Lonely Person – Shana [ watch?v=twPm3D0FKS4]
Nesta noite fria quando eu sou uma pessoa solitária
Só há uma coisa que eu pensar: só você
Porque meu coração ainda dói demais dizer adeus
Eu vou dormir para reprimir o quanto eu sinto sua falta
Todos os dias, dentro da mesma vida diária
Porque eu sinto sua falta, eu estou pensando em desculpas
Apesar de não querer dizer adeus, estou pensando no fim
Capítulo 14 – Recordar, infelizmente é viver
Nunca pensei que ele diria algo assim. Porque esse não era o Sasuke. Assim como eu mesma desde que nos conhecemos. E, como da última vez, quando nossos lábios se tocaram, eu esqueci tudo. Nada parecia ter tanta importância, quando estávamos assim, e apesar de ser muito perigoso, isso era maravilhoso, também. Nada que eu tenha tentado fazer durante todo o tempo em que minha mãe e eu estivemos fugindo me deu tanta paz.
Esse beijo foi ao mesmo tempo igual e diferente do último. Era… Doce. Tão doce. Um clichê, na verdade. Mas não se limitava a um simples encontro de lábios, era algo mais. - Eu não podia acreditar em meus pensamentos – mas… aquilo era mais que um beijo. Eu podia sentir Sasuke. Mais do que apenas sua boca, ou seus braços ao meu redor, eu o sentia. Como um pedaço de mim, que eu sequer sabia que não estava ali – mais tarde eu diria que estava louca. Que meus hormônios estavam danificando meu cérebro. Mas naquele momento nada parecia impossível ou distante. Por um momento eu podia sentir – imaginei que podia – tudo o que ele sentia. Ele parecia tomar tanto de mim e dar tanto de si mesmo naquele beijo, que espaço, distância, medo… Nada existia. Aquele beijo deveria ter me apavorado, mas me derreteu. Eu estava enternecida por ele, preenchida, consumida. Nós éramos um. "Como?"
Quando nos separamos tive que piscar algumas vezes e me segurar firmemente em seus ombros para me situar. Uma única coisa se repetia uma e outra vez em minha mente: "Como?".
Como isso pode acontecer? Como algo assim pode existir? Como eu podia ter essa sensação de paz absoluta se minha vida nunca esteve tão confusa? Como podia sentir tudo isso por ele?
Havia pessoas que, eu sabia, passavam a vida toda experimentando várias "provas" de relacionamentos, sem nunca estar satisfeito. Sempre me perguntei o que esperavam obter com isso. Porque elas não deixavam isso pra lá. Porque insistiam tanto e de repente com um único beijo tudo pareceu fazer sentido. Eu nunca havia estado satisfeita com a minha vida, é verdade, mas havia uma inquietação tão grande dentro de mim, uma inquietação que não tinha nada a ver com a fuga ou o medo. Eu queria mais. Mas nunca soube o quê mais. Algo que eu nunca tinha entendido até então. Algo que eu sabia que me perseguiria mesmo se eu tivesse uma vida comum. Minha alma parecia cantar sempre que eu estava com ele. Uma felicidade absurda e sem qualquer sentido com apenas um sorriso, apenas vê-lo e saber que ele estaria lá amanhã novamente.
Sasuke me abraçou pela cintura enquanto assistíamos a chegada da noite, enquanto eu tentava me convencer que aquilo era errado. Que minha imaginação estava me pregando peças. Algo assim não podia existir. E mesmo se pudesse porque logo eu seria agraciada com uma benção como essa?
Quão cruel a vida pode ser de dar tudo o que você precisa, apenas para ser arrancado novamente? Como poderíamos ter uma vida normal com meu pai me perseguindo? E se meu pai o encontrasse? Kami, eu preferiria que ele me levasse para o inferno que fosse do que arrastar Sasuke comigo.
Um pressentimento ruim me tomou enquanto o sol levava toda a luz embora e as sombras iam surgindo. Talvez aquilo fosse um presente de despedida. Algo tão grande não seria dado a alguém sem um preço igualmente grande, eu havia aprendido que toda felicidade cobra seu preço, mais cedo ou mais tarde. Quando mais eu pensava sobre isso mais sentido fazia.
Talvez houvesse uma razão nisso tudo. Talvez nós tivéssemos que estar aqui. Talvez não houvesse mais para onde ir e aqui fosse o fim de tudo. Talvez eu tivesse que conhecer Sasuke. Sem dúvidas minha vida pareceu valer mais a pena depois de passar aquele tempo com ele.
