21 de Março de 1998.

— Você não pode fazer isso! — protestou Ginny.

— Não posso? Você verá como não posso! — gritou a Srª Weasley.

— Eu preciso voltar para Hogwarts. Eles precisam da minha ajuda...

— Você quer morrer? Está lutando contra Death Eaters. Eu sei que eles torturam vocês! Fique fora disso, Ginevra.

— Fred está fazendo alguma coisa.

— Seu irmão não está nessa discussão! Ele é maior de idade!

— Eu quero fazer alguma coisa para ajudar. Odeio ficar sentada de braços cruzados!

— Ajuda muito ficando viva!

Ginny subiu as escadas pisando forte. Inacreditável! Assim que bateu a porta do quarto com força e deitou-se na sua cama, puxou a moeda da D.A do bolso.

Ela sussurrou, apontando a varinha para a moeda dourada em sua palma e a frase ficou escrita: "Minha mãe não vai me deixar voltar. Desculpem. GW".

Ela olhou para o teto, dando um suspiro. Sabia que Fred e Sarah estavam bem por causa do Potterwatch e sabia que Amber estava em boas mãos. Era um consolo... Mas não tinha notícias de Rony e Hermione. Nem de Harry.

25 de Março de 1998.

Audrey estava em seu escritório fazendo um relatório quando uma pasta foi derrubada com estrondo na sua mesa. Ela levantou o olhar, mantendo o rosto o mais inexpressivo possível.

— Posso ajudar em algo? — perguntou, voltando o olhar para o relatório.

— O ministro tem um anúncio a fazer — disse Weasley, antes de sair da sala.

Ela apertou a caneta com força. A atitude dele a irritava completamente. Nem era de seu departamento, o que lhe dava o direito de descer e lhe exigir qualquer coisa? Ela respirou fundo, tentando se acalmar e se levantou da cadeira para arrumar as coisas que tinham caído com a força que ele tinha posto quando jogou a pasta.

— Vamos, Audrey — disse uma colega de trabalho dela — Melhor não deixá-los esperando.

A castanha deu um longo suspiro, antes de se levantar e ir à corrente de funcionários.

— Como todos já sabem sobre a nova demanda, a qual todos os estudantes que prestaram os NEWT's são obrigados a ingressarem no Ministério, eu gostaria apenas de esclarecer algumas coisas — disse Thicknesse, com a voz amplificada.

O ministro estava parado no meio do aglomerado de pessoas, com Umbridge a sua direita e outro funcionário a sua esquerda (substituindo Runcorn que havia sido punido pelo incidente com o Golden Trio). Ele passava os olhos pelas pessoas como se esperasse qualquer reação, mas todos mantinham seus rostos inexpressivos.

— Obviamente, esse aluno precisa ter o seu status de sangue comprovado e registrado no Ministério — continuou Thicknesse — Os exames são prestados no mês de Maio, não sendo necessária a sua presença em Hogwarts após isso. Seus cargos serão definidos de acordo com as suas notas e comportamento. Se um aluno não obtiver notas satisfatórias, permanecerá na escola durante o verão.

Ninguém se atreveu a murmurar, mas dava para perceber no rosto de algumas pessoas, por um momento, a revolta diante dessa nova informação. Umbridge sorriu satisfatoriamente, seus olhos brilhando de maldade e vingança por aqueles alunos que um dia ela lecionou.

— Qualquer tendência a ajudar os indesejáveis ou sangues ruins significa a sua demissão e ida direta a Azkaban — disse Thicknesse — Se pegarmos qualquer funcionário lendo The Quibbler ou ouvindo o canal de rádio Potterwatch, será considerado cúmplice e mandado para Azkaban por traição e revolução contra o Ministério da Magia.

— Ai meu Deus — sussurrou para a sua colega de trabalho, enquanto ele falava para que não a escutassem.

A mulher concordou com a cabeça como se dissesse: "É, eu sei".

Thicknesse continuou falando e enquanto todos voltavam a prestar atenção no ministro, Audrey mexia a mão incontrolavelmente, revirando uma moeda dourada.

29 de Março de 1998.

— Eles não estão aqui — disse Fred, olhando em volta.

— Não me diga! — retrucou Sarah, virando de costas e caminhando na direção contrária.

— Não é melhor aparatarmos direto lá? — perguntou Fred.

— Deixa de ser preguiçoso — disse Sarah.

Eles caminharam pela floresta, olhando para trás de tempos em tempos. Tinham que se certificar de que não estavam sendo seguidos.

— A gente passa a noite e depois volta para o Potterwatch de amanhã, tudo bem? — disse Fred.

— Fica tranquilo, amor — disse Sarah, dando uma piscadela para ele.

Não demoraram muito tempo para conseguirem visualizar a aldeia de Portree.

— Certeza que não quer aparatar? — repetiu Fred, ajoelhando-se atrás de um arbusto.

— Se a Audrey estiver em casa, receberemos o mesmo tratamento que ela deu ao Lee — disse Sarah.

— Tudo bem, tenho uma ideia — disse Fred, olhando para o movimento na aldeia.

— Está tudo bem? — perguntou Oliver, vendo que Amber olhava distraída para a mesa.

— Tudo... — respondeu Amber, não convencendo muito.

