Disclaimer: Os personagens pertencem a Masashi Kishimoto, porém o enredo é de minha autoria.

Avisos: Violência, Linguagem chula, Mortes, Tortura, Cenas explicitas de sexo homossexual e Incesto.

N/A: *Faíscas e chamas negras surgem em uma explosão* Voltei do meu tempo no limpo pessoal! O/

Fazem 8 meses que eu não atualizo :O Nem eu percebi que fazia tanto. Mas como prometido, eu não abandonei a fanfic. Tive meus motivos para não escrever durante tanto tempo, e vou explica-los para vocês.

Primeiramente, eu iniciei um cursinho pré-vestibular em Julho do ano passado, e o valor da mensalidade era muito alto, então para ajudar nas despesas de casa eu comecei a trabalhar, durante meio período.

Com isso me restava apenas um turno para estudar, e eu não podia, nem conseguia gastar o meu tempo com outra coisa. Eu trabalhava no mesmo lugar onde morava, e lá o expediente começava as 6 da manhã para alguns funcionários, então a partir dessa hora eu simplesmente não conseguia dormir por causa do barulho, eu acabava por dormir à tarde, e isso diminuía ainda mais meu tempo para estudar.

Depois de um mês nesse ritmo, eu resolvi mudar o horário do meu curso que era noturno, para vespertino. Pensei que melhoraria meu desempenho, mas na época me pareceu apenas piorar as coisas. Como eu já havia mudado uma vez de horário, resolvi não mudar minha grade de novo.

Faltando um mês e meio para o fim do cursinho, eu desisti do trabalho porque simplesmente eu não conseguia mais manter aquela rotina, meus estudos que eram para ser minha prioridade estavam em segundo plano, e a pressão da minha casa estava enorme, principalmente por ser meus pais quem pagaram o cursinho.

Entretanto, contra todas as minhas expectativas eu consegui passar no vestibular da UFSC (federal de Santa Catarina) ! E na primeira chamada ainda por cima. Isso significa que dia 9 começam minhas aulas, e eu não poderia estar mais feliz! o/ o/

Após o termino das minhas aulas, eu comecei a trabalhar na praia, aqui onde eu moro é uma cidade turística e no verão é praticamente só isso que se faz aqui: recebe turistas. Esse trabalho era exaustivo, e tomava 12 horas do meu dia (ou mais) e eu não tinha folgas, então simplesmente era impossível de escrever.

Na última semana como o trabalho estava mais 'ameno' eu consegui escrever um pouco, e finalizei ontem esse capítulo.

A sensação de dever cumprido toma conta XD. Daqui pra frente as postagens voltam a ser 1 vez por mês. Eu pretendo escrever mais do que isso, e até iniciar outros projetos meus que estão parados tem um bom tempo, mas eu não sei como será o ritmo na faculdade, então não prometo nada que eu talvez não vá cumprir.

Obrigado aos fiéis que não desistiram de mim nesse tempo todo, e também os leitores novos.

Capítulo revisado pela minha diva, linda e maravilhosa PCSPUzumaki. (Não sei o que faria sem você, baby 3 )

Boa Leitura!


Os Portões de Roma - Capítulo X

Uma carruagem percorria seu caminho tranquilamente pelas ruas da cidade. A pior parte do percurso se fora foi, pois o criado que a guiava conhecia bem as vielas e atalhos de Roma e, em poucos minutos, conseguiu deixar o centro da cidade e a multidão que festava compulsivamente. Dali em diante o trajeto era tranquilo e as ruas bem pavimentadas, visto que o veículo se dirigia à parte mais rica da cidade.

Shikamaru estava sentado na parte de trás de sua carruagem, com a cabeça encostada no estofamento, relaxando o seu corpo. O seu pé doía pouco, principalmente porque o legionário ainda estava sobre o efeito do opiáceo que lhe fora aplicado com o objetivo de minimizar as dores durante o tratamento médico. Além desse efeito, o medicamento também provocava sono e uma pequena confusão mental.

O rapaz estava quase dormindo quando foi surpreendido. A pequena porta de entrada da carruagem se abrira, isso obviamente não seria problema algum se ela não estivesse em movimento! O legionário se afastou da entrada instintivamente, e apesar de estar parcialmente dopado ele mantinha uma adaga na mão, ficando em posição de ataque assim que o intruso conseguiu entrar no pequeno espaço.

"Quem diabos é você, bastardo?" Shikamaru disse enquanto apontava a ponta de sua lâmina para o rosto do invasor. Após alguns segundos de silêncio total por ambas as partes, o moreno reconheceu quem era, assim abaixando a adaga e se acomodando novamente no seu assento.

A posição dele era aparentemente relaxada, entretanto o legionário estava pronto para responder à qualquer movimentação repentina.

"Abadir, certo? Qual o motivo dessa invasão?" Shikamaru suspirava fundo enquanto tentava ao máximo conter os efeitos do ópio no seu organismo, ele precisava estar totalmente alerta e no momento isso não era uma tarefa fácil. O estrangeiro não empunhava nenhuma arma, mas sua longa espada, a mesma utilizada no torneio, estava embainhada em suas costas.

"Eu vim apenas te dar um aviso, Shikamaru Nara. Não comente com ninguém sobre o que você viu hoje, ou eu acabarei com a sua vida tão facilmente quanto eu entrei aqui. Você entendeu?" Os olhos verdes que podiam ser vistos através do lenço fitavam o legionário intensamente, tentando analisar se o seu segredo estaria seguro ou não.

"Argh... Que problemático." O moreno relaxou seu corpo visivelmente quando percebeu o motivo da invasão do outro, ainda sim mantinha a sua adaga em mãos, por precaução. "Eu não tenho o menor interesse na sua vida, Abadir. Apesar de você ter ganho de mim no torneio, eu não guardo rancores. Nossa luta foi justa, e sua vitória foi honesta. Para ser sincero, eu não queria nem participar."

Shikamaru sentia seu corpo e mente protestarem, ele realmente precisava dormir, e não o faria enquanto o estrangeiro estivesse ali.

"Agora se a sua única preocupação era com uma possível retaliação pela sua vitória, pode seguir seu caminho sem ela." O moreno bocejou enquanto via o outro abrindo a porta e se preparando para pular da carruagem em movimento.

"Espero que isso seja verdade, Shikamaru. Para o seu bem." Com essas palavras pronunciadas em um latim pobre, o estrangeiro saiu, tão rapidamente quanto entrou, deixando um legionário muito confuso para trás. Assim que se viu sozinho, o moreno deixou que o medicamento agisse livre e dormiu rapidamente.

-oOo-

Após uma noite, que não parecia o suficiente nem para os finalistas cansados, muito menos para aqueles que estavam festejando. O penúltimo dia do torneio se iniciava. Algumas nuvens se espalhavam pelo céu, aliviando o tormento daqueles que lutariam e da maioria dos expectadores que recebiam o calor do sol diretamente.

Como haveriam apenas duas lutas naquele dia, Fugaku e os outros organizadores do torneio decidiram dividi-las entre manhã e tarde, para que os ingressos realmente valessem o dinheiro que era cobrado por eles. Durante o tempo que restava, foram programadas diversas atrações para entreter o público, e mesmo que as lutas fossem o espetáculo principal, as apresentações certamente agradariam a todos.

O relógio marcava dez horas da manhã quando a primeira luta do dia era anunciada. Todos estavam muito ansiosos para saber qual dupla lutaria, e os agentes de apostas estavam prontos para o tumulto que viria após esse anúncio.

A arquibancada permanecia em silêncio enquanto o juiz caminhava lentamente até o centro da arena. O homem estava fazendo aquilo de propósito, ele sabia como todos ansiavam por aquele anúncio e fazê-los esperar certamente proporcionava a si uma sensação de poder. Quando ele chegou até o centro do anfiteatro, as trombetas soaram como um pedido de silêncio, não que fosse necessário, pois poucos eram aqueles que não estavam apenas aguardando pelas palavras do homem.

