Cap II

ou

O jantar

Small talk on IM

Conversa fiada no MSN

Just one word sentences

Apenas frases com 1 palavra

It's cool were just friends

É legal sermos apenas amigos

If I had my way we'd talk and talk all day

Se eu te conquistasse, nós conversaríamos o dia todo

Não sei se eu deixei isso muito claro para todos, mais eu tenho uma pequena quedinha pela Gina, que por um acaso é minha melhor amiga desde que eu me conheço por gente, e até mesmo antes, se duvidar. Mas acho que quase todo mundo conseguiu perceber.

Autch! A quem eu estou querendo enganar? Essa quedinha já está mais para um tombo do que qualquer outra coisa. Acho que até mesmo o Neo, o peixinho dourado da minha mãe já deve ter percebido isso! E ultimamente tem sido bem difícil esconder isso, não só dela, mais dos meus amigos e dos meus pais, principalmente do meu pai. Às vezes acho que ele descobriu que eu estou apaixonado pela Gina antes do que eu! Já que ele vive jogando algumas indiretas sobre isso e até parou de fazer piadinhas sobre mim com qualquer outra garota quando Gina está por perto.

E é em dias como o de hoje que as coisas só pioram pra mim. Ficar com ela o dia todo, só deixa as coisas piores, já que ela passou o dia inteiro comigo, até dormiu comigo! (Hey controlem suas mentes pervertidas, nós só dormimos mesmo. Tudo bem que foi na minha cama, que por um acaso é de solteiro e tudo o, mas, mas nós só dormimos). E então, quando ela vai embora eu fico com aquela sensação de que está faltando alguma coisa e não consigo fazer nada, além de pensar nela. Há, como eu estou ficando idiota ¬¬'

- Você acha que seus pais ainda vão demorar muito, Harry? – ela perguntou, quando os dois estavam sentados no chão da sala, vendo alguma coisa boba na televisão e terminando alguns exercícios de química que os dois teriam que entregar no dia seguinte para o tão odioso professor Snape.

- Eu acho que não, Gina – ele respondeu, dando uma olhada em seu relógio de pulso – Já são mais de sete e meia. Meu pai sempre sai do escritório lá pelas sete e depois vai buscar minha mãe no trabalho, então, eles já devem chegar daqui uns dez minutos ou um pouquinho mais.

- Então nos já podemos nos liberar das lições por hoje, não é? – ela retrucou com a voz parecendo cansada, já fechando o fichário e jogando o livro de química do moreno de qualquer jeito em cima da mesinha de centro da sala.

- Bom, eu não estava com vontade fazer esses exercícios mesmo - ele concordou, rindo e guardando seu próprio material.

Mesmo antes de terminar de guardar todas as suas coisas dentro de sua mochila, Harry pode ouvir o barulho da porta da frente se abrindo lentamente, dando passagem primeiro para seu pai, que carregava sua pasta e duas sacolas de supermercado, e depois para sua mãe, que carregava alguns desenhos bonitinhos que pareciam ter sido feitos por seus pequenos alunos.

A mãe do moreno era relativamente alta, não tanto quanto os dois morenos e tinha cabelos extremamente ruivos e lisos, que hoje estavam presos em um delicado rabo-de-cavalo. O sorriso bondoso, sempre presente em seus lábios, e os belos olhos verde-esmeralda idênticos aos de seu filho, faziam com que ela parecesse bem mais jovem do que realmente era, mesmo que as primeiras rugas começassem a aparecer em seu rosto bonito.

Já o pai do garoto, sem duvida, dispensava qualquer apresentação. Ele e o filho eram praticamente idênticos, tirando alguns pequenos detalhes, como o fato do pai ser um pouco mais alto que o filho, e seus olhos serem castanhos-esverdeados, ou mesmo seu nariz ser um pouco maior e mais fino do que o do filho. Mas de resto, os dois eram muito parecidos, até mesmo os cabelos totalmente desarrumados dando um ar maroto aos dois, eram iguais, a única diferença era que entre os cabelos do Potter mais velho já era possível notar alguns poucos fios brancos.

- Boa noite, meu amor – falou a mãe do moreno, depois de colocar suas coisas na mesinha de centro da sala, e lhe dando um delicado beijo no topo da cabeça bagunçando ainda mais seus cabelos – Ah, boa noite, Gina – ela completou, ao ver a menina sentada no sofá ao canto da sala, cumprimentando-a com um beijo.

