Os meninos caminhavam assim que saíram do taxi, depois que Brittany confirmou o lugar onde o apartamento era e rapidamente eles foram para lá. A chave foi fornecida por Santana que a conseguiu de uma forma bem Lima Heights, mas eles estavam sentindo o peso, porque em quase dois anos eles nunca tinham estado ali e aquilo era realmente tão ruim.

Não demoraram-se para entrar e começar a subir as escadas para o apartamento 4D e assim fazer tudo que estava em sua lista bem planejada. Sam abriu a porta e rapidamente os amigos começaram a tomar o lugar, ele era incrivelmente sóbrio, desde a decoração clássica da sala, sem cores animadas em quase canto nenhum a não ser algumas fotos.

Foram pelo pequeno corredor e encontraram o quarto que somente ostentava uma cama de casal e uma porta que daria para o closet simples. Do outro lado tinham duas portas, uma levou a um lugar com um sofá-cama, mas também era um escritório ainda mais animado que o restante da casa, tendo várias coisas coloridas e principalmente tinham várias fotos espalhadas por uma das paredes, fazendo uma montagem, a cadeira confortável que dava para a grande mesa coberta por papéis, uma caneca grande e um computador pessoal que jazia desligado. A outra porta eles tinham quase certeza que era um banheiro.

A cozinha, que tinha ligação direta com a sala, sendo separados somente por um balcão, tinha um tom leve com tudo incrivelmente metalizado e foi ali que eles reuniram-se para começar a ver o que precisariam levar dali.

- As ordens foram claras, precisamos de roupas e eu acho melhor isso ficar contigo Kurt. – Comentou Sam e teve acenos de concordância. – E também precisamos ver o carro, resgatá-lo e resolver as coisas com seguro, que eu me responsabilizo. – Novamente acenos de confirmação.

- E eu vou ver objetos pessoais que precisem ser levados para o hospital e também vou lidar para comunicar quem falta ser comunicado do estado geral dos fatos. – Comentou Blaine.

- Quanto tempo de hospital? – Perguntou Kurt levando uma mão até sua nuca e apertando, Blaine bebeu um gole de uma água que achou na bem abastecida geladeira, parecia que alimentação era uma prioridade.

- Ainda não sabemos, amor. – Blaine suspirou e então fechou a garrafa de água caminhando até uma prateleira suspensa que tinha o telefone sem fio e também uma agenda com números gerais. – Obrigado a Deus pela organização. – Comentou e mostrou em seguida o número do seguro para Sam, Kurt já havia desaparecido.

Demoraram-se em suas tarefas, realmente organizando cada coisa. Kurt demorou-se nas roupas querendo lembra-se bem do que era usado. Blaine pegou uma mochila para colocar computador, celular, e outros itens, livros e coisas que pudessem ser úteis de maneira geral. Depois ele começou a ligar para várias pessoas da lista que achou enquanto tentava dar a notícia. Eles esperaram enquanto Sam saía para resolver as coisas com o carro e depois voltar.

- Consegui resolver tudo, o carro vai ser substituído e descobri também que o cara que bateu está no hospital também. – Comentou Sam e passou a mão pelo cabelo, como queria que Puck estivesse ali. - Mas ainda vamos precisar passar na faculdade, sabe como é, não podemos simplesmente deixá-los no escuro sobre toda essa situação.

- Vamos então primeiro passar lá, conversar com o reitor e ver o que vamos poder fazer para ajudar, depois quem podemos voltar ao hospital. – Blaine levantou do sofá e começou a reunir as coisas para levarem.

- Eu vou ligar para as meninas no caminho, descobrir se elas já sabem de algo e se Santana ainda não matou ninguém. – No que Kurt falava, já ia abrindo a porta e logo todos os rapazes estavam em seu caminho.

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Santana passava a mão por seu jeans querendo colocar suas mãos entorno do pescoço de Berry e apertá-lo até que ela parasse de respirar, pelo simples motivo que ela simplesmente não voltava para dar-lhe notícias. Brittany tinha buscado café para as três e era aquilo que mantinha Mercedes de pé, porque o sono estava batendo em sua porta fortemente.

- Vocês são as garotas que estão esperando por notícias sobre o acidente de carro? – Perguntou uma garota, ela tinha o cabelo em um castanho claro e os olhos azuis que pareciam estar iluminando o lugar, a pose forte e um corpo que estava a mostra pelo shorts e regata que fez até mesmo Santana e Brittany ficarem assustadas.

- Somos, mas você não é médica. – Comentou Mercedes percebendo que a parte lésbica do grupo estava incrivelmente ocupada babando no corpo da outra. – Você é?

- Perdão, meu nome é Adrianne Talbot eu sou amiga da... Vítima. – A garota acabou franzindo o cenho para falar a última palavra e então suspirou para dar continuidade. – Fazemos faculdade e dividimos o dormitório até que arranjamos apartamentos vizinhos.

- Ah sim, nós ainda não tivemos notícias, mas Rachel está lá dentro como namorada. – Brittany comentou com um sorriso nos lábios e relaxou na cadeira sem sequer notar o olhar preocupado de Adrianne para ela.

