VOLTEEI GENTE!

O dia no estúdio tinha sido bem cansativo.

No caminho pra casa, mandei o endereço de um restaurante discreto pra Julia marcando o horário. Quando cheguei a casa, vi tudo escuro. Fred devia ter saído. Tirei as botas, meias, casaco e me joguei no sofá. Estava exausta. Liguei a TV, passava um filme de ação, não dei importância, mas não desliguei.

Passei o dia todo pensando no telefonema de Julia. O que ela poderia querer comigo? Será que Jennifer havia contado? Porque não tem outra razão. No banho, enquanto a água escorria pelo meu corpo envolvi-me num abraço e encostei a testa na parede fria.

- Tudo podia ser tão mais fácil...

Lana estava tão distraída nos próprios pensamentos, que não percebeu seu noivo entrando no banheiro. Ele retirou as roupas e viu sua mulher distraída, que há muito tempo não é tão sua assim. Deus como ela continuava gostosa, mais até...

Fred ficou totalmente nu. Abriu a porta do Box e Lana continuou imóvel. Pelo incrível que pareça, ela não tinha notado o outro corpo dentro do Box, mas quase enfartou quando sentiu seu corpo sendo puxado para trás por duas mãos possessivas.

- DEUS! – ela disse aflita. – O que você está fazendo? - ela olhou assustada para Fred.

- Cheguei e vi que você estava aqui. Vim tomar um banho com você... – ele beijou o pescoço dela, segurando sua cintura.

- Fred para... Eu não quero... – ela tentava se afastar, mas ele era mais forte.

- Qual a desculpa da vez? Dor de cabeça? Cansada? Menstruada? Nada disso cola mais. – ele olhava sério pra ela. – Você dava essas desculpas pra ela também?

- Do que está falando? – Lana arregalou os olhos.

- Acha que eu não sei? Você deve se achar muito esperta. – ele riu. – Mas não tanto pra limpar o quarto que você transou com ela. Eu sei disso há muito tempo, querida.

Ela não falou nada, não conseguia.

- Agora vem aqui. – ele a puxou novamente.

Fred passava as mãos pelo pequeno corpo da noiva, que continuava imóvel, chocada com a revelação. Ele agarrou os cabelos negros, e a fez olhar para ele.

- Antes que me pergunte o porquê de continuar com você, de te pedir em noivado, eu digo. Você é inteligente, linda, é muito gostosa. Então porque não? É boa com os meninos, vai ser uma boa mãe pros nossos futuros filhos...

- Você é ridículo!- ela disse com raiva. – E sabe que eu não sinto vontade de ser mãe... – ela tentava escapar dos braços dele.

- Mas vai! Ou todo mundo vai descobrir do seu caso nojento! – a empurrou contra a parede. – Imagina a reação da sua mãe? – ele gargalhou. – Imagina ela descobrindo que a filha dela, a menininha dela, gosta de uma... – ele não concluiu. Lana deu um tapa na cara dele.

Fred ficou possesso e agarrou o pescoço dela.

- Você não aprende não é? Não pode competir comigo amor, porque eu sempre ganho. – Lana estava sem saída.


Sentia os beijos dele em seu pescoço. Queria sair dali, mas não conseguia. A cada toque em seus lábios, Lana se lembrava dos lábios de Jennifer, que definitivamente não eram iguais... Estremeceu quando sentiu o corpo de Fred deitar sobre o dela. Estava enojada, sendo "forçada" a isso. Nunca imaginou se submeter a tal humilhação. Mas ela sabia que Fred não era de brincar.

- Sei que você esta gostando. – ele beijava o pescoço dela.

Lana não respondeu. Não queria falar com ele. Ele a beijou mais uma vez, mas dessa vez ela foi obrigada a corresponder. Ele se colocou entre suas pernas, dando início ao momento mais difícil daquela noite. Sentiu-o posicionar o membro em sua entrada, estava apavorada. Não queria dar continuidade, mas não pediu que ele parasse, tinha medo de sua reação.

Era doloroso demais se ver naquela situação com seu próprio noivo, com o homem que um dia ela amou desesperadamente! Quando o membro de Fred a invadiu, considerou que era tarde demais para voltar atrás.

- Sempre tão apertada... – ele disse mordendo o rosto o rosto da noiva.

Vou a se mover dentro dela depois de tanto tempo, e ela sentia que ele estava feliz por aquilo. Ele dizia coisas repulsivas em seu ouvido. A voz dele misturada aos gemidos só fazia Lana sentir mais nojo daquilo.

Ela tentou se lembrar da voz de Jennifer. A loira a fazia enlouquecer, prestes a gozar, apenas com a voz. Ouvir a voz de Fred dizendo aquelas coisas estava fazendo com que ela sentisse vontade de chorar. E ela chorou. Silenciosamente... Ele continuava penetrando ela, aumentando o ritmo, marcando seu corpo com aquele ato desprezível.