- Boa noite, filhão – falou o Potter mais velho, depois de colocar suas coisas ao lado das da esposa na mesinha – E como é que vai minha segunda ruiva favorita? – ele perguntou divertido, passando direto pelo filho e indo dar um beijo estalado na bochecha da ruiva, que riu e corou um pouquinho.

- Eu sinceramente espero, para o seu próprio bem, que sua ruiva favorita seja eu, Sr. Potter – gracejou Lílian, piscando marotamente para o marido, gesto que sempre fora característico da família Potter.

- Não se engane tanto, meu lírio – respondeu o moreno com um sorriso entre sapeca e maroto no rosto – A minha ruiva favorita, com toda a certeza, é a minha mãe. Você provavelmente é a quarta ou quinta na minha lista de ruivas favoritas.

- James Potter – exclamou a ruiva parecendo realmente ofendida com as palavras do marido, e batendo fortemente no braço dele, que apenas continuava rindo abertamente da cara dela, sem demonstrar ter sentido nada com a pequena 'agressão' da esposa.

- É brincadeira, Lily, brincadeira - ele resmungou, ainda entre risos e abraçando a esposa – Você é a minha ruiva preferida! Sempre foi! Você já deveria saber isso. Ou não teria me casado com você, já que eu conheci um monte de ruivas, e todas elas eram lindas e gost… - ele continuou, levando dessa vez um beliscão da esposa.

- Hei, vocês dois! Podem deixar esse papo melado e essa agarração para mais tarde? Temos crianças assistindo isso! – eles ouviram Sirius resmungar parado na porta, que permanecera aberta.

- Você pode calar a boca, Almofadinhas? – reclamou James, sem se virar para o amigo e soltando a esposa relutante.

- Eu sei que você tem um amor platônico e reprimido por mim, Pontas! Não precisa ficar demonstrando isso na frente de todo mundo, ainda mais na frente do seu filho e da sua mulher – retrucou Sirius displicentemente, mostrando a língua para o amigo, em um gesto muito infantil, mais totalmente característico dele – Pega mal.

- Vamos entrando, Sirius – chamou Lily, interrompendo uma discussão boba que seguiria entre os dois 'adultos' – Está frio aí fora!

- Estou esperando pela Marlene, como sempre – ele respondeu bufando totalmente contrariado – Ela está terminando a segunda conversa diária de duas horas com a mãe no celular.

Apenas alguns poucos segundos depois que ele disse isso, uma mulher morena e particularmente bonita estava parada ao seu lado no batente da porta da sala dos Potter, guardando seu celular na bolsa preta que carregava.

Eles, com certeza, fariam um belo casal. Ela, alta, mas não muito magra, com cabelos bem pretos e encaracolados que iam até o meio de suas costas, olhos castanhos claros e um sorriso animado e bondoso, sempre presente nos lábios. Ele, alto, forte, olhos azuis claros e cabelos negros e compridos, e tudo isso acompanhado com um sorriso extremamente maroto sempre acompanhado por uma delicada e sexy covinha que despontava em sua bochecha direita.

- Entrem, entrem – falou Lily novamente, quando viu a morena – Marlene, querida, que saudades – ela completou abraçando a amiga longa e carinhosamente, assim que ela se aproximou.

- Eu também estava morrendo de saudades, Lil – ela disse, correspondendo ao abraço carinhoso e depois dando um beijinho estalado em cada bochecha da ruiva.

- Morrendo de saudades? – repetiu Sirius confuso – Vocês se viram no sábado à noite! Há cinco dias! Cinco dias, mulher! E aposto que vocês se falaram todos os dias pelo telefone! Como podem estar morrendo de saudades!

- Cale essa boca grande, Sirius – reclamou Marlene sorrindo e indo cumprimentar os outros presentes na sala, que apenas riam de toda a cena feita pelos dois.

- E como anda meu afilhado favorito, ehin? – perguntou Sirius a Harry, fazendo uma voizinha bem infantil, uma careta e apertando as duas bochechas do moreno demoradamente.

- Se eu me lembro bem, eu sou seu único afilhado, Sirius – lembrou-lhe Harry, tentando se desvencilhar das mãos do padrinho desesperadamente – E pare de falar comigo como se eu tivesse três anos e um Q.I. insignificante! E nunca mais, nunca mais mesmo, aperte minhas bochechas – ele completou, em uma voz que deveria ser ameaçadora.

