Notas da historia
Titulo: Relação delicada
Autor: Mayra LAbbate
Beta: Adrieli Machado
Disclaimer: Twilight e todos os personagens não me pertencem. Roteiro original.
Sumário: Isabella Swan, jovem gerente de marketing publicitário, recebe o desafio de criar uma propaganda que foge a suas regras e ética.
Edward Cullen, jovem recluso de fala mansa e muitos mistérios, terá o desafio de descobrir as facetas de sua mais nova colaboradora prometendo ao casal que se forma uma relação explosiva e cheia de descobertas.
Cap. 6
A viagem a casa de meus pais foi tranquila e acabei percebendo que minha relação com Edward, estava seguindo para algo mais forte e duradouro. Antes de dar um próximo passo eu queria tentar uma última coisa e faria a proposta a Edward esta noite, nós já havíamos quebrado muitas barreiras na cama e isto incluía vibradores e bondage, este novo passo era mais uma curiosidade do que tudo o mais e queria experimentá-lo antes de me juntar realmente a alguém.
-Edward, queria te pedir um coisa. Na verdade eu queria experimentar uma coisa.
Estávamos na sala esparramados no tapete junto a alguns travesseiros e edredons, a panela de fondue esquecida na lateral do sofá, junto a travessas vazias de frutas. O vinho do porto, estava quase no final e ele me dava forças para o pedido.
-Tudo o que quiser Bella.
-Queria que você fosse comigo a uma festa de Swing.
Ele se afastou bruscamente me olhando muito sério e parecia aborrecido.
-Por que isso agora? Não sou suficiente para você?
-Não é isso Edward, eu apenas queria ir em um dia de visitantes, curiosidade apenas.
-Eu não gosto disso.
Ele se levantou juntando nossa bagunça, a levando para a cozinha. A forma como ele lavava as tigelas, deixava claro sua irritação e só quando ele quebrou um copo intervi.
-Eu tenho uma amiga que frequenta, o que ela me conta me deixou curiosa. Eu só queria conhecer o local!
-E se alguém se aproximar, quiser ficar com você ou comigo, como será isso Bella?
-Você se sentiria mal em tentar?
Ele pareceu ainda mais irritado, suas mãos passavam por seus cabelos desalinhando ainda mais os fios. Edward parecia controlar a respiração a cada novo olhar. Estava começando a desistir da ideia quando ele me abraçou.
-Eu não suporto a ideia de dividir você Bella! – falou sobre os meus cabelos –
-Só vamos conhecer o local!
Reafirmei, mentindo para mim mesma. Eu sabia que não havia como entrar em um lugar desses e se manter completamente neutro. Teríamos algum tipo de experiência entre casais ou algo assim. Eu queria estas experiências e achava que Edward era um bom companheiro para tal.
-Você sabe que não será assim, mas se você quer...
Ele aceitou, mesmo contra sua vontade e desejo. Fiquei feliz, já imaginando como seria nossa experiência. Na mesma noite liguei para minha amiga e ela me informou que as iniciações eram as sextas e que ela iria comigo pra mostrar o local.
As nove horas, estávamos na porta do que seria um galpão de eventos aparentemente. Todos que se dirigiam ao local estavam vestidos normalmente, como se para uma balada noturna. Na entrada, o segurança questionava apenas as cores que usaríamos e como iniciantes, nossas pulseiras seriam brancas. Eu estava empolgada, enquanto Edward se mantinha rígido ao meu lado.
Fomos encaminhados a um salão, onde as roupas poderiam ser deixadas assim como as bolsas. Optei por permanecer com um conjunto de seda e renda de dormir que comprei para a ocasião e Edward apenas tirou sua camiseta ficando de calça jeans e descalço. Recebíamos uma pequena sacola com cerca de 10 camisinhas cada e então seguíamos para o salão.
A parte principal era linda, uma grande área aberta com sogas e uma iluminação neutra, portas amplas para a área externa com piscina e mesas de concreto. Um corredor a esquerda, indicava os quartos privativos e a esquerda para salões amplos, onde não haveriam pares estipulados. Minha amiga não apareceu e ficamos um pouco perdidos olhando o ambiente.
