Bardock já não é mais o saiya-jin de outrora.
Mudou e agora sofre as consequências de seus atos...
Deseja ardentemente viver a paternidade com sua filha Lian, porém, Kakaroto encontra-se irredutível, sentindo, ainda, ira pelo seu pai.
Capítulo 37 - Irredutível
- Filho... - Bardock fala em um murmúrio, ainda em choque ao ver o ódio e ira nos orbes ônix.
- Não disse para manter distância?! - então, rosna violentamente de forma ameaçadora.
- Eu... quer dizer... Kakarotto... - ele fica em uma perda de palavras, sem saber como lidar com o saiya-jin raivoso a sua frente, enquanto que Lian chorava nos braços dele, provavelmente pelo gesto abrupto instantes antes, para depois sentir o estado emocional do irmão naquele momento, sendo que este parecia ignorar, embora tentasse conforta-la, sem sucesso e de forma débil.
- Dê a Lian-chan para mim, amor. Irei acalma-la.
Nyei chega e pega a pequena do colo dele, que se agarra a jovem que a leva dali, para fugir do ambiente opressor para poder acalmar mais facilmente o bebê.
Ela parece parar de chorar por alguns segundos, para olhar o pai, tendo os orbes ônix úmidos, assim como seu pequeno rostinho que estava banhado em lágrimas e levantando as mãos, sacudindo-as, como se quisesse voltar e ser pega no colo pelo genitor.
Esse gesto de desejar seu colo, mesmo nunca tendo o visto antes, faz o coração dele se aquecer, enquanto uma imensa tristeza o tomava, novamente, quando não conseguia mais vê-la, pois haviam adentrado no quarto de Kakarotto.
Nisso, seu filho vira de costas, ainda sustentando o olhar de ira e falando, com a voz baixa e raivosa, sem olha-lo:
- Se afaste dela... Prometi a kaa-chan que a protegeria a todo o custo, além de ser a minha amada imouto. Eu irei arrebentar aquele que ousar feri-la... Esteja avisado, desgraçado.
Bardock abaixa a cabeça, sem ter qualquer argumento para rebater o ódio e a raiva imensurável de seu filho caçula. A simples menção de sua amada Liluni, que por seu orgulho cego e igualmente imbecil a perdera, lhe marcou e muito, somando ao ato dele ter desejado matar a filha quando descobriu a verdade sobre Lian.
Portanto, que direito possuía ou argumentos válidos para influenciar Kakarotto a mudar de opinião? Nenhuma. Era apenas um bastardo miserável.
Frente a esta constatação amarga como o fel, cai de joelhos, faltando-lhe forças, para depois curvar o corpo e esmurrar o chão, cabisbaixo, com lágrimas escorrendo de seus orbes e com os dentes cerrados, não tendo ninguém para odiar além de si mesmo por seu atos, cujas recordações o feriam e muito, tendo o amor por Liluni como um cruel e implacável carrasco, que merecia, não havendo como fugir dele e não considerando-se com direito de escapar da punição severa e cruel de seu algoz.
Merecia em dobro tudo o que fez a Liluni. Não desejava se ausentar da culpa que possuía. Nada mudaria o que fez. Tinha que arcar com seus erros.
Mas, uma pequena parte egoísta, desejava segurar Lian. Sentir o peso morno de sua filha que lhe aplacaria as feridas e ajudaria a diminuir seus crimes, embora a sua outra parte não se achasse digno de tamanha piedade.
Porém, isso não importava, mesmo sabendo não ser digno de sequer olhar para sua filha, não após tudo o que fez com a mãe desta e o que deixou acontecer, privando a filha do amor maternal, além de ter tido intenção de mata-la, assim que descobriu a existência dela e que senão fosse pela intervenção bem-vinda de seu filho mais novo, teria cumprido seu intento.
Mesmo assim, seu lado egoísta, como assim o definia, desejava viver a paternidade com Lian, enquanto se amargurava de não ter tido por completo em relação a Kakarotto quando ele era um bebê.
Caído, chorando no chão frio de forma deprimente e vexatória para a sua raça, como assim definia, mas, sem se importar com o que os outros pensariam ao vê-lo, pois seu orgulho não se encontrava em nenhum lugar para ser visto. Não passava agora de um patético saiya-jin miserável e sendo tudo por culpa dele mesmo.
