lhe evocava algo familiar, sendo que o conhecia e muito bem, pelo menos era a impressão que tinha.
Somente conseguira identificar os cabelos que pareciam espetados e uma espécie de áurea dourada em torno deste, parecendo que o cabelo seguia a mesma cor, para depois o som de trovões chama-lhe a atenção para o céu, o vendo revolto com nuvens escuras de tormenta e diversos relâmpagos caindo em torno do jovem e em um dos brilhos do relâmpago vira a cauda, percebendo se tratar de um saiya-jin.
Olha em volta e observa que há muito entulho em torno deles, não conseguindo discernir o local, pois parecera que fora completamente destruído ao ponto de ser irreconhecível, embora que no íntimo soubesse que reconhecia, mas, algo dentro dele temia investigar mais.
Consegue ouvi-los falando algo, mas, a voz está ruidosa, impedindo seu entendimento, apesar de estar próximo deles e contar com sua audição saia-jin.
Olha mais atentamente em volta e vê outros em torno seres em torno deles, porém, afastados, embora seriamente feridos, pois muitos estavam curvados ou caídos, erguendo-se com dificuldade, podendo definir alguns destes como sendo saiya-jins.
Nisso, há outros flashes, porém, difusos demais e intensos em demasia, impedindo que ele analisasse naquele momento, decidindo que investigaria depois, agradecendo de ter algo par distrai-lo que não fosse o álcool.
Mas, estranha o fato de que há meses não tivera nenhuma visão, mesmo quando estava sóbrio e não entendera porque esse fluxo irrompeu-se em sua mente de forma tão súbita e sem quaisquer avisos, pois achara já ter sido capaz de controlar tal poder, percebendo que acabara errando na sua suposição, porque, na verdade, não o havia dominado por completo. Pelo menos, era o que parecia.
Nisso, se recuperando, vendo que outros saiya-jins o observavam, inclusive os reis, afasta a confortável poltrona para sentar-se em frente a mesa oval, assumindo o lugar resignado para Conselheiro Real e nisso, vê que Kakarotto e Tarble entram juntos.
O Imperador e sua esposa torcem o nariz para o fato do filho mais novo ter ido a reunião, pois, a existência dele era um castigo para ambos, mas, estranham o fato que andava com a cabeça erguida e um olhar confiante, algo que nunca viram antes, enquanto que Vegeta, bufando do outro lado, pois desejava estar treinando e não sentado em uma reunião, olhava agora curiosamente para seu otouto, percebendo a mudança que começou com a vinda da "terceira classe" para o castelo.
Kakarotto toma o seu lugar na mesa, assim como Tarble, em seguida, enquanto que os reis se recuperavam da presença do filho indesejado ali.
Nisso, a reunião começa, pois, com exceção dos imperadores, mais ninguém sabia o que era o assunto e todos os demais saiya-jins estavam expectantes para saber qual o motivo daquela convocação em última hora.
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