Estremeci. De uma coisa eu não tinha dúvidas. Nesse momento eu entendi que faria o que fosse preciso para mantê-lo em segurança. O que quer que fosse. E eu aproveitaria esse presente. Pegaria tudo o que pudesse ter. Eu lutaria por quanto tempo pudesse. Eu venceria se pudesse também. Não aceitaria nada menos. Por nós dois. Real ou não eu iria proteger o que eu sentia com toda minha força.
Nesta noite fria sou uma pessoa solitária
Só há uma coisa em que eu consigo pensar
E é apenas em você
Porque meu coração ainda dói demais ao dizer adeus
E tento dormir para reprimir o quanto sinto sua falta
Por sentir a sua falta estou pensando em desculpas
Apesar de não querer dizer adeus, estou pensando no fim
- Foi muita gentileza sua nos acolher em sua casa, Sr. Uchiha.
- Não se preocupe com isso Sra. Haruno. É meu trabalho.
- Shana, por favor – pediu.
- Fugako – disse o Sr. Uciha sorrindo levemente – Agora… eu sei que pode ser um pouco incômodo, mas eu gostaria que me falasse de seu marido.
Assentiu. Sabia que essa hora chegaria. Embora, não fosse menos difícil.
Suspirou, enquanto começava a contar…
- Nós nos conhecemos na faculdade. Embora nossas famílias já fossem bem próximas, nós nunca havíamos nos encontrado antes. O que fazia sentido, uma vez que, quando era mais nova morei por muito tempo fora do país. Minha família sempre teve muito dinheiro e influência de forma, que podia me permitir o luxo de viajar para passear, conhecer e aprender muito. Quando nossas famílias souberam que nos tornamos amigos na faculdade ficaram muito animados e esperançosos. Ele era um excelente partido e eu também era de uma boa família. Antes que meus pais morressem em um acidente de avião, muito pouco antes, nós nos casamos.
- Então foi… digamos, uma casamento de conveniência?
- Oh, não. Quer dizer, nossa união era vista com muita aprovação por parte de nossas famílias, porque elas visavam um casamento próspero. Naquela época, os pais dele ainda tinham esperanças de que ele esquecesse aquela ideia de ingressar na força policial e passasse a gerir a empresa da família, muito embora, independentemente se o fizesse, nosso casamento acarretaria em uma união maior entre as duas empresas, o que era do interesse de todos. Mas eu amava meu marido, Sr. Uchiha. No início, ele era sempre muito amoroso, cuidadoso…
- E então… - incentivou.
- Então ele entrou definitivamente na academia de polícia. Nós dois comemoramos uma semana inteira. Apesar de ir contra o interesse de nossas famílias, aquele era seu sonho e estávamos muito felizes. No começo, nada mudou. Ao menos não drasticamente, exceto o fato de que já não tínhamos tanto tempo juntos, o que já era esperado, como o senhor, bem deve saber. A vida de um bom policial exige que ele empregue tempo, força e dedicação em seu trabalho.
Ele assentiu.
- Eu sentia muita falta no começo, mas entendia. Era o seu dever, sua responsabilidade. Eu me orgulhava dele. Mas com o tempo ele foi ficando mais e mais distante e não apenas fisicamente. Foi quando veio a promoção. Nós fomos comemorar aquele dia, como há muito não fazíamos e foi como se nada tivesse acontecido. Cheguei a me perguntar se tinha imaginado aqueles dias tristes e solitários. Ele estava muito animado, sempre sorrindo muito, feliz… Parecia meu marido novamente. Porém, com o tempo as cobranças o tornaram volátil. Zangado. Com raiva de tudo. Impaciente. Quase desesperado, à beira de um colapso nervoso – fechou os olhos enquanto lembrava os dias de aflição, em que sofria por ele. Os dias em que tentava ficar por perto e ele a afastava a cada dia um pouco mais. – Foi então que me ofereci para ajudá-lo.
- Como assim? – perguntou o Sr. Uchiha desconfiado.
- Como eu posso dizer? Na minha família, especificamente as mulheres, mantinham um segredo. Eu nunca havia entendido o porquê de tanto sigilo, até então. As Haruno era dotadas com uma memória privilegiada, mas não apenas isso. Toda mulher Haruno que nascia, tinha uma inteligência fora do comum, o que conhecemos hoje como autodidata. Nós tínhamos uma habilidade fora do comum, principalmente com relação a números. E nunca esquecíamos nada que víssemos, mesmo que só tivéssemos visto uma única vez.
- Memória fotográfica? – perguntou o Sr. Uchiha surpreso e impressionado.
Ela assentiu.
