- Julia eu não acho uma boa ideia...

- Lana fica calma. Ela não vai tratar você mal. Pode confiar. – a morena apertou a mão dela.

Julia bateu na porta três vezes.

- Já vai... Elli não corre!

Lana mantinha o olhar baixo, e quando a porta foi aberta ela o manteve. Até ouvir a voz de Jennifer.

- Lana...

Ela encarou a loira que estava estática na porta. Julia passou por elas, e sussurrou algo no ouvido da irmã. Algo que Lana não foi capaz de ouvir.

- Eu sinto muito por ontem... Eu não... – ela não foi capaz de terminar. Jennifer tinha puxado ela para seus braços.

A morena não fez nada além de chorar. Era um choro sofrido, carregado de todos os tipos de sentimentos que a morena estava carregando.

Dor

Humilhação

Angustia

E muito medo

- Perdão... perdão.. perdão – era a única coisa que saia de seus lábios.

- Shii... vai ficar tudo bem.– Jennifer abraçava ela com toda força que tinha.


- Vou levar a Elli pra brincar no quarto... – Julia falou para as duas, que estavam sentadas lado a lado, sem trocar uma palavra.

- Não... – Jennifer se manifestou. – Vocês ficam aqui, nós... Nós vamos conversar melhor no quarto. – a loira levantou, e estendeu a mão pra Lana ,que não hesitou em pegá-la.

Caminharam em silencio para o andar de cima do loft. Entraram no quarto de Jennifer, já conhecido pela morena, e permaneceram assim por mais cinco minutos. Até novamente a loira quebrar o silêncio.

- Você não precisa me contar o que aconteceu... Só preciso saber se você ta bem... Se...

- Eu fui pra cama com ele... – a morena disse com um tom sofrido na voz

Jennifer parou de se mover. Sua cabeça deu, praticamente, uma volta completa em velocidade terminal. A loira deu um passo pra trás e fechou os olhos, abrindo-os rapidamente, mantendo o olhar em qualquer coisa, menos em Lana. Ela não era ingênua. Não imaginava que ela ia ficar sem transar com ele todo o tempo que elas ficaram afastadas. Afinal, eles ficaram noivos! Mas escutar isso assim? Era como um soco no estomago.

Lana tentava decifrar a reação de Jennifer, mas não podia sequer dizer que havia uma reação. A loira não havia dito nada ainda. Mas ela sabia que tinha causado um impacto ruim com o que disse.

- Ele te forçou? – perguntou quase num sussurro.

- Eu não sei... Ele ...

- COMO NÃO SABE? – Ela gritou. Lana tremeu dos pés ao ultimo fiapo de cabelo. - Eu não queria gritar...

- Ele... Descobriu. Seu cordão... E me ameaçou... – ela começou a chorar - Disse que ia contar sobre nós. Se eu não voltasse a ser dele... A ser a noiva dele! – o choro ficou mais intenso.

Jennifer parou de respirar. Era informação demais para lidar... Respirou fundo e voltou a falar:

- Então foi culpa minha! - disse num tom agoniado

- Não foi culpa de ninguém. Minha talvez. Nunca devia ter pedido pra você me amar... Mostrar-me o seu amor... – Lana não tinha mais forças pra se manter em pé.

Tudo girava

Jennifer viu o estado quem que ela se encontrava, e nada foi mais doloroso. A loira se ajoelhou na frente da morena, que agora estava sentada em sua cama, e segurou suas mãos.

- Eu te amei sem você precisar me pedir. Te amei antes mesmo de saber quem você realmente era, e quando descobri, só aumentou o que sentia Lana. Não percebe? Você é totalmente amável! Pedir pra não te amar, é praticamente impossível.

Ela não merecia isso... Jennifer não merecia isso! A loira levantou o rosto da mulher que amava, e olhou nos olhos que era tão fascinada.

- Você não está sozinha nessa! - Disse deixando escapar algumas lágrimas. - Estou com você e quero que deixe que eu faça parte do quer que seja em sua vida... Eu preciso! Eu quero...

