Disclaimer: Os personagens pertencem a Masashi Kishimoto, porém o enredo é de minha autoria.

Avisos: Violência, Linguagem chula, Tortura, Cenas explícitas de Sexo Homossexual e Incesto.


Os Portões de Roma - Capítulo VI

As luzes de um céu azul invadiam lentamente os aposentos da mansão Hyuuga. O frio da madrugada dava lugar ao calor suave do sol matutino. Alguns dos criados e escravos da mansão já estavam despertos, cumprindo seus afazeres para que toda a propriedade estivesse em ordem assim que os Hyuugas saíssem de seus aposentos. Aquele ritual era realizado todos os dias, exceto aos domingos ou nas festividades.

Após uma hora, a maior parte dos habitantes da casa estavam despertos, alguns encaminhavam-se para a sala de jantar, onde o café da manha já estava posto. O movimento de pessoas era intenso, porém o ambiente se mantinha silencioso. Tanto os escravos quanto os serviçais que trabalhavam em famílias de maior posse tinham a tendência a serem vistos o menos possível.

A pequena família toda finalmente estava reunida á mesa. O patriarca era Hiashi Hyuuga, era um homem bom apesar de sua aparência esnobe. A mãe Hanako Hyuuga(1) era uma mulher muito gentil e muito cuidadosa. Hinata era a filha única do casal(2). Aos seus quinze anos, era uma moça tímida e reclusa, que apesar de ter muita opinião, dificilmente tinha coragem para expressa-la.

A família Hyuuga era a mais rica de Roma sem dúvida. As suas terras e posses se espalhavam por toda cidade e além dela. Ao contrário da maioria das linhagens tradicionais da época, quando Hiashi assumiu o patriarcado, o seu nome estava em decadência e suas posses eram mínimas. Todo dinheiro e poder que os Hyuugas atualmente possuem, se devem ao esforço e a sua habilidade notável em administrar os negócios.

"Onde está Neji?" Questionou o patriarca da família. Mãe e filha se entreolharam, porém nenhuma sabia o motivo do legionário não estar ali. Afinal Neji tinha hábitos matutinos, principalmente por devido ao seu treinamento constante. Hanako pediu que um dos criados fosse ao quarto de Neji para chama-lo, afinal a família tinha costume de ter o desjejum juntos.

Três batidas leves eram ouvidas na porta de madeira. Após aguardar alguns segundos sem obter nenhuma resposta, o criado bateu mais uma vez, mais forte. Aproximou seu ouvido da porta, tentando ouvir alguma movimentação, porém o silêncio permanecia. Chamou o nome do seu senhor, em um tom mais alto que o normal e tornou a bater na porta. Um estrondo foi ouvido, e o homem pacientemente esperou.

Após alguns instantes, o criado pode ouvir "Espere um momento!" vindo da voz ainda grogue de Neji.

"Naruto seu maldito!" Neji se levantou rapidamente, pulando novamente na cama, no colo do outro e imobilizando Naruto com os joelhos.

"Mas, mas... eu ouvi os passos uma legião marchando, eu juro." O loiro estava um pouco confuso, seu sonho tinha sido bem real. Ele tentou empurrar Neji para o lado, porém foi uma tentativa em vão.

"VOCÊ ME CHUTOU DA CAMA, BASTARDO!" Neji golpeou com a intenção de acertar o outro, porém no último instante desviou seu punho para o travesseiro. O maior se assustou com toda aquela agressividade, principalmente vindo do Hyuuga.

"Aliás, porque eu estava deitado com você?" Neji balançou a cabeça para os lados, tentando manter a calma, e saiu do colo de Naruto sem responder a pergunta feita. Sentiu um incômodo em sua costela, e tocou o local.

"Senhor Neji?" Uma voz foi ouvida do outro lado da porta, o que os fez lembrar-se do motivo de serem acordados tão bruscamente.

"Pode voltar de onde veio Titus, obrigado."

Neji foi até o guarda roupa, vestiu uma túnica branca e sandálias de couro. Sua cabeça doía na parte de trás, o que mantinha uma ruga na testa branca. Entregou uma muda com as mesmas peças para Naruto, que se vestiu rapidamente. O loiro estava em silêncio tentando montar um puzzle(3) do que houve na noite anterior, principalmente por conta do comportamento agressivo de Neji consigo.