"Olá, povo de Roma! Neste penúltimo dia de torneio, venho anunciar as duplas que realizarão os combates." O homem pigarreou, e deu uma boa olhada para a arquibancada, que estava totalmente em silêncio. Um ajudante o entregou uma folha de pergaminho, onde continham os nomes das duplas. "A primeira luta do dia, será de: Neji Hyuuga contra Sasuke Uchiha." O burburinho se iniciou, e no mesmo instante os agentes de apostas já estavam rodeados pelos homens querendo gastar seus denários.

"Obviamente, a luta final do dia será de Naruto Namikaze, contra o único estrangeiro que conseguiu chegar tão longe na disputa, Abadir Galém." Após concluir sua fala, o homem rapidamente deixou o local. Agora o falatório era geral, o povo fazia suas apostas, e palpitavam sobre quem ganharia ou não, sempre dando suas opiniões sobre cada um dos lutadores.

Sasuke, que estava no camarote consular imediatamente desceu as escadas em direção à tenda da Parthica. No caminho recebeu vários desejos de boa sorte, e até algumas orações rápidas dos mais fiéis. O moreno estava realmente animado, pois, após sua luta com Rock Lee, ele sabia que os combates se tornariam interessantes. Poucas coisas conseguiam tirar Sasuke do seu estado letárgico permanente e um desafio real era uma delas.

Mesmo que a família Hyuuga estivesse no camarote dos Namikaze, Neji preferiu permanecer na tenda da legião até a hora de sua luta. Ele simplesmente não conseguiria encarar Naruto e ver aquela decepção estampada sua face novamente. Para não atrapalhar seu desempenho na disputa, realmente essa foi a melhor opção, e o moreno agradeceu aos Deuses por ser o primeiro a duelar e não ter que cruzar com o loiro antes disso.

Meia hora se passou desde que os nomes dos combatentes foram anunciados, tempo suficiente para as apostas e para que os desafiantes se preparassem para a batalha. Um grupo de malabaristas terminou sua apresentação e logo depois a competição de fato teve início.

-oOo-

Assim que os desafiantes foram convocados, a plateia iniciou uma ovação, que só cessou no momento em que o Uchiha e o Hyuuga estavam em suas marcas para o início do combate. Os dois se fitavam intensamente, analisando as características do outro, a forma do corpo, o peso, a altura aproximada, e vários outros fatores que fariam diferença na hora de lutar. Nenhum participante que chegou até tão longe se daria ao luxo de deixar algum detalhe passar despercebido e comprometer a sua vitória.

Os dois se aproximaram lentamente e reverenciaram um ao outro em sinal de respeito. Assim que a trombeta soou, ambos empunharam os gládios e se afastaram de forma defensiva.

Neji, ao ouvir o som que daria início a luta, conseguiu limpar a sua mente de tudo que não envolvesse o seu adversário. Essa habilidade adquirida com as longas campanhas na legião era algo que separava os homens que morriam daqueles que não.

Ambos se movimentavam de forma circular, mantendo uma distância segura um do outro. Sasuke empunhava o gládio horizontalmente na altura de seu peitoral. Mantinha seus ombros curvados, o olhar semicerrado por trás do elmo e a sua forma cautelosa de andar dava ao moreno uma aparência quase felina, como uma pantera pronta para dar o bote em sua presa. Entretanto, Neji não era nenhuma caça indefesa, e antes que o Uchiha pudesse perceber, o outro havia se lançado sobre si, em um movimento curto e rápido, atacando o lado esquerdo, onde Sasuke empunhava seu escudo. Ele se defendeu prontamente, não mostrando nenhuma fraqueza em sua defesa, e Neji se afastou antes que o gládio de Sasuke pudesse alcançar seu espaço pessoal.

O Uchiha ficou intrigado com aquela movimentação, pois era óbvio que um guerreiro do nível dele se defenderia de um ataque simples como este. Mas o recém-legionário não tinha tempo a perder questionando os movimentos do rival, pois tão logo se afastou, Neji atacou novamente, no mesmo lugar. Sem dificuldade, Sasuke repeliu o golpe com o escudo, como fez da primeira vez.

Neji estava formulando uma estratégia, e para distrair o Uchiha desferia esses golpes triviais que, além de manter o outro ocupado com a defesa, não exigiam muito esforço físico de si e mostrava alguns detalhes da forma que Sasuke lutava. O Hyuuga sabia que mesmo assistindo uma batalha, você nunca pode dizer como um homem luta até o momento que enfrenta-lo. Por isso, Neji estava desferindo golpes rápidos, fazendo o outro se acostumar com um ritmo que não era seu, identificar os movimentos dos pés, sendo que isso era apenas uma forma de esconder o seu verdadeiro estilo. Com movimentos fáceis não era difícil realizar essa simulação, e quando a hora chegasse, Sasuke não saberia reagir a um estilo de lutar totalmente diferente.

Após alguns momentos daquele combate ritmado, que mais parecia ser uma dança do que um conflito real, a plateia já estava perdendo o interesse, e algumas pessoas até vaiavam. Sasuke deixou que Neji ditasse a velocidade, pensando que dessa maneira poderia analisar os movimentos do outro, mas sua estratégia fora infrutífera. O Uchiha, tomado por um impulso, colocou o escudo a sua frente e se chocou contra Neji, que recebeu o golpe despreparado e cambaleou para trás, quase caindo no chão se não fosse mantido pelos seus pés firmes.

O Hyuuga sorriu discretamente e, impulsionando-se no chão de areia, correu novamente em direção ao outro, atacando com uma velocidade impressionante, e focando nos pontos em que Sasuke não concentrava a sua defesa, como ombros e coxa. Mantendo sempre o escudo a sua frente, Neji encontrou uma brecha para atacar. Sasuke apostou em um golpe forte, levando o seu braço para trás e impulsionando com toda a sua força, mirando no ombro esquerdo de Neji.

Apesar de ter sido um golpe simples, o ataque de Sasuke obteve sucesso, conseguindo abrir um corte no braço do outro, que fora obrigado a largar o seu escudo no chão. Nesse tipo de combate um a um é normal um pequeno deslize decidir uma luta, ou mudar totalmente o rumo dela. Neji fazia um trabalho ótimo em conter a dor e continuar lutando, e Sasuke prestou muita atenção nisso.

O Uchiha ainda estava em perigo, apesar de estar com vantagem na batalha. Neji já vira a morte de perto, já matou homens, ele tinha a capacidade de não hesitar, mas Sasuke, apesar de toda a pose não possuía essa habilidade, e isso era algo do conhecimento do seu rival.

Neji mudou totalmente sua estratégia de luta, agora que tinha um braço ferido. O legionário estava ciente do ponto fraco de Sasuke e decidiu usar isso a seu favor. Sem aviso prévio, Neji se lançou em direção ao rival, sem escudo e aparentemente sem medo também. O Uchiha posicionou seu gládio em forma de ataque e, antes que pudesse raciocinar, o Hyuuga estava com a lâmina de Sasuke no pescoço. Só bastaria um movimento da mão dele e o outro poderia perder a sua vida, mas ele não era assim, não tinha essa capacidade ainda. O legionário aproveitou a oportunidade e afundou sua lâmina no ombro desprotegido de Sasuke.

O menor Urrava de dor, enquanto Neji perfurava a sua carne com aquela lâmina afiada. Sasuke caiu no chão com um baque seco de sua armadura, com o outro sobre si, ofegante. A plateia ficou em silêncio imediatamente, muito surpresos para sequer formular uma frase. Mas a cena que viria a seguir os impressionaria muito mais.