— O que houve? — insistiu Oliver.

— É que... Hoje é aniversário da Sarah — disse Amber.

Um patrono na forma de um coala entrou pela janela da cozinha. Ele não disse nada, apenas entrou, lhes observou e voltou a saltar pela janela. Amber levantou-se e foi para a porta dos fundos.

— Amber, espera! — exclamou Oliver, indo atrás dela — Não sabemos de quem é isso!

— Death Eaters não podem fazer um patrono — argumentou Amber.

— Umbridge sabia fazer um patrono — retrucou Oliver.

O coala lhes olhou como se dissesse: "vocês vêem ou não?"

— Me sinto Alice no País das Maravilhas... — murmurou Amber, abrindo a porta dos fundos — Exceto que não tem um coala na história.

— Claro! Porque um coala é um ótimo animal! — eles ouviram uma voz feminina debochar.

— Ei! Deixa o meu coala em paz! — resmungou uma voz masculina.

Amber se virou para Oliver com os olhos arregalados.

— Eu não acredito — ela fez com a boca.

— Amber! — gritou Oliver, ao ver um movimento atrás dela.

O vulto pulou nas costas de Amber que, despreparada, caiu no chão com a pessoa em cima.

— Vocês estão tensos demais, minha gente! — gritou Fred, saindo de trás do arbusto.

O coala aproximou-se dele, inclinou-se e desapareceu.

— Sai de cima de mim, sua obesa! — protestou Amber, empurrando Sarah de cima dela.

— Também senti saudades — retrucou Sarah, levantando-se ofendida.

— Você tinha que pular em cima de mim? — perguntou Amber, levantando-se — Ou melhor, vocês tinham que fazer esse mistério todo? Não poderiam simplesmente aparatar ou coisa do tipo?

— Aí não teria graça! — responderam Fred e Sarah ao mesmo tempo.

— Deixa de enrolação, Sarah! — disse Amber — Fala logo o que tem acontecido.

Eles estavam sentados na sala de estar, após o choque inicial da presença deles.

— O que vocês ouvem no Potterwatch — disse Sarah, dando de ombros — Nós demos uma passada em The Burrow tomando um pouco de Polyjuice...

Amber pegou rapidamente a sua bolsa e revirou.

— Desculpe — disse Sarah, sorrindo amarelo.

— Como você...? — começou Amber — Quer saber? Esquece!

— Nossa vida foi uma adrenalina desde que saímos daqui — disse Fred.

— Gravar programa, fugir, procurar lugares de difícil acesso, colocar feitiços de proteção, conseguir comida, dormir em turnos — enumerou Sarah — Eu adoro isso!

— Teve umas duas vezes que acabamos esbarrando com os Snatchers — disse Fred — Mas tranquilo. Escapamos sem maiores sequelas.

— Eu gostaria de agradecer a Audrey — disse Sarah — Ela tem ajudado muito...

— Ela está trabalhando ainda — disse Amber — Mas qual é a da folga?

— Eu pedi uma folga para o Lee — disse Sarah, dando de ombros — É meu aniversário e eu mereço comemorar. Vou passar a noite aqui e amanhã de manhã a gente volta. Tem problema?

— É claro que não — disse Amber, indo abraçá-la.

— Ei! Onde estão Sabelle e Archie? Foram para o campo de quidditch? — perguntou Sarah, depois de uns instantes.

Amber e Oliver trocaram um olhar, antes de Oliver responder:

— Um funcionário do Ministério bateu na porta de madrugada e revirou a casa — contou — Ele disse que não encontraram os NEWT's da Sabelle e que ela teria que ingressar em Hogwarts.

— No meio do semestre? — perguntou Fred, trocando um olhar preocupado com Sarah.

— Ele disse que tem uma nova lei de Thicknesse que todos os alunos que tenham feito os NEWT's, não precisam nem esperar até 27 de Julho, são obrigados a ingressar no Ministério da Magia — disse Amber.

— Mas isso é um absurdo! — exclamou Sarah — Ninguém mais pode trabalhar fora do Ministério?

— Os times de quidditch foram dissolvidos — disse Oliver — Muitos tiveram medo de continuar e em outros aconteceu o mesmo que o Puddlemere. Estão investigando a árvore genealógica de pessoas que estão contra o regime e usando isso a favor deles.

— Mas e se a pessoa é sangue-pura? — perguntou Sarah.

— Falsificam árvores genealógicas, inventam qualquer crime para arrastá-la — disse Amber.

— Como fizeram com Harry — completou Fred.

— Não sei nem porque continuamos surpresos — disse Sarah — Ouvimos e transmitimos cada barbaridade...

Amber ficou meio aflita por não ter nada preparado para o aniversário de Sarah, já que ela não tinha avisado de sua vinda, mas Sarah não se importou com isso. Alegou que o clima não estava bom para aniversários, mas Jane insistiu em fazer um bolo para a data não passar em branco.

Pela primeira vez desde muito tempo, Amber se sentiu livre. Gargalhou com as piadas e histórias que Sarah e Fred escutaram durante sua migração, e ficou acordada até de madrugada, sem se importar com o amanhã. Nem deu uma bronca em Sarah quando ela colocou Fire Whisky escondido no suco de abóbora. Agora ela era maior de idade.