Sua alma.

O choro ia se tornando mais forte. Ela virou o rosto e fechou os olhos, rezava para que ele não percebesse o que estava acontecendo. E não percebeu. Estava tão excitado por ter conseguido o que queria, que foi incapaz de perceber o estado tenebroso da noiva.

- Deus você é tão gostosa... Puta merda! – dizia segurando forte nos braços dela.

Algumas poucas estocadas depois, e ele atingiu o orgasmo. Lana não chegou nem perto disso. Fred gemia em seu ouvido enquanto gozava forte. E a morena sentia os espasmos intensos do corpo grande do noivo, sentia como se fosse todo peso do mundo sobre ela. Ele manteve-se mais calmo, beijou os seios da morena, sugando os mamilos e depois mordendo, acariciando suas pernas.

Ela sentiu como se traísse Jennifer. Como se só ela tivesse direito sobre seus seios, sobre seu corpo... Quando Fred saiu de dentro dela e se virou para o lado, a levou consigo. Pretendia buscar os olhos de Lana, mas ela deitou sobre seu peito, evitando qualquer contato visual que entregasse seu real estado emocional.

Fred ficou satisfeito e logo se rendeu ao cansaço. Acabou dormindo.

Ao perceber isso, Lana se levantou e foi ao banheiro. Olhou-se no espelho e viu as marcas em seu corpo. Seus braços estavam vermelhos, o pescoço não tanto, dali alguns minutos ia voltar ao normal. Mas a maior marca estava na alma. E ela havia acabado de comprovar que não conseguiria se livrar dela.

Foi em direção ao box e ligou o chuveiro. Voltando a chorar. Queria que a água levasse embora aquela sensação ruim que sentia, mas quando começou a lavar o corpo, sua mente passou a lhe torturar. Lembrava dos toques de Fred em seu corpo com tristeza, enquanto lembrava-se dos da loira com saudade, com necessidade. Tentou segurar os soluços do choro e conseguiu. Fred não podia acordar. Terminando o banho trocou de roupa, e relutou em deitar novamente.

Queria sair dali, e o fez, mas antes buscou o celular. Sentou-se na escada da casa. Encolhida, rodeando as pernas com os braços. Sabia que talvez não devesse fazer isso, mas fez...

- Lana? - a voz era pesada de sono.

- Não devíamos ter feito isso!- a morena chorava.

- O que houve? ... Por que você está chorando?- Jennifer perguntou preocupada.

- Eu... - chorava ainda mais, mesmo que tentasse manter a voz baixa.

- Lana fica calma. Por favor, calma! Me diz o que aconteceu.- Jennifer estava seriamente preocupada.

- Ele descobriu... E, ele... - seu pranto era sofrido

- Ele o que Lana? O que ele fez?

- Eu não tive escolha... Você tem razão quando diz que brincamos com fogo...

- Lana eu não estou entendendo nada! Onde você ta? Me fala que eu vou ai!

- NÃO! – ela falou desesperada.

Jennifer sabia que tinha algo errado, ela podia sentir.

- Vem pra cá... Se você não vier, eu vou aí! – a loira disse decidida

- Não! Por favor... Foi um erro te ligar.

- O que?

- Eu... Eu não posso Jen... – sua voz saiu como um sussurro do outro lado da linha.

Jennifer não se importou de estar com roupas de dormir. Passava da meia noite, mas quem se importa? Lana precisava dela! E apesar de tudo, de ter se jurado milhões de vezes que não iria mais se importar com ela. Ela a amava. E iria até o inferno por Lana.

Pegou as chaves do carro e abriu a porta, mas não chegou a sair.

- Aonde você vai? – Julia apareceu de repente.

- Preciso sair. Não espera por mim. – mas a irmã se colocou na frente da passagem.

- Não sabe o que ta acontecendo lá!

- Por isso mesmo, e se ele... Deus me deixe passar. – tentou mais uma vez.

- Jennifer eu conheço você! Esta nervosa, e não pensa quando ta assim! – Julia a segurava – Por favor, não vai. Você não conhece ele!

- Mas ela precisa de mim! Você não escutou a voz dela no telefone. Ela ta desesperada, quebrada... Eu já vi Lana assim, e dói em mim Julia! – comecei a chorar.

- Ela ligou pra você, mas podia ter ligado pra policia, ou pra qualquer outra pessoa. Eu não vou deixar você sair daqui. Não mesmo! – Julia falou decidida.

Jennifer desabou.

Julia a envolveu num abraço reconfortante e viu a irmã chorar como há muito tempo não via. A loira chorava por não poder ajudar Lana, e por dar razão à irmã. Afinal, porque ligar justo pra ela? Elas não estavam tão próximas assim, muito longe disso, mas não fazia com que a loira se importasse menos.