Ele mesmo cavou a sua cova ao longo dos anos, mas, somente se deu conta, agora, despojado de seu orgulho prepotente e cego.
De fato, seu filho tivera sorte de não ter sido aprisionado pelos grilhões do orgulho.
Kireiko não exibia pena no olhar, assim como a mãe desta, Suong e nem Nyei, pois, sofreram como escravos nas mãos dos saiya-jins, assim como souberam do que ele já fizera com escravos, principalmente as fêmeas.
Porém, Tarble o olhou com pena, assim como Eichiteki, pois sentia a intensa dor e agonia do guerreiro derrotado e caído no chão, sofrendo por tudo o que fez e tendo a sua consciência como um algoz implacável e igualmente cruel e do qual não havia como fugir, sabendo que os ombros de Bardock estavam imensamente pesados, tendo que encarar as consequências amargas como o fel de seus atos, sabendo que não havia volta, apenas a opção de seguir em frente, mesmo pesarosamente, encontrando um motivo para viver, desconfiando que o dele era Lian e que só estava no mundo dos vivos por causa dela, pois nada mais o prendia.
Nisso, o mestre olha para onde o seu discípulo estivera minutos antes de entrar no quarto com a face ainda irada, não se dignando a olhar para o genitor prostrado e caído, miseravelmente no chão, e tendo em sua face um pranto silencioso e um olhar ligeiramente perdido, fazendo o chikyuu-jin suspirar de pesar, pois, Kakarotto deveria ser capaz de saber o estado emocional de seu genitor e que o mesmo não era uma ameaça à Lian, além de ser algo, "escancarado" demais, de certa forma, sem espaço para quaisquer dúvidas.
Confessava que se surpreendia em ver o quanto estava aguentando, sabendo que Bardock estava no limiar, que bastava apenas um passo para abrir mão de sua vida. Desconfiava que Lian evitara isso e que a pequena o salvava em inúmeros aspectos e que a filha o fazia permanecer naquele mundo.
Pressentia o quanto mudara. Não era mais o mesmo. Era, praticamente, outra pessoa. O saiya-jin orgulhoso, prepotente, cruel e perverso que fora um dia, desaparecera sem deixar vestígio, assim como a bruma em um oceano e agora lhe restava a dor e o sofrimento, assim como a consciência de seus atos e a perda daquela que amava no fundo de seu ser e que possuía uma ligação verdadeira.
Possuía conhecimento sobre a ligação verdadeira dos saiya-jins e achava fascinante de que tal coisa existisse em uma raça famosa por sua crueldade e ausência de sentimentos, sabendo que era igualmente raro, despertando os instintos saiya-jins de uma maneira profunda, além da paixão intensa, amor, fidelidade, proteção e cuidado com seu companheiro, acabando por serem passados alguns sentimentos para a cria de ambos, como o amor paternal, desejo de cuidar e protegê-la.
Sentimentos, que mesmo com a morte daquela que possuía a ligação, no caso, Liluni, ainda refletia na cria de ambos, Lian e seria assim até o final da vida da jovem.
Por isso, também, a filha possuía tamanha influência nele, graças ao fim de seu orgulho desmedido, nada mais restando deste e permitindo assim que os sentimentos pela ligação verdadeira fluíssem sem limite ou obstáculo.
Afinal, já não lhe restava nenhum.
Então, se retira, por último, juntamente com Tarble que compartilhava dos sentimentos de seu mestre, pois conseguia sentir o quanto Bardock estava abalado, de uma forma profunda e se surpreendendo também com o quanto ele havia resistido.
Não desejava a dor e agonia dele nem ao seu pior inimigo, enquanto que estranhara de Kakarotto não sentir.
Afinal, ele refinou tal habilidade, sendo um pouco melhor que a dele, pois treinava artes marciais a mais tempo do que ele.
No dia seguinte, à noite, Tarble treinava um pouco mais com Eichiteki, sendo que Kakarotto havia conseguido dominar a técnica de ler pensamentos e sentir sentimentos dos outros pelo ki, após "refinar" tal habilidade, sendo que Tarble dominaria naquela noite, segundo o que previra Eichiteki e agora, após dominada essa técnica, embora não usasse no pai e nem desejasse, estava treinando com Nyei uma nova habilidade que ela estava ensinando a ele.
