Demons – Versão Boyce Avenue

( watch?v=9DLtzc9KLiw)

Quando seus sonhos fracassam

E aqueles que clamamos

São os piores de todos

E o sangue corre envelhecido

Eu quero esconder a verdade

Eu quero abrigar você

Mas com a besta dentro

Não há onde possamos nos esconder

Quando você sentir o meu calor, olhe em meus olhos
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem!
Não se aproxime demais, é escuro dentro
É onde meus demônios se escondem
É onde meus demônios se escondem

CAPITULO 13 – Sobre águas passadas e velhos moinhos

Sim, ela tinha me irritado a esse ponto. O ponto de puxá-la com brutalidade e lhe tomar os lábios tão rudemente. Esse não era o plano. Não, eu havia prometido a mim mesmo paciência, dar um tempo, deixá-la se acostumar com a minha permanência ao lado dela. Eu sabia que depois de tantas coisas terem sido temporárias em sua vida, era fácil pra ela se apegar a ideia de que eu também seria. Mas era impossível. Ela me irritava e me provocava até mexer com meus nervos, fazendo com que eu tomasse atitudes impensadas, impulsivas.

Esperei que ela me empurrasse ou que começasse a me bater ou a berrar comigo, mas ela parecia em choque. Então, no instante seguinte eu me esqueci de tudo que estivera pensando até o momento e aprofundei o beijo. Ao menos se apanhasse depois, teria valido a pena.

Para minha surpresa, ela estremeceu e segurou meus ombros, como se procurasse equilíbrio. A reação me agradou, principalmente por não esperar que ela reagisse tão positivamente. Coloquei uma de minhas mãos em seu pescoço e a outra em sua cintura, trazendo-a para perto.

Ela passou o braço pelo meu pescoço e passou a corresponder o beijo avidamente. Ao mesmo tempo eu sentia uma sensação estranha na boca do estômago. Até agora não tinha certeza se ela correspondia aos meus sentimentos por ela, mas ao senti-la tão ávida quanto eu, senti um formigamento quente se espalhar pelos meus músculos, enquanto intensificava o beijo. Nesse momento pensei que talvez fosse daquela forma que as pessoas se sentiam quando gostavam muito de alguém e descobriam que a outra pessoa compartilhava desse sentimento. Era quente, intenso. Perfeito. Apavorante.

Eu queria me agarrar a ela e ficar assim por todo o tempo que pudesse e ao mesmo tempo queria soltá-la e mantê-la à distância. Queria protegê-la. Sentia-me forte e ao mesmo tempo fraco. Ela era a única que havia conseguido fazer meu coração bater mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo.

E o reconhecimento disso me fez afastá-la, ainda que de forma relutante. Nunca imaginei que pudesse me sentir dessa forma um dia. Mas o que faria a respeito? O que isso faria com ela? O que faria comigo?

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Sabia que se arrependeria. Sabia que estava sendo idiota. Se fosse outro cara qualquer, se ele não significasse nada, um beijo não teria tido tanta importância. Apenas um bom tempo compartilhado entre dois quase estranhos, um acontecimento fortuito, que os faria ficar sem graça durante alguns minutos e então cada um seguiria seu caminho. Mas não tinha sido algo sem importância com Sasuke, porque Sasuke era importante. Antes havia sido severamente magoada e não sentia nem metade do que estava sentindo naquele momento. Kami, ela era muito burra! O que estava pensando? Aquilo seria um inferno de ruim.

Mas não conseguia parar. Ela sabia, podia praticamente sentir o desastre iminente e ainda assim não podia se obrigar a empurrá-lo para longe. Parecia que todo o seu corpo, toda a sua vontade havia sido consumida pelo desejo. "Só mais um pouco", repetia-se internamente. Só podia pensar em obter mais. Queria tudo. Havia passado tanto tempo, tanto tempo desde que sentira alguma coisa. Havia se mantido tão absurdamente contida, tão controlada, tão rígida com tudo e todos. Sempre se reprovando, se depreciando, se sentindo incapaz… Sempre tão só. Tudo que podia pensar era que queria aquilo. Queria aquele beijo. Pegaria tudo que pudesse, enquanto pudesse.

Não agüentava mais tantas restrições, tantos limites. Queria tanto viver. Queria sentir. Inferno, ela queria Sasuke. Queria ele mais do que jamais quis outra coisa, queria com desespero, uma ânsia profunda que não queria – não podia – ser ignorada, que sequer sabia que poderia existir dentro dela. Queria tanto, tanto… Doía. Como podia ser bom se doía? Estava ficando louca? Finalmente havia perdido completamente a sanidade? Fora longe demais? Como havia chegado a isso? Porque tanta necessidade… Dele? Porque tanto desespero? Porque aquele sentimento de completude a invadia somente ao estar com ele?

