É o que dizem, quando pensamos que não há mais nada para piorar um péssimo dia, algo vem e nos mostra o contrário.

Jennifer raramente era fria comigo, algumas vezes quando estava em um dia ruim, mas era bem difícil. E o jeito que ela me tratou ao telefone agora a pouco, me deixou bem claro que ela estava chateada, entretanto eu não podia culpá-la. Não foi a primeira vez que deixei de fazer algum programa com ela ou com nosso grupo de amigos por Fred.

O dia demorou a passar, fiquei horas escolhendo uma roupa que alegrasse minha cara e por fim, escolhi um vestidinho branco que modelava bem minha cintura, mas era bem soltinho, peguei um casaco vermelho e calcei uma sandália rasteira. O bolo que resolvi fazer na parte da tarde para levar acabou solando. No lugar, fiz uma torta de limão que deixava Jennifer completamente louca, talvez isso a deixe menos chateada.

21h30min

Estacionei enfrente a garagem dela às 22h15min o transito estava horrível!

Vesti o casaco antes de descer do carro com a bolsa no ombro esquerdo e a torta nas mãos. Eram cerca de 15 degraus até chegar à porta, porque tantos? Mas graças a Deus, eu estava de sandália, sou um pouco estabanada e ninguém merece sair rolando de uma escadaria dessas.

Consegui subir todos sem tropeçar, que glória, toquei a campainha e a porta não demorou a ser aberta, entretanto Jennifer não tinha uma cara muito satisfeita.


Josh e Ginny me deixaram ás 17h em casa. Assim que consegui, liguei para um restaurante Italiano, que era um dos preferidos de Lana e pedi o nosso jantar. Ela adora comida Italiana e nunca conheci uma pessoa que goste tanto quanto ela. Uma vez ela disse que é culpa da mãe, pois quando pequena comia muito macarrão, pizza e um doce com nome bem estranho que não me recordo o nome.

Demorei quase uma hora pra escolher uma roupa "apropriada", e por fim, peguei um jeans azul que valorizava bem minhas curvas não muito avantajadas e uma blusa de seda branca transparente. Talvez ela me olhasse..

Claro, até parece! Deixa de pensar merda Jennifer!

22h00min

Nem um sinal de vida ela me deu! A comida já tinha chego a bastante tempo, e provavelmente precisaria ser esquentada quando fossemos comer. Se fossemos. Juro, que se ela me deixasse esperando por mais 10 minutos ela ia ouvir poucas e boas.

É melhor não me deixar plantada aqui Lana! Juro que não vou relevar...

#

Quinze minutos e nada dela chegar. Não liguei uma vez sequer para o telefone dela, pois ela deveria ter feito isso. Seria o mínimo de consideração, mas isso era algo que definitivamente eu estava vendo que ela não tinha comigo.

Tirei minha sandália e fui até a cozinha pegar uma garrafa de Heineken. Tomei duas em menos de 10 minutos e quando abrir a terceira, minha minha campainha tocou, fui com a garrafa na mão e antes de abri a porta joguei o cabelo para trás e respirei fundo.

MERDA! MERDA!

MERDA! MERDA!

Minha raiva toda virou desejo, puro desejo!

Como ela se atreve a vir desse jeito a minha casa? Ou melhor, a aparecer assim na minha frente? Meu coração estava disparado, eu precisava ficar calma. Puta merda!

- Jen me perdoa! Me enrolei totalmente e pra melhorar o transito tava um merda! - ela disse com dificuldade, tentando arrumar a bolsa no ombro enquanto segurava uma tigela nas mãos.

- Entra.. eu te ajudo.. - digo pegando a tigela das mãos dela e indo pra cozinha.

Deus me ajuda! O senhor não quer me ver pulando em cima dessa mulher e arrancando a roupa dela. Não quer mesmo!

- Porque não .. - escutei a voz dela atrás de mim e quase enfarto.

- Hã? Porque não o que?- digo meio desesperada.

- Nada, só agradeci. - ela sorriu torto.

Lana estava incrivelmente linda, e muito, muito gostosa!

- Sem problemas, você deveria ter ligado. Eu teria descido para te ajudar, a tigela estava pesada.- falei a repreendendo um pouco.

- Mas eu tenho força! Mania de vocês acharem que eu sou fraca.- ela faz uma careta.

- Vocês? - bebi um gole da cerveja.

- Fred, ele não me deixa carregar quase nada.- ela revirou os olhos e sorriu.

- Claro... Mas você já se viu? É Toda pequena e magrinha, ás vezes, parece que vai quebrar..

- Sou mais forte do que pensa. - ela disse arqueando a sobrancelha e me provocando como ela fazia.

Parecia proposital, me ajuda aqui mulher! Não resisti e praticamente a comi com olhos de cima a baixo e ri provocativa.

- Vai se arrepender disso Morrison.. - ela cerrou os olhos.

Se eu continuasse com esse jogo isso não ia prestar. Então me vi obrigada a mudar de assunto.

- Com fome?- pergunto.

- Morrendo. - ela riu.