- Certo, certo, garotão, eu não faço mais isso – retrucou Sirius levantando as duas mãos em sinal de rendição e dando uma piscadela para o moreno – Você não vai querer que eu te envergonhe na frente da sua garota, não é mesmo!

Harry fechou a cara novamente para o padrinho e passou as mãos pelos cabelos bagunçados, no mesmo instante em que Gina corou furiosamente, se encolhendo o máximo que pode no sofá onde estava sentada.

- Eu sei que o papo está realmente interessante e tudo o mais, mas nós já podemos ir jantar agora? – perguntou James, sem perceber a expressão carrancuda do filho – Eu trabalhei o dia inteiro naquele escritório, lendo e relendo milhares de casos, acho que o mínimo que eu mereço é um jantarzinho feito pela minha maravilhosa esposa.

- Não precisa ser tão dramático, James, o jantar fica pronto em meia hora! – respondeu Lily indo para a cozinha e sendo acompanhada de perto por Marlene.

- Hum, você precisa de ajuda, Sra. Potter? – perguntou Gina, antes que as duas mulheres sumissem de suas vistas.

- Não preciso não, Gina – ela respondeu carinhosamente para a ruiva mais nova – Fique apenas de olho nesses três por nós – ela continuou, apontando para si mesma e para Marlene - E não deixe que eles aprontem nenhuma besteira! – completou.

- Ei! – reclamaram os três ao mesmo tempo – Nós nunca aprontamos nada – completou Sirius, com sua melhor cara de menino decente.

- Pode deixar comigo, Sra. Potter – concordou Gina, rindo, vendo Lílian voltar para a cozinha junto com Marlene.

Gina se mexeu algumas vezes desconfortavelmente no sofá, para depois encarar Harry por alguns segundos e receber dele um sorriso maroto como resposta, e antes mesmo que percebesse, ela já estava em uma calorosa discussão sobre futebol com os três morenos.

- Eu ainda não consigo entender como você deixou seu único filho torcer pelo Chelsea, Pontas, simplesmente não consigo entender – reclamou Sirius, fazendo uma careta estranha ao falar o nome do time, depois que Harry e Gina comentaram sobre a ultima vitória dos blues¹.

- Eu nuca o deixei torcer pro Chelsea, Almofadinhas – resmungou James, fazendo a mesma careta que o melhor amigo tinha feito ao falar o nome do time – Esse traidor simplesmente se debandou sem nem ao menos pedir minha autorização, que eu nunca, repito, nunca daria.

- Me desculpe Sr. Potter, mais ainda bem que ele se debandou contra a sua vontade – retrucou Gina animada – Imagina se o Harry torcesse pelo Manchester? Iria ser uma decepção na vida dele, coitadinho!

- Ruiva, ruiva. Não é só porque você é bonitinha e toda educada que pode falar mal do Manchester, assim, na minha frente, quando quiser! – advertiu Sirius realmente ofendido, assim como James.

- Nem vem com essa, Sirius – reclamou Harry, mesmo rindo da visível timidez da ruiva – O Manchester não está com nada. Na verdade nunca esteve. Todos sabem que o Chelsea é o melhor time da Inglaterra – completou, ganhando um aceno de concordância de uma Gina ainda ligeiramente corada.

- Que decepção, meu velho Almofadinhas, que decepção - resmungou James para o amigo – O meu filho, meu único filho, meu filho que carrega meu nome e de quem eu cuidei e amei a vida toda, agora está aqui, me apunhalando pelas minhas costas. Sem nem um pingo de dó do seu velho pai, bom, não tão velho assim – ele completou com uma piscadela para Gina.

- Pare de reclamar tanto, James – retrucou Lílian da porta da cozinha – Todo mundo sabe que o Chelsea é realmente o melhor time da Inglaterra – completou – E venham logo jantar, vocês quatro – completou, apontando para os outros presentes na sala.

- Essa é a minha mãe! – comemorou Harry, levantando-se do sofá em um pulo, rindo e beijando a mãe ao passar pela porta da cozinha, onde a ruiva estava parada esperando por eles para o jantar.

Todos logo se sentaram à mesa da cozinha e se serviram em um incomum silêncio para os presentes. Lílian tinha feito um delicioso macarrão com queijo, que vinha passando por sua família à gerações, e uma torta de frango, que cheirava muito bem.