- Comecei a ajudá-lo a decodificar arquivos, base de operações intrincadas, tudo que podia ser feito sem envolvimento físico, eu fazia. No começo, era apenas descobrir coisas simples. Depois rackear sistemas para pegar arquivos secretos, e então coisas mais perigosas como desmontar quadrilhas inteiras. Eu estava bem orgulhosa de mim mesma. Estava ajudando meu marido a pegar os caras maus e tudo isso – ela riu secamente – até o dia em que eu descobri, por acaso, que ele tinha começado a fazer acordos com esses bandidos, chantagens, receber subornos. Eu fiquei… horrorizada. À princípio não pude acreditar, mas tudo levava a crer que meu marido agora era um dos bandidos. Eu fiquei chocada e resolvi que tinha que confrontá-lo. Tinha que haver uma razão por trás daquilo. Talvez ele quisesse acrescentar mais alguns delitos para servirem como prova no tribunal, foi o que me disse. Mas eu sabia que estava enganada, e foi exatamente o que eu confirmei quando falei com ele. Eu disse então, que não queria mais fazer parte daquilo. Não estava certo. Perguntei o que havia de errado com ele, que ele não era daquele jeito, não podia ser… Aquela foi a primeira vez que ele me bateu. Ele me mandou calar a boca. Eu estava em choque, mas creio que as palavras dele fora "cala a boca, vadia histérica". Eu só conseguia encará-lo segurando o meu rosto, que ainda ardia. Ele disse que eu era sua esposa e que uma boa esposa obedecia sem perguntar. Que eu devia fazer o que fosse, para que ele tivesse êxito. Mas eu soube que naquele momento eu não era sua esposa, eu era algo a ser usado. E eu soube que ele me usaria até que não restasse mais nada. Depois desse dia qualquer reclamação, qualquer coisa que eu fizesse que não fosse de seu agrado era um motivo para ele me empurrar contra o chão, bater minha cabeça contra a parede.
- Por que não o denunciou por abuso físico? – perguntou o Sr. Uchiha enojado, embora desconfiasse do que aconteceria se ela fizesse. Ele sabia que muitos policiais mudavam depois de alguns anos de serviço, mas nunca havia ouvido um relato tão chocante de uma vítima.
- Eu tentei – ela disse, confirmando seus temores – fui em uma delegacia diferente, por precaução, com medo de que não acreditasse em mim. Mas não adiantou. Ninguém acreditava em mim. Ele tinha "amigos" ali também e eu podia sentir os olhares de repreensão. Eventualmente ele soube o que eu tinha tentado fazer. Durante uma semana eu não consegui andar. Ele ficou nervoso porque sabia que tinha exagerado e naquela semana eu não poderia ajudar em seu trabalho sujo. Mais de um mês se passou sem que eu pudesse sair, sem marcas visíveis de maus tratos. Então, algum tempo depois ele chegou em casa, completamente bêbado e me obrigou a ter relações com ele. Disse que se eu não servia para mais nada, pelo menos para aquilo eu tinha que servir. Então eu passei a planejar minha fuga. Não podia contar com a minha família. Meus pais teriam acreditado, teriam me recebido de volta, mas… eles estavam mortos. E eu não tinha certeza de que os outros acreditariam em mim. Também seria o primeiro lugar em que ele me procuraria de todos os modos. Mas todos os meus planos de fuga caíram por terra, quando percebi que estava grávida de Sakura. Eu fiquei desesperada. Tinha criado um monstro e agora estava grávida dele. O que seria dessa criança? Eu já tinha começado a pensar em suicídio, quando ele descobriu de minha gravidez. Para minha surpresa, ele pareceu mudar quase completamente. Continuava a fazer seus esquemas sujos, mas passou a ser tão carinhoso, como era no princípio. Eu não entendia como aquilo era possível. Como uma pessoa podia mudar tanto daquele jeito. Ele se tornou doce, gentil, atencioso, fazia qualquer coisa que eu pedisse, menos parar com os esquemas sujos. No entanto eu não conseguia mais estar perto dele, sem me sentir assustada ou enojada. Eu não conseguia esquecer – ela riu secamente – essa é a pior maldição de uma memória como a minha. Não esquecer nunca, mesmo quando quer. Mas ele agia como se nunca tivesse me maltratado, naquele momento senti mais medo dele do que nunca. Mas desde que eu fizesse o trabalho que ele me dava, ele não encostava um dedo em mim. E naquela altura eu estava com medo demais para fazer qualquer coisa ou de não fazer o que ele quisesse, por Sakura. Ele surpreendentemente se manteve assim, até os cinco anos de Sakura, mais ou menos. Mas então, na sua festa de seis anos, ele chegou em casa caindo de bêbado. Não tinha ido a festa. E exigiu que eu me deitasse com ele. Por sorte ele desmaiou antes. Foi então que eu soube que, mais cedo ou mais tarde, tudo voltaria a ser o mesmo inferno de antes. Mas pior, porque agora havia Sakura… Além disso… - ela mordeu os lábios, indecisa.