Lana tinha acabado de estacionar o carro enfrente o restaurante. Pensou seriamente em desistir, inventar alguma coisa para Julia, mas ela já estava quebrada, o que de pior poderia acontecer?

Adentrou o local e logo viu a copia de Jennifer, na versão morena, sentada no fundo do restaurante. Caminhou até ela em passos lentos, segurando firme sua bolsa de couro preta.

- Julia. – A mulher desviou o olhar do telefone para encará-la.

- Hey! – Se levantou para cumprimentar Lana, e elas sentaram logo depois.

- Desculpa a demora, mas ficou um tanto difícil sair de casa. – Lana sorriu torto. – Mas aqui estou! - Encolheu-se.

- Tudo bem. Não cheguei no horário também, tive que convencer Eli a ficar com Jennifer e não vir comigo. – ela sorriu.

Droga! O mesmo sorriso.

- Confesso estar curiosa pra saber o motivo do nosso, "encontro".

- Deve imaginar sobre o que seja.

- Sua irmã...

- Sobre vocês e essa historia complicada, acabada? Inacabada? Torturante.

- Imaginei... – disse sem graça.

- Minha irmã não consegue esconder as coisas de mim por muito tempo Lana. É um defeito que nós duas temos, principalmente com algo que está fazendo mal a ela.

- Não me julgue sem saber. – falou serenamente. - E é mais torturante, do que você possa imaginar.

- Você a ama? – Julia foi direta.

- Sim!

- Então por que não ficou com ela? Foi... Por vergonha? Pelo que iam pensar de vocês? De você?

- Eu a amo, mas o meio em que vivemos é cruel Julia! E sua irmã não ia saber lidar muito bem com isso...

- Com o que? Com pessoas inventando fofocas? Com a falta de privacidade? Você não conhece nem um terço da minha irmã Lana, não tem idéia das coisas que ela já passou. Que já falaram dela!- a irritação da mulher era evidente. - E sinceramente, parece que você não ia saber lidar com isso, não ela.

No fundo era Lana quem temia que isso acontecesse, mas ela não tinha medo do que iam pensar ou fala delas. Tinha medo de alguém muito especifico alguém que significava tudo pra ela. Sua mãe.

A mulher que a criou com tanta religiosidade não era preconceituosa. Lana já tivera, e tem muitos amigos gays, e sua mãe nunca os julgou, mas sempre deixou claro que não saberia lidar com um filho, ou uma filha homossexual. Quando as filhas atingiram uma idade considerável, se confessou aliviada por ter tido duas filhas "corretas", como ela e Deena.

Então como ela poderia se submeter assim? A esse... Pecado?

- Eu não me importo com o que falam ao meu respeito Julia! Mas me importo com o que falam a respeito das pessoas que eu amo.

- Entendo você. Mesmo! Mas não quero ver a minha irmã sofrendo.

- Não posso terminar com Fred... Eu queria, mas não posso. – ela disse sofrida.

- Ele te machucou ontem? – Julia disse apreensiva com a resposta que poderia vir.

- Sim...

- Você não pode se submeter a isso Lana. Porque não vem comigo? Você conversa com a minha irmã que esta uma pilha. Quem sabe vocês não se resolvem.

- Ela nunca mais vai querer me olhar Julia. Acredite... – Lana tentou não chorar.

- Jen parece durona, mas tem um coração bom. Vai entender o que quer que tenha acontecido. Vem, você precisa desabafar isso com alguém.

- E se ela me odiar ainda mais? – disse com medo.

- Jennifer está muito longe de te odiar Lana. Acredite! – Julia estendeu a mão pra morena.

Fred podia descobrir tudo. E se ele fizesse mal a Jennifer? Se ele contasse tudo pra todos? Sua mãe nunca mais falaria com ela...

- E se tudo der errado. Pelo menos você tentou. – Julia sorriu.

Não pensou mais. Segurou na mão de Julia e juntas, foram ao encontro de Jennifer.

Demorou pra caralho, eu sei. Desculpa, mas minha vida ta uma coisa que até cristo, já deve ta desistindo. Enfim, no feriado da semana santa vou tentar postar, mas não sei se vou conseguir. Vou estar estudando pra provas da escola. Sim, minha escola é retardada e colocou minhas provas no meio do feriado. Espero que tenham gostado gente, comentem viu. Eu amo o comentário de vocês, leio todos com bastante carinho :)

OBS: PARABÉNS PRA SAPATA MAIS LINDA DO MUNDO! COMEDORA DE PPKS, DONA DO MEU CORAÇÃO, que está fazendo 35 aninhos! UHRUUUL JEEN