[Anteriormente]
Foi um beijo longo, molhado e sincero. Sarah se afastou um pouco para respirar, mas não deixou de provocar a loira roçando seus lábios nos dela. Jennifer sorriu e puxou o lábio inferir da mulher, querendo continuar o beijo, mas não conseguiu.
- Acho melhor eu ir... – a ruiva se levantou.
- Fica, esta tarde pra você ir. – Jennifer a seguiu.
- Não quero fazer bobagem.
- Eu não sou tão impulsiva assim Sarah. Não vou te atacar. – sorriu.
- O problema não seria esse. – ela riu envergonhada. – O problema é que eu não recusaria.
Roubou um curto beijo de Jennifer, e disse.
- Se você quiser, eu posso te estender a mão.
- Como assim?
- Você vai entender. – e saiu do quarto.
Jennifer fechou a porta confusa. Passou os dedos sobre os lábios e esperou o sentimento de culpa bater, mas ele não veio.
"É, talvez o fundo do poço não seja tão ruim assim..."
E Talvez, apensa talvez, ela devesse segurar a mão que estava sendo-lhe estendida.
Fred havia buscado os três meninos dessa vez, e pelo incrível que pareça a convivência entre Lana e ele havia se tornado "suportável", pelo menos pra ela, ou pelo menos ela aparentava. Falando na morena, há duas semanas ela estava sem noticias de Jennifer, e também não se atreveu a mandar alguma mensagem, não queria torturá-la. Sentia falta da voz dela, do cheiro, do sorriso provocante e tão safado que ela tinha cada vez que se olhavam, mas não menos doce. Deus, como ela amava aquela mulher! Amava como nunca imaginou amar alguém antes, e talvez, nunca tenha amado alguém assim.
*Querida? Querida?*
- Hã? – Lana foi tirada dos seus "doces" pensamentos.
- Que tal irmos ao Park mais tarde com os meninos? – Fred disse apertando o ombro de Matt
- Achei que fossemos no boliche... – respondeu
- Podemos ir, o que acham meninos? - Fred perguntou.
- E o que importa? Sempre é a opinião dela que prevalece! Do que importa a nossa?! Você sempre escuta ela, e só ela. – Pat disse com desdém.
O menino se levantou da mesa com raiva, mas no mesmo instante Fred segurou o braço do filho. Ele encarava o pai com raiva, e aquilo fez Lana se preocupar. Ela sabia, se tinha uma coisa que deixava o noivo furioso era quando um dos filhos saia das "regras" básicas impostas por ele.
- Quem você pensa que é pra falar assim? – Fred puxava o braço do menino.
Jack, o mais velho, tentou intervir, mas Fred o mandou sentar e não se meter.
Lana viu que aquilo não ia dar certo, Fred ia descontar as frustrações deles no menino, e apesar dela nunca ter entendido o motivo de Pat não gostar dela, não ia deixar o menino sofrer uma conseqüência que não era dele.
- Fred para com isso, esta machucando ele! – disse indo ate eles.
- Fica fora disso! – ele disse sem tirar os olhos do menino. – Agora me diga Patrick, você perdeu a noção das coisas? Como ousa a falar assim?- ele ainda sacudia o menino. - Responda moleque!
Pat encarava o pai com raiva, mas não falava nada, o que estava irritando ainda mais o homem. Ele segurou os dois braços do filho e o mandou pedir desculpas, mas o menino continuou calado. Lana tentava acalmar o noivo, dizia que ele não tinha falado por mal, pra ele esquecer aquilo, mas nada adiantava.
- Se você não falar eu vou obrigar você, e não será difícil Patrick! Peça desculpas! – ele gritou no rosto do menino.
*Não*
A palavra que o menino proferiu saiu quase inaudível, mas no mesmo instante em que chegou aos ouvidos do homem, a mão pesada desceu no rosto do garoto, ele caiu por cima da cadeira e foi parar bruscamente no chão.
Quando Fred se preparou pra continuar a bater no menino Lana entrou na frente dele.
- Não se atreva! – ela disse firme o bastante para fazer o noivo parar. – Os três. Saiam! – ela disse pausadamente.
