Ela chegou aos seus aposentos e se jogou na cama. Tudo o que Hermione queria era pensar nos últimos minutos que passou com Snape. Então, ao virar de lado, ela sentiu algo entre ela e a cama pressionar sua barriga. Mexeu no bolso das vestes, e tirou o frasco da poção que Madame Pomfrey havia preparado para ela. Sem pensar duas vezes, destampou o vidro e tomou um gole da poção.
Dois dias, de doze em doze horas. Só faltam mais três goles de antídoto e estarei livre dos efeitos daquela poção idiota.
Mal concluiu o pensamento, e sentiu o copo ser imediatamente resfriado. Voltara a temperatura estável.
Fim das provocações, fim do constrangimento, fim dos encontros às escuras. Ela sentiu uma tristeza enorme e uma vontade repentina de chorar. Logo agora que estava conseguindo algum progresso no relacionamento com Snape, aquilo iria acabar.
Ela pensou em quando se apaixonou por ele, e como ela julgava impossível um dia ficarem juntos.
Irônico! Quando finalmente consigo algo com ele, acabo com tudo imediatamente.
Fechou os olhos e cobriu o corpo com o lençol da cama. Amanhã pensaria no assunto, seu cérebro já tinha coisas o suficiente para digerir naquela noite.
No dia seguinte, acordou com as sacudidas que alguém dava em seu corpo.
-Mione! Mione! ACORDA! Você está atrasada!
Ela pulou da cama e deparou com Gina olhando-a aflita.
-Eu perdi o café?? – Perguntou
-Perdeu, e faltam cinco minutos pra dar o sinal!
-MEU DEUS! A primeira aula é de Poções. Snape vai me matar!
-Então é melhor se apressar – disse a ruiva – ou o morcegão vai querer te castigar. – ao ouvir a amiga falar, Hermione estremeceu, mas Gina não percebeu, e continuou falando – Sorte que você já dormiu com as suas vestes, não é, amiga? Se não ia perder um tempão se trocando!
Hermione olhou para a própria roupa e se lembrou que na noite anterior, estava tão cansada, que nem se preocupou em tirar as roupas. Esse pensamento lhe trouxe flashbacks da noite passada, e uma sensação de vazio esmagou seu peito.
-Hermione! PRESTA ATENÇÃO! Você vai se atrasar!
A voz da amiga despertou a menina dos seus devaneios, e, sem se preocupar em ajeitar a roupa ou arrumar os cabelos, saiu apressada para a aula de Poções.
Chegou à sala bem na hora que Snape estava fechando a porta. O professor olhou para os cabelos despenteados da menina e para a roupa amassada e deu um sorriso cruel. – Aquele sorriso que ele dava quando estava pronto para humilhar alguém.
-Dez pontos a menos para a Grifinória pelo atraso. Agora, entre. – Ele disse com rispidez. Ela segurou uma lágrima que teimava cair, e respirou fundo, entrando na sala.
Não ousou olhar para frente nem sequer uma vez, toda a ousadia que possuía nos últimos dias foi embora, deixando em seu lugar a vergonha absoluta.
Quando o sinal tocou, ela foi a primeira a sair. Correu para a biblioteca, era o único lugar, Hermione concluiu, que poderiam deixa-la em paz.
Chegando ao seu refúgio, ela imaginou que não queria pegar livro algum. Só sentar, e pensar. Pensar em todo aquele turbilhão de sentimentos que sentia, pensar em como fora se apaixonar pelo professor mais odiado da escola, e pensar, com desgosto, que tudo o que ele queria dela, não tinha nada a ver com amor.
Então, sem saber da onde surgiu, sem saber o porquê surgiu, Hermione sentiu uma onda de coragem invadir seu peito. E ela sabia, tinha certeza, que aquilo não tinha relação alguma com a poção; aquela era a coragem de uma legítima Grifinória.
Eu ainda posso lutar. Posso conseguir o coração dele!
O pensamento fez tudo melhorar, parecia que o mundo ficara mais colorido. Parecia aquela sensação que a Felix Felicis provocava.
Levantou, imediatamente, do lugar que estava, e saiu da biblioteca de cabeça erguida, decidida a conquistar aquilo que acreditava ser dela.
(...)