- Não quero me magoar, não quero magoar você ainda mais... – chorava

- Você vai me magoar se não me deixar te ajudar... Não precisa me responder agora. Só fica aqui comigo e seja minha, como você disse que seria. - e a loira a puxou para um beijou.

Era tudo o que a morena precisava. Depois de tanto tempo, elas se sentiram novamente, sentiram o gosto uma da outra. O gosto que não foi esquecido de modo algum, nem por um dia! Era um beijo quente, onde a loira sugava com fome os lábios da morena, levando as mãos para baixo da blusa dela...

- Espera... Não agora... – Lana se afastou.

- Não estou procurando sexo. - A tranquilizou - Não precisamos transar para que eu possa sentir você como "minha". – explicou com calma.

- Desculpe... É que...

- Eu não sou ele Lana... Eu nunca faria isso. - ela respirou mais aliviada.

Jennifer beijou-lhe a testa, e foi pegar um pouco de chá para as duas. Quando a loira saiu do quarto, o celular de Lana tocou. Seu corpo congelou.

Respirou fundo e atendeu:

- Onde você ta?

- Vai me controlar agora? - tentava manter-se calma

- Gosto quando me provoca... E não, só perguntei pra saber se estava em casa.

- O que você quer? Estou ocupada.

- Está com ela não é?

- O que quer? Já não basta ter feito tudo o que fez? – ela tinha a voz de choro.

- Como se você não tivesse gostado. Sempre gostou de sexo, forte então... – ele riu. – O que foi? Ela ta tirando a sua libido é?

- Cala boca! - gritou

- Calma amor! – Fred debochava. - Não se preocupa. Assim que eu enfiar um anel de ouro nesse seu dedinho, essa palhaçada vai acabar. – suspirou e disse: - Então aproveita querida! Tenta fuder bem gostoso com ela. O quanto puder! Porque depois de se casar comigo, isso nunca mais vai acontecer.

- Eu tenho pena de você...

- Pena? Medo eu diria! - debochou

- Pena sim. Porque você nunca vai chegar perto de me ter, como ela tem... Nem se você nascesse de novo!

Ela desligou o telefone antes que Fred falasse mais alguma coisa. O nó em sua garganta se transformou em pranto e ela não conseguiu se conter. Sentou-se na cama novamente, e apoiou os braços nas pernas, levando as mãos ao rosto. Seu choro era sofrido e intenso. Ela soluçava. Sentia-se desonesta.

Jennifer voltou ao quarto e viu que Lana estava pior do que antes. A morena não sabia o que dizer para Jennifer. Ela não deveria presenciar essa cena, mas já era tarde. A loira passou por cima de suas próprias fragilidades e se sentou ao lado dela, abraçando-a.

Lana se surpreendeu novamente, e se deixou envolver.

Deitou a cabeça no ombro de Jennifer e apertou os braços ao redor dela. A loira continuou calada, ouvindo o choro pesado em seu ouvido, enquanto deslizava a mão pelas costas da morena. Aquele momento não se tratava dela. Tratava-se de Lana descarregando o peso que a sufocava. Jennifer esperou os soluços diminuírem e as lágrimas se tornarem mais brandas. Soltou-se do abraço e se levantou. Lana ficou um pouco confusa, e viu que a loira estendia a mão para ela, novamente.

- Vamos deitar um pouco... - disse com a voz suave.

Jennifer entrou com ela embaixo das cobertas. Puxou-a para si. Suas pernas se entrelaçaram e a morena encaixou o rosto no pescoço dela... Em nenhum momento, Jennifer pensou em deixá-la sozinha. Não houve um segundo sequer de hesitação. Não era de solidão que ela precisava... Na cabeça de Lana, nada daquilo fazia sentido. Desde que colocou os pés dentro daquele apartamento, pensou que Jennifer avançaria sobre ela. Esperou que ela a rejeitasse quando contou que foi "forçada a transar" com Fred. Mas a loira estava sendo perfeita. Ela estava sendo o suporte perfeito para ela. Passaram um bom tempo em silêncio. Jennifer não dizia nada, não perguntava nada... Apenas mantinha uma carícia singela sobre o braço de Lana.

