Jennifer'

Mais tarde, quando voltava pra casa com Julia e Elli, passei a maior parte do tempo calada. Não devia ter ido atrás de Lana, agora ela sabia que eu ainda a amava, que sempre amaria.

Merda!

- Jennifer! – Julia gritou comigo.

- Que? Porque gritou? – olhei confusa pra ela.

- Porque o sinal esta aberto há uns dois minutos! E você esta pensando em sei lá quem!– ela disse com uma sobrancelha levantada.

- Desculpe... – disse saindo com o carro.

Assim que chegamos ao meu apartamento, Julia colocou Elli na cama, que relutou um pouco pra dormir, pois queria continuar brincando com a boneca que Lana tinha dado a ela. Elli não era uma criança fácil de conquistar, mas era de Lana que estávamos falando né... Então qualquer pessoa é facilmente conquistada por ela.

Enquanto isso, resolvi fazer alguma coisa pra comermos. Já que nunca cozinhava por morar sozinha, gostava de fazer quando alguém vinha pra cá. Julia havia trago um vinho muito bom, um dos meus preferidos, e como adorávamos todo tipo de macarrão, misturei alguns, e coloquei no óleo.

- Ela finalmente dormiu.– Julia apareceu na cozinha meio descabelada.

- Não lembro da Elli dando tanto trabalho assim.– disse rindo e sentando no balcão da cozinha.

- Ela ta crescendo, ta ficando mais elétrica... E ai, o que ta fazendo? – ela disse sentando na cadeira.

- Macarrão. Depois você faz o molho branco? – disse sorrindo.

- Já me explorando? Antigamente não era assim. – ela riu.

- Antigamente eu mandava, não pedia, quer que eu volte? – provoquei.

- Não, não. Retiro o que disse!- ela levantou as mãos

Ficamos conversando sobre coisas aleatórias. E em nenhum momento falamos sobre meu trabalho afinal, Julia sabia que eu não era muito fã de falar sobre isso. Parecia que era a única coisa que existia na minha vida.

Quando ela terminou o molho e o jogou no macarrão, sentamos nas cadeiras da bancada mesmo.

- Maravilhoso! – Disse tomando um pouco de vinho.

- Obrigada, obrigada! Muito obrigada! – ela disse tirando comigo.

- Idiota!

- Puxei você!

- Talvez... – disse sem pensar.

- Hmm, porque em Jen? - ela sorriu como se tivesse descoberto algo.

- Ih nada! Ta maluca? – ri de nervoso. Julia era muito esperta.

- Quem é? Desembucha Jen! - ela sorria alegremente.

- Quem é o que Julia? Não viaja vai. - comi mais um pouco.

- Jennifer você acha que eu sou cega? - bebericou o vinho. - Quem esta tirando seu sossego que já é mínimo? – e comeu.

- É complicado, e já acabou... Não importa mais...

- Importa a partir do momento que você esta ficando assim. Até sua voz ta diferente, seu humor! Sei que não é o Sebastian. Porque pelo amor de Deus né, aquele namoro de vocês era estranhíssimo! - ela fez uma careta.

- Não... O Sebastian era um fofo. – sorri – Ele gostava de mim, não me amava, mas não posso exigir muito porque não amava ele, gostava muito! Me fazia bem, me distraia...

- Mas...

- Não era quem eu queria que fosse. - desisti de esconder.

- É, a mamãe vivia falando que você não amava ele. Eu acha que talvez amasse né, mas que era estranho isso era. – ela limpou o cantinho da boca e continuou. – Então... Quem é a pessoa?

Julia sabia que eu já havia me envolvido com mulheres. Nunca me julgou por nada, muito pelo contrário, às vezes era mais compreensiva do que eu esperava. Dizia que ninguém tinha o direito de julgar o outro, apenas Deus.

- É do trabalho. – disse indo até a panela do macarrão.

- Lana não é? - ela disse naturalmente. Quase deixei a panela do macarrão virar.