Os dois sem trocar muitas palavras caminharam até a sala de jantar. Naruto conhecia bem a casa, pois fazia visitas frequentes à Neji. Quando se juntaram a família ambos foram analisados por três pares de olhos curiosos. Hinata corou ao avistar legionário loiro.

"Neji! Naruto! O que aconteceu com vocês dois?" Hanako se levantou assim que viu as cicatrizes recentes percorrendo o corpo deles. Ela tocava e observava cada hematoma que estava exposto.

"Não se preocupe Hanako, por favor, isso foi apenas resultado de um treino da legião. Não é nada grave." Neji tentou amenizar a preocupação da mulher, que embora não fosse sua verdadeira mãe, o tratava como se fosse.

"Como você pode me dizer que não foi nada? Ontem você não voltou para se recolher em casa, e não avisou a ninguém. Você poderia ter se metido em alguma briga. Pelos Deuses Neji faltam três dias apenas para o torneio!" A morena tinha tendência a ser superprotetora, pois só tinha cuidado de Hinata a vida inteira, que raramente dava motivos para preocupação. "E você Naruto? Kushina sabe que você está aqui?" Os legionários evitavam encarar a mulher nos olhos, mãe é mãe afinal de contas.

"Pelos Deuses mulher, já basta. Você não está vendo que este par de idiotas beberam vinho até cansar noite passada?" Hiashi abriu um sorriso debochado e virou-se para os dois rapazes, que comiam em silêncio. "Não estou censurando vocês, afinal há mais vinho e putas nessa cidade esta semana do que no resto do mês todo." O homem gargalhou, gesto que foi acompanhado discretamente por Naruto. Hinata corou fortemente com as palavras do pai, tentou balbuciar algumas palavras, mas logo após desistiu. Hanako acalmou-se um pouco, constatando que o palpite do marido realmente estava correto. Naruto ostentava um enorme hematoma vermelho em seu pescoço, sem dúvidas obra de alguma garota vulgar.

A família continuou a comer, e após alguma insistência de Hanako, Neji narrou os fatos da noite anterior, porém omitindo a maior parte, é claro. Assim que a refeição terminou, os legionários deixaram a mesa. O moreno estava tentando não manter contato nenhum com o loiro, para não explodir ali mesmo. Neji caminhava na frente á passos rápidos, em direção á parte externa da propriedade, Naruto somente o seguia e fazendo o mesmo silêncio do que o outro, á contragosto é claro.

As terras da família Hyuuga eram vastas, porém nenhuma atividade rural era realizada ali. Como as posses se espalhavam por toda Roma, a família preferiu manter aquele espaço como residencial. O jardim era magnifico, cuidado pessoalmente por Hanako e alguns criados de confiança. Um enorme lago adornava a parte direita da propriedade. Flores e árvores das mais diversas cores e tamanhos se mesclavam com uma harmonia selvagem, que poderia ser confundido com uma paisagem intocada, se não fosse à manutenção diária que era feita ali.

Nenhuma folha seca podia ser vista na relva verde que ainda se mantinha levemente úmida com o orvalho matinal. Era realmene encantador. A parte onde a mão humana podia ser realmente vista era uma trilha. Na entrada daquele caminho um arco de rosas era um deleite para os olhos. O caminho seguia daquela forma, emoldurado pelas arvores bem podadas e o caminho de madeira indicando uma direção.

Neji e Naruto caminharam em silêncio por alguns minutos, até chegarem ao destino desejado. Era uma clareira de forma circular, onde cada um dos patriarcas da família Hyuuga podiam ser vistos em versões eternas feitas do mármore branco mais puro. Uma placa dourada embaixo de cada uma das figuras indicava quem era. Aquelas obras tinham sido esculpidas pelas mãos habilidosas de Hinata, a garota tão retraída se expressava de forma surpreendente em sua arte. As faces e formas foram criadas a partir de pinturas e relatos vindos de seu pai e sua falecida avó, sobre cada um daqueles homens. As peças eram únicas e incríveis, cada qual de sua forma.