- Na-Namorada? – A voz da morena chegou a falhar, mas Mercedes levantou num pulo e passou seu braço por ela, pegando a garota para passear e quem sabe assim entender o que estava acontecendo ali. – Ele vai ficar bem? - Perguntou assim que soube de tudo por ali.

- Ainda não sabemos se ele vai ficar bem, Adrianne, mas é um risco que vamos ter que correr. – A diva negra deu de ombros e olhou para Santana que já estava parecendo um pouco mais tranquila com o que Brittany dizia a ela, inclusive dando alguns sorrisos.

As quatro meninas estavam em um silêncio tranquilo, esperando que alguém saísse para dar-lhes notícias ou então que os meninos chegassem o que viesse primeiro.

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Rachel beijou-lhe a testa e rapidamente saiu do quarto, caminhou pelos corredores lentamente até que viu os amigos, todos eles, com o adicional de uma morena que ela não conhecia. Franziu o cenho e sorriu leve, somente esperando para que alguém gritasse, mas quando todos abriram a boca no mesmo momento ela ergueu a mão. Drama, típico.

- Uma perna quebrada, vários roxos e totalmente inconsciente... Mas é só isso, não tem o que mais se preocupar. – Ela comentou e alisou a saia apertando as mãos em seguida, respirou fundo. – Ainda temos que esperar para que acorde.

- Trouxemos as coisas, caso precise de algo, Rach. – Comentou Sam e entregou a mochila que estava em suas costas para a pequena morena e a abraçou carinhosamente. Era a única coisa que ainda era boa sobre o Glee club, eles eram família.

- O que podemos fazer agora? – Perguntou Kurt com as mãos entrelaçadas em seu colo.

- Quem é essa, falando nisso? – Complementou Blaine olhando para a morena recém chegada, que ninguém apresentara a ninguém. Rachel voltou a atenção novamente a ela e encostou a cabeça no ombro do amigo.

- Perdão, sou Adrianne e sou...

- Mais uma das muitas pessoas que não sabemos sobre a existência, previsível. – Rachel comentou visivelmente amuada e então cruzou os braços entre si e Sam que a apertou como quem estava mandando-a calar a boca.

- Você é quem mesmo? – A garota inclinou a cabeça e arqueou uma sobrancelha e todo mundo estava notando como ela parecia uma versão morena de Quinn na época de HBIC. – Ah sim, eu ouvi falar de ti, Rachel Berry a diva do glee club.

- Garota, acho melhor você abaixar sua bola, porque se não eu realmente vou totalmente lima heights nessa sua bunda siliconada. – Reclamou Santana já de pé para defender a amiga. Todos os amigos viraram para fitá-la.

Alguns segundos se passaram enquanto todos esperavam o que ia acontecer até que notaram a presença da doutora Block estava também observando com os braços cruzados. Desde o momento que chegaram ela podia dizer que aquele era um grupo bem diferente dos que estava habituada.

- Alguma notícia, doutora? – Mercedes foi a primeira a notar sua presença e realmente falar algo.

- O batimento está agitado e claramente vai acordar, então a namorada e... – Ela abaixou o olhar para que pudesse realmente lembrar-se do nome para então sorrir. – Senhorita Lopez, quem consta no registro geral de chamada do aluno, podem entrar comigo?

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Aquela dor de cabeça estava incrivelmente incomoda, parecia que uma bola de demolição havia atingido diretamente sua cabeça. Tinha um barulho chato e repetitivo ao fundo e definitivamente o silencio além disso, bem ou era até que algumas vozes começaram a sussurrar ao seu entorno, aquilo estava criando uma dor de cabeça ainda maior.

Mas um segundo... Onde estava? Não conseguia recordar-se de ter ido dormir, mas também não se recordava de muita coisa. A voz estava começando a falar algo mais alto, onde desliga? A dor de cabeça já estava forte de mais para que pudesse aguentar e ainda tinha sua perna que parecia latejar, algo em seu braço e por Deus o que era aquilo grudado em seu peito?

- Pode me ouvir? Aperte minha mão. – Aos seus ouvidos aquilo parecia uma frase incrivelmente cliché, ou era outra palavra? Os dedos fecharam-se entorno de uma mão fria e começaram a sentir os anéis que ali estavam. Em seguida o esforço se tornou muito grande e soltou, mas houve um suspiro.

MERDA, porque decidiu abrir os olhos de toda forma? No que o direito levemente entreabriu aquela luz começou a segar completamente, fazendo com que tudo ficasse mais tranquilo. Maldita luz forte. Hm, era certo praguejar? Não fazia muito sentido em sua mente... Só queria descobrir como chegara ali.

- Consegue nos dizer seu nome? – A voz não era mais conhecida do que a última, na verdade não se lembrava de nenhuma, então deveriam ser pessoas aleatórias, mas não tentaria abrir seus olhos novamente para tentar ver quem podiam ser. Onde seus pais estavam? – Consegue nos dizer onde está? – A voz tentava novamente, insistente e incrivelmente chata.