- QUE? - foi a única coisa que saiu da minha boca.

- Eu sabia! Desde a primeira vez que você falou dela, como se ela fosse perfeita! Quando eu comentei que a achava muito boa atriz, você desconversou. E hoje, ela veio falar comigo do nada. Achei estranho, afinal sou apenas sua irmã, mas tudo bem! Mas ai, quando ela entrou no camarim e saiu daquele jeito, eu soube na hora que tinha alguma coisa ali. – ela falava como se tivesse acertado na loteria. - Ela disfarçar mal que misericórdia, e você, não faz muita questão de esconder quando se incomoda com alguma coisa né.

- Eu... Não é assim.

- Jen tudo bem, sem julgamentos pelo amor de Deus! - Ela fez cara de ofendida. - Olha, depois do seu aniversário de 19 anos, eu não me surpreendo com mais nada! Mas vamos combinar né, você podia tratar ela melhor.

- Ela... Ela já me machucou muito! E eu também a magoei. Não tanto, mas não se trata do quanto eu ou ela nós magoamos, não é uma competição! Só não deu certo. - tomei um gole de vinho e completei. - E não vamos falar sobre os meus 19 anos, porque você também fez muita merda no seu.

- Nem tente comparar Jennifer! - Ela riu. - Mas enfim, Por quê?

- Porque ela não ia largar o namorado/atual noivo dela, por mim.

- Por quê?

- Porque ela acha que não vale apena! Ela acha que o que tivemos não foi nada, ela só queria sexo e eu dei isso a ela, pronto. – larguei o garfo com raiva.

- Ela te disse isso? – Julia me olhou desconfiada.

- Não, mas Julia... O Fred quase flagrou a gente uma vez! E ela teve a cara de pau de dizer pra mim, que não sabia que ele ia voltar pra casa! Ah, faça me o favor. Posso ser loira, meio lesada as vezes, mas burra? To muito longe de ser.

- Eu nem quero imaginar o que vocês estavam fazendo, mas Jen, já passou pela sua cabeça que ela possa ter falado a verdade? Quero dizer, se ela não largaria ele por você, e era puro sexo, talvez uma distração, porque por isso em risco?

- Já, e parte de mim acredita nisso, mas ela nunca o deixaria por mim Julia! Ela nunca assumiria a gente. - minha voz parecia presa.

- E é muito importante pra você que todo mundo saiba de vocês? Quero dizer, você é uma pessoa que faz tanta questão de privacidade, pra que expor isso? Não é da conta de ninguém Jen! Ok, ela esta errada de querer por você no papel da outra, mas você parece mais preocupada em querer que todo mundo saiba, do que ter ela realmente.

- Eu a quero! E só de pensar nela com outra pessoa, beijando outra boca me da nojo! – disse com raiva.

- E porque não fala isso pra ela?

Dei uma risada triste e disse:

- Porque não faria diferença. – e ela se calou.

# #

Era lá pras 04h30min da manha, quando Julia, entrou no quarto de Jennifer. A loira estava toda enrolada no edredom branco bem grosso, dormindo profundamente. A morena pegou o telefone dela sobre a cabeceira da cama, e saiu do quarto. Como previsto por ela, Jennifer deixava a tela destrancada a noite, o que facilitou muito seu "trabalho". Foi para os contatos e correu com os dedos para a décima segunda letra do alfabeto, onde ficava o nome que procurava. Era o o número e travou a tela.

Entrou novamente no quarto da loira que continuava na mesma posição. Devolveu o telefone para mesmo lugar, e saiu rapidamente do quarto.

- Espero estar fazendo o certo... – disse num sussurro.

# #

Lana'

Acordei mais cansada que o normal naquele dia, pelo menos era sexta. Fred ainda dormia quando me levantei. Tomei um banho quente, lavei meus cabelos, e tentei tirar as marcas vermelhas do meu corpo, mas não obtive muito sucesso. Quanto mais esfregava, mais vermelhas ficavam.