— Ei, vem cá, Sarah! — disse Amber, levantando-se.

— O que foi? — perguntou Sarah, rindo.

— Vem cá! — repetiu Amber, dirigindo-se para as escadas.

Ela e os garotos trocaram olhares confusos, antes de a morena levantar-se e segui-la.

Quando chegou no quarto no qual elas dividiam, viu Amber pegando um colar de dentro da bolsa.

— Descobriu alguma coisa da Pensieve portátil? — perguntou Sarah confusa, sentando na cama.

— Talvez — disse Amber, sentando-se do lado dela.

Ela ficou pensativa, olhando para a Pensieve, até que a água começou a se mexer.

— Mas o que...? — começou Sarah.

— Coloca o olho na água — disse Amber, passando o medalhão para ela.

— Mas...

— Anda logo!

Sarah lançou mais um olhar estranho para Amber, mas ao ver os corredores de Hogwarts apareceram na água, fez o que ela pediu. Ficou vários minutos submersa, mas depois que a memória acabou ela se afastou com os olhos lacrimejantes e a água voltou a ficar calma.

Amber esperou para que Sarah dissesse alguma coisa. A morena ficou olhando para as mãos por um momento, então levantou o rosto e sorriu com lágrimas descendo pelos olhos.

— Obrigada — sussurrou Sarah, sorrindo levemente.

Amber sorriu de volta e a abraçou, enquanto Sarah acalmava o choro.

Não era fácil ver uma lembrança em que aparecessem seus pais na época de Hogwarts. Uma época em que eram adolescentes cheios de esperança, sem sequer desconfiarem do futuro que lhes aguardava.

— Vem, vamos voltar lá para baixo — disse Sarah, afastando-se para passar as mãos nos olhos.

Amber sorriu mais uma vez, antes de se levantar para colocar o medalhão na bolsa.

30 de Março de 1998.

5h00min.

Amber se sentia como se tivesse acabado de deitar na cama quando ouviu uma explosão e gritos no andar debaixo. Ela se levantou com rapidez e só teve tempo de esconder a varinha e a bolsa no sapato quando a porta se abriu bruscamente.

— Levanta as mãos — exigiu o sujeito, apontando a varinha para ela.

Sem opções, ela fez o que ele mandou, saindo do quarto. Um outro sujeito entrou no quarto acordando Sarah grosseiramente.

— Sem gracinhas ou eu mato a sua amiguinha — ameaçou, não dava para saber com quem ele falava.

Eles as obrigaram a descer as escadas. No andar debaixo, Jane e August estavam sentados no sofá olhando apavorados para os outros Death Eaters que estavam no primeiro andar.

Amber queria perguntar por Oliver, mas achou melhor não falar nada. Ele e Fred logo foram empurrados escada abaixo, no mesmo estado que elas.

— Ora, ora, o que temos aqui — disse o que era evidentemente o chefe, sorrindo satisfeito — Duas indesejáveis e um traidor do sangue. Gostaria de saber como vai explicar isso para o ministro, Wood.

Audrey observava tudo do lado de Oliver, evidentemente contando o número dos Death Eaters, mas eles eram muitos. Como eles sabiam que estavam ali? Sarah já tinha completado 17 anos, não poderia ser rastreada. Nenhum morador dessa casa seria capaz de denunciá-los, isso Amber podia confiar.

— O que fazemos agora? — murmurou um deles.

— Levamos ao Ministério como procedimento padrão — respondeu outro, rispidamente.

— Tenho uma ideia melhor — murmurou o líder, olhando para Amber, Sarah e Fred.

— Solta ela! — disse Oliver para o Death Eater que segurava Amber com força.

— Se não o que? — perguntou este, petulante.

Oliver trocou um olhar com Amber que negou com a cabeça, mas ele avançou um passo e deu um soco na cara do homem.

— Ei! — um deles gritou.

Dois que estavam desocupados se aproximaram para segurar Oliver pelos braços.

— Esse parece bem disposto a ir junto também — disse o Death Eater que foi socado, tentando estancar o sangramento no nariz.

— Vamos dar um corretivo nele — murmurou um deles.

Jane e August se levantaram rapidamente enquanto eles levavam os quatro em direção a porta da frente.

— Não, por favor! Não faça isso! — pediu Jane em voz baixa, mas August a segurou suavemente.

Não havia nada que pudessem fazer. Qualquer reação de revolta que tivessem, prejudicariam mais ainda a situação de todos. Quando os outros pararam do lado de fora, sem se importar com os muggles, o líder se virou para August, Jane e Audrey dando um sorriso frio.

— Serei obrigado a informar isso para o ministro — dava para ouvir a ameaça implícita na frase — Realmente uma lástima. Um cargo tão nobre, senhorita Harrison.

Sem esperar qualquer resposta, ele fechou a porta com uma batida e todos aparataram.

— O melhor que podemos fazer agora é contatarmos Levinda — disse August, mantendo a cabeça fria — Eles não vão voltar para cá. Mesmo que não fossemos presos, a casa seria vigiada para quando eles conseguirem fugir.

— Tem razão — disse Audrey, desgrudando da parede e pegando a moeda dourada do bolso de seu pijama — E não vai demorar para eles somarem dois mais dois e descobrirem que quem está avisando das mudanças do ministério sou eu. Inclusive, preciso avisar do sequestro e que não vou mais poder ajudar.

