Capítulo Sete
Selene Potter acordou de péssimo humor naquela primeira manhã de Hogwarts. Ela dormira mal tamanha a raiva que sentira graças às acusações ridículas que a ruiva atirara em cima dela. Não, ela não ignorava a hipocrisia de se sentir ofendida já que, de certa maneira, Lily estava certa e Selene realmente tinha segundas intenções quando iniciou a conversa com a ruiva. O caso era que a loira não se sentia ofendida por si, mas sim porque Evans insinuou que James tinha sido o gênio maligno por de trás de um plano para enganá-la, o que era totalmente ridículo.
Dos dias que convivera ele na mansão dos Potter, Selene pode perceber que James era um dos garotos mais gentis, atenciosos e adoráveis que já conhecera. Não que ela fingisse que os defeitos do "primo" não existiam. Sabia também de seus traços arrogantes, que ele era um tanto quanto infantil e, às vezes, perdia a noção das consequências que suas ações poderiam trazer. Contudo, Selene tinha a convicção de que James jamais faria nada intencionalmente para machucar sua adorada ruivinha. E como a dita ruiva retribuía essa afeição? Com acusações de conspiração.
Absolutamente ridículo.
A jovem Potter tinha tomado as dores de seu primo. No começo ela se apegara a James porque ele era o mais perto – e extremamente parecido – que tinha de seu melhor amigo, Harry, mas agora ela o amava por ele, pelo incrível ser-humano que James Potter mostrava ser a cada dia. Inconscientemente, Selene esperava que Lily fosse ser tão maravilhosa quanto o maroto de cabelos desgrenhados. A decepção, entretanto, era mais amarga do que se antecipara.
E o pior era que a loira sabia que tinha a obrigação de contornar aqueles problemas para não afetar a possibilidade de Harry vir a nascer, sua boa vontade, todavia, para tal era, no máximo, zero. A irritação somava-se a impotência em uma mistura terrível que fazia com que ela pisasse duro em direção ao salão principal. Os outros membros de Hogwarts que passaram pela jovem naquela manhã tiveram o bom-senso de desviar de seu caminho assim que deram uma boa olhada em sua expressão corporal, o que dizia muito sobre o quão furiosa ela parecia. Afinal, havia toda uma curiosidade sobre a nova estudante. Curiosidade atiçada por diversos fatores entre os quais o fato de ela ser parente de um dos caras mais cobiçados da escola, por ser rosto deslumbrante e por possuir aquele que muitos chamavam de Potter charme – o qual basicamente se traduzia em um jeito de ter um imã natural para o sexo oposto.
Com a mente fervilhando, Selene deixou que seus pés a conduzissem automaticamente até a mesa Gryffindor onde se sentou e puxou um prato qualquer, depositando nele a primeira coisa que viu na frente. A comida não importava agora. Tentando se distrair da decepção que sentia por Lily não ser a doce garota que pensava ser, Selene começou a fazer alguns cálculos sobre as poções que deveria terminar. A jovem estava terminando de ponderar sobre quanto tempo ainda tinha para finalizar o Veritasserum quando alguém se sentou ao seu lado no banco e chamou:
- Selene?
A loira a ignorou por alguns segundos, mas continuou sentindo o olhar da garota em si, então, soltou um suspiro exasperado antes de se virar para encarar quem quer que fosse. Toda animosidade que sentia pela estranha que a perturbava foi imediatamente substituída por choque assim que seus olhos pousaram no rosto dela.
- Longbottom. – foi o que ela balbuciou.
Imediatamente um garoto sorridente apareceu ao lado da moça. Ele ficou em pé e passou o braço pelo ombro da desconhecida antes de olhar para baixo e falar animadamente:
- Hey, Sel. Você me chamou?
Potter franziu o cenho. Chamou-o? Não, ela não o chamou. Ela estava apenas falando com aquela mulher que obviamente era Alice Longbottom. Era olhar para seu rosto arredondado e Selene podia ver seu amigo ali, a diferença era que sua aura era bem mais leve... mais feliz. Então por que aquele garoto havia interrompido a conversa delas?
