Torn – Natalie Imbruglia [ watch?v=VV1XWJN3nJo]

Eu pensei ter visto um homem trazido à vida

Ele era carinhoso, ele se aproximou

Como se ele fosse digno

Ele me mostrou o que era chorar

Bem, você não pode ser aquele homem que eu adorei

Você não parece saber ou se importar

Para que serve o seu coração

Mas eu não o conheço mais

Capitulo 12 – Desafios, provas e coragem

Ele havia assumido um compromisso com Sakura e sua mãe. Não pretendia decepcioná-las.

Quando chegaram à casa dela, a mãe já havia arrumado tudo e estava pronta para sair. Elas haviam adquirido prática nisso. Devia ter sido uma vida terrível e odiava que Sakura tivesse passado por tudo aquilo, mas não mais. A partir de agora ela tinha a ele. E ele a manteria segura.

Seu pai estava a caminho com um carro comum no intuito de não chamar muita atenção pela mudança repentina.

- Querida, você está bem mesmo? Ele não apareceu em nenhum momento?

- Não mãe, pode ficar tranquila.

- Graças a Kami-sama! – disse abraçando a filha.

- Eu vou pegar um pouco d'água – disse Sakura depois que a mãe a soltou e se dirigiu a cozinha.

Sasuke começou a se sentir um pouco nervoso e olhou o celular para ter certeza de que seu pai não havia mandado nenhuma mensagem. Quando ergueu a cabeça se deparou com a senhora Haruno fitando-o atentamente. Constrangido, colocou as mãos nos bolsos, sem saber o que falar ou dizer. Ela devia achá-lo um irresponsável por ter deixado sua filha sozinha, embora a culpa não fosse totalmente dele já que ela vivia fugindo.

- Olha, er…, eu sinto muito por não ter estado com ela quando o bilhete chegou. Nós havíamos meio que nos desentendido e eu demorei a achá-la, mas prometo que ficarei mais atento e paciente com ela. Não vou deixar que ela suma da minha vista de novo. Eu…

Ficou sem fala e muito perto de chocado quando a senhora Haruno o abraçou e pôde sentir o quanto ela tremia, tentando segurar o choro.

- Você cuida dela, Sasuke. Obrigada por se preocupar tanto com a minha menina. Sempre vou ser grata por tamanha demonstração de carinho com ela. Sakura já sofreu tanto e é tão bom vê-la finalmente encontrar seu caminho e saber que posso confiar no garoto a quem ela entregou seu coração. Tão bom saber que ela teve mais sabedoria do que eu tive. E saber que você a manterá segura… Obrigada, meu filho.

Lentamente, ainda atordoado e mais do que um pouco sem jeito, ele a envolveu com os braços retribuindo aquele abraço enquanto uma emoção estranha se apoderava dele. Havia muito tempo desde que uma mulher o chamara de filho com tanto carinho e sinceridade.

Não havia percebido até aquele momento o quanto sentira falta.

Viu Sakura na porta da cozinha com a mão sob os lábios e os olhos marejados, enquanto uma buzina soava do lado de fora da casa. Seu pai havia chegado por fim e o momento estranho havia passado tão depressa que era como se não tivesse existido. Algo dentro de si lamentou perder aquilo.

"Perder o quê?" – era o que ficaria se perguntando depois.

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Ele havia se tornado muito importante em muito pouco tempo. Era o que ela havia temido desde o princípio. Era o que continuava temendo. Sabia que ele era diferente. Nunca a magoaria de propósito, podia ver isso, ele não era seu ex ou seu pai. "Mas nem sempre é o propósito que nos move". Ele não era apenas humano, como também um homem. Estava fadado desde o princípio ao desastre, e o fim era inevitável. Chegava para todos, em algum momento. Tudo que não acabava em separação, acabava na morte, não é assim? Não é? E até onde sabia o amor estava entrelaçado com a tragédia.

"É o mais mortal entre os males: você pode morrer de amor ou da falta dele", como diria Lauren Oliver em Delírio.