Assim que a sensação de ser espremido por um tubo passou, o vento frio e cortante se fez presente. O céu estava em tons alaranjados, indicando o nascer do sol.

— Vamos — disse um dos Death Eaters, puxando Amber pelo braço até os portões negros da enorme e sombria casa que se estendia na frente deles.

O líder deu um passo à frente e estendeu o braço para o portão de ferro que se desfez como fumaça.

— Vamos — repetiu um outro.

Amber olhou para o lado enquanto eles entravam na casa. Sarah olhava com uma sobrancelha erguida e desafiadora para a mansão que tinha um estilo igualmente sombrio ao da Muy Nobre y Antiga Casa dos Black. Oliver olhava preocupado para ela e Fred erguia um dos cantos da boca, em um sorriso irônico.

— O que está acontecendo aqui?

Os homens pararam olhando para o lado onde uma mulher elegante e loira aproximava-se do grupo. Aparentemente, alertada pelo som de aparatação em sua casa tão cedo.

— Madame Malfoy — cumprimentou o líder, respeitosamente.

Narcisa ignorou seu cumprimento observando friamente os prisioneiros.

— O que eles estão fazendo aqui? — perguntou, referindo-se aos homens.

— Ele é um traidor do sangue Weasley — disse um dos homens, hesitante — E o outro tentou nos atacar.

— Bellatrix saberá o que fazer com eles — disse Narcisa, virando de costas — Provavelmente os garotos serão mandados ao Ministério. Mas, por enquanto, traga-os para dentro.

Eles obedeceram a mulher. Amber olhou ao redor sem mover o pescoço. Estava esperando pelo momento certo para agir, mas estremeceu ao sentir a proteção que rodeava a mansão. Eles passaram por vários corredores até chegar à sala de estar da casa, que estava vazia.

— Mas o que está acontecendo aqui? — elas ouviram um grito que as fez ficarem tensas.

Bellatrix Lestrange desceu as escadas com um olhar mortal que fez até Narcisa recuar levemente.

— Vocês viram que horas são? — gritou Bellatrix, mal humorada — Isso é hora de aparecer por aqui? Eu acho realmente bom vocês terem uma boa desculpa para estarem aqui.

— Estamos com Sarah Black — disse o líder, rapidamente.

Essas foram as palavras mágicas para que o humor de Bellatrix melhorasse. Ela desviou rapidamente o olhar para Sarah e aproximou-se dela com a varinha apontada. Depois de observar por mais alguns momentos, ela pareceu satisfeita e deu um sorriso maligno.

— Ora, ora, ora — disse, rodeando o grupo de sequestrados e olhando de cima a baixo — O que temos aqui... Priminha querida, o traidor do sangue Weasley... Quem é esse daqui?

— Oliver Wood — respondeu um deles, rapidamente — Desacato a autoridade.

— Que autoridade? A sua? — perguntou Bellatrix, olhando para o Death Eater e dando uma risada desdenhosa.

Ela voltou o olhar para o grupo e ofegou, parando na frente de Amber.

— A garota Potter — disse Bellatrix, com os olhos levemente arregalados.

Os outros Death Eaters pareceram satisfeitos por terem conseguido capturar duas procuradas, mas ninguém lhes deu a atenção nem lhes perguntou como conseguiram encontrá-las.

— Levem os outros para as masmorras — ordenou Bellatrix, olhando seriamente para a ruiva.

— Bella, o que você está...? — começou Narcisa.

— Farei o que o Lorde das Trevas quer, ora essa! — disse Bellatrix — Encontrar Harry Potter e tenho certeza que a garota sabe onde ele está.

—Tome cuidado, ouvimos falar que ela não precisa de varinha para fazer magia — alertou um deles, mas Bellatrix levantou a mão.

— Disso cuido eu — rosnou Bellatrix — O que estão esperando? Vão!

Os Death Eaters se entreolharam, mas fizeram o que ela pediu.

— Não! Não! — gritou Sarah, debatendo-se para se soltar — Leve a mim! É a mim quem você quer!

Bellatrix aproximou-se de Sarah, passando a ponta da varinha pelo rosto dela com força.

— Não se preocupe, será a próxima — murmurou Bellatrix, antes de se afastar.

Os gritos dos três foram sumindo gradativamente conforme se afastavam da sala.

Os Death Eaters voltaram logo depois e fecharam as portas, ficando do lado de fora para dificultar qualquer fuga.

— Saia — disse Bellatrix para a irmã.

Amber pensou ter visto um brilho amedrontado passar pelo olhar de Narcisa, mas ela logo virou de costas e saiu.

— Crucio.

Ela não estava preparada para isso e caiu de joelhos sentindo como se milhares de facas fossem cravadas pelo seu corpo.

— Isso vai ser divertido — murmurou Bellatrix, sorrindo sadicamente.

A Death Eater manteve o feitiço por mais alguns minutos e depois parou, fazendo Amber cair de costas ofegante.

— Onde está Potter? — sussurrou Bellatrix, agachando-se do lado dela e mexendo em uma mecha ruiva de seu cabelo.

— E-eu não sei — respondeu Amber, quase sem voz.