- Pode confiar em mim, Sra. Haruno… Shana.
Assentiu. Ele notaria de qualquer forma.
- Houve uma certa vez em que Sakura estava mexendo no computador… Tinha em torno de sete ou oito anos na época. Para minha surpresa, ela parecia estranhamente quieta e Sakura sempre era muito agitada, mas naquele dia ela estava completamente entretida. Como isso era algo tão raro eu a deixei ficar ali, até que ela veio a mim, toda contente, puxando minha mãe em direção ao que tinha prendido sua atenção até o momento. Apontando para a tela, ela ficava repetindo: "Eu consegui, mamãe! Eu resolvi o joguinho!" Eu parei olhando chocada para o computador. Foi quando eu percebi que…
- Que eu havia decodificado os arquivos que a senhora foi coagida a forjar – Sakura completou da porta, indiferente, com olhos inexpressivos.
Shana olhou para filha surpresa.
"O que aconteceu com você, meu anjinho? O que nós fizemos com você?"
Shana assentiu somente, repentinamente muito cansada.
- Sim, assim que eu vi que Sakura realmente herdara o dom de minha família eu soube que se ele descobrisse, ele iria usá-la e eu seria descartável, não precisaria mais de mim. Enquanto ele estivesse usando apenas a mim, eu poderia suportar aquela situação, mas não podia permitir que usasse a Sakura. Foi então que comecei a planejar a nossa fuga. Eventualmente, ele descobriu sobre Sakura, de qualquer forma, mesmo eu tendo sido discreta, era óbvio que convivendo com ela, ele perceberia em algum momento. Mas quando ele soube, nós já tínhamos fugido.
- Ele chegou a encontrar vocês?
Assentiu.
- Geralmente sempre escapávamos por pouco, mas uma vez… Uma vez ele… bem, foi logo antes de virmos para cá. Ele machucou a Sakura quando ela se negou a ir com ele. Quase não dá mais para ver os hematomas, nós demos sorte. Um caminhoneiro estava passando e ficou com pena de nós. Eu implorei que ele nos deixasse junto com a carga, acho que entendeu que estávamos fugindo. Foi muito bondoso, inclusive nos deu algum dinheiro. Ficamos em alguns vilarejos bem pequenos, por alguns dias, mas sabia que tínhamos que continuar. Então viemos para cá. Era distante o suficiente e eu esperava que dessa vez conseguíssemos despistá-lo, mas como eu tinha dito… Meu marido é muito bem relacionado – sua voz era seca. – O fato de ter comparsas dentro da força policial faz com que ele tenha acesso à informações privilegiadas. Não importa o quão grande ou pequeno é o lugar, ele sempre nos acha – sentindo-se como se estivesse prestes a desmoronar, fechou os olhos bem apertados, enquanto cerrava os punhos. Às vezes sentia como se houvesse uma mão dentro de seu peito, apertando seu coração. A pressão, a sensação de estar sempre sendo perseguida, caçada com um animal… Isso a esgotava demais, por mais que tentasse parecer estar sempre controlada, confiante – principalmente na frente de Sakura -, mas isso não parecia estar sendo suficiente, pelo olhar que vira em seu rosto. Talvez durante todo aquele tempo, estivesse apenas enganando a si mesma. Estava sob a borda e prestes a cair. O que seria de sua filhinha se caísse, afinal?
Sentiu um par de mãos familiares sob seus ombros. Suave, mas firme.
- Acho que já teve respostas suficientes, Sr. Fugako – falou Sakura, a voz dura. – Minha mãe está cansada e vai dormir um pouco agora. Se tiver mais alguma pergunta pode se reportar a mim.
- Sakura! – disse Shana, enquanto olhava para a filha mortificada.
- Está tudo bem. Isso não foi um interrogatório e minhas dúvidas já foram satisfeitas, obrigado Shana.
Ela assentiu por fim, dando um suspiro e levantando-se, com Sakura acompanhando-a ao quarto que Sasuke as conduziu.
"Quando foi que Sakura cresceu tanto e como eu não percebi isso?"
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Oi, pessoas, espero que a espera valha a pena. Eu não desisti dessa fic e pretendo acabar até porque tenho outros projetos em mente, mas primeiro quero acabar essa. Espero que gostem. Já tenho um capítulo pronto para digitar e outro na metade. Mais um ou dois e a fic acaba. Eu quero desde já agradecer por aqueles que não desistiram e continuaram lendo, vocês me incentivam.
Beijos 3
