Aproveitando da distração dos adultos, a pequena meia saiya-jin, Lian, sai do quarto de Kakarotto para o corredor...
Nesse mesmo momento, Bardock andava pelos corredores, com seus próprios pensamentos e recordações, quando sente um cheiro familiar e vê Lian, no corredor...
Capítulo 36 - Lian e Bardock
Kakarotto estava em seu quarto e já havia passado mais de dois dias da reunião de última hora, apenas para comunicar os saiya-jins mais importantes do Império da decisão do monarca.
Ele estava sentado, meditando, com s sua cauda deitada ao seu lado e Eichiteki a sua frente, entre ele e Tarble, que também estava participando da sessão de treino, para que pudessem pressentir mais atentamente sentimentos e ler a mente dos oponentes, como os maiores mestres de artes marciais conseguiam na Terra, com ele citando o seu sensei, Muten Hoshi.
Pura e simplesmente, consistia em usar o ki para medir as intenções, não só do oponente como de todos os demais a sua volta.
Era uma espécie de vibração pessoal de cada um ditada por suas emoções, mesmo que não transparecesse, pois, seres sem controle de ki, não conseguiam ocultar suas verdadeiras intenções, mesmo as intenções assassinas por trás de um doce sorriso.
Normalmente, Tarble e Kakarotto meditavam em quartos separados, ou para calmar a mente e espirito, permitindo ver além ou até lutando ao nível mental, um contra o outro, o que conseguiram após muito tempo, já que os saiya-jins eram resistentes em todos os aspectos, sendo uma habilidade nata deles.
Portanto, no quesito mente, não seria diferente do corpo, até por necessidades primordiais desde que sua raça surgira, sendo moldada em todos os aspectos para a batalha. Uma raça nata de guerreiros.
Para ajuda-los, todos estavam reunidos, em torno deles, cada um com um sentimento diferente, ocultando-os visualmente e o sensei deles solicitava que falassem qual era o real sentimento de cada um.
Tiveram que fazer o treino tarde da noite, pois, Kakarotto precisara ficar acompanhando Vegeta durante o dia inteiro, sendo esta sua sessão de tortura diária.
Lian estava dormindo, tanto pelo horário, quanto pelo fato de ter treinado com Eichiteki. Um treino leve e próprio para idade tão tenra. Mas, que já era necessário, pois, era espoleta demais para o seu próprio bem e todos precisavam ficar olhando-a para evitar dela sair do quarto, vivendo trancafiada para o seu próprio bem.
Kakarotto era bem zeloso e não queria sua imouto exposta aos perigos, pois, já bastava ter que lidar com os que tentavam aproveitar algum momento para mata-la, se ela se expusesse, pior seria e aí, provavelmente, estes conseguiriam cumprir seu intento.
Em seu íntimo, temia perder sua amada irmãzinha, pois, os sentimentos para com ela estavam além de serem somente fraternais. Se sentia, praticamente, como um pai, super coruja e altamente protetor, não só pela promessa feita á mãe deles, mas, por esta ser o único membro de sua família que tinha algum carinho e forte desejo de proteção.
Porém, enquanto todos estavam concentrados em ajudar no treinamento, Lian acorda, sonolenta, no imenso quarto de Kakarotto, estranhando não ver ninguém, passando a chama-los com uma voz lacrimosa, tendo os orbes úmidos:
- Kaioto... Nie... - olha para os lados e começa a falar o nome de todos, claro, que trocando as letras, pois era pequena demais.
Ameaça chorar ao se ver sozinha na cama, gigantesca para ela, quando vê uma fresta de luz em frente a cama, chamando a atenção dela, que engatinha pela cama e com alguma dificuldade, consegue descer ao chão, uma vez que vivia descendo sozinha, passando a engatinhar inocentemente até a luz com um imenso sorriso e olhinhos brilhantes, além de expectantes.
Vira uma pessoa estranha, com uma cor de pele azul com escamas e um chifre na cabeça, além de um único olho na testa, que era na verdade uma escrava do palácio, trazendo as roupas de cama lavadas e dobradas, deixando-as em um móvel, pois sabia que o príncipe tinha seus próprios escravos e que por isso, não precisava organizar as roupas e lençóis nos armários.
Porém, enquanto estava saindo, uma outra escrava lhe chama a atenção e nisso, ela não fecha a porta por completo, acabando por deixar uma pequena fresta.
Sorrindo ainda mais, curiosa para o que tinha atrás da porta, uma vez que nunca fora para aquele lado do quarto, Lian engatinha até a mesma e acaba empurrando com as mãozinhas, pois, mesmo sendo um bebê, herdara a força dos saiya-jins, portanto, um bebê saiya-jin poderia muito bem abrir uma porta, mesmo um pouco pesada, através de uma pequena fresta na mesma.
Nisso, está no corredor e senta, olhando tudo a sua volta, curiosamente e começando a bater palmas, animada, como se felicitasse a si mesmo pela descoberta do novo ambiente, para em seguida olhar para todos os lados, batendo palminhas e rindo, animada consigo mesma.
Nesse instante, Bardock caminhava pelos corredores, distraidamente, massageando as têmporas, tentando decifrar o fluxo de visões, enquanto se recordara da reação do rei as suas visões sobre Freeza e o fato que este não acreditou.