Bellatrix não disse nada, apenas levantou-se e preparou a varinha de novo.

— Musculus Expandere.

Amber gritou com a dor que sentiu. Era como se suas panturrilhas estivessem sendo puxadas para dentro, parecido com uma câimbra, mas com uma intensidade mil vezes pior.

— Ui, isso parece doer — disse Bellatrix, com uma falsa pena.

A Death Eater andou em volta de Amber observando-a sofrer. O barulho do salto de suas botas ecoando no silêncio da mansão.

— Finite Incantatem — e a dor parou.

A bruxa esperou um pouco mais, para Amber recuperar a voz de tanto gritar e depois voltou a se agachar.

— Acho que não fui clara o suficiente — sussurrou Bellatrix — Onde está Potter?

— A última vez que o vi foi antes da invasão no Ministério — sussurrou Amber, sentindo os olhos arderem.

— E quer que eu acredite que ele não entrou em contato? — disse Bellatrix, desdenhosamente.

Amber apenas negou com a cabeça, olhando para o outro lado. Suas pernas estavam tão doloridas que nem conseguia senti-las.

— Terrore Necromagica.

Isso foi definitivamente a pior parte. Amber encolheu-se de terror quando viu as aranhas aparecendo e indo diretamente para ela.

— Não! Não! Não! — gritou aterrorizada.

Sabia que isso era uma ilusão, as aranhas não existiam, era coisa de sua cabeça, mas não conseguia controlar a sua fobia. E a sensação de sentir esses insetos subindo em cima dela a paralisava de terror, sem nem conseguir gritar.

"Arania Exumai" pensou desesperada, mas o feitiço não fez efeito.

— Parece que alguém aqui tem fobia... — murmurou Bellatrix, deliciada — Finite Incantatem.

As aranhas se esfumaçaram no ar, levando as teias junto com elas.

— Quanto tempo acha que aguenta com a boca fechada? — sussurrou Bellatrix.

Amber não respondeu e Bellatrix colocou a mão em seu queixo, apertando com força, as unhas compridas arranhando, fazendo o rosto virar para ela.

— Quem entrou em contato com você? — perguntou Bellatrix — A mudblood?

— Ninguém entrou em contato — sussurrou Amber.

Bellatrix tirou a mão do queixo dela para lhe dar um tapa.

— Mentirosa — sussurrou Bellatrix, levantando-se.

Ela andou em volta de Amber mais uma vez, olhando para os raios de sol que entravam pela janela.

— Qual o dano mais permanente? — sussurrou Bellatrix — Físico ou mental?

— Você deveria saber mais do que qualquer pessoa — murmurou Amber — Já que Azkaban lhe trouxe os dois.

Bellatrix lhe olhou furiosa, antes de colocar a mão na manga da túnica, puxando uma adaga de dentro.

— Você não me deixa escolha — sussurrou Bellatrix, aproximando-se de Amber que tentou se afastar, mas suas pernas continuavam doloridas.

— Não! Não! — sussurrou Amber, forçando os braços para arrastá-la para trás.

Bellatrix deu um chute, fazendo-a cair de costas no chão gelado. A bruxa puxou o braço esquerdo de Amber que se debateu, mas não soltou o braço dela. Ela sorriu malignamente, enquanto enfiava a adaga no antebraço dela.

Amber apertou a mandíbula com força para conter o grito e sentiu um enjôo ao ver o sangue escorrer do corte recém feito. Um enjôo que nada tinha a ver com o sangue.

— O que eu deveria escrever? — sussurrou Bellatrix, pensativa, olhando para o teto, movendo a adaga para o lado bruscamente — Já sei! Vamos deixar claro quem você é: uma filha de mudblood.

Amber juntou saliva suficiente e cuspiu no rosto de Bellatrix, já que não podia mover nem os braços nem as pernas. Em resposta, Bellatrix deu uma curva com a adaga fincada em sua pele.

6h15min.

Narcisa fechou os olhos enquanto ouvia novamente os gritos roucos e quase mudos de Amber. Ela se levantou bruscamente da poltrona.

— O que você está fazendo? — perguntou Lucius, levantando o olhar do jornal.

— Já chega, Lucius — disse Narcisa — O Lorde das Trevas precisa dela inteira. Bellatrix não sabe ter limites, vai acabar matando-a e aí como poderão usá-la como isca para atrair Potter?

Lucius ficou em silêncio diante disso e concordou com a cabeça, voltando o olhar para o jornal. Draco soltou um suspiro quase mudo. Esses gritos estavam o enlouquecendo.

— Bella! — gritou Narcisa, entrando na sala pelo acesso que não estava sendo vigiado.

Bellatrix fez mais uma curva e tirou a adaga bruscamente.

— O que é? — perguntou, irritada — Eu estou ocupada!

— Já escreveu o que queria, já a torturou o suficiente — disse Narcisa, impaciente — Agora já chega!

— Ainda não sabemos onde está Potter! — gritou Bellatrix, levantando-se, desesperada — Essa é a prioridade do Lorde das Trevas! Capturar Potter! Imagina o quanto seríamos recompensados se o encontrarmos? O Lorde das Trevas perdoará tudo o que o seu marido fez!