Somente quando seus olhos avelã caíram sobre o braço possessivo que ele mantinha ao redor de Alice que a conexão se formou em seu cérebro e Selene entendeu quem ele era e o porque de ter respondido.
- Longbottom. – repetiu, engolindo em seco e mantendo sua atenção nele.
- Sim. Sou eu. James deve ter falado de mim, hein. – ele era tão simpático quanto a namorada – Mas, por favor, não acredite em nada que seu primo te disse. É pura calúnia. E eu ganhei de maneira honesta aquela partida de xadrez, mesmo que ele nunca admita isso.
A loira balançou a cabeça e forçou um sorriso, fingindo saber sobre o que o garoto falava.
- James é um mal perdedor. – sussurrou, ainda um tanto quanto perdida por estar conversando tão facilmente com o casal que em seu tempo não podia pronunciar duas sentenças corretamente.
- Mal perdedor? – Frank riu – Ele já te contou sobre como sumiu com todos os pertences do antigo capitão Gryffindor quando ele não o deixou fazer o teste para apanhador por ser do primeiro ano?
- Ele fez isso, foi? – agora a loira estava genuinamente surpresa.
- Ah fez. – Alice assentiu – E não teve problema nenhum em assumir a autoria da peça. Contou para todo mundo e foi feliz cumprir sua detenção com McGonagall
- Quem não ficou nem um pouco feliz com isso foi Sirius.
Selene arqueou a sobrancelha.
- Não me diga que Black teve um araque de consciência?
O casal se entreolhou e logo estavam rindo:
- Oh não, não, não. Na verdad-
- Na verdade, eu fiquei chateado por ele não ter me chamado para participar, afinal, também fiquei de fora dos testes por ser do primeiro ano. – aquela voz rouca soou ao pé do ouvido dela, trazendo arrepios por suas costas e um braço circundou sua cintura – Então fui obrigado a azarar o Ranhoso, afinal, precisava de uma detenção também. Não poderia deixar Prongs ficar com toda diversão, não é mesmo?
A jovem Potter revirou os olhos e tentou se esgueirar para longe do braço dele, mas o garoto apertou o braço mais firme e até chegou mais perto. Não querendo causar uma cena ao usar suas habilidades de luta corporal, Selene suspirou e deixou-se ser abraçada.
- Sabe, Kitten, eu não sabia que você pensava tão mal de mim a ponto de realmente acreditar que eu passaria um sermão no meu melhor amigo pelos motivos errados. Até parece que não me conhece.
Selene reprimiu outra revirada de olhos e um resmungo sobre como as prioridades dele estavam meio distorcidas.
- Padfoot, faça o favor de tirar suas patas de cima da minha prima. – James se sentou do outro lado da mesa diretamente de frente para eles – Hey, Alice, Frank. – estava colocando um pouco de suco de abóbora para si quando parou e olhou para cima, estreitando os olhos para o amigo – Frank, por acaso você não estava me caluniando para minha prima, não é mesmo? Falando sobre aquele jogo que você roubou.
- Não, não. – Selene se apressou em pular no meio da conversa, tratando de mudar de assunto antes que alguém disse alguma coisa que acabasse por mostrar em uma contradição sobre como ela conhecia o futuro casal Longbottom – Nada de jogo. Eu estava prestes a perguntar sobre as aulas de porções quando seu melhor amigo aqui começou a me agarrar.
- Te agarrar, Kitten? – sua gargalhada soou como um latido – Não se engane, linda. Quando eu te agarrar, você vai saber.
- Que nojo, Padfoot! – James jogou alguma coisa nele, o cenho contorcido em uma careta – Pare de falar assim da minha irmã na minha frente.
- Então quando não estiver olhando eu posso falar? – Sirius apoiou o queixo sobre o ombro dela e riu malicioso.
- Ele sempre foi abusado assim? – Selene não dirigiu a pergunta a ninguém em particular.
- Sim. – Frank respondeu – Mas não tanto quanto agora, aparentemente.
Selene não respondeu, mas sentiu mais um arrepio gostoso quando a respiração de Black bateu em seu pescoço. Foi preciso uma boa dose de autocontrole para que ela não tremesse visivelmente.
- Ouch! – Sirius resmungou sua cabeça indo repentinamente para frente e quase derrubando os dois da cadeira porque, mesmo quase caindo, ele não havia soltado a garota.