Vesti uma lingerie branca, coloquei uma calça de couro preta, blusa branca, jaqueta preta e botas. Liguei o secador. Não dava pra sair de casa com os cabelos molhados, no frio de Vancouver. É pedir um resfriado.

Estava terminando de secar meus cabelos, quando Fred entrou no banheiro.

- Nossa, tem como fazer mais barulho? – ele disse sonolento e irritado.

- Eu tenho que ir trabalhar, não posso ir de cabelo molhado! – disse revirando os olhos.

Ele não disse nada, apenas voltou pra cama.

Quando terminei, peguei minha bolsa no quarto, meu telefone e quando ia sair ele disse:

- Quando chegar, vamos conversar.

- Que seja. – disse baixo, e bati a porta.

Desde que Jennifer me "deixou", fiquei um tanto fria. Não que tratasse as pessoas mal ou algo assim, mas parecia que algo dentro de mim havia morrido, estava vago sabe? Apesar de termos nos envolvido sexualmente, e emocionalmente, tínhamos uma amizade.

Reconheço que não dei tanto valor, mas me fazia muita falta. Ela me fazia muita falta.

Em todos os sentidos

Entrei no meu carro, e liguei o som. Demons – Imagine Dragons tocava.

Merda!

Aquela musica me lembrava tanto dela, parecia um carma já todo dia, a essa hora, ela tocava. Comecei a dirigir para o set, uns quarenta minutos da minha casa até ele, nada muito cansativo.

#

Era inevitável pensar nela, em como as coisas poderiam ter sido se eu não tivesse cedido... Porque ela investiu, mas eu deixei que ela investisse. Então, não podia simplesmente culpá-la por tudo. O difícil, era ela me tratar com indiferença, isso me matava! Mas ontem, quando "discutimos" ela me disse algo que não consigo esquecer:

[...] Você não precisa me pedir, porque você já me tem, o fato é que hoje, eu tenho noção da onde eu posso ir, do que posso fazer pra não me jogar nos teus braços e te amar [...]

Não sabia do que ela sentia ao me olhar, o pensava de mim, mas sabia que ela ainda me amava! Ainda me queria! E se tem uma coisa que fui "obrigada" a aprender com Regina, é que quando você consegue seduzir uma pessoa, você consegue muitas coisas dela.

E nesse momento, eu queria Jennifer, e faria de tudo pra ter ela de volta!

Pode ser loucura minha, afinal eu estou noiva, mas não tive muita opção... Estava a dois quarteirões do set, quando meu telefone começou a tocar.

Número não identificado

Estranhei, mas atendi.

- Alô? – disse parando no sinal vermelho.

- Lana? – uma voz feminina falou.

- Sim, quem é?

- Julia, irmã da Jen, lembra? – ela disse meio tímida.

- Hey, lembro sim... – tentei disfarçar a surpresa.

- Sei que você deve estar estranhando eu ligar pra você, e tudo mais, mas eu precisava muito conversar com você.

- Comigo? ... Não, tudo bem, mas não imagino sobre o que possa ser... – disse encabulada.

- Sobre a única coisa que temos em comum. – ela foi direto ao ponto.

Era mesmo irmã de Jennifer.

- Jen... – disse sem notar.

- Exatamente! Então, você pode se encontrar comigo amanhã?

- Amanhã? Bom, posso a parte da tarde, podemos almoçar juntas se estiver tudo bem pra você. – disse acelerando o carro.

- Ok! Bom, você conhece as coisas por aqui... Então, me passa um endereço mais tarde, pode ser?

- Claro, passo sim.

- Ok! Tenha um bom dia Lana, e desculpa qualquer coisa. – ela riu.

- Imagina! Você também. – sorri – Até mais tarde então, beijo.

- Beijo! - e desligou.

- Que porra foi essa? – disse encarando meu telefone.

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