Notas da historia
Titulo: Relação delicada
Autor: Mayra LAbbate
Beta: Adrieli Machado
Disclaimer: Twilight e todos os personagens não me pertencem. Roteiro original.
Sumário: Isabella Swan, jovem gerente de marketing publicitário, recebe o desafio de criar uma propaganda que foge a suas regras e ética.
Edward Cullen, jovem recluso de fala mansa e muitos mistérios, terá o desafio de descobrir as facetas de sua mais nova colaboradora prometendo ao casal que se forma uma relação explosiva e cheia de descobertas.
Cap. 3
-Eu não posso acreditar nas merdas que estou vendo aqui, onde está Muriel?
Usávamos uma lousa digital na sala de reunião, há uma semana discutíamos os pontos chave de nossa campanha e agora estávamos todos reunidos à uma hora da reunião de fechamento sem nada em mãos. Nenhum desenho ou linha de pensamento que pudesse ser usada na América do Norte e Sul.
A merda da minha semana também tinha sido corrida, Edward aceitou meu conselho sobre uma residência fixa e acabei sendo a ponte de negociação para um aluguel no prédio onde residia. Ontem tivemos o acerto final e agora seríamos vizinhos, com apenas dois andares nos separando. Eu digo nós, já que meu chefe me incumbiu de organizar os documentos necessários para crédito e auxiliá-lo no que fosse necessário nesta última semana, vulgo, hospede ele na sua casa e seja uma funcionária exemplar. Se não desejasse tanto uma porcentagem na sociedade, eu teria cometido alguns crimes.
-Certo, vamos tentar criar uma linha aqui.
Comecei a desenhar nossos passos até o momento, tínhamos o público, jovens entre 15 e 25 anos, ambos os sexos e de classe média. Tínhamos o tempo e forma de ação, como a publicidade seria dirigida a universidades e vinculadas em mídias televisivas especificas, nosso tempo de resposta seria praticamente imediato. Um dos principais pontos era agradar jovens entre 18 e 21 anos, já que na América do Sul, as bebidas poderiam ser vendidas a partir dos 18 e na América do Norte, só após 21 anos completos.
Este ponto da propaganda era o que mais me indignava, eles queriam atingir os adolescentes em fase colegial também. Não fecho meus olhos para nossa realidade, sei que adolescentes falsificam identidades, recebem bebida de amigos mais velhos e frequentam festas, apenas não aceito ser uma das responsáveis por incentivar tal ato. Eu poderia citar inúmeros estudos que apontam a queda de produtividade intelectual em jovens que consomem álcool ainda em fase de maturação e também outras estatísticas envolvendo o uso de drogas mais fortes e crimes a partir do álcool.
Mas, na vida, muita coisa começa de forma errada, para terminar certa e hoje eu agiria como na advocacia, fecharia meus olhos e seguiria de acordo com as regras que me foram impostas, amanhã, em uma posição confortável de trabalho poderia fazer escolhas diferentes. Respirei fundo e voltei a me focar na campanha, não precisaríamos de algo duradouro, as imagens deveriam se fixar e criar uma identidade única e de fácil associação, a marca não estava disposta a bancar com propagandas por mais do que um mês em mídia e dois meses em ações diretas com o público. As pesquisas apontavam públicos distintos e teríamos que encontrar os pontos em comum entre ambos para dar certo.
-Cheguei!
Muriel entrou na sala com uma caixa de isopor nas mãos e algumas camisetas básicas sobre ele. Eu teria gritado sobre horário ou seu estado um pouco alterado se a curiosidade não fosse maior.
-Eu estava pensando, como conhecer um produto sem realmente testá-lo. – Muriel deixou a caixa sobre a mesa, separando algumas latas sem rótulo para cada um na sala e distribuiu as camisetas da mesma forma. – Solicitei algumas amostras e acabei me empolgando no caminho.
Era perceptível a alteração devido ao álcool, mas todos temos ideias de maneira inusitada não é mesmo! Boas ideias podem vir do banheiro, de uma madrugada insone, passeios no parque, por que não um coma alcoólico?
-As ideias!
As latas foram erguidas e rapidamente esvaziadas. Antes que alguém pudesse dar sua opinião, Muriel entregou a todos uma caneta e pediu para que colocássemos em palavras ou desenhos o que sentimos ao beber, e foi o que fizemos.
Gostava da minha equipe desta forma, nenhum deles limitava suas inspirações por que me viam como uma mente superior e dona da verdade, ali todos eram iguais criativamente e apenas limitados em linhas normais da profissão.
E foi desta forma que a campanha foi apresentada e ganhou um corpo, cada camiseta representava um estado de espirito diferente, havia personalidade e ações em cada forma de interpretação, juntos definimos uma cor chave para os rótulos e um slogan, que não seria esquecido facilmente.
Claro que meu chefe comeu meu fígado após a apresentação, ao notar que todos estavam com hálito de cerveja. No final, tínhamos material e muito trabalho, em menos de 45 dias teríamos os resultados na mídia e a reação do público. Com isso, ganhamos pontos para campanhas maiores e eu ganhei um vizinho, por tempo indeterminado.