Pela primeira vez na vida não importava. Não queria me afastar. Temia, mas não conseguia parar de querer. Se fosse machucar, então aceitaria a dor. O conhecimento disso me sobressaltou.

Quando ele se afastou, eu pude pensar de novo. Era como pular dentro de um rio gelado, depois de estar muito tempo no sol. E embora uma parte minha que o desejava desesperadamente lamentasse a separação, consegui refrear meus braços que queriam puxá-lo de volta. Mantive os lábios juntos para me impedir de dizer seu nome ou pedir alguma coisa que nós dois lamentaríamos.

Kami… Quando aquela situação havia ficado tão fora de controle?

Ainda sentindo seu olhar sobre mim, quis me encolher e desaparecer, mas permaneci cuidadosamente imóvel, com medo de mim mesma. O que estava acontecendo, afinal?

- Acho que nós dois precisamos de um tempo para pensar sobre o que aconteceu agora.

Mantive os lábios pressionados firmemente. Queria dizer que não havia acontecido nada. Que não havia importância. Que não o queria por perto e que não sentira nada, ao mesmo tempo queria abraçá-lo e pedir que não me deixasse sozinha. Queria que me dissesse que não havia nada de errado em querer mais, que tudo ficaria bem. Me forcei a lembrar da passagem em Anita Blake que havia lido aqueles dias. Ela era grande demais para acreditar em mentiras reconfortantes. Além do mais, meu orgulho jamais me permitiria dizer aquilo. Havia contado somente consigo mesma por tanto tempo, apenas para reunir forças para se levantar da cama todos os dias e fingir que sua vida não estava desmoronando sob seus olhos… Pedir ajuda ou reconhecer que precisava de conforto e de segurança, era humilhante e a envergonhava profundamente, de modo que apenas assentiu, enquanto voltavam a caminhar em silêncio.

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Praguejei. Quase não havia informações sobre aquela vadia rosa.

- Karin-chan você não acha isso muito arriscado? – perguntou Wendy receosa. – Se nos pegarem seremos suspensas ou até mesmo expulsas.

- Por isso você está vigiando, baka! – reclamei impacientemente. Não suportava gente tapada. – Do contrário teria vindo sozinha.

- Desculpe, Karin-chan – pediu Wendy, baixando a cabeça.

Suspirei.

- Vamos logo, não tem nada aqui.

- E agora?

- Tenho que pensar, mas darei um jeito. Aquela garota deve estar mesmo escondendo alguma coisa…

- Mas você não encontrou nada.

- Exatamente, sua anta! Eu não encontrei nada, absolutamente nada! Se tem uma coisa que minha mãe me ensinou, foi farejar uma notícia quente.

- Ne, Karin-chan, sua mãe é jornalista, não é?

- Sim, se é que o que ela faz pode ser chamado disso – abanei a mão descartando o fato – É muito estranho que não haja nada aqui.

Ouvi passos se aproximando.

- Droga! Você devia estar vigiando! Vamos logo – corremos pela saída de emergência da lateral e descemos rapidamente. Droga, aquela escada ia acabar com o salto da minha bota!

Chegamos ao pátio pela parte de trás, arfando, enquanto um grupo nos olhava com suspeita. Arqueei a sobrancelha para eles e rapidamente desviaram o olhar.

- Foi por pouco…

Bufei. Garota incompetente!

- Ei, vocês! – ouvi uma voz grossa.

Congelei. Mas relaxei ao ver que era um senhor desconhecido, provavelmente um inútil que se perdeu. Devia estar procurando algum parente.

- Sim?

- Eu já perguntei pra várias pessoas, mas ninguém soube me dizer. Vocês conhecem uma garota chamada Haruno Sakura? Ela pintou os cabelos de rosa há pouco tempo. Impossível que ninguém a tenha visto! – disse zangado.

Arqueei a sobrancelha, sentindo o coração acelerar.

- Sim, por acaso ela está na minha turma – fiz uma careta – Não sei onde ela está. Talvez tenha ido embora. O senhor é algum parente?

- Você é amiga dela?

- Não, nós não nos damos muito bem – optei pela sinceridade, seguindo um instinto.

O estranho sorriu me dando um calafrio. No que essa garota estava metida?

- Acho que você pode me ser muito útil.