Alguns eram retratados como homens do senado, da política, outros de forma decadente, em algumas gerações antes da atual. Porém o mais célebre dos seus trabalhos era dedicado á Kaguya, a mãe de todos os Hyuuga, a única mulher presente ali. Sua face era misteriosa e carregava um olhar brutal, que causava arrepios e representava poder, mesmo tantos séculos após sua morte. Usava um elmo com dois enormes chifres, em uma de suas mãos segurava uma espada longa, e na outra a cabeça decepada do marido que ela não escolheu. A mulher que com as próprias mãos mudou o seu destino e criou aquela família.

Os legionários adentraram aquele local, que era sagrado para a família Hyuuga. A aura de paz transmitida ali era impressionante, e até Neji que carregava uma carranca desde que acordara, agora levava uma expressão mais suave em seu rosto. O loiro admirava o local, eram raras as vezes que estivera ali, o talento de Hinata o deixava impressionado a cada vez que tinha a oportunidade de apreciar. Neji caminhou até um banco de pedra que ficava no centro do círculo de estátuas, anexo á um simples chafariz, contrastando com toda atmosfera pomposa do jardim. Naruto rapidamnte acompanhou o moreno e sentou-se.

Um silêncio um tanto quanto constrangedor se manteve por alguns segundos. Neji claramente estava tentando iniciar um diálogo, enquanto um impaciente Naruto aguardava. Porém a curiosidade do loiro já estava chegando ao seu ápice, e combinando isso com algumas imagens desconexas que ele tinha do final da noite passada, ele iniciou a conversa.

"Olha, eu lembro de pouco do que aconteceu após sairmos do bar. Peço aos deuses que Shikamaru esteja com o Lee, porque eu não o vi depois de sairmos da carruagem. Eu sei que fiz algo que desagradou você, mas realmente eu não lembro." O loiro foi o mais sincero o possível, afinal não era do seu feitio mentir, principalmente para um amigo de tanto tempo. Neji estava olhando para uma das estatuas, então Naruto não conseguiu ver a sua expressão, ele estava um pouco apreensivo afinal detestava decepcionar quem quer que fosse.

O moreno suspirou e encarou Naruto. Tinha uma expressão indecifrável, o que era normal, as poucas vezes que Neji perdia o controle ele estava na companhia de Naruto ou Rock Lee. Ele suspirou e então expôs tudo aquilo que estava guardando.

"Naruto você realmente não tem noção do seu status social não é mesmo? Será que não percebe que qualquer ação sua pode prejudicar diretamente a vida política do seu pai? Você pode arruinar o nome da sua família." Aquelas perguntas haviam sido retóricas, é claro. Sem esperar que Naruto se manifestasse, ele prosseguiu. "Você comer todas as mulheres da cidade? Sem problemas. Dormir com todos os garotos? Vá em frente! Mas fazer isso, na frente de estranhos, toca-lo? Você é uma PUTA(4) afinal? Ele é estrangeiro, você não percebeu isso? Aquele pobre rapaz nem Romano é. Kurenai provavelmente o encontrou em alguma casa de banho, e o levou como seu animal de estimação, junto com os outros." Neji tinha as bochechas e a testa levemente avermelhadas. Em algum momento da sua fala ele havia se levantado. Agora ele encarava um Naruto sem reação, que estava tentando formular alguma defesa, porém sem sucesso.

"Eu... Me desculpe..." O loiro tinha o olhar baixo, ele se negava a encarar o outro nos olhos.

"Não é a mim que você deve desculpas, e eu creio que você saiba disso. A escolha para cônsul está se aproximando, e o Uchiha esta apenas esperando um deslize para manchar a reputação de seu pai, para que ele tenha o total poder. Esse torneio é apenas um show para ele exibir Sasuke como um animal raro, e aumentar os financiamentos á Lybica." Neji caminhou alguns passos, e aguardou que Naruto respondesse algo. O loiro realmente não havia pensado por esse lado e agora estava realmente se sentindo mal.

