Mais um dia ruim - Drive [ watch?v=VulOPIYhuug]

Eu não quero mais viver assim
Aqui não é mais o meu lugar
Se eu não fizer quem vai fazer por mim?
Você não precisa me escutar

Pode ser mais um dia ruim, não vai durar pro resto da vida
Pode estar escrito assim, pode estar morta ou só estar ferida

Capítulo 4 - Estudando a luta

Sakura se encaminhou para a saída.

- Sua mãe vem te buscar, não é?

Ela olhou para Sasuke desconfiada.

- Não. Eu vou sozinha - destacou.

Ele a encarou por um minuto, observando-a.

- Eu posso te levar.

Ela percebeu que ele havia deixado a decisão nas mãos dela. Isso a fez sorrir por um momento, ele aprendia rápido.

Ela deveria dizer não.

- Eu não vou para casa agora - disse dando as costas e começando a andar.

Ela não havia dito não, ele reparou com um meio sorriso se formando nos lábios.

- E aonde nós vamos? - perguntou, apressando o passo para acompanhá-la.

Ela riu baixinho.

Ele gostou do som.

- Você é bem confiante, não é?

-Geralmente? Sim. - ele pegou a mão dela, apertando-a suavemente e soltando antes que ela pudesse se afastar - Mas nunca com você.

- Não confunda as coisas, Sasuke. Eu não sou uma garota normal, com uma vida normal. Não posso ser.

Ele não sabia o que ela queria dizer com aquilo, mas sua voz... Tristeza. Ela estava triste.

- E não podemos ser amigos?

Ela fez uma cara.

- Não tenho amigos.

- Por que não?

- "Você se apega, então você se machuca" -citou com um sorriso triste - Ou pior. Machuca alguém.

Era arriscado demais. E ela não estava disposta a correr o risco. Já sacrificara demais. Sofrera demais.

Ainda sofria.

- Eu sou duro na queda.

Ela riu novamente.

Isso era preocupante.

Olhando-a naquele momento poderia pensar que havia imaginado a tristeza na voz dela. Mas ele sabia melhor que isso.

- Eu vou na biblioteca do centro, mas você não parece o 'tipo' de cara que frequenta bibliotecas.

Aquela conversa mais cedo havia lhe dado uma ideia. Nunca havia pensado nisso antes, mas se desse certo... Bem, precisava tentar.

Ele arqueou a sobrancelha.

- Essa doeu. - disse e sorriu galante - Você vai estar lá, não vai?

Ele viu a expressão cautelosa voltar a se formar no rosto dela.

- Amigos estão juntos nos momentos bons e nos ruins - ele declarou solenemente.

Ela balançou a cabeça.

- Você não vai desistir, vai? - murmurou quase pra si mesma.

Por que ele queria estar com ela? Ninguém nunca pareceu realmente querer. Todos a deixavam, ou ela se via obrigada a deixá-los.

Mas ele não sabia nada sobre ela, se soubesse iria embora também. E não poderia culpá-lo.

- Não, eu não vou desistir - disse.

Teimoso.

Ela suspirou, dispersando aqueles pensamentos sombrios.

- É bom que você seja mesmo durão, meu "amigo". Ou vai virar meu saco de pancadas.

Ele apenas arqueou a sobrancelha, desafiante.

- Vamos lá.

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Eles já haviam chegado há uma hora e Sasuke continuava sem entender.

- Você quer aprender a lutar... Lendo? - riu, incrédulo.

Ela rolou os olhos pelo que pareceu a décima vez em menos de um minuto.

Na verdade já tinha algum conhecimento básico devido a sua criação. Seu pai lhe ensinara alguma coisa. Antes das coisas irem terrivelmente mal.

- Se está cansado, pode ir para casa Uchiha-durão-Sasuke.

É, ela nunca ia deixá-lo esquecer que dissera aquilo.

- Ou talvez não tão durão - zombou.

- Ok, garota irritante - ela o fuzilou com os olhos. Sim, ela finalmente tinha tirado os óculos e a sombra arroxeada nunca parecia ter estado lá. Havia imaginado? - É simplesmente impossível alguém aprender a lutar só... Lendo. Você tem que ver os golpes. Assimilar os movimentos, a técnica, aprender a dominar o corpo.

Desde quando ele era um especialista? - pensou ranzinza.