Algumas pessoas trocavam caricias enquanto conversavam e outras mantinham pequenas relações sem penetração na área comum. Quando as coisas pareciam esquentar, elas se dirigiam as áreas reservadas não causando constrangimento a iniciantes. Notei que uma mulher jovem de longos cabelos loiros analisava Edward com muita vontade e quando me notou sorriu, se dirigindo a nós.
Nesta hora, Edward se virou notando a jovem e me abraçou lateralmente, como se marcando território. A pulseira branca em sua mão brilhava na luz negra do local, deixando bem claro a todos que esta era nossa primeira vez.
-Muito prazer casal, meu nome é Gisele. Devo dizer que seu homem me chamou a atenção, mas ao olhar para você...hummm...quero muito sentir o seu corpo.
Ela passou a língua pelos lábios vermelhos, antes de beber mais um pouco de seu copo. Ela queria ficar comigo? Eu nunca havia tido sonhos eróticos com mulheres e ao olhar para o corpo da loira, eu ainda me mantinha firme em não ter atração por uma, mas estávamos ali para experimentar coisas novas certo?
-Eu...eu não sei.
-Relaxa, sei que são iniciantes. Posso chamar o meu marido e vamos a um quarto privado. Conversamos, nós tocamos, se rolar ficaremos felizes!
Olhei para Edward buscando saber o que ele queria. Tinha medo que ele simplesmente afastasse a garota e me levasse para casa, antes mesmo que pudéssemos chegar a algum lugar. Ele beijou meus cabelos e sussurrou.
-A escolha é sua.
Estávamos no quarto privativo, apenas uma pequena lâmpada vermelha iluminava o local. O chão era recoberto por algo macio e não havia camas ou poltronas no local. Agradeci por não conseguir ver bem o que estava a minha volta, imaginando o quão sujo tudo aquilo poderia estar. A conversa entre nós ia bem, o casal nos contava como começou nesta vida e nos dava dicas sobre como seguir com isso, sem trazer prejuízos a rotina em casa.
Gisele se aproximou de mim, ela estava apenas com um conjunto de lingerie pink que mal cobria seus dotes e delicadamente começou a me tocar, Edward me olhava com desejo assim como o parceiro de Gisele. Ela me guiava nos movimentos, me conduzindo a tocar seu corpo, enquanto ela descobria o meu. Em poucos minutos, me vi presa no chão com a garota entre minhas pernas. Sua língua deslizava por meu centro se concentrando em meu clitóris, enquanto eu rebolava sobre seus dedos necessitada de mais contato.
Edward apenas observava, sua ereção proeminente forçava o tecido da calça jeans e eu gemia ainda mais, imaginando ele se aproximando e me penetrando. Não foi bem isso que ocorreu, o parceiro de Gisele se aproximou por trás dela erguendo seu pequeno corpo, ele a beijou e a penetrou por trás, enquanto ela apenas debruçava o corpo sobre o nada com sua ajuda, eles faziam movimentos leves e ritmados e me peguei observando o casal fixamente.
Edward buscou por minhas mãos e levemente, direcionou meu braço para a saída. Eu não fui, continuei observando até que o homem, já satisfeito com sua mulher, a deixou para trás seguindo em minha direção. O membro semiereto, era manipulado de forma firme e hesitei por um segundo, foi este segundo que transformou minha mente em nada mais do que lava em chamas.
Gisele se aproximou de Edward o beijando, ele se afastou bruscamente, mas ao notar que o homem se posicionava atrás de mim segurando meus seios em suas mãos, ele se deixou levar. Eu o vi segurar o pequeno corpo em seus braços e o erguer de forma a ter a mulher presa em sua cintura, pelo que pude notar, ele apenas abriu seu zíper e estocou a mulher com fúria, era possível ouvir o choque dos corpos contra a parede. Ele permanecia de costas para mim, enquanto a mulher gritava e gemia enlouquecida.
Meu corpo, uma estátua em meio ao pequeno salão, voltou a sentir quando o membro ereto do homem atrás de mim, forçava sua presença em minhas costas. Eu não queria mais estar ali, não queria mais vivenciar aquelas experiências, todo o ambiente, a fumaça, o cheiro de sexo e bebida me enjoavam. Só então eu notei, o homem por quem eu estava apaixonada, metia com fúria em uma mulher desconhecida e eu apenas desejei ir embora, uma solitária lágrima queimando minha pele.