Sasuke, em um movimento puramente impulsionado pela adrenalina que percorria seu corpo, segurou firmemente o gládio que tinha em suas mãos e, sem tempo para pensar duas vezes, cravou o metal sujo de sua lâmina na coxa desprotegida de Neji, parando quando seu braço não teve mais força para continuar. Um breve sorriso satisfeito passou pelo rosto de Sasuke, mais sumiu tão logo apareceu.

Neji cambaleou para trás, com sangue escorrendo por sua túnica e pingando no chão, formando uma pequena poça ao seu redor. O moreno conseguiu se manter em pé por mais alguns segundos, até que seu corpo ficasse fora de seu controle e ele colidisse com o chão arenoso. A cabeça de Neji encontrou o solo com um baque audível, fazendo-o desmaiar subitamente.

No mesmo instante, Sasuke se rendeu à sua dor e gritou com toda sua força, esperando que aquele ato desesperado aliviasse de alguma forma a agonia. Com um tremendo esforço, o Uchiha conseguiu se pôr de pé, assim assegurando sua vitória oficialmente. Logo após isso ele se sucumbiu à inconsciência.

A plateia se dividia entre aqueles que timidamente faziam uma comemoração pela vitória de Sasuke e aqueles que preferiram ficar em silêncio, ainda chocados e sem reação. As duas famílias estavam entre as mais antigas dessa cidade, e ver dois de seus filhos assim afetava Roma praticamente por inteiro, pois ninguém sabia qual era a situação real deles.

Ambos foram levados em macas para fora da arena; nenhum representante do torneio se pronunciou durante meia hora.

-oOo-

Ainda impressionados com a cena que presenciaram a pouco, a plateia inteira conversava silenciosamente, como se estivessem contando algum segredo entre si. Pouca atenção foi dada às apresentações que vieram em seguida e somente após a pausa para o almoço a animação aos poucos voltava para aquela multidão romana.

As apostas estavam mais calmas, pois eram poucos aqueles que depositariam a sua confiança (e dinheiro) em um estrangeiro desconhecido contra um legionário, filho do Consul e, principalmente, cidadão Romano. As apostas a favor de Naruto eram muitas e grande parte dos expectadores optava por nem apostar no Namikaze, já que o retorno seria ínfimo em caso de vitória. Alguns com mais posse tentavam a sorte, apostando em Abadir, pois se caso ele fosse bem-sucedido um simples denário poderia rendê-los uma pequena fortuna.

Um encantador de serpentes era o espetáculo apresentado antes da segunda luta do dia. A atração era rara, vinda diretamente de uma terra distante e exótica. Fugaku realmente se empenhou na organização do torneio, fato visto nos detalhes e nas atrações trazidas. Mesmo ansiosos com a luta que viria a seguir, praticamente toda a plateia cessou sua conversa para prestar atenção no que o estranho homem de pele escura fazia. Duas cobras Naja se moviam de acordo com o som da flauta, e todos ficaram muito impressionados com a coragem e habilidade dele.

Dez minutos se passaram após o encantador de serpentes deixar a arena, e finalmente a luta foi anunciada. Apesar de estar preocupado com a condição de Neji, Naruto estava animado, e mal conseguia conter a sua ânsia de enfrentar o forasteiro, visto que até agora o loiro não teve a sorte de combater alguém que não fosse conterrâneo seu. Mesmo lutando no passado com estrangeiros, nenhuma experiência que teve até agora poderia se comparar com o que viria a seguir, e ele sabia disso.

Abadir Galém fazia algumas orações silenciosas para o seu Deus, e apesar de ter chego tão longe na competição, provando o seu valor, o homem ainda recebia alguns olhares de desgosto dos criados que serviam a tenda dos lutadores sem estandarte. A xenofobia era muito forte e presente em Roma, e a despeito de que aquilo não fosse dito em voz, alta ninguém gostava de ter um forasteiro ocupando o lugar de algum filho de Roma na disputa.

Naruto caminhava lentamente até o centro do anfiteatro, acenando para todos da plateia, até mandando beijos para algumas garotas mais próximas. O garoto era carismático, um líder nato, e isso ninguém podia negar. Quando finalmente chegou em sua marca, parou e analisou o físico de seu rival.

Abadir tinha uma estatura menor do que todos os outros concorrentes, e isso chamava a atenção. Naruto, distraído como era não percebera até o presente momento a grande diferença e isso certamente o impressionou. O loiro, em seus um metro e noventa centímetros estava surpreso com o corpo pequenino diante de si. O estrangeiro mantinha a sua espada longa abaixada ao seu lado, e a arma tão grande era que a sua ponta encostava no solo. Se Naruto provocou alguma reação no outro era impossível dizer, pois o lenço que Abadir usava escondia qualquer expressão.

Em seguida a uma breve reverência entre os adversários, o sinal de início foi dado. Abadir rapidamente empunhou a longa espada, que poderia facilmente ter a metade de sua altura. Naruto sem delongas se afastou a uma distância segura, afinal com uma arma daquele tamanho o campo de alcance do rival era muito maior que o seu. O loiro assistira anteriormente com atenção a luta de Shikamaru contra o forasteiro, e com isso pôde fazer algumas observações que lhe seriam úteis agora.

Abadir manuseava sua espada com maestria, e fazendo movimentos aleatórios se aproximou rapidamente de Naruto, que tentava prever de onde viria o ataque. No entanto, isso era praticamente impossível dada a velocidade em que se movia o menor.

Antes que pudesse desviar, uma lâmina longa e fina veio em sua direção, e o legionário só conseguiu defender o golpe pois tinha o escudo em mãos. O metal da arma se chocou com o metal do escudo, criando um ruído desagradável. O Namikaze impulsionou seu corpo para a frente, assim empurrando o estrangeiro e criando novamente uma distância segura entre eles.

Abadir sorria por trás do lenço negro, isso porque ele percebeu a dificuldade de Naruto em enfrentá-lo. Antes que o loiro pudesse raciocinar o estrangeiro impulsionou-se e correu em sua direção, atacando tão rápido quanto ele conseguia repelir. Ainda que estivesse ditando o ritmo da luta, o forasteiro sabia que ainda não possuía uma vantagem real, pois o romano tinha um movimento de pés excelentes, aliado a um equilíbrio perfeito. Seria difícil para o pequeno causar alguma instabilidade em Naruto com sua força consideravelmente menor. Era questão de tempo até o legionário se acostumar com os movimentos rápidos e acrobáticos do outro.

Naruto claramente estava confuso. Apesar de sua defesa impecável o loiro não conseguia ver uma brecha que fosse suficientemente boa para atacar. Cada vez que conseguia criar uma abertura o estrangeiro se desviava com facilidade em movimentos fluidos. Na sua última tentativa, o loiro abismou-se com a elasticidade e agilidade do outro. Aquele jogo de ataques rápidos e desvios no último segundo se tornara perigoso para ambos. Mesmo não torcendo a favor do forasteiro, a plateia simplesmente não conseguia tirar os olhos do lutador tão extravagante.

Quando Naruto conseguiu criar um espaço cauteloso entre os dois para que recuperasse seu fôlego, Abadir atacou repentinamente, apostando o tempo precioso de descanso para tentar um golpe que desse fim a disputa. Sua lâmina ficou turva no ar enquanto girava na direção das pernas de Naruto, e o jovem romano desviou para o lado, se protegendo com um tinir de metal. O legionário não contra-atacou, e por um instante Abadir desequilibrou-se. A fenda estreita revelava seus olhos, que permaneceram impassíveis enquanto ele dava de ombros e se adiantava novamente, com a espada comprida cortando uma curva no ar.