— Olha o estado da garota! — gritou Narcisa, apontando para Amber com a palma para cima — Precisamos dela sã! Se quiser pode torturá-la todo dia, mas não tanto tempo!

A loira ajoelhou-se para avaliar os estragos que Bellatrix tinha causado.

— Se você tivesse usado Veritasserum, teria sido mais útil e rápido — retrucou Narcisa.

Ela levantou-se, foi até uma das portas e bateu repetidas vezes, com a mão aberta.

— Venham aqui, seus imprestáveis! — gritou, afastando-se.

As portas não demoraram a se abrir.

— Me chamou, madame Malfoy? — perguntou um deles, inclinando-se respeitosamente.

— Não, chamei um dedetizador para acabar com as pragas dessa casa — retrucou Narcisa, ironicamente — É claro que chamei vocês. Levem a garota para as masmorras e tentem fazer com que ela não morra no caminho.

Os Death Eaters olharam hesitantes para Bellatrix que pareceu ter recuperado a sanidade, olhando inexpressiva para a adaga cheia de sangue. Acordou de seus pensamentos ao sentir o olhar deles, que desviaram rapidamente.

— O que estão esperando? — perguntou Bellatrix, rispidamente, girando a adaga entre os dedos deixando pequenos cortes onde a ponta tocava — Querem experimentar essa adaga também?

Eles levaram Amber mais rápido do que uma barata fugindo do inseticida.

Desceram as escadarias das masmorras apressadamente e um deles foi para a frente, segurando as chaves da cela.

— Não se aproximem ou serão torturados — alertou um, empunhando a varinha entre as barras da cela caso alguém se aproximasse.

O da frente colocou as chaves rapidamente no buraco e girou diversas vezes, logo depois empurrando as celas. Um deles empurrou Amber para dentro antes que tivesse qualquer reação dos prisioneiros e fechou a cela rapidamente.

Dois prisioneiros aproximaram-se rapidamente, puxando com cuidado para um canto.

— Eu juro que mato aquela mulher... — murmurou Sarah, sentindo o ódio correr pelas suas veias — Ela vai pagar por isso.

— Ela desmaiou — disse Oliver, preocupado.

— Não poderíamos esperar mais, não é? — retrucou Fred — Ela foi torturada por quanto tempo?

— Não passou de meia-hora — disse Sarah — O que é isso no braço dela? Eu não consigo enxergar nada!

— Aqui tem um pouco de luz.

Sarah gritou com o susto, ao ouvir a voz.

— Sarah, você me deixou surdo — reclamou Fred.

— Isso já está virando rotina — disse Oliver.

— Me desculpem — disse a voz feminina que estava ao lado de Sarah — Mas não pensou que fossem os únicos prisioneiros, não é?

— Luna? É você? — perguntou Sarah, tentando enxergar no escuro, mas sem sucesso.

— Vem, tem uma luz aqui em um canto. Não é muita coisa, é só um buraco, mas deve ser o suficiente — disse Luna, apoiando as suas mãos em Sarah e Oliver para guiá-los.

— Quem mais está aqui? — perguntou Fred, enquanto os outros três levavam Amber para o outro canto.

— Olá, companheiros — disse Dean Thomas — Bom vê-los novamente.

— Ollivander também está aqui — sussurrou Luna, como se fosse um segredo.

— Continua falando, Luna — pediu Dean — Eu vou ajudá-los.

— E também tem um duende do Gringotts aqui — continuou Luna — Ele estava fugindo com Dean e Ted Tonks.

— E o que aconteceu com Ted? — perguntou Sarah, tensa.

— Fugiu quando fomos capturados — disse Dean, esbarrando em Fred — Desculpe.

— Infelizmente, ouvi que ele foi morto pelos Snatchers — disse Luna — Pensei que indo para o Potterwatch você teria escutado algo sobre isso.

— Ai, meu Deus! — sussurrou Sarah.

— Sarah, eu realmente sinto muito. Mas agora é hora de ajudarmos a Amber — disse Fred.

Sarah não respondeu. Eles chegaram perto da pequena fonte de luz.

— Aqui têm feitiços anti-aparatação — explicou Luna — E pegaram nossas varinhas. Tentei aumentar o buraco, mas não consegui. Devem ter feitiços de todos os tipos.

— Bem, vamos ver se é contra feitiços mesmo — sussurrou Sarah, colocando a mão dentro do short e puxando a varinha de dentro — Lumus.

Uma luz branca iluminou do topo da varinha. Todos tiveram que piscar diversas vezes para se acostumar à claridade repentina.

— Eu vou ficar de olho na porta — murmurou Dean, levantando-se — Não queremos que peguem sua varinha.

— Amber saberia um modo de desfazer os feitiços de anti-aparatação — disse Sarah, dirigindo a varinha para ver o braço de Amber.

Não dava para ver muita coisa, a pele estava vermelha pela fricção e cheia de sangue. Mas havia cortes mais profundos que indicavam que Bellatrix havia escrito alguma coisa nele.

— Tem que ter um jeito de a ajudarmos — disse Luna.

— Não sou boa em feitiços de cura — disse Sarah, exasperada.

— Não existe nada que cure feitiços que causem danos mentais — disse Luna, passando a mão pela testa suada de Amber e levantando o rosto — Ela está com febre.

Oliver aproximou-se para confirmar esse fato.