Me virei para o homem que seria meu parceiro e o afastei negando uma próxima aproximação, notei seus olhos furiosos em minha direção e então ele aplacou a ira, observando novamente a fita branca em meu braço e vestiu suas roupas, aguardando apenas a mulher ter o seu prazer.
Organizando as peças sobre meu corpo, me distanciei dos três, aguardando Edward do lado de fora do cubículo, apenas uma cortina nos separava agora. Não precisei aguardar muito, em cinco minutos ele estava de volta, o membro guardado em suas calças, ele não me olhou nos olhos, apenas pegou minha mão entrelaçando meus dedos com os seus e me levando a saída.
O caminho para casa foi silencioso, a tensão sobre nós era notável. Em minha mente a culpa borbulhava, queimando meu corpo como uma constante lembrança do quão ingênua eu fui ao achar que uma experiência assim, poderia ser vivenciada entre nós sem danos. Eu estava com vergonha e com raiva de mim mesma por forçar tanto os meus limites a ponto de ver o homem que amo, fodendo uma desconhecida na minha frente. Eu não poderia culpá-lo ou culpar a situação, não foi uma traição, não foi nada e não deveria significar nada.
Errado. O significado era bem maior. Foi só ali que percebi o quanto eu realmente gostava de Edward, da paixão que vivemos estes últimos dias e que poderia se transformar em amor. Eu já o amava isso era certo, amava-o como amigo, confidente, amante e, se não tivesse sido tão ingênua, poderia amá-lo mais.
-Acho melhor tomarmos um banho e dormir. Podemos conversar amanhã.
Ele tentou manter a calma, enquanto subíamos pelo elevador até o meu andar. Quando as portas se abriram, dei um passo para frente, deixando meu corpo entre a porta do elevador e o corredor.
-Eu acho melhor você dormir em seu apartamento esta noite.
Me virei buscando as chaves em minha bolsa. Mesmo com o aluguel feito, o máximo de tempo que Edward permaneceu em sua casa, poderiam ser contados nos dedos de uma das mãos. Tudo dele estava em meu apartamento e eu sabia disso. O que mais me quebrou foi ver seus olhos, o temor e a descrença estampados, enquanto a porta do elevador se fechava.
Minhas mãos tremiam, as chaves caíram por três vezes antes que conseguisse a colocar na fechadura. As lágrimas vieram fortes e não contive os soluços em minha garganta, eu chorei e gritei comigo mesma quebrando alguns vasos no processo, as imagens em flashes pipocando em minha mente, estocada sobre estocada, os gemidos e gritos de prazer vindos de Gisele, a respiração pesada de seu corpo, o suor e as marcas de unhas em suas costas.
Eu não estava preparada para olhar para seu corpo novamente, para ter a marca da minha estupidez estampada em seu corpo.
Os dias se passaram e eu mais parecia um zumbi. No trabalho, todos perceberam meu mau humor, mas ninguém ousou comentar nada.
Mensagem no segundo dia.
-Precisamos conversar Bella.
-Hoje não. Apenas me dê alguns dias.
Mensagens terceiro dia.
-Passei na sua casa para pegar algumas roupas, enquanto você não estava. Deixei algo na geladeira para você. As chaves estão no balcão, você sabe onde me encontrar.
Mensagens quarto dia.
-Boa noite Bella!
-Boa noite Edward.
Mensagens quinto dia.
-Na próxima semana vou viajar de volta para a NY, ficarei alguns dias a trabalho. Podemos conversar antes da minha partida?
Esta foi minha semana, a cada mensagem meu coração se apertava mais, não tinha coragem de olhar para ele e não sabia o que sentiria ao vê-lo novamente. O espaço da cama continuava intacto com sua ausência, seu cheiro e sua presença estavam em cada pequeno canto do meu apartamento. Guardei uma de suas camisetas sob o travesseiro, para dormir a noite sentindo seu cheiro. Na geladeira, a travessa que ele havia deixado com o cheesecake de frutas vermelhas continuava intacta.
Foi só no sábado que tive disposição para voltar a minha rotina, a manhã não estava tão fria e a neve havia dado uma trégua, aproveitei para correr alguns quilômetros e na volta passei no supermercado para abastecer minha dispensa. Assisti a um filme e li alguns artigos em meu computador, quando a noite chegou, as nuvens pesadas e o frio trouxeram as lembranças de seu corpo quente junto ao meu. Peguei o cobertor que deixava sobre o sofá, me protegendo antes de abrir as janelas e sentir a brisa fria da noite em meu rosto. O choque causado pela temperatura, fez todo meu corpo tremer.