Jack levantou o irmão do chão, e os três foram pro quarto. Fred ainda não acreditava que Lana tinha defendido o filho, e além disso, que ela tinha tirado a autoridade dele.
- Ficou maluco é? O que, que te deu? - ela disse chocada
- Eu sei como educar os meus filhos!
- Não parece! Droga Fred, ele é apenas um menino. Tudo bem que não falou como deveria, mas precisava disso tudo? Seu filho não é assim, nenhum deles é! Sempre falam com respeito e educação, e na primeira vez que um deles fala da forma que você não gosta, e esta certo em reprová-lo, você bate nele? Isso não impõe respeito e aprendizado, impõe medo! E medo, não tem nada de digno! – diz despejando sua indignação.
- Ele foi abusado e desdenhoso, não permito isso!
- Não permite porque foi comigo! Não preciso que você me defenda, ou mostre pra ele que me deve respeito, ele sabe bem disso! E se você não notou, ele só falou a verdade, da forma errada, mas falou. – disse mais calma. – Ele só quer que você pare de sempre fazer o que eu sugiro, e sabe o que parece? Que eu controlo você!
- Você não faz isso...
- Exatamente! Mas ele não sabe disso. Ele não sabe quem é que controla quem... - soltou a frase totalmente amargurada.
Jack e Matt estavam tentando acalmar Patrick, o menino estava com raiva e chorando. Quando Lana bateu na porta do quarto, viu que ele ainda tinha os dedos do pai em seu rosto, mas o menino logo virou a cara. Como sempre;
- Meninos, podem sair por um instante? – ela disse bem calma.
Assim que os meninos saíram, ela fechou a porta do quarto e se sentou na cama em que o enteado se encontrava. Ficaram durante cinco minutos sem dizer nada, mas não em silencio, pois era possível se escutar o choro do menino.
- Pat olha pra mim. – ela disse gentilmente tocando o ombro do menino. – Só quero conversar com você.
Ele continuava calado.
- Se não quer falar ou se quer me olhar tudo bem, tem todo direito, mas vou falar mesmo assim. – suspirou. – Eu nunca entendi porque você não gosta de mim ou seja lá o que você sente, ou não sente. Eu nunca fiz nada pra você, mas ninguém é obrigado a gostar do outro certo? – ele continuava em silencio. - Te dou toda razão por ter ficado bravo com seu pai, ele devia escutar mais sua opinião e a opinião dos seus irmãos, mas você não precisava falado do jeito que falou...
- Porque me defendeu? – a voz dele saiu baixíssima. – Eu nunca fiz questão de falar com você ou de ser legal ... Por quê?
- É. Você nunca fez nada disso mesmo, mas nunca me tratou mal, nunca faltou com respeito e mesmo que tivesse, foi injusto. – Patrick sentiu a cama se mexer, notou que Lana havia se levantado, porém não notou a madrasta se aproximando e lhe dando um beijo na cabeça.
- Se quiser conversar, sabe onde me encontrar querido. - sem que a madrasta notasse, o menino sorriu.
Eu tinha acabado de sair do banho e estava terminando de me vestir quando Fred entrou no quarto. Ele ficou encarando meu corpo, que se encontrava apenas vestido por peças intimas e fiquei um tanto desconfortável.
- Não precisa se vestir correndo, não vou avançar em você. – ele disse sentando na cama.
- Espero. – me limitei a dizer.
- Querida eu sinto muito, sinto muito pelo que fiz e espero que você me perdoe um dia. – os olhos dele pareciam tristes.
- Eu não quero falar sobre isso.
- Tudo bem, não quero que fique mais brava. - ele disse me entregando a calça preta sobre a cama.
- Você pediu desculpas a ele? – perguntei enquanto a vestia.
- Sim, mas ele não deu muita confiança...
- Claro que não, ele é seu filho! – disse rindo. – Mas é um bom menino.
Ele sorriu e agradeceu pelo que fiz mais cedo. Disse que realmente exagerou e que não faria mais aquilo. Fiquei feliz em ouvir aquilo porque ele era um bom pai, muito exigente as vezes, mas era um bom pai. Quando entrei no banheiro pra secar o cabelo, ele parou no batente da porta e falou.