Não sabiam por quanto tempo ficaram naquela posição. A loira sentia a respiração da morena em seu pescoço e sabia que ela não estava dormindo. Queria dizer alguma coisa, mas não sabia o que. Lana se remexeu e se soltou daquele abraço, buscando os olhos claros. Jennifer a olhava com ternura e segurança. O silêncio durou o tempo necessário, até que Lana o quebrou:

- Eu devia ter dito não. Mas fiquei com mede dele me machucar mais... Eu devia ter lutado mais... - disse envergonhada

- Pare de se martirizar. Ele é quem não devia ter forçado você a isso.

- Não pensei que você agiria assim. - confessou

- Assim como?

- Compreensiva e companheira...

- E como eu deveria agir?

- Achei que ficaria com raiva. Decepcionada, por eu ter deixado ele transar comigo...

- Eu estou com raiva! – Lana a olhou com medo. – Dele! Sinto que poderia matá-lo com as mãos. - seus olhos transbordaram ódio em segundos.

- Imaginei... - sussurrou

- Mas me responda. Em... Em algum momento você gostou? Você... Sentiu prazer?

- Não! – Lana falou sem hesitar.

- Então não tenho motivos pra ficar decepcionada. – Jennifer a abraçou e sussurrou: - Você foi forte querida. Foi sim.


Julia estava senta na sala, assistindo um programa bobo na TV ,enquanto Eli dormia no outro sofá. Estava um tanto aflita. Quando Jennifer foi preparar o chá, não disse muitas coisas. Ela parecia um tanto "perdida", mas em nenhum momento pareceu descontrolada ou com raiva. Isso não era bom. Não quando se tratava de Jennifer.

Ela foi tirada dos pensamentos quando escutou alguém descendo as escadas. Jennifer. Ela estava com os olhos vermelhos, e o rosto um pouco marcado. Certamente pelo travesseiro.

- Ela conseguiu dormir? – perguntou

- Sim, deve acordar bem mais tarde. Coloquei um calmante no chá dela.

- Jennifer! –Julia disse quase incrédula.

- Ela não ia dormir se eu não colocasse. Acredite! – e foi para a cozinha.

A morena seguiu os passos da irmã, porém parou na porta. Observou Jennifer abriu um remédio, tirar três comprimidos e tomar.

- Acha que isso vai funcionar?

- Sempre funcionou... Porque não agora? - falou seca.

- Você precisa parar de fazer isso sabia? Sempre fica tomando essas coisas quando tem algum problema. Uma hora você vai explodir Jen, não tem como evitar isso. – Julia se aproximou.

- Não! Eu não quero seus sermões e muito menos seus abraços Julia! Eu preciso lidar com isso do meu jeito.

- Se drogando? É assim que você vai lidar? Tomando remédios pra ficar calma? Isso não funciona pra sempre Jennifer. Vai acabar matando você!

- É o meu jeito de lidar com isso! Ou você acha que é fácil ouvir da mulher que você ama. Que o noivo a obrigou, a transar com ele por sua culpa? Por que eu não consegui dizer não pra ela naquela noite? Você acha que é fácil?

- Não, eu não acho! Sei que pra você deve estar sendo muito pior, porque você já passou por isso...

- Não entra nessa historia Julia. Não se atreva a comparar! – Jennifer ficou transtornada.

- Eu não estou comparando nada. Só estou dizendo que é difícil pra você, por tudo o que você sofreu. Jen, você precisa contar a ela, vai ajudar vocês duas. - a morena parou na frente da irmã. – Você precisa enfrentar isso de uma vez por todas.

- Não, não preciso! E você me jurou isso, jurou nunca contar nada a ninguém. Então não desfaça a sua promessa. Você me deve isso. – a loira falou sem piedade.

Julia sentiu como se uma faca atravessa-se seu peito.