Naruto desligou-se da batalha e de tudo ao seu redor por um breve instante, lembrando-se de um dos primeiros treinos que tivera na vida, com Jiraya. Os golpes desferidos pelo outro foram repelidos quase mecanicamente enquanto o loiro buscava em sua memória a estratégia necessária para vencer aquele combate.

"Naruto, Sai está ditando totalmente essa luta. Reaja garoto." Jiraya se divertia enquanto treinava os dois. Talvez porque lembrava de si mesmo quando jovem, ou porque realmente era engraçado ver os golpes lentos e desengonçados dos pequenos.

"Ele é mais rápido que eu, o maldito. Talvez se eu fosse menor conseguiria acompanhar." O loiro tentava se justificar enquanto defendia um ataque bem formulado do outro.

"A velocidade é adquirida com treinamento. O seu tamanho não quer dizer nada. Mas se um dia você realmente enfrentar alguém que seja mais veloz que você, não tente acompanhar. Seja uma barreira impenetrável e imóvel, se concentre no que você pode fazer, que é atacar." Jiraya mal terminara a frase e Naruto estava no chão, com o pé direito de Sai em seu tronco, o impedindo de se mover. A gargalhada do velho era alta, intensificando a irritação de Naruto que se debatia na lama tentando se soltar.

Após seu momento de reflexão, Naruto respirou fundo e traçou um risco na areia com seus pés. O gesto intrigou o adversário que usou o tempo para recuperar seu fôlego, retornando seus ataques numa série rápida de golpes. Naruto determinou naquele instante que não atravessaria aquela linha na areia. Quando a lâmina de Abadir se movia para alcança-lo, era bloqueada com um movimento curto do gládio. Quando o golpe era apenas uma ameaça para enganar, Naruto o ignorava, mesmo quando ele passava suficientemente perto para ele ouvi-lo cortando o ar. Abadir estava respirando com força enquanto a multidão levantava a voz diante de cada ataque.

Imóvel, Naruto agora comandava a luta. Se antes ele se esforçava para atingir a velocidade do estrangeiro, agora ele ignorava-a totalmente, recuperando seu fôlego e podendo analisar melhor alguma possível oportunidade de ataque. A plateia estava vibrando a cada tintilar de espadas, pois a inércia do loiro aos seus olhos parecia um deboche ao rival.

Embora a estratégia de Naruto fosse confundida com prepotência, o legionário em momento algum menosprezou a capacidade do outro, afinal esse homem venceu Shikamaru! Quando seus gestos se padronizaram de acordo com os ataques do outro, o rapaz realizou um movimento que surpreendeu todos. Enquanto recebia um ataque longo e curvilíneo em sua direção, Naruto lançou seu escudo para longe e desviou rapidamente do ataque se abaixando. O fio da espada errou por centímetros sua cabeça e, antes que Abadir pudesse processar o que acontecia, Naruto disparou para frente, parando a espada longa com seu gládio curto e com um impulso bem direcionado conseguiu derrubar a arma de Abadir.

A desvantagem de se usar uma espada tão longa é sua falta de estabilidade, somada à força consideravelmente maior de Naruto fizeram não ser uma tarefa difícil desarmar o estrangeiro. Tão logo quanto neutralizou os ataques do outro, o legionário encerrou a luta impulsionando seu gládio em um golpe assustadoramente rápido e certeiro.

O povo nas arquibancadas segurou o ar por um segundo, esperando assistir à uma morte brutal, e não por isso menos bela. Porém para a surpresa de todos o legionário estagnou sua lâmina poucos centímetros antes de atingir o único lugar visível no rosto de Abadir. O estrangeiro cerrou os olhos, e para sua surpresa ao abri-los ainda estava vivo, com um gládio perigosamente perto de si.

Ambos permaneceram imóveis até que o juiz declarasse a vitória de Naruto. A plateia aplaudia incessantemente aquela disputa que sem dúvidas fora a mais interessante até agora. Naruto ofegava quando deixou que sua arma caísse no chão, seu sorriso inconfundível agora dominava o rosto, mudando totalmente a aparência do rapaz.

Abadir saia silenciosamente da arena, totalmente frustrado com a sua derrota, porém intrigado com aquele que foi o primeiro romano a lhe mostrar um pouco de compaixão desde que pisou os pés pela primeira vez naquela cidade.

-oOo-

Enquanto a última luta do dia acontecia na Arena localizada a poucos metros dali, Neji Hyuuga deixava o posto médico, caminhando sozinho, contando apenas com a ajuda de uma bengala de madeira. Era possível para o moreno se locomover sem a ajuda do instrumento, mas a sua perna ferida ainda estava um pouco dormente.

Hanako e Hinata ajudavam o legionário, que estava extremamente incomodado pela atenção exagerada que recebia. Em batalhas ele já sofreu ferimentos muito piores, e mesmo assim matou alguns homens antes de sucumbir. Isso para ele não era nada, entretanto mesmo explicando a situação as duas mulheres não conseguiam deixar de se preocupar, afinal elas não eram acostumadas a vê-lo dessa forma.

Na carruagem o falatório continuou sem parar, Hanako repetia as recomendações do médico, e planejava a melhor forma de cumpri-las, como por exemplo o repouso de Neji, ou a troca diária do curativo com ervas medicinais preparadas em pasta. A mulher tentava se recordar das ervas que possuía no seu jardim, nomeando-as e tomando nota daquelas que teria que conseguir em outro lugar. Hinata apesar de pouco adicionar na conversa, também não interrompia a mãe, e concordava com ela apesar dos olhares suplicantes que Neji a lançava esporadicamente.

"Chega, eu não aguento mais. Vou sair." Neji anunciou e imediatamente assobiou alto para o cocheiro, que logo parou a diligência. O rapaz recolhia seus objetos que estavam no assento e, mesmo sob protestos e súplicas das duas mulheres, desceu do transporte sem nenhuma intenção de voltar. Ele andava com certa dificuldade, mas mesmo assim era preferível do que continuar ouvindo aquele discurso interminável de sua tia. O legionário instruiu ao servo que levasse as duas com segurança até a mansão Hyuuga, e que voltasse depois para lhe buscar, informando para ele o lugar onde poderia encontrá-lo. O homem assentiu e partiu levando as duas mulheres.

Neji estava próximo do seu destino, ele aguentou por tanto tempo a conversa de sua tia pois esperava o momento certo para deixar o transporte. Mesmo podendo andar, ele sabia que se recuperaria mais rapidamente se não o fizesse. Em menos de três minutos em seu ritmo lento, o Hyuuga já estava no estabelecimento que desejava: A casa de banhos.

Os dois ex-legionários que faziam a segurança do local estavam em alerta, pois a cidade estava lotada e homens de todos os tipos apareciam ali, inclusive aqueles que não poderiam pagar pelos serviços oferecidos, sua função era manter a ordem e expulsar esse tipo de sujeito. Todavia Neji Hyuuga era um frequentador assíduo do local, e sem que uma palavra fosse dita, sua entrada fora permitida.

O homem que comandava o local estava ocupadíssimo, administrando as vinte salas privadas de banho que haviam no estabelecimento e, além disso, o banho público principal, onde estavam aqueles que não podiam pagar pelo tratamento exclusivo. Mesmo assim, no momento em que viu Neji o homem corpulento deixou algumas instruções silenciosas para o seu empregado e logo fora atendê-lo. A bajulação em Roma para os filhos do Senado não era nem disfarçada e, apesar de não gostar de ter olhos em suas costas constantemente, o Hyuuga não podia reclamar do tratamento que recebia.

"Olá Neji, senti sua falta." O homem cumprimentou o rapaz com uma breve reverência. "Meus parabéns pelo espetáculo hoje, filho. Nunca vi coisa melhor. O Uchiha ganhou por questão de sorte, você ditou toda a batalha, Neji." O homem tocou levemente nas costas do legionário, indicando a sala privada onde ele ficaria.