"Obrigado Neji, você é um bom amigo." Naruto sorriu abertamente, tentando aliviar o clima pesado que havia tomado conta do ambiente. Neji suspirou e se rendeu, era praticamente impossível resistir ao loiro.

"Você é muito importante." Neji pensou alto, porém acreditou que Naruto não havia ouvido.

"Vamos para a Parthica?" Naruto questionou ainda um pouco apreensivo.

"Vamos, eu espero que você morra com dor de cabeça nesse sol!" E com um pequeno sorriso ambos seguiram seu caminho.

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O sol já estava alto no céu, e por mais que Shikamaru quisesse permanecer exatamente onde estava entrelaçado com Kurenai, não era possível. O torneio estava se aproximando, e apesar de o legionário não ter a mínima vontade de participar, seria uma desfeita para o seu pai. Shikamaru não foi feito para lutar, isso era claro. O rapaz tinha um dom espantoso para criar estratégias e formações de batalhas. Era um dom dado pelos deuses, que o rapaz aprimorava com seus estudos sobre as guerras e legiões que antecederam o seu tempo.

Com um gemido em protesto, ele se moveu da melhor forma que pôde. Seus olhos estavam baixos e inchados, uma fina linha arroxeada podia ser vista ao redor. O resultado de uma noite mal dormida e bebidas demais. Sentou-se na cama por alguns momentos e ficou satisfeito ao perceber que apesar de seu corpo estar pedindo clemência, a sua cabeça não doía nem um pouco. Kurenai que ainda repousava não percebeu a movimentação do moreno.

Ele vestiu suas roupas que estavam jogadas no chão, e juntou as suas sandálias, preferiu não as calçar, pois o som do couro faria barulho quando tocasse o chão. Ele percorreu o quarto com os olhos, em busca de algo em que pudesse escrever. Por sorte havia um tinteiro com uma folha de papiro preenchida somente pela metade. Shikamaru não era curioso, então apenas rasgou um pedaço da folha e deixou algumas palavras para a mulher. Depositou o recado no travesseiro em que havia dormido e deixou o aposento.

A mansão em que estava era enorme, e Shikamaru só percebera isso ao sair do quarto. Na noite anterior estava tão entretido que a ultima coisa que notaria era a dimensão daquele lugar. Descendo as escadas, vários cômodos e portas se espalhavam por todo o ambiente. Ele vagou por mais alguns minutos até encontrar um criado. "Graças aos deuses." Pensou.

Shikamaru fez um pedido ao homem, para que lhe indicasse a saída. O serviçal pausou seus afazeres e pediu que Shikamaru o seguisse.

"Há um homem aqui, que eu acredito que tenha vindo com você. Um rapaz de cabelos longos ontem me encarregou de vigiar o seu sono." O homem dizia enquanto caminhavam pelos corredores. Ele indicou a entrada da pequena sala onde jazia um Lee com metade do corpo em um divã, e a outra desafiando a gravidade.

"Lee, vamos embora." Shikamaru o sacudiu duas vezes, e o moreno acordou assustado e por decorrencia disso caiu no chão, já que não estava em uma posição segura.

"SHIKAMARU VOCÊ QUER ME MATAR?" Lee levantou-se rapidamente do chão, e aparentemente não demonstrava nenhum sinal de cansaço.

"Ei, vamos embora logo. Já é quase meio dia e ainda estamos aqui." Shikamaru estava apoiado no batente da porta, com os braços cruzados. Ambos começaram a caminhar em direção á saída, o sol estava forte, fato que não parecia perturbar Lee, que começou a tagarelar algo sobre a noite anterior, e a alegria da juventude de poder acordar disposto após uma noite daquelas, disposição essa que não era compartilhada pelo seu amigo, que apenas respondia monossilábicamente ou com algum gemido.

Depois de uma caminhada de meia hora, afinal Shikamaru havia recusado o transporte oferecido pela anfitriã, ambos haviam chego ao acampamento da legião, onde tiveram um almoço farto e seguiram para treinar até o final daquele dia. Naruto e Neji também se juntaram a eles. Neji optou por treinar com Shikamaru, que preferia ataques á média distância, e buscava tramar alguma estratégia ao invés de força bruta.