Não entendi. Franzi a testa, já me arrependendo de ter continuado a conversa. Sujeito maluco…

- Quem é você?

- Sou o pai da Sakura. Estou de viagem e pretendo levá-la junto comigo. Se me ajudar nunca mais precisará vê-la de novo.

Fiquei interessada, mas cautelosa. Aquele cara era muito estranho. Senti Wendy apertando meu braço, obviamente com medo do homem. Se ele era mesmo pai dela, por que estava falando dela como se fosse apenas uma coisa que ele veio pegar? Será que nem seu próprio sangue a suportava?

- Eu não gosto dela, mas como eu sei que isso não vai me trazer problemas depois?

- Não vai. Você quer que ela vá embora ou não?

Hesitei. O que eu estava pensando? Nem éramos amigas e havia realmente uma boa semelhança entre eles. Balancei a cabeça, resoluta.

- Sim, é o que eu quero.

- Então você só precisa me ajudar e seu desejo será realizado.

- O que eu preciso fazer?

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- O que aconteceu com aquele passeio, afinal? – lembrei de repente.

Sasuke me olhou de soslaio. Ignorei, decididamente.

- Você sabe que meu pai conversou com a diretora e explicou que por razões de segurança o passeio deveria ser adiado – prevendo a minha próxima pergunta, ele emendou – Ele não entrou em detalhes.

Assenti, desanimada.

- Você queria mesmo ir, não é?

Dei de ombros. Havia tantas coisas que eu queria ultimamente.

- Tanto faz.

Mas sim, eu queria ir. Mais do que estava disposta a admitir. Mas tinha consciência de que o momento não podia ser pior.

Parei surpresa, quando Sasuke puxou meu braço de repente. Abri a boca para reclamar, mas ele foi mais rápido.

- Posso te levar a um lugar?

Franzi a sobrancelha, desconfiada. Aquilo era no mínimo pouco habitual e depois daquele beijo eu devia ser mais cautelosa. Ele estava sendo gentil ao invés de convencido e havia pedido ao invés de ter me arrastado, como de costume.

Suspirei, enquanto assentia. Eu era um caso perdido mesmo.

Ele deu um meio sorriso, enquanto pegava minha mão, me puxando para outra direção. O que ele estava tramando agora? Droga, eu tinha que treinar e não ficar passeando por aí!

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Senti a relutância e a impaciência dela quando cobri seus olhos com minhas mãos.

- Fala sério, Uchiha! Eu tenho que treinar e não brincar de cabra cega. Pára logo com essas brincadeiras idiotas e mostra de uma vez o que quer que seja.

Ri baixinho, mas permaneci em silêncio, andando calmamente, ainda usando as mãos como vendas.

- Uchiha!

- Chegamos – eu disse tirando as mãos.

Ela arregalou levemente os olhos, surpresa, enquanto senti um meio sorriso tomar conta do meu rosto.

- Gostou?

Ela assentiu, enquanto se aproximava da beirada do edifício abandonado há anos. Nunca havia entendido porque não havia sido reformado, mas ficava feliz por poder vir sempre que quisesse. A vista era espetacular e muitas vezes, como agora, eu vinha para assistir o sol se pôr ou apenas para me afastar de tudo e todos. Era a primeira vez que eu trazia alguém aqui. Nunca havia sentido necessidade de compartilhar aquilo com ninguém… Até Sakura aparecer. Era o meu lugar especial. Com alguma surpresa me peguei desejando que agora pudesse ser meu e dela.

Puxei Sakura pela cintura, enquanto nossos corpos colavam e se moldavam um ao outro.

- Sasuke – ela começou com tom de aviso, enquanto tentava se afastar.

- Vamos fingir por pelo menos um momento, que somos apenas nós dois – me peguei dizendo – que não temos que nos preocupar com nada nem ninguém. Que somos normais, que temos vidas comuns. Só… Um momento.

Achei que ela fosse me empurrar pra longe, dizer que era besteira, que era impossível, que eu era um idiota. Mesmo enquanto eu falava, eu esperava isso. Me perguntei de onde havia tirado aquela ideia.

Mas ela apenas se virou, ainda em meu abraço e sorriu. Um sorriso que eu nunca havia visto e pela primeira vez senti como se entendêssemos um ao outro completamente. Não pude parar de olhar aquele sorriso até nossos lábios se encontrarem mais uma vez naquele dia.

Dizem que é o que você faz

Eu digo que depende da fé

Está enrolada na minha alma

Tenho que deixar você ir

Seus olhos, eles brilham tanto

Quero guardar a luz deles

Não posso fugir agora

A menos que você me mostre como