Hermione foi para o seu dormitório se sentindo péssima. Se os boatos chegassem ao ouvido diretor, Snape poderia se considerar demitido. E ela, expulsa.
Acho que Dumbledore não tomaria medidas drásticas por causa de boatos – ela pensou – ele nunca faria isso!
Mas uma vozinha em sua cabeça insistia em falar: Talvez esteja fora das mãos do diretor. Talvez seja mesmo o fim.
A garota não queria dormir com um problema desses em mente, mas acabou cochilando pelo cansaço, apesar de lutar ao máximo contra o sono.
Mal amanheceu o dia em uma segunda-feira sombria, Hermione pulou da cama para resolver o assunto que estava deixando-a louca. Quanto mais cedo, menos pessoas acordadas, e menos perguntas seriam feitas.
Ela bateu na porta do dormitório do professor e logo foi atendida por um Severo Snape completamente vestido.
-Acordou com os galos, srta Granger?
-Então voltamos com as formalidades, professor?
Snape revirou os olhos, puxou-a para dentro e trancou a porta.
-Garota tola! Não sabe que podemos ser vistos? Não posso simplesmente te chamar pelo nome! Metade do castelo ficaria sabendo quando esses quadros dessem com a língua nos dentes.
-O jogo acabou, Severo. – Os olhos dela encheram de água – O castelo inteiro já sabe. Harry me contou. – Ela soltou um soluço. Snape ficou pálido.
-Como isso aconteceu? – Ele perguntou num tom perigoso.
-Me viram saindo da festa atrás de você. - Ela disse, se encolhendo.
-Você disse que tinha tomado cuidado!
-Eu achei que ninguém estava prestando atenção! – Ela rebateu – Como eu ia saber? – Ela completou aos gritos.
Snape suspirou e sacudiu a cabeça. Ele se aproximou da garota e encostou a cabeça dela em seu peito.
-Desculpe, sei que a culpa não foi sua. Se ninguém tivesse percebido agora no começo, certamente teriam percebido mais tarde, por mais cautelosos que fossemos.
Hermione voltou a chorar. Severo sentia ela sacudindo o corpo enquanto a ouvia soluçar.
-O que vamos fazer agora? Dumbledore não vai poder fechar os olhos para algo assim por mais que seja íntima a relação entre vocês! Aposto que uma decisão dessas não deve ser tomada só por ele, dependendo do tamanho do estrago feito pelos boatos.
Mas antes que Snape pudesse responder, eles ouviram um toc toc característico vindo da janela. Hermione caminhou assustada e abriu o vidro para deixar a coruja entrar.
A ave foi em direção a Severo, que desamarrou o pergaminho de sua pata.
Snape passou os olhos pelo pedaço de pergaminho que a coruja trouxera, e ficou mais pálido que o normal.
-Dumbledore quer me ver.
Hermione correu para abraçá-lo. Ela respirou fundo e sentiu o perfume do professor, desejando que aquela não fosse a última vez que teriam um contato físico.
-Não quero que você seja despedido por minha culpa! – Ela disse, enquanto as lágrimas escorriam sem parar de seu rosto.
-Não se preocupe, você está falando com um ex-Comensal e espião duplo, não deixarei nada de ruim acontecer com nós dois!
-Mas...
Snape não deixou Hermione completar a frase, silenciando-a com um beijo.
-Por enquanto volte para o seu dormitório, prometo que vou cuidar de nós!
-Eu te amo!
-Eu também! Fique tranqüila, vai dar tudo certo!
-Eu sei que sim – ela sorriu fracamente, dando mais um beijo nos lábios do professor - Boa sorte!
Os dois saíram juntos das masmorras, seguindo cada um o seu caminho.
(...)