- Eu sei gênio. Eu vou no youtube depois daqui.

Sasuke a encarou incrédulo, antes de balançar a cabeça.

- Sakura...

- Sasuke, isso é só algo que eu tenho que fazer, ok? Isso aqui é o que eu tenho. Pode ser pouco, mas é alguma coisa e vou usar tudo o que tiver.

- Por que você quer aprender tanto a lutar, Sakura? - perguntou desconfiado.

Ela permaneceu em silêncio.

Quando ela começou a se afastar em direção a outra estante, ele puxou seu braço firmemente.

Ela gritou. Não pôde evitar. A bibliotecária olhou feio, exigindo silêncio.

- Desculpe - ele disse, parecendo genuinamente arrependido - eu não quis te machucar. Deixe-me ver.

Ela tentou se desvencilhar, mas ele já havia puxado a manga do casaco para cima vendo os hematomas que coloriam a pele alva.

- Quem fez isso com você, Sakura? - perguntou friamente, seus olhos endurecendo e os músculos tencionando visivelmente - Quem machucou você?

A expressão dela se tornou vazia, uma folha em branco e o único sinal de tensão eram as mãos em punho e o maxilar trincado.

- Isso não te diz respeito, Sasuke - disse muito, muito calmamente.

- Sakura... - disse tentando controlar a raiva que queria subir. Que queria machucar quem havia feito aquilo.

Ela levantou a mão, interrompendo os protestos que sabia que viriam.

- A escolha é sua, Sasuke. Fique ou vá embora. Mas eu não estou falando sobre isso agora. Nunca, na verdade.

Ele pegou a mochila em cima da mesa e foi embora.

Ela já sabia que aconteceria. Era o que acontecia sempre, cedo ou tarde. Sempre que descobriam, ou até antes. Não esperava que fosse diferente.

Não esperava.

Mas ainda doía.

Aquele era outro lembrete. Lembrete de como a vida era para ela. O lembrete que ela nunca teria uma vida normal, nunca poderia ter amigos - pelo menos se não os quisesse em perigo -, nunca teria um relacionamento de verdade com qualquer um que não fosse sua mãe.

Mais cedo ou mais tarde, todos iam embora. Todos se afastavam. Eram sempre as duas contra o mundo. Tinham apenas uma a outra.

- Não se preocupe, querida. - disse a bibliotecária, com um sorriso doce - Logo ele vai voltar para fazer as pazes.

Oh, eu não contaria com isso. Espero que não. "Mentirosa".

Mente traiçoeira.

Ela sorriu para ela, a outra piscou.

Balançando a cabeça levemente e se sentindo, ainda que não admitisse, um pouco melhor, voltou a atenção para os livros.

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Quando chegou, percebeu que a mãe ainda não estava em casa. Enquanto estava na biblioteca ela havia ligado, animada por ter conseguido o emprego.

Como ainda estava se sentindo meio entediada, e talvez, só talvez desanimada pelos eventos ocorridos naquela tarde, resolveu treinar que havia conseguido nos livros e visto brevemente nos vídeos.

Sasuke havia esquecido que ela tinha memória fotográfica e com o pouco que já havia aprendido sobre defesa quando era mais jovem - na época em que seu pai estava com elas e se preocupava com sua segurança - ela tinha uma base.

Caminhou até a árvore no quintal de casa e se posicionou em frente a ela. Começou com golpes básicos de karatê.

Logo descobriu que precisaria comprar luvas para os golpes de treinamento avançado, mas por agora, a dor era algo bom. Dor física também servia como distração. E ela precisava de uma. A dor física sempre se sobrepunha às dores que ainda sentia por dentro. E também aos problemas. Era bom poder se exercitar e deixar a tenção fluir para fora do corpo.

Quando percebeu que começava a escurecer, voltou para dentro de casa e enfaixou a mão, que sangrava um pouco e começava a formar pequenas bolhas e calos. Sentiu orgulho de si mesma.

E ele disse que ela não conseguiria, hein?

Sentiu um sorriso presunçoso formar-se em seus lábios.

"Mal sabe você, Sasuke" - pensou se preparando para a Yoga e o flexionamento básico. Algo mais relaxante agora. Afinal no dia seguinte, tentaria o Muay Thai.

