Caminhando em direção ao banheiro do quarto de hotel, o ruivo trancou a porta enquanto se lavava rapidamente. Nada de banho demorado, apenas o suficiente para tirar aquele cheiro do seu corpo. Vestiu-se ali mesmo no banheiro e ao voltar para o quarto ainda teve o desprazer de encontrar a camareira ainda estirada em sua cama, a roupa levantada mostrando a nudez de seu sexo. Era realmente gostosa... e só.

— Levante-se vadia. Eu não tenho o dia todo.

A moça, ainda embriagada pelos minutos de prazer na cama daquele homem, levantou meio cambaleante. Ajeitou o vestido e ficou parada olhando para ele. Edward apenas ergueu a sobrancelha, cinicamente. Ela esperava o que? Que ele lhe desse beijinhos e dissesse o quanto foi bom? Ele não fazia isso nem com a noiva Kate, que dirá com uma vagabunda de uma foda só. Ele realmente não tinha tempo nem paciência para sentimentalismo barato. O que as pessoas esperam ao irem nuas para a cama? Um bom sexo, uma boa trepada e nada mais.

— Não me ouviu? Ou está esperando pagamento? Quanto é o programa?

Limpando as lágrimas, a moça simples saiu daquele quarto, odiando-se por ter sido tão fácil e não resistido quando as mãos grandes daquele homem apalparam suas nádegas. Escroto, sem coração.

Edward sabia quais eram as palavras que deviam rondar a cabeça da jovem, mas qualquer impropério dirigido a ele soava como elogio. Sem querer perder mais tempo, colocou a gravata, calçou os sapatos e pegou o paletó. Pegaria a estrada para Forks onde iria resolver as últimas pendencias com o traste do Billy Black.

Edward Cullen era um rico empresário de Seattle. Herdou a Perfect Beauty, maior empresa do ramo de cosméticos destinados ao público feminino, após o falecimento precoce dos seus pais. Um grave acidente de carro tirou a vida de Carlisle e Esme Cullen, deixando Edward sozinho com apenas vinte e dois anos. Foi obrigado a se virar sozinho, tomando as rédeas da empresa. E ele mal sabia o que deveria ser feito ali dentro. Mas contou com a ajuda de Aro Volturi, fiel funcionário do pai e em apenas três anos ele conseguiu quase dobrar o faturamento da empresa.

Morava sozinho na mansão onde viveu desde quando nasceu. Parecia um fantasma naquela casa enorme... somente ele e mais três empregadas e o motorista. No último ano a noiva Kate praticamente se mudou pra lá. Edward não reclamou. Era bom ter uma mulher disponível, assim não precisaria ir até ela ou pegar uma das empregadas sempre que quisesse sexo.

Há pouco tempo resolveu aproveitar o terreno que o pai tinha em Forks e abrir uma pequena filial. Não que quisesse algo naquele buraco de cidade, mas Aro disse que sempre foi o desejo de Carlisle, para que pudesse gerar mais emprego e renda para os moradores de sua cidade natal. Mas provavelmente, onde quer que estivesse, Carlisle não iria ficar feliz com as atitudes do filho. Pesquisando sobre o local antes de se decidir sobre a abertura da filial, Edward descobriu a reserva Quileute.

Seu tino comercial logo o avisou que aquele lugar seria importante para seu negócio. A quantidade de plantas que poderiam ser usadas nos cosméticos era extensa. E foi então que ele decidiu fazer uma proposta para Billy Black. Jogaria sujo se possível, mas ele queria aquela reserva. Tão logo a notícia se espalhou, começaram os protestos. Todos estavam contra a negociação. Como se ele se importasse com a opinião daquela gente.

Aliás, foi na sua primeira visita a reserva que ele teve o que seria a mais bela visão de sua vida.

Flashback on

Edward tinha acabado de conversar com Billy e estava eufórico com o rumo da negociação. Resolveu caminhar mais um pouco perto da praia quando a viu. Ele se escondeu um pouco, não querendo ser descoberto.