Neji começou sua caminhada lenta, pensando apenas no toque suave da água quente e de mãos habilidosas percorrendo todo seu corpo. O breve pensamento o fez estremecer por inteiro.

"Aqui está." Disse o homem enquanto abria uma porta metálica, o vapor saiu com uma onda, após revelando o luxuoso aposento. O dono deixou que o moreno entrasse, e logo após avisou: "O rapaz que o atende sempre não se encontra hoje, ele estava um pouco indisposto por isso eu o mandei para casa. Mas eu sei que você gosta de rapazes exóticos, então tenho a pessoa certa para substituí-lo." O homem piscou e logo deixou o local.

Quanto ao gosto "exótico" ele se referia ao menino que sempre atendia Neji. Um rapaz loiro, com olhos azuis. Não passava dos seus 15 anos, magro, embora tivesse o corpo definido. Poderia ser facilmente confundido com uma versão mais jovem de Naruto, uma antes dos treinamentos intensivos se iniciarem. Neji ria de sua própria decadência cada vez que recorria aos serviços daquele local, mas era a única opção viável para manter sua sanidade mental.

Assim que se viu sozinho no lugar, Neji retirou aos poucos sua roupa revelando o resultado dos dias de torneio em sua pele clara. Era evidente que a defesa de Neji era impecável, porque além do ferimento que Sasuke fez, ele não tinha nenhum outro hematoma preocupante. Apenas alguns arroxeados espalhados aleatoriamente. Após se despir por completo, ele dobrou cuidadosamente suas roupas e junto com todos seus pertences deixou sob uma mesa, que estava cuidadosamente preparada com vinho, frutas e óleos de todos os tipos, que seriam usados para o banho.

Com a familiaridade de quem frequentava sempre o local, Neji buscou seus óleos favoritos, trouxe a jarra inteira de vinho e finalmente entrou naquela agua escaldante. O moreno sentia seu corpo relaxar, e a medida que afundava-se na água os problemas do decorrer do dia se tornavam insignificantes. Dessa forma ele conseguia relaxar, nem que fosse por poucas horas. Os cabelos longos estavam soltos, flutuando sob a água enquanto Neji se submergia por completo.

Ainda embaixo d'água, Neji ouviu a porta se abrir com um ruído. Ele presumiu que era o seu acompanhante. O moreno deslocou-se até a borda da terma, que fora construída exclusivamente para esse tipo de banho. Ele suspirou, cansado, enquanto torcia os longos cabelos com as mãos, e estava de costas para a porta, então não conseguia ver o garoto. Um pouco impaciente, ele chamou.

"Venha cá, eu não vou te machucar." O Hyuuga suspirou cansado, um pouco insatisfeito por não ser recebido pela sua companhia de costume. O que ele não sabia é que o seu acompanhante estava paralisado, tentando encontrar coragem em suas pernas para caminhar até si. Quando o rapaz surgiu na sua frente, o legionário não conseguia acreditar. Seus olhos perolados se estreitaram em uma carranca ameaçadora, que fez o outro cautelosamente dar um passo para trás.

"Os Deuses só podem estar brincando comigo." O moreno massageava as têmporas, com os olhos cerrados e torcendo para aquilo ser algum tipo de alucinação tardia do ópio. Infelizmente ao abri-los novamente ele constatou que aquela era a mais pura realidade: Gaara estava ali na sua frente, imóvel, aguardando alguma instrução.

Neji estava extremamente irritado e frustrado no momento. Ele queria apenas uma noite tranquila para relaxar depois do torneio, era pedir demais? Ao invés disso o que ele tinha no momento era uma lembrança assombrosa de todos os seus problemas na sua frente. O rapaz que ele tinha feito ameaças apenas dois dias atrás. O Hyuuga no momento conseguiu apenas rir de sua má sorte.

"Chame outro garoto para me atender, Gaara." Neji pronunciou o nome do outro com um certo desdém, e para sua surpresa o rapaz aproximou-se de si, se ajoelhando ao seu lado na borda da terma.

"Por favor não faça isso, eu posso perder meu emprego aqui. Ou coisa pior." Apesar de seu corpo estremecer somente em pensar no perigo que corria com a sua insistência, não fora fácil para o ruivo conseguir um lugar que pagasse tão bem pelos seus serviços, e apesar de Kurenai ser como uma mãe para ele, o rapaz não tinha intenção nenhuma de continuar vivendo de favor na casa da mulher. Mesmo que tenha sido um escravo outrora, agora ele era um homem livre e gostaria de viver como tal.

Neji suspirou fundo novamente, ele tinha em seu íntimo a esperança de conseguir ter uma noite normal, apesar desse contratempo, eis que o garoto aparece do seu lado, fazendo pedidos.

"E o que eu tenho a ver com isso exatamente, garoto?" Neji buscou seu copo para enchê-lo de vinho, porém foi interrompido por um par de mãos macias sobre as suas.

"Deixe que eu faço isso, por favor." O legionário imediatamente tirou suas mãos dali, se afastando rapidamente. Gaara encheu o copo e prontamente o entregou para Neji, que a contragosto aceitou.

"Não me toque, seu imundo." Ele bebeu um gole do vinho e continuou a amaldiçoar a própria sorte, silenciosamente. Gaara fez um esforço para não rir daquela frase, afinal, Neji estava ali, procurando outro garoto tão 'imundo' quanto ele mesmo, e não era para fazer nenhuma coisa pura.

"Saia da minha frente e chame outro garoto antes que eu me irrite com você, Gaara." O ruivo entrou em desespero, e começou a pensar em algo que faria o outro aceitar sua permanência ali, pois aparentemente suplicar não seria o suficiente. Após um momento de silêncio o ruivo sorriu discretamente, passando a mão na franja longa, colocando-a para trás, para que seu rosto pudesse ser visto.

"Eu vi o que aconteceu com Sai. O bastardo conseguiu tirar você do sério, direitinho hein Hyuuga?" A feição do rapaz se modificou por completo enquanto ele via a incredulidade nos olhos de Neji. O moreno balançou o copo no ar, que prontamente foi completo de vinho pelo menor.

"Como você sabe?" A curiosidade falou mais alto, e Neji obrigou-se a deixar um pouco de lado a animosidade que sentia pelo ruivo à sua frente. Talvez algo interessante poderia sair dali.

"Bem... Vou explicar tudo para você, enquanto eu faço o que fui pago para fazer." Gaara se levantou, porém uma mão forte o impediu de fazer isso. "Você fique ai onde está, já disse que não quero que me toque." O Hyuuga percebeu que ainda tinha suas mãos no outro, mesmo que através das roupas, e rapidamente afastou-se.

"Eles nos vigiam as vezes, Neji. Eu não posso correr o risco de estar somente sentado ao seu lado quando algum olheiro passar. Ainda mais com você, que é filho de um Senador." Gaara sabia que despertara o interesse do outro com a sua história, então ele apenas sentou, aguardando calmamente a ordem de Neji.

"Tudo bem, mas não toque nada além dos meus pés." Neji muito a contragosto aceitou a proposta, e ele torcia mentalmente para não se arrepender de sua decisão depois. Em um movimento quase ensaiado, Gaara levantou-se, e sem muita dificuldade despiu-se sem pudor algum na frente do moreno, pois não havia nada de novo ali. Neji revirou os olhos ao perceber a tentativa de chamar sua atenção e, antes que pudesse encher seu copo de vinho, o menor estava dentro das águas termais consigo.

"Agora você conseguiu o que queria, fale o que sabe." Neji tentava manter seu mau humor, tarefa que se tornou um pouco difícil ao sentir o toque agradável do outro em seus pés. Ele jamais admitiria em voz alta, mas Gaara era realmente bom naquilo.