- Bom dia, Padfoot. – Remus se sentou ao lado do amigo, um sorriso satisfeito nos lábios graças ao tapa na nuca que havia dado no amigo.
- Vocês ficam abusando de mim e depois que eu sou abusado! – ele resmungou – Kitten, me machucaram. Você não quer dar um beijinho para que eu melhore?
Dessa vez ela realmente revirou os olhos.
- Não. Agora será que dá pra você me soltar? Está me sufocando.
Soltando um suspiro dramático Black finalmente a soltou, mas não sem antes aproveitar para dar um beijo na bochecha dela.
- E você, Alice? Me daria um beijinho para que eu ficasse melhor?
- Hey! – Frank protestou, não achando graça.
- Sirius, já te disse que essa sua carinha de cachorro pidão só funciona com o seu fã-clube.
- De novo esse famoso fã-clube. – Selene murmurou, pegando uma torrada – Interessante.
James sorriu ao ver o quão estranhamente quieto seu melhor amigo ficou. Isso era bem feito para ele!
- Mas ouvi algo sobre aula de poções? – Lupin comentou ao se sentar, já colocando um pedaço de bolo na boca.
Tendo em vista que Selene havia decidido que o jeito mais rápido de ajudar seu amigo era fingir que havia percebido seus sintomas ao longo dos dias e que, por isso, sabia que ele era um lobisomem, ela aproveitei aquela ótima deixa.
- Você escutou essa parte, Remus? – a loira franziu o cenho, fingindo estar intrigada – Parecia estar tão longe. – tomou um gole de seu suco, esperando a resposta.
Como esperado, Lupin engasgou e passou a olhar de um lado para o outro como se esperasse que alguém pulasse na mesa, apontasse para ele e gritasse "lobisomem". Selene, contudo, sabia quando atacar e quando recuar então rapidamente mudou de assunto:
- Mas, afinal, quem é o professor de porções?
- Slughorn! – James respondeu em um muxoxo, revirando os olhos – E vá se preparando, sis, porque o nosso sobrenome significa um convite permanente para o clube idiota dele.
- Clube? – outra vez fingiu ignorância.
- São reuniões idiotas que ele faz toda sexta-feira para seus alunos favoritos. – Frank resmungou, já sentado ao lado da namorada e também tomando o dejejum – É um saco, mas não podemos evitar porque é mais fácil ficar uma hora lá do que o resto da semana aguentando ele reclamando na nossa cabeça sobre nossa ausência.
- Todos vocês vão? – ela revezou o olhar sobre os rostos deles, genuinamente curiosa.
Remus assentiu, ainda quieto.
- Mas é chato pra caralho, Kitten. – Sirius voltou a passar o braço sobre o ombro dela – Então, como eu sou uma pessoa excelente, deixo você ser meu encontro no próximo clube imbecil.
Selene virou o rosto para ele e arqueou a sobrancelha.
- Você vai me deixar ser o seu encontro? – Selene estava achando graça naquela situação.
James riu abafado enquanto Sirius tentava manter um olhar que ele considerava ser sedutor.
- Eu sou generoso assim, Kitten. – mexeu as sobrancelhas repetidamente.
Dessa vez a loira soltou uma gargalhada divertida e estava prestes a responder quando mais uma pessoa se juntou àquele grupo de pessoas.
- Padfoot, essa foi a sua pior cantada. E olha que esse é um título e tanto.
Toda diversão, toda felicidade que Selene estava sentindo desapareceu por completo assim que seu olhar pousou sobre o recém-chegado. Ele tinha a idade deles, um sorriso preguiçoso e as bochechas redondas e coradas. Vestia o uniforme da Casa dos leões, loira, contudo, sabia melhor. Ela sabia que aquele garoto não tinha nada da lealdade de um Griffyndor. Não um leão, mas sim um rato.
Duas palavras soaram no cérebro dela como o mais odioso veneno:
Peter Pettigrew
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N/a: Hey, babe. Tudo bem com você? Obrigada por ler minha fic e espero que tenha gostado desse capítulo. Beijooos ;*
Respondendo:
Guest: Thanks again, love ;*