- Está tudo maravilhoso, Lily – falou Sirius, depois de colocar uma quantidade maior do que seria humanamente possível de macarrão dentro da boca, quebrando o silêncio entre todos eles.

- Nós sabemos disso, Sirius – reclamou Marlene, revirando os olhos – Mais você não precisa falar de boca cheia!

- Ta, ta, ta, mulher - resmungou o moreno, voltando a se preocupar exclusivamente com a enorme quantidade de macarrão que ainda estava em seu prato.

- E como vai sua família, Gina? – perguntou Lílian, enquanto cortava um pedaço da torta e colocava em seu prato – Faz tempo que eu não falo com sua mãe. Acho que desde o seu aniversario quando fomos a sua casa que eu não vejo a Molly.

- Ah, estão todos muito bem, Sra. Potter – ela respondeu, depois que terminou de mastigar – Minha mãe está sempre à beira de um ataque de nervos com os meninos, mais acho que até mesmo ela já se acostumou com isso!

- Eu acho que sei como ela se sente – concordou Lílian rindo – Eu já fico completamente maluca com apenas Harry e James em casa, e nenhum dos dois é mais criança, convenhamos. Imagino se eu tivesse sete filhos. Com certeza já estaria em algum hospício ou coisa parecida.

- Com certeza - concordou Gina também rindo.

- Não que eu realmente não adore vê-la por aqui, Gina querida, flor da minha vida, mas o que a trás a minha humilde residência essa noite? – perguntou James, para depois levar um safanão da esposa ao ver a menina ficar levemente desconcertada, coisa que já havia virado comum quando ela estava naquela casa.

- Nós tínhamos que fazer um trabalho de historia sobre a 2º Guerra Mundial ou algo assim – ela respondeu, mais apenas ganhou um olhar desconfiado de James – E Rony e Hermione brigaram ontem à noite, então as coisa devem estar um pouco tensas na minha casa – ela completou dando de ombros – Quis evitar que sobrasse alguma bomba para mim.

- Eles brigaram mais uma vez? – repetiu James incrédulo, no que a menina concordou com ele rindo. Não era novidade nenhuma para ninguém que conhecia o casal, que os dois tinham um relacionamento, no mínimo, conturbado – Eles conseguem ser pior que nós dois, Lil, pelo menos nós só brigávamos antes de começarmos a namorar, não é? – ele completou rindo, e ganhando um sorriso da esposa.

- É uma pena que esses dois não sejam como Harry e Gina, não é mesmo, Pontas? – perguntou Sirius marotamente – Não me lembro de nenhuma vez ter visto os pombinhos aqui brigados. São um exemplo para qualquer casal adolescente, não são? – ele completou, seu sorriso aumentando ainda mais.

Gina e Harry se olharam totalmente desconfortáveis com a brincadeira de Sirius, mas ambos já estavam quase que acostumados com as indiretas do maroto de olhos azuis, que parecia simplesmente não se conformar com apenas uma amizade entre os dois. Mas ultimamente, Harry não conseguia deixar de concordar plenamente com o padrinho. Não que ele fosse falar isso para alguém.

- Pare de encher os meninos com essas suas bobagens de maroto, Sirius – reclamou Lílian, vendo o desconforto do filho e da ruiva – Como foi o dia de vocês na escola, hoje? – ela perguntou tentando mudar de assunto para algo que ela julgava ser bem menos desconfortável.

- Muitas gatinhas em vista? – intrometeu-se Sirius, fazendo Lílian e Marlene revirarem os olhos, incrédulas.

Harry corou absurdamente na mesma hora, ficando quase da mesma cor dos cabelos da mãe e de Gina, algo que era realmente difícil. Esse era outra coisa com que Sirius não se conformava, esperava que seu afilhado fosse um arrasa corações como ele mesmo e James tinham sido na adolescência.

- Ah, qual é, Harryzito - continuou Sirius abrindo o maior sorriso maroto que conseguiu ao ver o afilhado remexer seu macarrão com o garfo, totalmente desconfortável – Eu simplesmente não consigo acreditar que com todas aquelas garotas lindas na sua escola, eu nunca vi você dando uns amassos por aí!

Harry, se é que isso era possível, corou ainda mais e se engasgou com um pequeno pedaço de torta que acabara de colocar na boca, fazendo todos na mesa, menos Lílian caírem na gargalhada.