- Sua casa é muito bonita Jen. - ela disse sorrindo. - É bem sua cara mesmo! - ela olhada as coisas em volta de si.

- Obrigada. - respondi.

Apesar da conversa que tivemos na cozinha, Lana percebeu que eu estava chateada, mas não se manifestou. Ela me ajudou a por a mesma e depois a comida. Nos sentamos uma de frente para outra na mesa de jantar e começar a comer.

- Você tem preferência por vinho? Têm alguns na adega, pode escolher. - falei apontando pro local.

Lana se levantou e caminhou atá a adega, mas logo voltou à mesa.

- Você não é chegada a vinho, é? - Lana perguntou colocando a garrafa do Château Mouton-Rothschild 1945 na mesa.

- Não muito, meus irmãos e meus pais sim, eles amam vinho, então sempre compro.- me sirvo um pouco na taça e depois coloco um pouco na dela.

- Percebi.. - ela soltou um pequeno riso e nós começamos a comer.

- Uau, isso esta muito bom! - ela disse. - Como sabe que Italiano é minha comida preferida?

- Você me disse uma vez. - falei tomando um gole do vinho.

- Olha, não sabia que cozinhava tão bem assim, acho que me aproveitarei disso.- disse brincalhona.

- Não fiz, não tive tempo de preparar nada, já que você tinha cancelado tudo. - falei ríspida de mais.

Lana parou de comer no mesmo instante. Ela tomou um pequeno gole de vinho e apertou os olhos com força. Suas mãos passaram lentamente no curto cabelo e um suspiro saiu de sua boca avermelhada.

Ela estava tensa.

Sempre que passava as mãos no cabelo devagar era sinal de nervosismo.

- Eu queria me desculpar por ter cancelado o jantar.- ela começou.

- Eu deveria estar acostumada, já que não é nem a primeira, e muito menos a segunda vez que isso acontece. - sorri debochada.

- Jen me desculpa, não faço por mal é que..- não consegui me conter.

- Para Lana, por favor, pare! - Coloquei minha taça na mesa.- Não aguento mais você pedindo desculpas pelo mesmo motivo. Olha, entendo perfeitamente que seu namorado more longe e que quando ele vem, você esta louca pra encontrar com ele e tudo mais, eu realmente entendo isso. Mas sempre é isso! Ele diz que vem e que se foda o mundo! Você vai fazer tudo por ele como um cachorro correndo até o dono, deve ser por isso que ele não liga pra você.- falei tudo o que estava engasgado. Sem medir minha raiva, ou minhas palavras.

- Assim você me ofende Jennifer! Sei que às vezes faço tudo por ele, mas também não é assim.- ela falou brava.

- Às vezes? Às vezes Lana? Sempre! Aposto que se ele te liga agora, e diz que esta aqui, você me largaria no mesmo segundo. Não to querendo bancar a ciumenta não, mas só peço o mínimo de consideração. Porra, é pedir muito pra você? - minha voz aumentou.

Eu estava com tanta raiva que só me dei conta que ela estava chorando, quando ela puxou o ar com força e um gemido abafado saiu de sua boca, instantaneamente ela levou as mãos para o rosto e o cobriu.

- Merda! Lana... Não estou com raiva de você, tenho raiva do que você esta fazendo.. - tentei falar calmamente.

- Eu fico.. Cega quando o assunto é ele. Nenhum homem me tratou assim! Eu.. Nunca, nunca me senti presa a ninguém e ele parece me ter nas mãos.- ela falava com dificuldade.

Doí de vê-la assim!

- Eu não deveria falar isso, principalmente agora, mas não acho que ele te mereça. Ele mal te liga Lana, quase nunca vem te ver, e sempre que faz qualquer um dos dois, você fica mal. Fica horas chorando por um homem que mal te ama. Se isso é amor... Definitivamente não sei mais o que significa é essa palavra.

- Ele me ama sim! - Ela gritou.- Você diz isso porque não suporta a ideia de alguém me amar, porque você tem inveja de mim! É egoísta! Só pensa no que você vai ganhar, estou cheia disso! Posso até fazer coisas erradas, mas você é uma hipócrita!- ela levantou da mesa aos prantos e fui atrás dela.

- Sabe qual é a verdade? - ela se virou bruscamente.- Você tem medo! -soltou um riso vazio. - Teme que as pessoas só gostem de você pelo que você tem, seu dinheiro, sua fama, mas isso não é minha culpa, nada disso é minha culpa. Então para te tentar me culpar por tudo! - ela estava descontrolada, estava berrando.

Me aproximei dela com calma e a abracei. Mesmo ela tentando se soltar, eu a segurei.

- Me solta! Não quero seu abraço, odeio o que você me faz sentir! Odeio o que você faz comigo, o que você me fez virar! - ela me empurrava para se soltar, ela era forte, mas eu não a largaria.

- Calma querida, vai ficar tudo bem, eu to aqui, vai ficar tudo bem.. – a apertei mais forte contra mim e beijei seu ombro.

Com esse jesto ela desabou nos meus braços.

E vê-la assim, ver a minha Lana assim, acabou comigo!

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