"Bem, vou contar a história toda, acho que será mais fácil de assimilar." Neji sentiu uma pequena provocação ao seu intelecto com aquela frase, mas o moreno não conseguiu retrucar enquanto o outro tocava um ponto em particular que o fazia relaxar. "Danzou é um freqüentador assíduo da casa de Kurenai e, apesar do homem ser aquele velho amargurado normalmente, quando bebe ele fica... digamos que ele fique falante." Gaara levantou seu olhar por alguns segundos, capturando o exato momento em que Neji entendeu do que se tratava tudo aquilo.

"Eu entreouvi uma conversa entre os dois, realmente na hora não me chamou muito a atenção, mas quando eu vi Sai perdendo daquela forma vergonhosa tudo fez sentido." Ele se concentrava para agradar o outro, Gaara não era tolo, ele sabia que uma aliança com Neji Hyuuga não seria nada além de proveitosa para si. Alguém para defendê-lo seria indispensável quando ele conseguisse sair da casa de Kurenai, e isso não demoraria muito a acontecer segundo seus planos.

"O maldito perdeu de propósito, eu sabia." O ódio tomava conta de Neji, que se perguntava como o bastardo tinha enganado a si, e principalmente Naruto. Agora ele tinha certeza que o que aconteceu na luta não era só uma provocação de Sai, aquilo era parte de um plano muito maior.

"Bem Neji, se você me permite eu quero propor uma aliança a você." O legionário deixou seu ódio de lado por um segundo e ouviu o que o ruivo tinha a dizer. "Como eu tenho acesso direto ao Danzou, posso ser muito útil para você. Tudo o que eu descobrir sobre ele, eu aviso á você imediatamente."

O moreno ponderou por alguns segundos e assentiu.

"E o que você ganha nesse acordo?" Neji virava o ultimo gole de vinho da garrafa em seu copo, enquanto esperava a resposta do menor.

"Você me protege." Gaara falou com a maior simplicidade, sem sarcasmo ou nenhuma provocação na sua voz.

Após analisar a situação por alguns segundos, Neji estendeu o seu braço direito para Gaara, que interrompeu a massagem que fazia e apertou a mão do legionário à sua frente, assim selando o acordo entre eles.

"Espero não me arrepender disso." Neji falou baixinho, mais para si do que para o outro. Após isso ele cerrou seus olhos e deixou que seu corpo afundasse na água quente.

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Após a última luta dia, o gigantesco anfiteatro lentamente se esvaziou. Naruto desfez-se da sua armadura e antes de ir a qualquer lugar rumou diretamente ao posto médico. Rejeitou educadamente o convite de Minato de ir para casa e também a oferta de uma carruagem. O único pedido era que um cavalo estivesse disponível para ele quando terminasse sua visita e, mesmo a contragosto, seu pai assentiu.

A caminhada foi breve e logo estava no movimentado lugar. Os dois médicos que normalmente conseguiam atender aos pacientes regulares do local estavam saturados com tantos internos vindos do torneio. Naruto esperou impacientemente durante uma longa hora até que um enfermeiro estivesse disponível para atendê-lo.

O rapaz, embora muito atarefado, não conseguiu ignorar o legionário sentado no pequeno sofá desconfortável que havia ali. Ele pensou que se o atendesse logo o loiro iria embora e eles poderiam trabalhar em paz. Ninguém mais era tão teimoso ao ponto de impor sua presença fora do horário de visitas, somente Naruto.

"Olá Namikaze. O que deseja?" O loiro se surpreendeu com o chamado, pois estava distraído com a movimentação do local, tentando ver de relance algum paciente de seu interesse. O rapaz se levantou com um pulo e o enfermeiro instintivamente deu um pequeno passo para trás.

"Eu gostaria de ver Neji Hyuuga." No instante em que viu seu amigo saindo do anfiteatro em uma maca, inconsciente, Naruto não conseguiu deixar de se preocupar, embora ainda estivesse decepcionado com o outro pelo incidente do dia anterior. Ele aguardava ansiosamente enquanto o enfermeiro lia uma lista de internos que tinha em mãos.

"Neji Hyuuga, aqui está." Disse o homem apontando para o pergaminho em suas mãos. "Ele assinou sua saída duas horas atrás. Se não estou enganado ele deixou o posto médico caminhando, com a ajuda de uma bengala." Naruto suspirou tranquilo, mas mesmo assim ainda queria ver o amigo, para se certificar que estava tudo bem.

Um dos médicos entreouviu a conversa, e complementou:

"Hanako e Hinata Hyuuga o levaram. Fui eu que o atendi. O garoto é feito de ferro, o Uchiha ganhou a luta por uma questão de pura sorte." O médico imediatamente ganhou a atenção de Naruto, que ansiava por mais detalhes. Como se lesse pensamentos (não era necessário, afinal o loiro era extremamente expressivo) o homem prosseguiu "Neji bateu a cabeça e desmaiou quando caiu no chão, o outro garoto só precisou se manter em pé por mais alguns segundos. Nada além disso."

O homem se despediu brevemente e voltou aos seus afazeres.

Naruto quase não conseguia esconder o sorriso orgulhoso que se formava em seus lábios. Ele acreditava no potencial de Neji, e saber que a vitória do Uchiha foi um lance de sorte o deixava ainda mais satisfeito. Após um momento de distração, o loiro voltou sua atenção para o enfermeiro que ainda esperava por si.

"Me desculpe, eu me perdi por alguns segundos." As famílias do senado romano eram muito conhecidas, e detalhes da vida pessoal deles não era segredo nenhum para os cidadãos, por isso o homem não se irritou com a atitude do outro, ele entendia parcialmente a situação.

"Já que Neji não está mais aqui, eu gostaria de ver Sai Shimura." O enfermeiro novamente percorreu com seus olhos a lista, e ao constatar a situação informou que Sai também não estava mais no posto médico, pois Danzou optou por tratá-lo em casa assim que foi descartada qualquer situação de risco. O loiro arfou decepcionado e antes de sair agradeceu ao enfermeiro pela atenção.

Quando já estava deixando do local, Naruto lembrou de mais uma pessoa que gostaria de visitar, já que estava ali. Chamou novamente o enfermeiro que revirou os olhos assim que ouviu a voz estridente do rapaz. Apesar do incomodo, o homem indicou o quarto desejado para Naruto, que agradeceu e prometeu não perturba-lo novamente.

-oOo-

Um dos únicos quartos individuais disponíveis no posto médico estava ocupado por três jovens Uchihas. Apesar do tratamento ser gratuito, é claro que o privilégio de ter um cômodo exclusivo era algo que poucos poderiam pagar. O lugar era simples, porém muito higiênico e organizado. Uma cama de solteiro acolhia o caçula, enquanto um sofá comum, sem encosto, acomodava os primos.

Sasuke estava completamente apagado, um sono profundo ocasionado pelo uso excessivo de ópio. O rapaz nunca precisou usar aquele tipo de medicamento, e como não era acostumado a beber com frequência, o efeito fora ainda pior. Se não fosse por esse incidente, o Uchiha já estaria em casa, pois apesar de ter perdido uma quantidade considerável de sangue, o ferimento não atingiu nenhuma veia ou artéria. Entretanto, o estabelecimento mantinha a norma de permitir a saída apenas com o paciente acordado e consciente, e esse certamente não era o caso dele.

Itachi fez questão de permanecer ali até que o seu irmão acordasse e pudesse deixar o local. O pai tentou convencê-lo do contrário, argumentando que precisaria de sua ajuda na organização das centúrias que patrulhavam a cidade durante o evento, que Roma estava um caos, e prometeu que deixaria um criado de sua confiança para vigiar o filho mais novo, mas nada disso conseguiu mudar a decisão dele. Para o desespero total de Fugaku, Shisui que seria o substituto no comando da centúria de Itachi disse que faria companhia ao primo, e nenhuma das ameaças ou pedidos do patriarca surtiu efeito nos dois.