Então porque, ultimamente, tinha que ficar recitando motivos todo o tempo para não deixá-lo se aproximar? Sempre havia sido uma pessoa decidida. Quando queria dava um jeito de conseguir, deixava de lado e seguia em frente, mas com ele… Como ele estava sempre hesitando entre um e outro sem nunca conseguir decidir algo definitivamente. E agora sua mãe confiava nele.

A cena que havia presenciado ao voltar da cozinha a emocionara e abalara mais do que gostaria de reconhecer.

Por que agora? Ela deveria estar se concentrando em aprender e aperfeiçoar seus conhecimentos de combate. Não se preocupando com ele e sentimentos confusos. Sentimentos não ajudariam a proteger a ela ou sua mãe.

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"Aquela rosinha me paga" – pensou Karin, ajustando os óculos fumegando de raiva – "Sasuke-kun é meu e de mais ninguém. Aquela sem sal não vai roubá-lo de mim. Nunca!".

- Você está planejando algo, Karin-chan?

- Sim e vou precisar da sua ajuda, Wendy.

- Sabe que pode contar comigo para o que precisar Karin-chan – disse com os olhos brilhantes.

Karin sorriu maliciosamente. Wendy faria tudo o que pedisse, ela sabia. A coitada achava que a considerava como uma irmãzinha, o que Karin achava patético. Quando chegara ao colégio havia sido "conquistada" por um dos garotos do último ano que espalhara rumores difamadores e muito comprometedores sobre a garota. Karin então se aproximou e a fez sua "melhor amiga", leia-se, sua escrava. Fez com que ela ficasse tranquila dizendo que usaria sua "influência" para que as pessoas a deixassem em paz. Em troca ela deveria fazer tudo o que ela quisesse, tal como uma irmã faria, segundo ela. Obviamente Wendy concordara. Se ao menos Wendy soubesse que havia sido a própria Karin que convencera o garoto a conquistá-la, dizendo quão divertido seria brincar com a novata… Os boatos haviam sido a parte mais fácil, claro. Depois disso era só aproveitar a oportunidade para fazê-la acreditar que ela seria a única pessoa em quem poderia confiar. Fácil fazer a novata crer que era sua salvadora e que ela devia ser muito grata por alguém como Karin se importar a ponto de interferir a favor da novata. E pronto. Nova serva. Às vezes Karin se constrangia com sua própria inteligência.

E um gênio como ela merecia ter do melhor. Sasuke era o melhor e ela não aceitaria nada inferior.

"Aquela rosinha deve ter algum segredo." – pensou Karin, já tramando em como descobrir algo e usar a seu favor contra a rival – "Desde o começo ela se comporta de forma tão estranha. Óculos, casaco. Embora recentemente tenha vindo sem eles… Mas a única amizade, se é que pode se chamar assim, é com o Sasuke…" - respirou fundo para controlar a onda de raiva. Tinha que mantê-la se quisesse pensar friamente sobre a situação.

- Você não a acha estranha, Wendy?

Wendy pensou um minuto, sempre se esforçando pra dar uma resposta que agradasse Karin.

- Bem, ela é tipo, um gênio em matemática, não é?

Karin fez um gesto de impaciência com a mão, descartando isso.

- Não estou falando sobre inteligência. O que quero dizer é que ela não tentou fazer amizade com ninguém desde que chegou aqui. O único que conseguiu chegar perto dela foi o Sasuke e isso porque Kakashi o obrigou a sentar-se com ela. Digo, o primeiro instinto de uma garota novata é tentar puxar assunto com uma ou mais pessoas para se introduzir em um grupo onde possa fazer parte, certo? Fazer amizade.

Wendy olhou para Karin meio surpreendida pela forma que a amiga falava. Nunca a havia visto tão séria. E… esperta. Sentiu-se mal por pensar aquilo e voltou o pensamento para o assunto em questão.

- Bem, sim. É verdade.

Karin assentiu, satisfeita.

- Então por que ela se afasta de todos? Por que tem esse jeito arrogante e afasta todo mundo? Mesmo o irritante do Naruto que fala com todo mundo só conseguiu trocar algumas palavras com ela…

- Talvez ela seja do tipo solitário.