Feito um voyeur, ele ficou observando a linda garota de pele clara e longos cabelos cor de mogno. Usava um vestido branco, leve que esvoaçava conforme ela corria com um enorme cão negro. O corpo era generoso, curvas fartas que logo atiçou a libido de Edward, fazendo seu membro pulsar dolorosamente. Enquanto corria, mais dois cães apareceram para brincar com ela, o que acabou por atira-la no chão. Ela gargalhou... um som delicioso enquanto rolava pela areia. O vestido levantou um pouco, revelando as coxas grossas e a curva do bumbum redondo. Edward sentiu à vontade urgente de ir até ela e se enterrar naquele corpo gostoso. Precisava descobrir quem era a tal garota.

— Ainda por aqui, senhor Cullen? Pensei que já tivesse voltado para a cidade.

— Resolvi andar um pouco por aqui, Billy. Mas me diga... quem é aquela garota?

Ele fez uma careta e olhou para a garota com evidente nojo.

— Não é ninguém. Filha de uma prostituta da cidade. As duas vivem aqui na reserva porque na cidade todos as odeiam.

Edward deu uma risada debochada.

— Todos? Até mesmo os homens?

Billy também riu.

— Nós adoramos, mas temos que fingir não é? Se a filha for tão boa quanto a mãe...

Os dois homens riram e como se tivesse ouvido a risada, a garota se virou na direção deles. Seu corpo tremeu de medo ao ver o homem bonito e elegante que olhava pra ela. Não gostou daquele olhar, pois era o olhar de quem queria... devora-la. Sentiu os olhos úmidos e chamou Bear, para que corressem e assim ficasse livre do olhar dele.

Flashback off

Bella não sabia mais o que fazer para que as pessoas parassem de trata-la como se ela fosse como a mãe. Aos dezoito anos, Bella só teve uma pessoa na vida que foi Jacob Black. Ela tinha acabado de completar quinze anos quando ele a seduziu. Ingenuamente ela acreditou que ele gostava dela, mas após ter sido deflorada dolorosamente, ele confessou que preferia as garotas da cidade.

Às vezes Bella se pegava pensando como seria sua vida. Às vezes frequentava a escola da reserva, mas até lá ainda era discriminada. Não tinha estudo, passava horas fora de casa e não era raro vê-la na praia a noite. Quando isso acontecia é porque a mãe estava recebendo algum homem em casa. Bella limpou uma lagrima ao pensar que talvez esse fosse seu destino. Ser uma prostituta como a mãe. Usada e desrespeitada.

Renne pouco se importava com o que falavam dela. E também não se importava com a forma que tratavam a filha. Poderiam estar com uma vida razoável se Bella já estivesse fazendo programa. E foi pensando em inicia-la nessa vida que Renne praticamente a obrigou a se depilar por inteiro. Dizia que os homens preferiam mulheres lisinhas. Bella quase morreu de dor, mas não protestou. Apesar de tudo, ela acreditava que devia respeito à mãe.

Chegou em casa e se jogou no sofá duro. Felizmente a mãe não estava em casa. Fechou os olhos e estremeceu novamente ao se lembrar daquele homem. Sabia muito bem quem ele era. Sua mãe contou que a cidade inteira estava falando o quanto ele era cafajeste, desumano e safado. Bella o odiava e nem era por causa desses defeitos, mas sim pelo que ele pretendia fazer que era destruir a reserva. Ela sentia nojo dele. Verdadeiro asco. Mesmo sendo uma pobretona sem eira nem beira, filha de prostituta, ela tinha certos princípios que aprendeu com algumas senhoras bondosas e sem preconceitos da reserva. E se algum dia ela tivesse oportunidade de ficar cara a cara com Edward iria dizer a ele tudo o que pensava sobre sua pessoa, embora sua vontade fosse mesmo de cuspir na cara dele.