-Noite fria, gostaria de um chocolate quente?
Aquela voz, o mesmo tom rouco de semanas atrás e as mesmas sensações. Olhei para cima, encontrando seu corpo debruçado sobre a grade da pequena sacada, uma grande xícara fumegava em suas mãos. A proposta foi tentadora.
-Obrigado, estou bem aqui!
Ouvi seu pesar no forte suspiro que veio a seguir e seu corpo voltou para a proteção do apartamento aquecido. Eu ainda permaneci alguns minutos a mais, sentindo o frio da noite em meus ossos como uma forma de punição.
Ele viajou, os dias se transformaram em semanas e eu já esperava a contagem dos meses, quando um toque em minha campainha no meio da noite me fez pular e correr para a porta esperando pelo pior. Minha vizinha estava grávida de nove meses e sem o namorado ou família para apoiá-la, eu seria sua tabua de salvação se a criança resolvesse nascer antes do tempo previsto.
-Edward?
Minha respiração acelerada, o coração batia de forma descompassada e fui obrigada a colocar uma de minha mãos sobre o peito, na inútil tentativa de aplacar seus movimentos irregulares.
-Eu lhe dei seu tempo, me mantive longe. Agora CHEGA.
Ele estava nervoso e rapidamente forçou sua passagem pela porta, me pegando pela cintura. Meu corpo foi erguido sem cuidados e provavelmente seus dedos deixariam marcas. Não consegui reagir, apenas gemi de dor quando ele me soltou contra a parede, ainda com seu corpo muito próximo para me permitir alguma ação de fuga.
-Eu avisei, não foi uma ou duas vezes. Eu avisei que não queria, que não achava certo.
Suas mãos bateram contra a parede ao lado de meu rosto e pulei de susto. Ele permanecia seguro a minha frente, os olhos presos em um ponto sobre minha cabeça.
-Você quis, nós fomos. Eu te vi tendo prazer com outra mulher, não vou dizer que a cena não me excitou, ela o fez, mas foi apenas o meu corpo que reagiu, em minha mente eu via tudo como uma traição e o ódio só crescia a cada gemido.
Seus olhos desceram para os meus por uma fração de segundos e os vi transbordando em lágrimas, a face vermelha por toda sua raiva contida, por muitas vezes notei que ele perderia o controle ou gritaria, mas ele respirava fundo controlando suas palavras.
-Eu quis sair e mais uma vez você se fez forte e forçou a situação.
-Nunca, em toda a minha vida, me permitiria ver um homem tocando o que considerava meu. Coloquei toda minha fúria na mulher que estava a minha frente, não faço ideia se a machuquei ou o que eu senti, eu apenas não queria ver você sendo tocada. – seus olhos tão claros como o dia, já não suportavam mais e as lagrimas fluíam, o cansaço evidente em suas olheiras - Apenas parei quando não ouvi sua voz.
-Você não tem ideia do alivio que foi, me virar e ver o homem me olhando com desprezo e raiva. Foi ali que percebi que você o havia deixado na mão. – ele se afastou, me deixando respirar e cai sobre os joelhos tremendo - Eu apenas não sabia lidar com o que veio depois.
-Seu afastamento, sua indiferença. Mesmo permanecendo dias longe de você, eu não conseguia te tirar de minha mente. NÂO FIZ NADA DE ERRADO PORRA. VOCE QUERIA AQUILO!
Ele gritou chutando com força o sofá, que pouco fez em sua defesa, a não ser se afastar arranhando o piso de madeira. Eu soluçava, as mãos cobrindo meu rosto em vergonha por ter sido tão fraca, por ter deixado as coisas se acabarem desta forma.
Edward se virou, caminhou em minha direção, se colocando no chão a minha frente. Suas maos cobriram as minhas, as afastando de meu rosto com cuidado.
-Eu te amo!
Ele disse entre lágrimas e eu chorei mais.
-Me perdoa...me perdoa...
O soluço me impedia de falar tudo que estava na minha mente e ele me abraçou forte. Finalmente meu corpo estava em casa, minha alma estava tranquila e senti que nada mais importava a não ser nos dois.
-Eu também te amo.
FIM