- Eu já cansei de falar isso para ele, Sirius, mais ele não me escuta – respondeu Gina, rindo da cara do melhor amigo, que lhe lançava um olhar suplicante, para que ela não colocasse lenha na fogueira, o que ela não entendeu, ou fingiu não entender, o que parecia ser a opção mais provável – Tenho certeza que varias lideres de torcida e todas as garotas do clube de ciência adorariam dar uns amassos com ele por aí!

- E isso certamente inclui você, não é mesmo – concordou Sirius, parecendo bastante displicente, como se falasse a todos que a previsão do tempo avisara que a probabilidade de chuva era quase nula nos próximos dias.

Gina corou levemente e mostrou a língua para Sirius, não ligando para o comentário maldoso do maroto, ao contrario de Harry, que agora já estava quase roxo, mas ninguém sabia com certeza se era por causa da vergonha ou se ainda não conseguia respirar por causa da torta entalada em sua garganta.

- Você podem, só por essa noite, por favor, parar de falar da minha vida amorosa como se eu não estivesse aqui com vocês? – pediu Harry, assim que se recuperou parcialmente do quase sufocamento pela torta de frango.

- Que vida amorosa, filho? – perguntou dessa vez James, fazendo com que todos na mesa, até mesmo Lílian, que estava tentando ajudar o filho caíssem na gargalhada.

Harry bufou totalmente ofendido com todos e se escondeu o máximo que pode em sua cadeira, rezando para que eles começassem a falar de outra coisa e parassem com sua pequena tortura, o que foi prontamente atendido, já que dessa vez quem mudou o assunto foi seu pai.

O jantar terminou no mesmo clima brincalhão que começara, mas agora o alvo passara a ser Sirius, já que agora James contava como o moreno se livrara de uma cliente particularmente grudenta demais no escritório no dia anterior. E foi com grande surpresa que Gina olhou para o relógio da sala e viu que já eram mais de dez horas. Era incrível como ela se divertia com a família do melhor amigo.

- Harry – ela chamou baixinho, para que só o moreno ouvisse – Eu tenho que ir pra casa, já está bem tarde - ela completou quando o moreno voltou sua atenção para ela, indicando o relógio da sala para o moreno.

- Certo, ruiva, eu levo você – ele respondeu se levantando da mesa de jantar, e indo em direção à sala de estar, no que foi seguido pela ruiva, e pelos olhares dos outros quatro presentes na cozinha.

- Não precisa disso, Harry, eu vou sozinha mesmo. Você sabe que a minha casa não é tão longe assim daqui – ela retrucou sem querer causar nenhum inconveniente ao amigo, já que ele estava realmente animado – Fique aqui com o seu padrinho e seus pais. Eu sei o quanto você adora essas reuniões dos marotos.

- Elas acontecem sempre, Gina, sempre mesmo! – ele resmungou insistente – E eu não posso deixar você voltar andando para casa sozinha a essa hora da noite. Imagina se você é assaltada ou alguma coisa pior? Existe um monte de malucos que adoram ruivas! Seus irmãos iam querer me matar! – ele completou, rindo.

- Tudo bem, Sr. Insistente Demais – ela concordou rindo da cara de fingido espanto do moreno ao falar de seus irmãos.

- Eu vou levar a Gina na casa dela e já volto – ele gritou lá da sala, depois de ir até seu quarto pegar a mochila da ruiva e uma blusa para cada um.

- Tudo bem, querido, mas, por favor, não se esqueça de pegar um agasalho pra vocês. Está frio lá fora – falou Lílian lá da cozinha, sua voz se sobressaindo entre uma discussão dos outros três.

- Eu já peguei mãe, não se preocupe – ele respondeu, revirando os olhos e rindo.

Os dois saíram caminhando lentamente pela porta da frente da casa e continuaram caminhando pelas ruas largas e quase desertas da cidade de Crawley², uma cidade pouca movimentada, quase interiorana, relativamente perto da grande Londres. Era uma cidade bem bonita, na opinião de quase todos os moradores, e o bairro onde os dois moravam era calmo e as casas tinham bonitos jardins e grandes áreas para as crianças brincarem durante as tardes de verão, ou mesmo nas tardes geladas e com neve do inverno inglês.