— E esses cortes no braço? — sussurrou Sarah — Nada?

— Você arrumou algo para curar a sua cicatriz no punho? — perguntou Luna, em resposta para a pergunta.

— Perfeitas cicatrizes de batalha — disse Dean perto das grades.

— Quer que eu te arrume uma também? — perguntou Oliver, irritado.

— Foi mal.

14h00min.

Amber não acordava e a febre não abaixava, pelo contrário, só aumentava.

— Vocês não recebem café da manhã, não? — perguntou Sarah, a varinha há muito apagada.

— Não, só almoço e jantar — disse Luna, cantarolando uma canção.

— E eles dão a quantidade de comida suficiente para uma adolescente com anorexia — disse Dean.

— Espero que esteja exagerando — disse Sarah, sentindo a barriga reclamar — Não tivemos tempo de tomar café da manhã.

— Não tiveram tempo nem de colocar uma roupa, não é? — observou Dean.

— Só os sapatos — disse Fred.

Sarah pensava na sorte que era ter escolhido um pijama decente nesta noite. Não costumava ter vergonha de usar short, mas pijama era bem diferente...

— E as torturas? — perguntou Fred — Como costumam ser?

— Todo mundo que chega aqui é torturado — disse Luna, como se estivesse falando do clima.

— Eu vou ser a última — disse Sarah — Bellatrix quer me torturar fazendo-me ouvir todos os meus amigos serem torturados antes de mim. Então, quando for minha vez, irá me torturar de todas as formas possíveis até eu implorar para morrer.

— Essa conversa seguiu um rumo meio lúgubre, não acham? — interrompeu Dean.

Eles ouviram o som de metal batendo em metal e viram a cela ser aberta.

— Não se mexam — disse a voz tremida de Draco, enquanto segurava a varinha acesa em sua frente.

Ao seu lado, Narcisa segurava uma bandeja com comida e água. Era exagero o que Dean havia dito, mas seguia sendo pouca comida para dividir entre oito prisioneiros.

Ollivander, que tinha ficado calado durante todo o tempo em que eles tentavam cuidar de Amber, tropeçou, fazendo Draco virar-se assustado.

Narcisa olhou para ele rapidamente, antes de colocar um saco de pano pequeno nas mãos de Sarah. Quando Draco virou-se novamente para a mãe, ela somente deixou a bandeja de prata no chão, levantou-se e saiu com Draco escoltando-a.

— O que diabos foi isso? — perguntou Fred, que percebeu o que Narcisa tinha feito.

Sarah tirou a corda do pequeno saco e encontrou um pequeno frasco de poção.

— Podemos confiar nela? — sussurrou Sarah, mostrando para os outros o conteúdo.

— Mas por que ela daria algo que prejudicaria ainda mais a Amber? — perguntou Oliver, pegando o frasco para observá-lo.

— É melhor pegarem a comida logo — disse Luna, pegando um pouco da quantidade — Eles pegam a bandeja dez minutos depois de entregar.

— Nossa! Nem almoçarmos em paz podemos — reclamou Sarah, pegando um pouco também.

— Eles devem ter medo de usarmos a bandeja para tentarmos fugir — disse Dean, bebendo um gole mínimo da garrafa e depois dando para Luna.

— Mais alguma regra desse presídio? — perguntou Sarah, tentando comer aos poucos, mas sua barriga reclamava por mais.

— Só nos deixam sair algumas vezes por dia para irmos ao banheiro — disse Luna, entregando a garrafa para Sarah — E fica nesse andar mesmo.

— Poderia ser pior... — murmurou Sarah, bebendo um gole da garrafa.

Amber começou a se mexer, murmurando coisas sem sentido.

— Está delirando — disse Luna, pegando a garrafa de Sarah e se levantando para dar a Ollivander e o duende.

— O que eles pensam deixando uma pessoa idosa aqui nessas condições? — perguntou Sarah, olhando para Fred.

— Eles não estão nem aí para isso — disse Fred.

Luna deu de beber a Ollivander e ao duende, que bebeu mais do que os outros, sem se importar que alguém estivesse com febre ali. Dean olhou com raiva para o duende, que o ignorou e Luna aproximou-se de Amber com o restante da água.

A loira rasgou a barra da camisa longa que usava e encostou na boca da garrafa, virando por um instante para molhá-la. Depois disso, passou o pano pela testa de Amber que seguia murmurando entre sonhos.

— Será que conseguimos lhe dar de beber? — perguntou Luna, distraída.

— Podemos tentar — disse Oliver, fazendo Amber jogar a cabeça dela levemente para trás.

Luna aproximou a garrafa da boca dela derrubando um pouco. Escorreu pelo queixo dela, mas ela abriu a boca um pouco mais e conseguiram lhe dar o resto.

— Eles estão vindo! Eles estão vindo! — disse Dean, afastando-se apressadamente.

Sarah aproximou-se da bandeja e pegou o resto da comida para dar a Amber, já que não sabia quando ela acordaria. Luna deixou a garrafa na bandeja no momento que a cela se abriu.

Narcisa desceu novamente com Draco atrás dela, pegou a bandeja e saiu o mais rápido que pôde, sem olhar para ninguém.

— Ela não pode piorar — disse Luna, apontando para o frasco de poção.