Após algumas horas zelando pelo sono de Sasuke, ambos os primos estavam completamente entediados. Shisui, após uma difícil prova de resistência, se rendeu ao seu desejo.

"Para Shisui, me larga agora!" Itachi se esforçava para se soltar do aperto do primo, que tentava insistentemente beijá-lo. O maior sabia que o único motivo da recusa era por estarem em um lugar 'público', mas ele não conseguia se segurar por mais um segundo estando sozinho com aquela tentação ao seu lado.

Os cabelos anteriormente soltos de Itachi agora estavam atados em um coque frouxo, com alguns fios mais curtos emoldurando o rosto elegante. Seus longos cílios destacavam os olhos negros, e os finos lábios rosados conferiam uma aparência andrógena ao rapaz. Se o primogênito dos Uchihas era normalmente uma ameaça à sanidade mental de Shisui, quando se produzia para alguma ocasião festiva era impossível para o outro se conter.

Itachi analisava o cômodo, tentando encontrar algo que pudesse ameaçar a privacidade dos dois. As janelas estavam abertas devido ao calor, todavia grossas cortinas de linho impediam a visão de algum observador curioso. A lua já estava no céu, e com isso a possibilidade de alguém ver algo diminuía consideravelmente. Todos os funcionários do local estavam ocupadíssimos, e a equipe a noite era reduzida ao mínimo, pois a maioria precisava descansar para aguentar outro dia de trabalho. O horário de visitas a muito terminara, e com a ausência dele e a de Shisui controlando a patrulha da cidade, certamente Fugaku ou nenhum outro Uchiha teria tempo disponível para aparecer aqui. Por último, Sasuke, mas o seu irmão era o menor dos perigos. Estava completamente dopado, adicionando isso á exaustão pelos dias ininterruptos de torneio, o menor certamente só despertaria na próxima manhã.

O primogênito concluiu que eles estavam relativamente seguros e, após revirar os olhos e arfar audivelmente, se deixou levar pelo abraço de Shisui, que ficou radiante com a atitude do outro. O menor delicadamente envolveu seus braços em torno da cintura dele, demonstrando que estava suficientemente confortável para que ele prosseguisse com seus avanços. Sem sequer ver o rosto de Itachi, ele conseguia compreender o que cada um daqueles gestos significava, esse era o nível de intimidade que os dois cultivaram ao longo dos anos.

Suavemente o mais velho aproximou seu rosto do pescoço de Itachi, sorvendo a essência de cipreste e romã com que Itachi se perfumou anteriormente. O outro riu com o toque, que lhe causou um leve arrepio. Shisui movia as suas mãos entre a toga do primo, procurando algum caminho que levasse à pele macia do outro. Apesar da preocupação, Itachi sentia falta daquele tipo de contato, e por um momento se deixou levar totalmente.

Com uma das mãos, o primogênito guiou o rosto do primo até o seu, a princípio tocando os lábios levemente. Aquela sensação tão conhecida e mesmo assim tão rara era aproveitada completamente pelo casal. Gradativamente o beijo foi se aprofundando, Shisui se movia lentamente, apreciando os lábios do outro como se fosse uma iguaria. Itachi apenas se entregou, rendido aos toques do seu companheiro. Nos braços de Shisui ele se sentia amado, seguro e completo.

Ao contrário de outros casais, ali não havia uma disputa, pois cada um sabia o seu lugar e ambos se completavam. Itachi precisava de Shisui, e Shisui de Itachi, sempre foi assim. Quando finalmente o mais velho conseguiu ultrapassar a barreira de tecidos que separava o corpo do primo do seu, ele comemorou interiormente pois Itachi não o afastara, o que normalmente acontecia quando eles chegavam até esse ponto em algum lugar que não era totalmente seguro. As mãos fortes tocavam a cintura fina e o peitoral perfeitamente esculpido, não resistindo ao impulso de apertar cada pedaço de pele macia.

Itachi encostou-se totalmente na parede, afastando-se do outro apenas para poder respirar. A luz fraca da lamparina que iluminava o cômodo expunha a Shisui a pele alva e intocada do colo de Itachi, as clavículas salientes, que eram uma provocação impossível de se ignorar. Sem pensar novamente, o mais velho apertou o abraço com que prendia o outro, e se aproximou do pescoço descoberto. Ele beijou delicadamente o local, para logo após morder aquela pele aveludada criando um pequeno vinco avermelhado no local. Itachi cerrou os olhos e mordeu o lábio inferior, tentando conter um pequeno gemido.

Subitamente a pequena porta de madeira se abriu em um movimento brusco, revelando um loiro corpulento. Naruto Namikaze estava atônito diante da cena que presenciava, boquiaberto e sem conseguir pronunciar nenhuma palavra. Sem nem ao menos ver quem era o intruso, Itachi imediatamente se afastou de Shisui em um pulo, se pondo de pé e quase derrubando o outro nessa ação.

"Eu... er... me desculpem por interromper." Naruto estava prestes a deixar o cômodo quando a mão de Itachi segurou seu braço instintivamente, o forçando a permanecer no local. Com sua mão livre o moreno fechou a porta atrás de si. Naruto não se moveu um centímetro, ainda muito impressionado com a cena.

"O que você quer, moleque?" Shisui, furioso, perguntou, lançando um olhar mortífero ao invasor. Á essa altura Itachi já o soltara, e após se recompor sentou no pequeno sofá ao lado do primo, esperando a resposta do Namikaze.

"Eu... eu vim ver Sasuke." O desconforto era notável tanto na voz quanto na postura de Naruto, que estava tentando formular alguma estratégia para sair dali. Entretanto ele sabia que não conseguiria efetuar uma fuga com os dois melhores legionários da Libyca o impedindo. O olhar avaliativo de ambos sobre si era extremamente incomodo, mas o loiro falava a verdade e torcia para que os dois concluíssem isso.

Itachi, apesar da máscara de indiferença estava completamente desesperado por dentro. Nunca ninguém havia presenciado um momento tão íntimo seu com Shisui, e se o garoto quisesse destruir a reputação de sua familia certamente conseguiria com esse tipo de informação. Ele analisava as expressões do outro, tentando encontrar alguma inverdade nas palavras.

"Você não é nenhum amigo ou simpatizante de Sasuke, aliás até onde eu estou ciente há uma animosidade entre vocês. Porque você está aqui, Naruto?" Itachi se pronunciou, os negros olhos se estreitaram e um vinco se formou em sua testa, enquanto ele elevou seu rosto para poder encarar bem o garoto.

"Eu gostaria de saber se ele terá condições de me enfrentar amanhã, pois fui informado que Neji deixou o posto médico, caminhando por si há algumas horas atrás. Talvez a situação de Sasuke fosse igual." Os primos sondavam as palavras do outro, tentando encontrar algum tipo de mentira nelas.

Após longos segundos, Itachi tocou discretamente o ombro de Shisui, indicando que eles poderiam abaixar a guarda, pois o que o rapaz dissera era a verdade. O outro concordou com um maneio de cabeça silencioso e soltou o ar que prendera por algum tempo.

Sentindo o relaxar visível na postura dos dois, Naruto se permitiu descontrair também, julgando que estaria fora de perigo. Pela primeira vez desde que entrou no aposento ele conseguiu observar o motivo que lhe trouxera ali. Sasuke dormia tranquilamente, coberto por uma fina manta de lã, tranquilo como um bebê. Naruto sorriu involuntariamente ao constatar que o outro estava bem. Apesar do Uchiha não ser nenhum de seus afetos, ele também não o desejava mal.