Extremamente orgulhoso e cego pelo mesmo, estava absurdamente convencido que eram mais poderosos que os arcosianos, pois, usava também o mesmo exemplo dos tsufuru-jins e tantos outros povos, que ao se focarem na inteligência, abdicaram do poder e da força, adicionando que os saiya-jins eram a raça mais poderosa do universo.
Frente a tanta reticência e rejeição absoluta do rei aos temores dele com a Aliança realizada com eles e o fato do mesmo estar se encaminhando para Bejiita, ordenara que Bardock parasse de tentar convence-lo do contrário, pois, também, devia estar equivocado com tal habilidade.
Enfim, os monarcas não mudaram sua atitude e visão para os arcosianos. Mas, ele continuava apreensivo, sentia que algo muito ruim poderia acontecer e tais visões continuavam irrompendo nele, a todo o instante.
Pelo menos, serviam para distrair a mente dele sem precisar ir ao Bar da Central se afundar em álcool para lidar com a intensa dor que sentia dentro de si, enquanto se sentia um miserável por completo.
Afinal, reconhecia, infelizmente tarde demais, que amara Liluni, um sentimento inexistente em sua raça, além do fato que tivera uma ligação verdadeira com ela e que acabara a perdendo por seu orgulho.
Conseguira a sua libertação, mas, pagara um alto preço e ainda sofria as punições de seus erros através de seu coração, implacável em suas punições, sendo estas ditadas pelo amor que sentira por Liluni e o quanto fora indigno de sentir algo por ela.
A perdera para sempre e somente havia restado uma pequena esperança e conforto, mesmo ínfimo, já que a dor que sentia, diariamente, era intensa demais, que era na verdade a existência da filha dele com aquela que amou.
Porém, se ressentira de não poder sentir o peso morno de sua cria em seus braços, para que assim a mesma pudesse curar o seu coração. Curar não, pois era indigno de tal ato. Ao menos, abrandasse sua dor, pois, com certeza, seria seu bálsamo confortador.
Porém, Kakarotto nunca deixaria ele se aproximar e não poderia culpa-lo. Não depois de tudo o que fez, por ter se tornado indigno de conhecer a sua filha, inclusive desejando mata-la, no início e se resignara, embora em seu interior houvesse o desejo ardente de segura-la no colo e ama-la como sua filha, chegando ao ponto de imaginar-se segurando no colo um bebê imaginário, acabando por fazê-lo se lembrar da sensação ao segurar kakarotto quando era bebê em seu colo, tendo sido o único de seus filhos a provar o colo paterno. Os demais, nem chegara a ver quando estavam na maternidade.
Então, ao ouvir palmas e um riso infantil, estanca os passos e sente um cheiro familiar, um cheiro que já sentira antes e então, corre até virar o corredor, percebendo que seus pés, acabaram o levando, inconscientemente, até os aposentos de seu filho mais novo.
E lá, na frente da porta do quarto deste, vê sua filha, sentada, sorrindo e brincando com os seus pés, acabando por cair de costas, mas, sem deixar de sorrir, embora tivesse se assustado, um pouco, mas, voltando a balançar os pezinhos em festa e os tocando, os examinando minunciosamente entre risadas.
Ele fica estático e sente uma intensa emoção toma-lo, fazendo seus orbes ficarem umedecidos, algo totalmente estranho para um saiya-jin, pois, sua raça não era nem um pouco emocional, porém, não conseguia se controlar, pois seu desejo havia se tornado, em parte, real.
Ela havia crescido, claro que havia crescido, ele pensara consigo mesmo, afinal, passaram-se meses desde a última vez que a vira, quase que um ano.
Bardock se aproxima com passos tremulantes, hipnotizado pelo pequeno pedacinho dele e de Liluni que ainda existia no mundo. Uma parte dela ainda vivia.
De repente, a pequena acaba olhando para o lado dele e larga automaticamente os seus pés, que até aquele momento eram a coisa mais interessante do mundo.
Percebia que usava uma roupa chamada de macacão pelos alienígenas que viviam em Bejiita, bem comprido, que cobria o corpo dela e sapatinhos pequeninos.
Ao vê-lo, ela se sentou e fez farra, sorrindo com a sua boca tendo poucos dentinhos e com os olhinhos brilhando. Via o olhar e sorriso inocente, percebendo que ela usou a parede para se colocar de pé, andando com dificuldade até ele.
Bardock cai de joelhos, sem forças para se manter em pé, olhando-a emocionado, exibindo um imenso sorriso no rosto, com uma intensa alegria o preenchendo, fazendo com que o imenso buraco negro que havia em seu coração e que surgiu com a perda de Liluni, diminuísse, consideravelmente.
Seu mundo não estava mais em preto e branco, ganhara uma nova cor ao ver sua cria e os olhinhos brilhantes desta, assim como cheiro que o confortava.
Lembrou-lhe o olhar e sorriso de Kakarotto quando era um bebê, sempre que o via e a festa que este fazia e então, desperta das recordações, quando ela cai de bunda, começando a ensaiar um choro, porém, mudando de ideia ao olhar para ele.
Então, levanta os bracinhos, pedindo, sem deixar de sorrir e sacudido os bracinhos animadamente, fazendo festa:
- Coio... coio...
Ele se preparava para se aproximar e pega-la no colo, ao adquirir forças nas pernas, quando fica paralisado ao ver a face daquele que a pegara no colo, rapidamente, fazendo a pequena chorar pelo ato abrupto.