Gina morava a mais ou menos quinze minutos da casa do moreno, um percurso que ambos poderiam fazer até vendados, de tanto que já haviam percorrido aquele agradável caminho.

- Eu ficaria muito grato se você não ficasse ajudando o Sirius a me encher, Gina – reclamou Harry para a ruiva, depois que eles atravessaram a primeira rua e viraram na esquina seguinte.

- Eu não posso evitar. É muito engraçado ver você ficar todo sem graça e corar! – ela respondeu rindo suavemente e se aconchegando ao casaco que o moreno havia emprestado – E hoje você realmente se superou! Estava mais para roxo do que qualquer outro tom de vermelho!

- Você poderia virar comediante com essas suas piadinhas sem graça, Gina – ele reclamou, com a cara fechada para a ruiva, que ainda sorria – Eu ia pedir desculpas pelo meu padrinho e meu pai sempre ficarem pegando no seu pé, mas estou começando a achar que você merece até mais!

- Hei – reclamou a ruiva, o empurrando.

- Não adianta você fazer essa carinha de anjinho, Gina, eu não caio mais nessa, não! – ele resmungou ao ver a tentativa da ruiva de se fazer de vitima mais uma vez.

- Você é muito chato – ela reclamou, fechando a cara e cruzando os braços.

- Acho que depois de ver você fazer essa mesma cara por mais de doze anos, ela não tem mais o mesmo efeito em mim – ele retrucou, rindo da expressão da pose quase infantil da criança.

- Só não funciona com você, então… - falou a ruiva parecendo totalmente indignada – Porque mesmo depois de dezesseis anos meu pai e meus irmãos ainda caem nessa o tempo todo!

- Eu realmente tenho pena dos seus irmãos, ruiva – ele falou rindo – Você se aproveita muito deles!

- Isso é totalmente injusto – ela reclamou – Eles vivem me enchendo e bancando os irmãos mais velhos super protetores, eu tenho que ter alguma coisa pra me vingar deles! E nada melhor do que jogar todo o meu charme de irmãzinha caçula, pequena e indefesa sobre eles.

- Charme? – ele repetiu, entre risos – Que charme?

- É, charme! – ela repetiu com convicção – Pode não funcionar muito bem com você, Harry, mas não importa o que eu queira dos meus irmãos e do meu pai, é só eu fazer essa carinha de cachorro abandonado que eles fazer qualquer coisa por mim. Qualquer coisa mesmo, até mesmo o Rony.

- Você é má, ruiva. Definitivamente muito má! – ele retrucou, com uma expressão entre divertida e assustada no rosto, no que ela apenas respondeu com um sorriso maroto, que ela tinha aprendido com ele durante todos os anos de convivência.

Eles continuaram caminhando calmamente pelas ruas bem iluminadas da cidade, e em pouco mais de dez minutos já estavam em frente à casa da ruiva. A rua onde ela morava, era calma como todas as outras do bairro, e a casa dela era, com certeza, a maior de toda a vizinhança. Tinha quatro andares, todos para acomodar a grande família da ruiva, e a fachada era de um verde clarinho, que combinava totalmente com o belo jardim na frente da casa, que era constantemente cuidado pela mãe da menina, e que se estendia até o fundo, onde Harry sabia que ele ficava ainda mais bonito.

- Bom, agora que você já está em casa, completamente à salvo – falou Harry enquanto ela procurava pelas chaves dentro de sua mochila roxa – Eu já vou indo embora. Boa noite e até amanhã de manhã.

- Boa noite, Harry - ela falou, quando achou as chaves escondidas em um dos inúmeros bolsos da mochila – Obrigada – completou, dando um beijo estalado na bochecha do moreno, abrindo a porta da casa e entrando – Depois eu devolvo o seu casaco.

Harry continuou parado no mesmo lugar por alguns segundo, sorrindo para o nada, parecendo uma criança que tinha acabado de ganhar seu primeiro presente de Natal, o que para ele era bem ridículo, já que todos os dias a ruiva o cumprimentava com beijos estalados e abraços delicados, o deixando levemente irritado.

- Não tem de quer, Gin – ele responde sorrindo docemente, quando conseguiu se recuperar parcialmente – E nós dois sabemos que você não vai me devolver esse casaco tão cedo.

- O que eu posso fazer se os seus casacos parecem tão mais quentinhos e fofos do que os meus? – ela completou, com uma piscadela marota.