Sarah suspirou e pegou a poção da mão de Oliver, aproximando-se de Amber e fazendo-a beber, com ajuda do garoto.

— Agora só podemos esperar — disse Fred, esfregando as costas de Sarah.

16h00min.

— Sarah, se acalma! — pediu Fred, pela décima vez.

Sarah não tinha parado quieta desde que Amber tinha tomado a poção que Narcisa lhe deu. Colocava a mão na testa dela de cinco em cinto minutos.

— Eu só não entendo por que Narcisa quer nos ajudar — disse Sarah, impaciente.

— Porque Amber é uma Potter, talvez — indicou Oliver, com os olhos fechados.

Sarah olhou em volta, mexendo a perna, antes de colocar a mão na testa de Amber novamente.

— Abaixou a febre! — Sarah quase gritou, colocando a outra mão no pescoço dela.

— Tem certeza? — perguntou Fred, aproximando-se.

— Tenho — disse Sarah — Olha só!

— Antes que você volte a perguntar: não sei por que Narcisa ajudaria a Amber — disse Oliver — Talvez sejam ordens de You-Know-Who.

— Já estamos presos, acho que falar o nome dele não faz diferença — disse Sarah.

— Foi o mesmo que pensou Dean — disse Luna de algum lugar da cela — Eles o chicotearam.

— Obrigada pelo aviso — disse Sarah, encolhendo-se.

— É que o tabu meio que quebra as proteções do lugar, então eles pensaram que era uma tentativa de fuga — explicou Luna.

— Vocês podiam ter tentado — disse Fred.

— Não pensamos nisso na hora — disse Luna — Só pensamos depois, tentando entender o porquê de eles terem ficado tão nervosos.

— De certa forma, os ajudamos a deixar esse lugar impenetrável — murmurou Dean.

— Imagino a reação de Voldy se soubesse que todos os prisioneiros fugiram — disse Sarah, pensando vingativa em como Bellatrix estaria apavorada.

Eles voltaram a ficar em silêncio, até que Luna o quebrou:

— Você pode não acreditar, mas Draco e Narcisa não querem participar dessa guerra. Ao menos, não mais.

— Pelo que eu ouvi das conversas de Harry e Rony no dormitório — começou Dean — Ele foi obrigado pelo carinha sem nariz ou ele matava a sua família.

— Pode até ser — aceitou Sarah — Mas ele quis em um primeiro momento.

20h00min.

Amber acordou somente 4 horas depois e, como já era quase hora de Narcisa descer com uma nova bandeja, os outros dividiram entre si o que Sarah guardou de comida.

Dessa vez, quem desceu para deixar a bandeja não foi Narcisa, foi Draco. Escoltado por Pettigrew. Sarah simplesmente fuzilou o homem, que tremia dos pés a cabeça, com o olhar.

Continuava odiando-o por ter mandado seu pai para Azkaban e entregado os Potter, mas seu foco no momento era acabar com Bellatrix na primeira oportunidade que tivesse.

— Por que estão demorando tanto para levar outro lá para cima? — perguntou Dean, bebendo um pouco mais de água do que antes, já que agora a febre de Amber tinha acabado.

— Devem estar querendo nos torturar com a espera — disse Sarah.

— Você está tão positiva hoje — disse Amber com a voz um pouco rouca pelas horas que não falou nada.

— Que droga! — reclamou Sarah, de repente.

— Que foi? — perguntou Amber, mastigando.

— Acabei de me lembrar que enviamos um patrono a Lupin ontem — disse Sarah — Se ele concordasse, iria aparecer para ajudar no Potterwatch. Ia ser a primeira vez que eu o viria desde o Grimmauld Place, gostaria de saber se voltou com Tonks.

— Ah, voltou! — disse Dean, dando de ombros.

— Como você sabe? — perguntou Sarah.

— Esqueceu que Ted passou uns tempos fugindo conosco? — retrucou Dean — Ele comentou alguma coisa do tipo.

— De qualquer forma, gostaria de tê-lo visto — disse Sarah — Não quero morrer estando brigada com ele.

— Você não vai morrer — disse Amber, dando um soco no braço dela.

Sarah voltou a comer, ignorando-a.

— Tiveram notícias de Astoria? — perguntou Amber para Fred.

— Está na Dumbledore's Army — disse Fred — No começo, não confiaram muito nela, mas ela deve ter provado que era de confiança.

— Tenho medo de como ela fez essa prova — murmurou Amber, pegando a garrafa de Luna e dando um gole contido.

— Pode beber mais um pouco — disse Luna.

— Não, não tenho tanta sede — mentiu Amber, passando a garrafa para Oliver — Você comeu direito?

Ele não respondeu, bebendo um gole. Luna levantou-se para entregar uma parte da comida para Ollivander e o duende. Ollivander estava muito fraco para alcançar a bandeja e o duende era simplesmente antipático e preguiçoso demais para se aproximar.

Eles conseguiram terminar a tempo de Draco descer novamente para recolher a bandeja, com outro Death Eater o escoltando. Parece que Pettigrew não tivera coragem o suficiente para voltar.

Não tinha nem os colchões duros dos presídios muggles, eles tiveram que dormir no chão ou apoiados nas paredes de pedra.