- Você me odeia?
- Faz diferença?
- Apenas responda. - ele falava calmo.
- O que você acha? – disse seca. – Acredita mesmo que depois de tudo que você fez,e ainda faz, que eu ainda diga que te amo? Você não pode ser tão iludido assim...
- Não, não sou tão iludido assim, e é por isso que vou te dar uma chance, ou melhor, vou fazer uma proposta.
- É mesmo Rumple? – debochei. - Não estou interessada. - voltei pro meu cabelo.
- Apenas me escute. - ele disse e eu desliguei o secador. - Já que você vai viajar esse final de semana pra sua mãe, eu pensei que se você tiver coragem de contar a ela que gosta dessa... mulherzinha, se é que pode chamar ela disso né...
- Se você for começar a falar mal dela... - disse irritada.
- Ok! - ele parou.- Se você fizer isso, eu te deixo em paz. A gente termina o noivado, e você fica livre de mim.
- Você ta brincando comigo? – disse sem acreditar no que ele tinha dito.
- Se você contar, eu te deixo em paz.
- Sem escândalos, ameaças... Sem nada disso? - disse sem acreditar no que ele dizia.
- Te dou a minha palavra. Nela você sabe que pode confiar.
Isso ele tinha razão. Fred nunca voltava atrás do que dizia ou concordava, era aquilo e ponto final.
- Você sabe que eu tenho medo da rejeição dela, sabe que não tenho coragem de contar... – disse triste.
- Essa é a minha condição. – ele dizia calmo. – Acredite, se eu não te amasse e fosse egoísta, não teria feito a proposta.
- E se eu não conseguir? - disse me encostando na pia.
Ele entrou no banheiro e parou com os lábios a centímetros do meu.
- Então você vai esquecer tudo o que aconteceu. Nunca mais vamos tocar nesse assunto, e nós vamos nos casar. – falou bem calmo. - Essa é a minha condição. Agora se você vai aceitar, isso é você quem vai decidir.
- DEUS! Você é péssima! – Sarah ria descaradamente da tentativa fracassada de Jennifer.
- Não diga isso, posso ficar muito ofendida. – a loira falou.
- É só dançar Jen! Os bonecos mostram os movimentos... - ela dizia demostrando.
- AHH! Desisto! Você venceu. – ela disse se jogando no sofá de Sarah.
Jennifer ficou observando a ruiva terminar de dançar e tinha que admitir, Sarah tinha um belo corpo.
- Nunca pensei que alguém pudesse ser tão ruim nisso. – ela disse se sentando no meu colo depois que terminou.
- Não seja má! – deu um tapa em sua coxa descoberta.
- Não sou! Mas confesse, você é péssima. – ela encostou nossas testas e riu.
- Tudo bem. Sou péssima! Mas sou boa em muitas outras coisas. – ri.
- Tenho certeza que sim. – ela me deu um sorriso safado e encostou a cabeça na curva do meu pescoço e deu um leve beijo nele.
puta que pariu
Há quase duas semanas nós estávamos assim, cada vez mais próximas. Sarah sabia de Lana, eu havia conversado abertamente com ela, pois confiava, e em momento algum omiti os meus sentimentos, ou meu amor incondicional por Lana. Apesar de estar chateada por ela não ter me procurado, isso não diminuía o que eu sentia. Nem por um segundo.
Eu tenho um interesse por Sarah, afinal ela é linda e me faz muito bem, mas não chega perto dos reais sentimentos que eu tinha pela morena que tira meu sono quase todas as noites.
"Tenha paciência querida, o que tiver que ser, vai ser"
A frase do meu pai soava na minha cabeça sempre que pensava nisso.
- Vou ver Leon. - ela disse se levantando. - Ah, peça algo para comermos, estou faminta. – ela disse saindo da sala.
Peguei o telefone de um restaurante na mesinha dela e pedi bastante coisa já que Sarah tinha um fome descomunal. O que chegava a ser bem engraçado. Ela voltou pra sala falando de Leon.
- Ele que sabe aproveitar a vida! Esta dormindo feito uma pedra. – ela sorria.
- Sim ele sabe, o restaurante entrega daqui a 40 minutos.