Itachi aproveitou a oportunidade e caminhou até o lado do seu irmão, trocando o lenço molhado que Sasuke tinha na cabeça. Verificou a temperatura, e ficou aliviado quando certificou-se que ele não estava febril. Ele continuou ali, alheio a conversa que os outros dois iniciaram.

"Por que Sasuke ainda está aqui? Ele parece bem." Naruto curioso perguntou. Shisui não pôde conter a risada crescia dentro de si, ele ainda não acreditava no que aconteceu.

"Sasuke teve a sua primeira experiência com ópio, por isso ele ainda está aqui." Shisui fez o possível para não rir, pois ele sabia que caçoar do caçula irritaria Itachi.

Naruto estava confuso, e não precisou falar para que Shisui soubesse disso. Então ele prosseguiu com a explicação.

"Ele está bem. O desmaio no torneio foi por causa da perda de sangue, Sasuke ficou atordoado e tonto e logo após desmaiou." Naruto maneou a cabeça, pedindo para o moreno continuar. "Antes do médico começar os pontos no ferimento, ele acordou, e então o homem preparou um cachimbo com ópio, para que ele relaxasse e ficasse anestesiado." Nesse momento Shisui riu discretamente, e a curiosidade do loiro aumentava ainda mais.

"Após isso, Sasuke pediu por mais, e apesar do médico inicialmente negar, ele foi obrigado a dar mais uma dose de ópio para a donzela. A cena foi a coisa mais hilária que eu já presenciei, o idiota estava completamente perturbado, dopado. Ele ria sem parar e mesmo assim não parava de fumar. Só conseguiram tirar o ópio de Sasuke quando ele apagou, como você mesmo pode ver." O mais velho recebeu um olhar de censura de Itachi por falar de Sasuke assim para um estranho, pois só entre eles era permitido caçoar do caçula.

Shisui deu de ombros.

"O resultado está ai, o moleque está completamente inconsciente. Ah, vocês crianças..." Shisui agora ria discretamente, pois ele não queria irritar Itachi mais que o limite. Naruto começou a gargalhar, ele não podia acreditar no que acabara de ouvir. O Uchiha mais velho se deixou levar, e logo os dois pareciam velhos amigos, rindo descontroladamente.

Itachi terminou de verificar Sasuke, e quando virou-se para os dois lançou um olhar ameaçador para Shisui, que imediatamente parou de rir. Naruto resolveu não brincar com a sorte, e também parou. O primogênito voltou ao seu assento no lado do primo, agora visivelmente mais tranquilo que outrora.

"Então Naruto, você já fez a sua visita. Agora se puder nos dar licença." Itachi pediu, porém aquela frase soou mais como uma ordem. O loiro curvou-se em um cumprimento educado, que foi respondido com um gesto afirmativo de cabeça pelos Uchihas.

"Nenhuma palavra Namikaze, estamos entendidos?" Shisui disse, apenas por precaução. O loiro assentiu e deixou os dois a sós.

Ao ouvir o baque da porta, Itachi suspirou fundo e encostou sua cabeça no peitoral do outro, que o acolheu em seus braços.

"Você acha que ele vai guardar o nosso segredo, Shisui?" Itachi questionou preocupado, pois ele era um defensor da paz, principalmente a paz entre os cidadãos Romanos, ele detestaria ter que tomar alguma medida drástica contra o rapaz.

"Fique tranquilo, o garoto não é nenhum santo. Se ele usar isso contra nós, não será difícil conseguir algo para ameaça-lo também." Shisui soltava o coque de Itachi, libertando os longos cabelos que ele tanto adorava. Delicadamente o mais velho começou a acariciar as madeixas com os dedos. "Te desafio a me mostrar um homem santo em Roma. E além do mais, Naruto não é dos mais discretos." Itachi concordou e decidiu não se preocupar no momento com isso, cerrou seus olhos, concentrado apenas em apreciar o toque que recebia.

-oOo-

Abadir Galém estava completamente transtornado, ele tinha apostado suas últimas esperanças (e economias) naquele maldito torneio. O rapaz revirava frustrado suas bagagens, procurando por alguma moeda ou algo de valor que pudesse vender, para conseguir manter sua estadia na cidade. O valor da inscrição do torneio tomou suas últimas economias, e o rapaz simplesmente não sabia o que fazer.

Por sorte, o aluguel da hospedaria onde ficara estava pago até o final do mês, o que o deixava com aproximadamente quinze dias para pensar no que diabos poderia fazer para completar sua missão naquela cidade, sem nenhum dinheiro ou conhecidos...

Nervoso, ele decidiu deixar aquele lugar fechado. O estrangeiro tinha que procurar uma solução e precisava ser logo, ou então seus anos de busca estariam completamente perdidos. Ele poderia sim voltar para casa a qualquer momento, mas nada apagaria a decepção e vergonha de voltar com suas mãos vazias.

O pequeno homem sabia se camuflar bem entre as ruas de Roma e, apesar de ser estrangeiro, raramente atraía a atenção para si. Aos poucos ele olhava os bares lotados, as pessoas festejando, e em seu íntimo ele apenas desejava ver aquele que procurava, uma pessoa que faria sua busca inteira ter fim, e ela estava em Roma com certeza.

Sem rumo certo entre aquelas vielas estreitas, o rapaz frustrado lembrou de alguém que talvez poderia ajudá-lo.

"Shikamaru." Ele sussurrou para si mesmo, e embora fosse muito possível que o rapaz o negasse ajuda, afinal no dia anterior o próprio sofreu ameaças vindas de si, ele não tinha outra escolha. Ele poderia oferecer seus serviços talvez, ninguém contratava estrangeiros, mas Shikamaru sabia de sua força, e talvez poderia aceitar. Com essa convicção em mente o rapaz partiu em direção à parte nobre de Roma.

Uma hora depois, o estrangeiro finalmente estava em seu destino. Teria demorado mais se não fosse por um agradável mercador de queijos que estava voltando para casa, e ofereceu uma carona em troca da ajuda de Abadir em carregar a sua carroça com os produtos.

Quando chegou em frente à casa, o rapaz sentiu um arrependimento surgir, e imediatamente toda a sua razão o dizia para voltar a estalagem. Entretanto, uma pequena parte ainda confiava, tinha que confiar pois era a sua melhor chance de conseguir ajuda, com isso em mente ele tocou o sino que estava na entrada.

Rapidamente um criado foi até o portão, verificando o estrangeiro, e permitindo sua entrada na propriedade após uma revista completa, se certificando de que o homem não levava nenhum tipo de armamento consigo. Após essa cautelosa ação, o servo guiou o homem até a entrada da mansão, onde ele esperou pacientemente durante dez longos minutos até que Shikamaru surgisse.

"O que você faz aqui?" O moreno perguntou bocejando, e um pouco irritado pois ele estava em um sonho particularmente interessante antes de ser interrompido.

"Eu vim te contar a minha história, Shikamaru Nara. Peço humildemente que você por favor me escute." O moreno se surpreendeu com aquele tipo de educação vinda de um estrangeiro, apesar do latim pobre. O rapaz suspirou cansado e respondeu:

"Que problemático!"


N/A: E ai, o que acharam pessoal? Espero que tenham gostado, pois eu me empenhei muito nesse capítulo. J

Eu gostaria de avisar que revisei a fanfic toda, desde o primeiro capítulo. Corrigi alguns erros de português e etc... E fiz algumas pequenas alterações em datas/locais. Isso não faz muita diferença para o plot principal da fanfic, mas em questão de precisão histórica faz, por isso eu me senti na obrigação de modificar. Aos que já leram, não se preocupem em reler, isso não será necessário.

Obrigado por tudo pessoal, e desculpem-me pela demora na minha jornada. kkk
Não se esqueçam de comentar, isso me ajuda muito a produzir o/