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Na parte nobre da cidade, a família Uchiha se aprontava para um jantar a que haviam sido convidados. Ele estava tão aborrecido em ter que comparecer a aquele evento, que um vinco se formou em sua testa e talvez o acompanhasse pelo resto da noite. Não que Sasuke fosse um rapaz sorridente, longe disso. Porém hoje o seu mau humor estava no ápice.

"Irmãozinho, você já está pronto?" Itachi abriu a porta sem cerimônia alguma, e aproximou-se de Sasuke, que estava apreciando a sua própria imagem no espelho. O caçula virou-se para Itachi e surpreendeu-se com a visão que teve. Itachi estava com o uniforme completo da legião.

"Você não ousaria me deixar sozinho." Sasuke ameaçou.

"Ah sim eu ousaria... irmãozinho tolo." Itachi aproximou-se de Sasuke e cutucou a sua testa com o dedo indicador. "Eu tenho toda uma estratégia pronta pra evitar jantares assim, você sabe. Eles querem me casar a todo custo, mais do que á você. Não reclame." O mais velho afagou os cabelos rebeldes da nuca de Sasuke, tentando domá-los, mas foi em vão.

"Qual foi a desculpa que você usou para não ir? Quem sabe na próxima vez eu evito às três horas de inferno." Sasuke se afastou de Itachi e voltou ao espelho, colocando os cabelos onde estavam antes da interferência do irmão.

"Creio que você não poderá usar essa desculpa, pelo menos por dois anos. Minha centúria fará a patrulha noturna da cidade. Ser filho de Fugaku tem suas vantagens, afinal. Eu mudei a ordem do patrulhamento no calendário." Itachi começou a rir quando viu a expressão de Sasuke. Quando o menor ficava aborrecido, sua expressão era cômica, e até... bonitinha.

"Sasuke, é melhor você desfranzir essa testa, ou essa linha vai ficar ai." Itachi sorriu e percorreu com os dedos a testa do caçula.

"Eu prefiro que fique, quem sabe assim eu fico mais feio e nenhuma mulher se interessará em casar comigo."

Itachi gargalhou alto dessa vez, e após se acalmar depositou um beijo leve na testa de Sasuke. "Vai precisar de muito mais do que uma ruga para você ficar feio, irmãozinho. Bom jantar com os Haruno." O primogênito saiu, deixando um Sasuke aborrecido para trás.

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Shisui Uchiha esperava pacientemente nas escadarias da mansão Principal da família Uchiha. Cada irmão tinha suas terras, apesar de todas fazerem parte do complexo que era a propriedade total da família.

"Você demorou Itachi. Eu estava prestes a ir sem você." Shisui sorriu discretamente ao avistar o primo.

"Me perdoe, eu estava acalmando a donzela..." Ambos riram, era uma piada interna comparar Sasuke com uma garota, afinal na maioria das vezes ele agia como uma.

Itachi e Shisui cavalgaram até o acampamento da Lybica. Jogando um pouco de conversa fora e sorrindo a maior parte do tempo. Além de primos, eles eram melhores amigos. Apesar de todo o amor que ele sentia por Sasuke, o caçula não o compreendia no mesmo nível que Shisui, e vice-versa. O mais velho era o segundo em comando na centúria de Itachi, se algo acontecesse ele assumiria o controle. Mas apesar da posição de comando, Itachi sempre consultava Shisui, para qualquer decisão que fosse tomar, não por necessidade de aprovação, ele confiava no próprio julgamento, mas por respeito ao seu amigo.

Um pouco antes de chegar ao acampamento da Libyca, Itachi diminui a velocidade de sua cavalgada, ato que foi automaticamente repetido pelo outro. O mais novo olhava de um lado para o outro, com um pouco de receio do que seria dito á seguir.

"Shisui, eu sinto que algo perturbará a paz em que Roma vive atualmente." Itachi disse tudo de uma vez, e analisou as expressões de Shisui, que passaram por um breve segundo de surpresa, para logo após retornar á serenidade anterior.

"Com base em que você me diz isso Itachi?" Shisui questionou.