- Ok, da tempo pra um banho.
- Sim, vou procurar algo pra assistirmos. – disse olhando os DVDs dela.
Sem que Jennifer notasse, Sarah se aproximou dela e disse:
- Meu banheiro é bem grande, cabe mais de duas pessoas lá dentro...
Jennifer olhou pra ela um tanto confusa e surpresa. Passou as mãos no cabelo e disse desconcertada:
- Agradeço a oferta, acredite é tentadora, mas não posso. - tentou ser o mais gentil.
- Claro. – a ruiva ficou extremamente envergonhada e saiu da sala antes que Jennifer disse algo parar impedi-la.
O lanche já tinha chegado. Estávamos deitadas no sofá dela, cobertas por um grande cobertor e com o lanche por cima dele, "vendo" truque de mestre. Sarah não tinha dito nada desde que voltara do banho, exceto quando eu perguntei se ela estava de acordo com o filme que eu havia escolhido.
- Não pense que fiquei bravo pela proposta ok? Gosto de você, e você sabe. Você é divertida, me faz bem, é doce...
- Mas não sou ela. – ela me encarou.
- Eu gosto mesmo de você, mas quero fazer isso do jeito certo entende? Sem brechas ou coisas ainda não resolvidas. Não vou te magoar desse jeito Sarah! Não posso simplesmente ir pra cama com você e depois correr pros braços dela entende?
- Eu sei. - ela segurou minha mão.
- Não mando nos meus sentimentos. Queria, mas não mando.
- Sei como é, é a quela velha frase: Se pudesse não escolher se apaixonar por ela, você escolheria.
Eu ri e ela me encarou confusa.
- Não, definitivamente eu escolheria me apaixonar por ela. - sorri. - Só não queria que fosse tão complicado. Ela é apaixonante em todos os sentidos, amável mesmo não querendo e não devendo em algumas situações, e é isso que a faz ser tão incrível, única e minha. Bom, pelo menos pra mim .– disse com olhos lacrimejados.
Sarah não esperava por uma resposta assim. Não depois da historia que Jennifer contou. Não entendia como ela podia amar alguém que a fez de amante, que ficou sem dar noticias durante dois meses, que a quase fez enlouquecer! E ainda por cima aceitou ficar com o noivo ao invés da loira. Ela não conhecia Lana, mas não tinha nenhuma simpatia pela morena. Não podia gostar de uma pessoa que fez e ainda faz Jennifer sofrer.
- Eu não entendo como pode gostar dela, mas pelo jeito que você fala, você realmente a ama. – ela disse seca. - Faça o que for o melhor pra você, se é ela que você ama, e sei que ama – riu- Lute por ela! Mas saiba eu não vou facilitar as coisas se você não pedir.
A loira encostou a cabeça no ombro de Sarah e disse:
- Eu quero me resolver com ela. É meu maior desejo! Quero fazer ela feliz, e ser feliz com ela. – suspirou. – Mas veja bem, tenho o desejo de me resolver com você também, pelo que não vivemos e pelo que estamos vivendo agora. Merecemos uma chance.
- Façamos assim. – ela encarou a loira. – Você se resolve com ela, e se depois disso você ainda achar que merecemos uma chance, eu te faço feliz.
- Vai me fazer esquecê-la? – perguntei brincando.
- Não meu bem, nem eu e nem você conseguiremos fazer isso. Ela é significativa demais. – disse sincera.
Gente eu pretendia postar antes, bem antes que hoje, mas o que aconteceu? Fiquei sem internet! Cinco dias torturantes que puta merda, quase tive um troço. Até pensei em postar pelo celular, mas tive medo de ficar estranho então resolvi esperar. O capitulo de hoje não foi muito grandioso e tudo mais, porém é importante pra esclarecer certas duvidas, como: Jennifer ama mesmo a Lana? E se ela sente algo além de desejo pela Sarah.
Qualquer duvida perguntem. Responderei aqui, ou diretamente :)
Espero conseguir postar no sábado, ou no domingo, mas isso vai depender do meu tempo.
Comentem! Diga o que acham que eu deveria fazer em relação a Lana contar ou não pra mãe sobre a Jen.
Beijinhos e até breve.