A noite estava silenciosa, o vento havia dado uma trégua e o céu resolveu nos acariciar com algumas luzes. As estrelas não eram muitas, mas embelezavam a noite na cidade. Em noites assim desejava ter alguém para um passeio, um jantar ou algo mais. O trabalho me tirava esta liberdade por não ter uma rotina bem definida, hora eu poderia trabalhar em casa ou no escritório e em algum momento, sem aviso, estaria em uma viagem, em um curso ou palestras. Com o avanço da internet, a mídia poderia se tornar obsoleta se não se recriasse a cada segundo, a expansão tornava obsoleto o conhecimento de apenas um idioma ou sua própria cultura, não era possível conhecer tudo de todos, mas esta era sua obrigação neste ramo.
-Noite tranquila heim!
Eu estava na pequena sacada da sala, quando ouvi sua voz rouca novamente. Ele buscava controlar seu tom para não incomodar os vizinhos e mesmo assim chamar minha atenção pra ele, olhei para cima, a minha esquerda e encontrei parte de seu corpo debruçado da mesma forma que o meu sobre a grade, seu casaco parecia grosso e muito grande para seu corpo.
-Fiz chocolate quente ao estilo América do Norte, quer provar?
O olhei insegura. Eu realmente queria este tipo de aproximação? Ele era um homem muito atraente, um corpo bem trabalhado e sem exageros, estava sempre perfumado e seu humor ácido conseguia me iluminar, por que não!
-Claro...
-Ótimo, estou descendo.
Eu teria subido sem problemas já que a oferta pela bebida veio dele, mas o apartamento ainda estava recebendo suas coisas e a mobília.
Quando a campainha tocou, me surpreendi pela agilidade e corri vestir algo sobre a camiseta de dormir antes de atender a porta. Meus cabelos estavam presos em um coque e me senti nua sem alguma maquiagem. Era estranho para mim vê-lo como vizinho, sendo que o conheci como cliente em primeiro lugar e passei uma semana sonhando com sua morte após o incidente do chocolate.
-Eu tenho uma térmica enorme com chocolate e alguns outros ingredientes aqui, só não consegui trazer as xicaras.
Suas mãos estavam cheias com uma grande travessa de plástico branco e a garrafa térmica. Permiti sua entrada sem rodeios e nos acomodamos na cozinha.
-Eu posso lhe dar as xicaras, seria o mínimo!
Lhe estendi duas xicaras grandes de porcelana e ele começou sua alquimia, da garrafa térmica ele retirou um líquido espesso e branco, ele o despejou nas xícaras e em seguida, pegou um pote contendo raspas de chocolate e colocou uma quantidade bem verificada em cada um dos recipientes, com um pequeno fouet, ele mexeu o líquido e logo um creme escuro e de aroma penetrante se formou. Pra finalizar ele adicionou uma pitada de canela em pó e um pouquinho de um pó branco, que não consegui identificar imediatamente.
-Prove.
Dei o primeiro gole com receio e logo estava inundando minha boca com o líquido morno. Estava absolutamente incrível, a textura abraçava minha língua de forma morna, permitindo que todos os diferentes ingredientes fossem percebidos e lentamente degustados, havia o toque quente da canela, o aroma do cacau junto ao leite, o sabor acidulado proveniente possivelmente, do creme de leite e algo que estava presente dando forma a tudo e parecia fugir quando minha mente buscava pelo sabor em minhas lembranças.
-Isto é...
-Eu não tenho palavras, esta perfeito.
Voltei a saborear do liquido quente não notando nada a minha volta ate que a xícara estivesse vazia. Quando levantei meus olhos, não contendo o mau hábito de passar o dedo pelo chocolate, aproveitando da ultima gota da xícara, percebi um par de olhos me avaliando, seus olhos antes tão leves e claros estavam escuros como a noite, sua respiração era lenta e tão profunda, que cheguei a arfar pelas sensações que seu corpo inerte mandavam ao meu. Os lábios carnudos e semiabertos se tornaram meu alvo, quando a ponta de sua língua solicitou uma leve passagem antes de voltar ao seu refúgio.
Em minha mente, meu corpo colidia com o seu enquanto nossos lábios se chocavam bruscamente, eu desejava sentir mais de sua língua.
-Eu acho que em algum momento lhe inibi, sua xícara...
Com muita forca de vontade, desviei meus olhos de sua boca e tentei manter um clima leve na cozinha. Meu corpo fervia, minha vontade era de tirar toda a roupa e correr para os braços daquele homem. Que merda tinha neste chocolate?
-Não. E..eu apenas estava observando.
-O líquido perdeu seu sabor enquanto lhe observava, mas eu acabo de ter uma ideia que permitirá a seus dedos, um segundo banho de chocolate...eu apenas preciso me aproximar um pouco mais.
Eu me sentia um cordeiro encurralado pelo lobo, ele precisava dar apenas três passos para me alcançar. Seus movimentos lentos e calculados estavam me levando ao abismo. Segundos, este foi o tempo que ele levou para ter seus braços em minha cintura e seu rosto praticamente colado ao meu, em minha mente estes segundos pareciam horas, a pele queimava e o cheiro de seu corpo próximo ao meu, nublou meus pensamentos. Me sentia em uma bolha de desejo.
-Mais perto...
Sussurrei contra seus lábios lhe dando permissão para qualquer coisa.