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Ele bateu a porta com raiva. Sabia que não devia se sentir magoado. Não a conhecia. Ela tinha o direito de não querer falar com ele sobre os machucados.

Mas ele estava. E sentia raiva por si mesmo por isso também.

- Por que está com tanta raiva, filho?

- Pai? Você não devia estar trabalhando na delegacia essa hora?

- Troquei de turno. Não fuja da pergunta.

Ele falou tudo. A única regra que havia entre eles era aquela. Sempre dizer tudo um ao outro. Especialmente depois da morte de sua mãe. Só podiam contar um com o outro.

O pai o olhava fixamente, escutando com atenção.

- Ela não quer me contar. Eu disse que...

Fugaku, pai de Sasuke, balançou a cabeça.

- Ela não vai falar enquanto não sentir plena confiança em você, Sasuke.

- Mas ela pode confiar em mim - resmungou, frustrado.

- Eu sei disso. Você sabe disso. Ela não sabe. - antes que ele pudesse abrir a boca, Fugaku emendou - Ela acabou de conhecer você, filho. Todos os fatos levam a crer que ela é uma vítima. A última coisa que ela quer, é sair por aí falando sobre o que - e quem - a colocou nessa condição. É só o segundo dia dela.

Sasuke suspirou.

- Eu sei, eu sei.

- Agora, entrando em outro aspecto do seu "problema"... Você sabe que ela pode estar aqui por ter fugido da pessoa que deixou os hematomas nela, não sabe?

Ele assentiu. Já havia pensado nisso, afinal, era filho de um policial.

- Isso significa que qualquer um que se aproximar o bastante pode sair ferido.

- Eu sei. Ela nem sequer quis que eu a apresentasse aos meus amigos, eu...

- Eu estou falando de você, Sasuke.

Ele rolou os olhos.

- Eu sei me cuidar, pai.

"Ah, o excesso de confiança da juventude" - Fugaku pensou, lançando-lhe um olhar preocupado.

- Sasuke...

- Pai! Eu... - Sasuke desviou o olhar para o chão e abaixou a voz. Estava na hora de admitir aquilo em voz alta. - Eu gosto dela.

Fugaku ergueu a sobrancelha, com um sorriso divertido no rosto.

"Diga-me algo que eu já não tenha notado, filho".

- O que disse, Sasuke? Eu acho que não escutei muito bem - brincou.

Sasuke o fuzilou com os olhos.

- Acha isso muito engraçado, não é?

"Não podia se apaixonar por uma garota comum, não é filho?" - riu interiormente - "Igual ao pai".

- Eu não disse nada. Você disse. Acha isso engraçado, Sasuke?

- Rá, rá, rá, hilário pai. - zombou, mas acabou sorrindo também. Um segundo depois ficou sério novamente. - Você acha que... Bem, quem quer que seja que a tenha machucado... Ele pode ser louco, não é? Um namorado obssessivo, ou qualquer coisa assim, não é? Eu não sei como alguém em juízo perfeito a machucaria.

"Tão ingênuo, filho".

- Eu só sei de uma coisa, Sasuke. A diferença entre loucura e crueldade não importa muito à uma vítima. Agora você sabe, vai ter muito mais trabalho para fazâ-la confiar em você depois de sua atitude hoje.

A expressão dele se tornou carrancuda. - Eu sei.

- Qual o nome dela?

- Sakura. Haruno Sakura. Por quê? - perguntou desconfiado.

- Não posso querer saber o nome da garota que deixou meu filho de quatro em menos de uma semana? - zombou.

A carranca se aprofundou.

- Nunca mais repita isso - resmungou e subiu para o quarto.

Fugaku olhou para o caminho feito pelo filho e pensou que teria um pouco mais de trabalho na delegacia naquela madrugada. Tinha a impressão de conhecer aquele sobrenome. Não tinha um bom pressentimento sobre isso.

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Obrigada meninas, por acompanharem e é óbvio que as críticas também são bem vindas, afinal sempre podemos melhorar o/

Espero que estejam gostando e que a qualidade da história suba a cada novo capítulo.

Sempre em busca da superação ;)

;*

Espero Reviews! Sempre que tiver uma nova postarei um capítulo, já que já tenho alguns prontos. Na verdade. tenho uma grande parte da fic já escrita. Por isso resolvi postar ^^

s2