- Talvez… - mas a expressão no rosto de Karin mostrava que não acreditava muito naquilo.

Estava convencida de que havia algo por trás daquele comportamento estranho e descobriria o que era. E quando matasse aquela charada…

"Vou te fazer pagar por tentar roubar o Sasuke de mim, Haruno. Por todo o tempo que ele passa com você quando deveria estar comigo. Vai se arrepender de ter entrado no meu caminho, de me envergonhar na minha própria escola e na frente do Sasuke. Vai desejar nunca ter me conhecido, maldita!".

Wendy viu o olhar de puro ódio que se formou no rosto da outra e se sentiu estremecer.

- Karin-chan… - a garota hesitou um momento, pensando na melhor forma de dizer para não irritar a outra. – Você não precisa ficar tão brava… Não precisa tanto…

- Está querendo me dizer o que fazer agora, Wendy? – disse pausadamente, sentindo uma raiva fria pontuar cada palavra.

- Não! Não, eu sinto muito Karin-sama. Farei tudo o que você mandar, nee-san.

Karin deixou um sorriso debochado escorregar por seus lábios enquanto se afastava.

- Assim está melhor, Wendy. Trate de não se esquecer disso.

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- Onde estamos indo?

Sakura olhou para Sasuke furiosa. – Eu estou indo treinar. Eu não faço ideia para onde você vai.

- Haruno… - ele pausou visivelmente divertido – se eu não soubesse dessa sua atração esmagadora por mim, pensaria que você não me quer por perto.

Ela riu debochadamente enquanto revirava os olhos. – Minha atração esmagadora por você é, na verdade apenas um reflexo dos seus sentimentos por mim, querido. Vamos lá, você já deve ter lido algo a respeito. Quando alguém se sente muito atraído por alguém, essa pessoa acaba projetando seus próprios sentimentos no outro, enganando a si mesma, apenas porque a pessoa, na verdade, gostaria que o outro se sentisse dessa forma.

Sasuke ignorou a lição, inclinando a cabeça, os olhos arregalados fingindo espanto enquanto estendia a mão com a palma aberta para ela.

- Você acaba de me chamar de querido, querida? – ele suspirou de forma exagerada enquanto a puxava de surpresa, pondo os braços à sua volta. Temos que marcar logo nosso casamento. Já até nos tratamos como um verdadeiro casal…

Ela deu uma cotovelada nele, mordendo o lábio inferior para segurar uma risada, enquanto se afastava, mas acabou rindo do mesmo jeito. – Você é muito ridículo, Uchiha. – Acelerou o passo.

Ele pegou sua mão enquanto acelerava o passo para acompanhá-la. Sacudiu o braço para apartá-lo, mas ele apenas segurou mais firme. Ela rolou os olhos e resolveu fingir que não se importava. Se fizesse um show ele veria o quanto um gesto tão simples poderia perturbá-la.

- Você anda muito atrevido para o meu gosto, Uchiha – debochei.

- Você gosta, eu sei. Por que não está insistindo em se soltar?

- Pra quê? Você vai segurar mais forte e começar a me encher dizendo que eu fico toda incomodada com algo tão bobo e toda aquela coisa que você inventa sobre "atração esmagadora" e etc. E não me importo.

- Não se importa?

- Não. – respondeu levantando o queixo desafiadoramente.

Viu-o trincar os dentes e o rosto endurecer de raiva. E então ele a puxou. – Ótimo, então não vai se importar com isso aqui também.

- O que você pensa que… Não se atreva a…

Então tudo parou. Não como clichês românticos, não exatamente. Ela ainda ouvia o som dos carros passando, as pessoas andando, vozes, mas tudo parecia muito distante. Muito sem importância, ao sentir os lábios de Sasuke colados aos seus. E ela soube que não deveria ter se preocupado que fosse como antes. Não. Foi completamente diferente. Muito, muito melhor… Ou pior, dependendo do ponto de vista.

"Oh, Kami" – pensou confusa, entreabrindo os lábios – "estou tão ferrada…".