Ele demorou mais do que o necessário para voltar para sua própria casa, andou ainda mais lentamente do que na ida, apenas pensando um pouco sobre sua complicada relação com a ruiva, se é que ele poderia chamar aquilo de relação. E pensando bem, aquilo era complicado apenas para ele, já que para ela, eles eram apenas melhores amigos. E nos instante seguinte estava se perguntando em que momento isso deixara de ser completamente verdade. Nem ele mesmo lembrava-se do momento em que a ruiva deixara de ser apenas uma amiga para ele. E para falar a verdade, isso nem mesmo fazia mais diferença para ele. Tudo que sabia era que sua admiração, carinho, ou paixão pela amiga aumentava mais a cada dia.

Tentou abrir a porta e fecha-la atrás de si, sem fazer muito barulho, já que eram mais de onze horas agora. Seus pais já deveriam estar dormindo à algum tempo. Mais quando se virou para ir ao seu quarto, pode ver a luz da cozinha acessa. Foi até lá para ver se tinha mais alguém acordado, ou os pais apenas tinham se esquecido de apagar a luz.

- Ainda acordado trabalhando, pai? – ele perguntou ao ver o moreno mais velho debruçado sobre uma pilha enorme de papeis sobre a mesa, parecendo extremamente concentrado neles.

- Tenho que terminar de ler esses relatórios ainda hoje – o moreno respondeu, ajeitando os óculos e deixando de prestar atenção nos papeis e encarando o filho – É um novo caso que eu e o Sirius estamos trabalhando.

- É um caso muito difícil? – ele perguntou, pegando um copo de água gelada e sentando-se na cadeira à frente do pai, e mexendo displicentemente em alguns papeis.

- Não difícil, exatamente – ele respondeu, passando uma das mãos pelos cabelos bagunçados – Apenas trabalhoso demais. E vai, com certeza, me tomar bastante tempo nos próximos dias – completou.

Harry não falou mais nada, apenas ficou olhando para o pai enquanto ele voltava toda sua atenção aos papeis à sua frente, e fazia algumas anotações desconexas em um bloquinho ao seu lado.

- Eu já vou dormir – falou ele, por fim, levantando-se e começando a andar em direção ao seu próprio quarto.

- Você é apaixonado por ela, não é? – ele ouviu seu pai perguntar, antes que pudesse sair da cozinha. A pergunta não soou realmente como uma pergunta, era como se ele apenas quisesse uma confirmação de algo que já sabia há muito tempo – Pela Gina – ele completou, mesmo sem precisar.

Ele ficou parado no mesmo lugar por alguns segundos, sem saber o que responder ao pai. E por um instante deixou-se pensar o quanto isso estava obvio para todas as pessoas a sua volta. Será que mais alguém já tinha percebido? Será que algum dos irmãos dela já tinham percebido? Uou, será que os pais dela já tinham percebido?

- Não está tão obvio assim – ele falou, como se lesse os pensamentos do filho – Mas eu sou seu pai, eu percebo as coisas que acontecem com você, eu desconfiava disso há algum tempo, mais depois de hoje, não tem como você negar. Não pra mim.

- É pai, eu realmente sou apaixonado por ela – ele respondeu, deixando escapar um suspiro de indignação, era a primeira vez que falava isso para alguém, o que fazia parecer muito mais real do que já tinha parecido.

- Não fique chateado, Harry – ele falou dessa vez em um tom brincalhão, que combinava muito mais com ele do que o tom serio de um advogado – Eu vou conversar com o Almofadinhas pra ele parar de pegar no seu pé quando a Gina estiver conosco. Mas não se preocupe com isso. Afinal, ela é ruiva. E nós Potter, temos um charme que elas não resistem - completou, rindo.

Bom, está aí.
O segundo capitulo da fic.
Espero que tenham gostado.
Esse capitulo foi só pra mostrar um pouco a família do Harry, já que estamos tão acostumados a ele não ter uma.

Espero realmente que tenham gostado.

Obrigado pelos comentários e comentem mais!
ashahshashas

P.S.: blues: como o time inglês do Chelsea é conhecido entre seus torcedores.

Crawley: é realmente uma cidade não muito grande próxima à Londres, na Inglaterra, mais não sei se ela é realmente como a descrevi. Só queria que o nome da cidade fosse real. XD

De novo a música é Just Friends dos Jonas Brothers.

Beeijos