O moreno hesitou por alguns instantes, afinal aquela informação comprometeria a estabilidade de sua família também. Porém ele confiava em Shisui acima de tudo, e com certeza precisaria da ajuda de alguém se algo ocorresse.

"Nós ficamos fora durante alguns meses com a Libyca, conferindo as tribos aliadas e cidades vizinhas. Quando eu voltei para casa Fugaku estava diferente, ele me evitava e... bem, eu ouvi algumas conversas. Itachi suspirou pesadamente, então prosseguiu. "Há um homem que frequentemente visita nossa casa, não pude vê-lo afinal meu pai faz o possível para que ninguém o veja, inclusive a maioria dos seus encontros são noturnos." Eles estavam se aproximando do acampamento, então Itachi certificou-se de que não havia nenhuma pessoa ao redor. " Na ultima conversa que pude ouvir, tive certeza das intenções daquele homem, ele está tentando incitar meu pai a aumentar seu poder, mas não pela política e sim através da força." Shisui ouvia cada palavra com atenção, àquelas informações completavam algumas desconfianças que ele estava alimentando também.

"Eu ouvi algumas conversas entre Fugaku e outros membros do clã, mas nada de muito alarmante. Por ora vamos apenas observar já que não há nada a ser feito. Lhe asseguro que seu pai não fará nada sem pedir a sua ajuda. Ele sabe como você é importante. Agora vamos que já está na hora de assumirmos o nosso turno." Shisui finalizou aquele assunto, e ambos seguiram para a Lybica, onde seus homens já estavam prontos para marchar até a cidade.(5)

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Sasuke estava nervoso. Batia os pés incessantemente no assoalho de madeira, o que causava um som constante, que embora estivesse perturbando os outros presentes, não ousaram interrompe-lo.

"Sasuke, está ansioso para juntar-se a legião? Sasuke você oque você espera desse torneio? Sasuke, você sabia que Sakura recebeu sua educação na Grécia? Sasuke como se sente sendo um dos melhores partidos de Roma? Sasuke, Sasuke, Sasuke!"

Aquele interrogatório interminável estava acabando com a pouca paciência que restava ao moreno. Seu rosto estava vermelho, e sua cabeça parecia que ia explodir. Sentia vontade de correr porta á fora a cada vez que ouvia seu nome ser pronunciado. "Itachi vai me pagar, e Shisui também ele está junto nisso tenho certeza. Os malditos são mais velhos que eu e não estão casados, e me jogaram aqui neste jantar dos infernos." A única coisa que conseguia manter a sanidade no rapaz e evitava que ele deixasse aquela lugar eram os planos que estava arquitetando contra o primo e o irmão. Ele constatou que se a garota de cabelos róseos que estava sentada ao seu lado se aproximasse mais uma vez, ele vomitaria. O perfume doce impregnava o ambiente, e agravava a dor de cabeça de Sasuke, que não suportava doces de forma alguma.

"Você está apreciando a refeição, Sasuke?" A mãe de Sakura questionou.

Apesar do moreno realmente estar gostando da refeição, que era um porco assado ao molho de tomate, ele estava fazendo o possível para ser desagradável aquela noite.

"Apesar de TUDO a refeição está realmente agradável." Sasuke sorriu ironicamente, e seu olhar cruzou-se com o de Fugaku, que no momento gostaria de Bater em Sasuke até a pele branca mudar de cor.

"Sakura que fez o molho de tomates, sua mãe me havia dito que você gosta." A senhora Haruno insistiu, apesar de não apreciar o comportamento do rapaz, a parceria entre as duas famílias era muito importante.

"Ai está uma habilidade de Sakura que possa ser aproveitada, das tantas que me foram mencionadas hoje." O moreno sorriu novamente ao perceber que o rosto de Fugaku estava adotando uma coloração diferente, e continuou a comer.