- Vou fingir. Que você não falou isso – segurou as lagrimas.

- Julia...

- Não é por gratidão o que faço! Você nunca foi obrigada a fazer o que fez por mim. Faço porque amo você, porque você é uma parte de mim. É minha irmã, minha melhor amiga! E me preocupo com você. Mas isso não te dá o direito de me ferir Jennifer. Não quando eu estou tentando te ajudar.

A loira ficou sozinha na cozinha. Vendo sua irmã sair chorando da mesma.

Merda!


- Cadê a minha bonequinha?

- Deixa ela em paz! – empurrou o homem.

- Sempre insolente! Desde pequena você sempre foi abusada não é? – ele segurava seu braço com força. – Você foi feita pra ser uma menina, não um ... Moleque!

Cuspiu no rosto dele. E entroca, recebeu um belo soco no canto da boca. Ele desfez o sinto preso a calça social, e a jogou na cama. Se esconda! Sussurrou pra irmã que a obedeceu.

Ela ligou o gravador e o colocou sobre a mesinha. O homem estava tão cego de ódio, e tesão ao mesmo tempo, que sequer notou o ato.

- Vou te fazer mulher... Como nenhum homem jamais vai fazer.

- Não! Sai de cima de mim! Me larga! – pedia desesperada.

- Prometo que vai ser gostoso Jen... Minha Jen! - e beijou-lhe a boca.

- Nãoooo...

Ela imaginou que conseguiria escapar . Pensou que seria mais forte por ele estar bêbado. Mas isso não aconteceu.


- Me perdoa ta? Eu não deveria ter dito aquilo. – disse olhando pra irmã.

- Você sabe como isso me machuca Jennifer... Como me sinto culpada.

A loira então começou a chorar. Chorava por ter magoado Julia, por achar que era sua culpa, Lana ter sido forçada a transar com Fred. Chorava por se achar um idiota impotente.

Julia abraçou a irmã e tentou acalmá-la, mas acabou por chorar também. Tiveram que voltar a cozinha. Caso contrario, a pequena Eliza iria acordar. Elas conversaram durantes horas, e Julia conseguiu em parte, convencer Jennifer a para com as pílulas, mas não a conversar com Lana.

- Não quero que ela tenha pena de mim.

- Eu sei, sei o que quanto você odeia isso. Mas parou pra pensar o quão difícil deve ser pra ela? Ter que contar que o próprio noivo a forçou? O quão humilhante deve ser contar isso pra você? Pra mulher que ela ama.

- Mas é diferente Julia. Foi totalmente diferente.

- Mas vocês duas foram quebradas da mesma forma. Por pessoas diferentes, situações diferentes, mas da mesma forma.

Jennifer se calou. Sua irmã parecia sempre saber de tudo.

- Acha que foi por isso?

- Por isso o que?

-... Que eu me tornei assim?

- Gay? – Julia riu.

- Não ria, não sou gay! Sinto atrações por homens também, já namorei. Até noiva fiquei...

- Não me faça rir Jen... Não estou falando que você não gosta, afinal você nunca parou com um namorado por muito tempo né... Mas que você prefere mulher. Isso ta estampado na tua cara.

- Idiota! – Jennifer sentiu vontade rir pela primeira vez no dia.

- Mas não, não acho que tenha sido por isso. Eu sempre te achei... Diferente.

- Diferente? - Jennifer riu

- Sabe, nunca vi você amar tanto alguém como ama a Lana. Nem mesmo a..

- Não vamos citar o nome dessa mulher... – Jennifer bateu na madeira três vezes.

- Ela te magoou muito né?

- Não comparado ao que eu vivi quando fique sem a Lana. Eu cheguei a pensar em me matar Julia. Diversas vezes.

A morena segurou as mãos da loira sobre a mesa, e se lamentou.

- Bom, acho que dessa vez é ela que precisa de um motivo pra não pensar assim não é?

- Eu darei um...– prometeu a si mesma. – Nós!

Comentem e esperem pelo próximo capitulo...