Como supostamente deveria saber onde estava, nem sequer conseguia se lembrar como chegava na cama depois que várias vezes dormiu no sofá ou na cama dos pais, aquela dúvida também se abatia quando ia dormir na casa dos amigos e acordava somente querendo entender como tinha dormido ali.

- Não era para já termos alguma resposta? – Aquela terceira voz estava um pouco mais perto e em algum momento que veio a seguir, podia sentir os dedos começando a acariciar seu cabelo. Mas aquela mulher não era sua mãe, porque estava tocando daquela forma seu cabelo?

- A mente ainda pode estar bem confusa e ainda assim teremos que avaliar os danos causados pelo acidente. – Aquela segunda voz respondeu, mas tudo só fez sua mente dar uma guinada ainda maior em busca de respostas e com isso a cabeça começou a doer ainda mais. Que acidente?

Agora não era mais uma boa hora para manter-se de olhos fechados e não saber o que estava acontecendo, tomou uma longa respiração por aquela coisa que estava em seu rosto e em seguida começou novamente a abrir os olhos, eles lacrimejaram um pouco, mas a mão que estava em seu cabelo secou as lágrimas que caíram.

- Olha só quem resolveu voltar ao mundo dos vivos. – Assim que ouviu a segunda voz, os olhos correram e se depararam com uma mulher alta, de pele bronzeada e estava com o cabelo solto, preto e ondulado, modelando seu rosto. Uma completa estranha, mas tinha cara de ser latina.

Sem conhecer a primeira pessoa, decidiu passar para a segunda e correu os olhos até a mulher que estava a sua direita, ela era um pouco mais velha, cabelos castanhos e não dizia completamente nada, mas era provavelmente a médica, jaleco, estetoscópio e tudo o mais entregavam-na completamente.

Por fim subiu o rosto e sentiu que algo a atrapalhava, então a mulher que estava acariciando seu cabelo moveu-se para que pudesse estar na sua vista, ela tinha o cabelo castanho, usava uma franja, tinha um sorriso nos lábios e os olhos não saiam de si de forma curiosa. Não fazia ideia de quem era essa pessoa também.

- Consegue lembrar-se de quem é? – Perguntou a médica que começava a analisar várias coisas em pranchetas, máquinas e outras coisas.

- Sim, consigo. – A voz saiu rouca e diferente do que se lembrava, a garganta estava um tanto seca e aquilo gerou uma tosse que doeu suas costelas e a cabeça ainda parecendo que iria explodir. – Posso ter um copo d'água?

- Já te consigo um. – Replicou a médica que em seguida se inclinou começando exames de corpo geral, mas o sorriso gentil nos lábios. – Qual é a última coisa que se lembra?

- Algumas luzes, nada de muito concreto. Acidente? – Parecia um júri, tréplica acontecendo e rapidamente tomada de resposta e pergunta que se segue, enquanto as duas outras garotas franziam o cenho, impacientes.

- Um babaca cortou o sinal vermelho e bateu na lateral do seu carro, se eu pegar ele, eu mato. – Agora fora a vez da garota com aparência latina falar, até mesmo para arquear a sobrancelha doía e logo notou que ali tinham pontos. Merda.

A terceira garota no quarto estava estranhamente quieta e fazia um carinho leve em seu cabelo ainda, mas não fazia ou falava mais nada, vez ou outra começando a brincar de traçar em alguns pontos. O gesto era reconfortante, mas desesperador ao mesmo tempo.

Quem são essas pessoas?

- Nossos amigos estão lá fora, todo mundo do glee club. – A garota quieta comentou e então pelo canto dos olhos pode notar a afirmação da médica para que prosseguisse. – Consegue se lembrar deles?

- Glee club? Não, quem são? – Perguntou com sua confusão aparente e notou que a resposta preocupou a todos que lançaram um olhar nervoso para si e depois para a médica que sorriu apaziguadora.

- Hm... Você se lembra quem nós somos? – A garota perguntou novamente e agora tirou a franja de seus olhos que tinham um brilho preocupado.

- Desculpe, mas não. – Por mais que forçasse a memória, nada parecia aparecer para esclarecer tudo aquilo, então a garota que estava em pé sentou e o carinho em seu cabelo cessou. Somente a médica parecia calma.

- Isso é comum, você pode estar confusa sobre muitas coisas depois do acidente. – Por fim ela tratou de trocar alguns curativos e dosar melhor a quantia de sangue que era recebida. – Lembra-se de sua família? Ou da cidade onde mora?

- Lima, Ohio. – Começou e mordeu a parte interior da bochecha tendo alguns flashes. – Eu lembro de minha mãe, pai, irmã, alguns primos, meus avós e um bebê...

- Você consegue se lembrar de seus nomes, pode dizê-los? – Era algo que ela se lembrava e parecia que a médica queria se agarrar a isso, assim como as outras duas mulheres que se inclinaram para frente, esperando uma resposta.

- Judy, Russel, Frannie, a bebê é Beth e eu sou... Ahn, bem... Eu sou Lucy Q. Fabray.