Sakura que havia se pronunciado pouco durante todo o jantar, parecia estar selecionando as palavras de Sasuke, e de toda a frase anterior o que havia compreendido era: "Eu gostei da sua comida, você é boa." Um sorriso aberto havia se formado no rosto da rosada, que parecia não notar mais nada ao seu redor além de Sasuke. Seus olhos mapeavam cada parte daquele corpo. O braço forte exposto na toga, a clavícula que emoldurava um pescoço elegante, o rosto alinhado, os olhos profundos negros que não revelavam nada daquele que os possuía, e finalmente os seus lábios, que pareciam ter sido desenhados á mão por algum Deus. O jovem possuía uma beleza que beirava á vulgaridade de tão atraente, que dominava e ofuscava todo o espaço em volta de si.

O jantar seguiu sem maiores problemas, apesar da acidez constante de Sasuke. A família Haruno era uma importante aliada, e uma união das duas famílias só traria vantagens para ambos os lados. Embora Kizashi Haruno não fosse uma força expressiva no meio militar Romano, ele era um homem muito influente na política. A sua família era uma das mais tradicionais a ocupar um assento no senado. E Fugaku precisaria de todos os aliados que pudesse reunir daqui pra frente.

O sábado passou rapidamente, com todas as preparações sendo feitas para o espetáculo que seria o torneio. O centro de Roma estava tão saturado de pessoas que a locomoção das carroças com produtos estava difícil de ser realizada. Alguns soldados da Libyca foram designados para esvaziar as ruas e coordenar a passagem dos mantimentos. Os donos de bares e restaurantes estavam rindo á toa com todo aquele movimento.

Cada um dos homens estava se preparando á sua maneira para o torneio. Sasuke lustrava a sua armadura com óleo, ele tinha consciência de que além de um torneio aquilo era um espetáculo, então gostaria de estar em sua melhor aparência. Apesar da armadura oficial do torneio ser a Lorica Hamata(6) cada uma delas contava com suas particularidades.

Naruto e Lee estavam na cidade, rondando o Coliseu e tentando penetrar para ver alguma coisa. Porém o local estava de portas fechadas e com vários legionários protegendo o lugar. Após algumas tentativas infrutíferas de entrar, ambos desistiram e foram descansar Naruto em sua casa e Lee no acampamento da legião.

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Após uma merecida noite de sono que foi aproveitada pelos legionários, o sol anunciava a chegada de um novo dia, e com ele o tão esperado torneio.


N/A:

1- Hanako Hyuuga: O personagem realmente existe, mas esse nome é OC, eu tive que cria-lo pois nunca foi mencionado o nome da matriarca Hyuuga, nem em cannon e nem em filler.

2- Hinata filha única: Eu decidi não incluir a Hanabi aqui, por que ela não acrescentaria nada ao enredo. Decidi criar essa nota para explicar o motivo de ela não existir: Ela foi morta ao nascer. As famílias Romanas eram adeptas ao costume de ter somente uma filha mulher na família, se havia duas era excepcional.

3- Puzzle: Quebra-cabeças. Coloquei em inglês porque ficou melhor rs.

4- Na Roma antiga o comportamento homossexual não era condenado, porém haviam algumas regras e restrições. Utilizar os escravos ou companheiros mais jovens para a gratificação sexual do mestre era considerado legítimo mesmo contra a vontade do escravo. Por isso, era aceitável que um cidadão romano adulto penetrasse seu escravo, sendo homem ou mulher, porém, aquele que era penetrado não era bem visto pelas outras pessoas. Assim, o termo catamita, jovem servo sexual passivo, era comumente utilizado para insultar ou ridicularizar alguém. E isso inclui felação, que foi o motivo da repreensão de Neji.

5- Os acampamentos das legiões ficavam ao redor de Roma, nunca dentro da cidade. Essa precaução era tida para evitar algum tipo de golpe militar. As únicas situações em que alguma legião completa era permitida em Roma, era durante um triunfo, uma festa que comemorava algum tipo de conquista militar.

6- Lorica Hamata: A Lorica Hamata foi utilizada pelos legionários primários e pelas tropas auxiliares secundárias. Ela era principalmente produzida através do bronze ou do ferro. Essa armadura era feita alternando e entrelaçando linhas de anéis verticais e horizontais para tornar a armadura flexível. Demonstrou-se que esse tipo de armadura funcionava como uma proteção muito fraca contra ataques de flechas. Porém garantia uma boa mobilidade, por isso era a melhor opção para o uso em torneios.