AVISO: O tempo se mistura em uma partezinha da fic, mas se tu for inteligente, vai entender a ordem das coisas e o que é lembrança.


E eu vou estar aqui de manhã
Se você me pedir para ficar
Se você disser "fique aqui comigo"

(Stay – Safetysuit)

x data

Akira suspirou, saindo de perto da janela. Não queria muito se concentrar nas datas, apesar de fazê-lo. Era difícil não pensar. Era difícil esquecer – lembrou-se de uma definição que lera há anos, dizendo algo sobre como amar é mais que lembrar. É não esquecer.

E ela não esquecia. Mesmo que quisesse esquecer, com todas as fibras do seu ser. Simplesmente não conseguia. Principalmente quando o alvo de todas as suas lembranças estava lá, na sua casa.

Ou melhor, estivera. Tão rápido quanto chegara, já havia ido embora. Akira sentia mais raiva do que tristeza, na verdade. Voltou para a cama, ainda bagunçada. Estava com o cheiro dele. Com a presença dele.

Como esquecer o maldito dia em que Hibari salvara sua vida se ele insistia em lembrá-la?

x decesso

Ela ia morrer. Ela definitivamente iria morrer no meio daquela batalha. Akira se arrependeu pelos anos que passou servindo a Vongola tão bem. Iria morrer de forma tão patética? Soterrada por escombros de uma explosão? Não havia conseguido nem reagir ao inimigo, tão rápido que era. Muito acima do seu nível, provavelmente do nível da Varia. E, por mais que quisesse, Akira ainda não era da Varia.

Sentia o seu peito sufocando e sabia que não poderia se mexer ali embaixo. Podia ter quebrado alguma coisa e definitivamente não precisava de uma fratura exposta. Então ia ficar lá e morrer. Sufocada pelas pedras sobre seu corpo, sem água ou comida. Péssimo jeito de morrer. Poderia ter sido até numa explosão de verdade, até a carbonização. Seria mais rápido.

Então ouviu passos e uma presença definitivamente assassina. Reconheceria aquela presença em qualquer lugar. Era Hibari, um dos Guardiões. Tentou se mexer para fazer qualquer mínimo barulho, mas estava tudo muito apertado lá dentro.

E então, a claridade começou a doer nos seus olhos. As pedras estavam sendo retiradas. Akira sorriu quando seu rosto foi descoberto e ela pode respirar profundamente. Hibari olhou bem para ela.

— Você era do Grêmio — perguntou. Akira revirou os olhos. Mesmo com vinte anos, ele ainda tinha aquela mania de Grêmio.

— Era — respondeu. Hibari continuou a tirar tudo de cima dela e a ajudou a se levantar. As pernas de Akira tremiam, mas pelo seu treinamento médico, logo soube que não estava tão machucada. — Obrigada — murmurou, meio a contra gosto. Estava feliz em estar viva, mas ser salva não lhe agradava muito.

Só que, quando parou de checar o corpo, Hibari já havia indo embora. Ela murmurou um palavrão. Aquele idiota.

x decúbito

Hibari mordeu sua barriga. Mordeu sua coxa, mordeu sua virilha, mordeu seus seios, seu pescoço. Hibari a mordeu quase inteira e não eram mordidas fracas de amante. Ele a mordia de verdade, como que para machucá-la. Para marcá-la. Akira gemia de dor e sentia vontade de socá-lo, mas logo vinha outra mordida e a voz morria na sua garganta.

Hibari agarrou sua cintura com força, mordendo a curva do pescoço. Akira gritou de dor, sentindo o machucado doendo. Aquilo ficaria roxo, depois. Por isso, começou a arranhar as costas dele, forçando as unhas contra a pele branca. Queria machucá-lo, também.

Ele a encarou, por cima dela, no comando. Os cabelos negros grudando no rosto, um pouco de sangue nos lábios – o sangue dela. E dessa vez, quando Akira gemeu longamente, não foi de dor.

Quando ele se deitou ao lado dela, ficou de bruços, com o rosto virado para o outro lado. Akira não se importou em olhar, então. Ele não poderia vê-la. As costas estavam vermelhas e um pouco feridas, provavelmente como o corpo dela. Akira sorriu – Hibari também estava marcado.

Gostava que ele se deitasse de bruços. Podia observar as costas, os cabelos, imaginar o que teria acontecido se eles não tivessem se encontrado depois de ele tê-la salvado. Do jeito que Hibari pensava – ela imaginava que conhecia – devia achar que Akira era sua propriedade. Ele a tinha salvo, ela era dele.

Akira discordava profundamente de tudo isso, mas deixou-se levar.

— Não vai dormir? — ouviu a voz dele, abafada pelo travesseiro. Franziu o cenho.

— Não.

— Então... — ele se levantou, subitamente, juntando as roupas no chão. — Até.

Foi embora. Akira não o impediu, apesar de sentir falta daquele corpo deitado de bruços na sua cama.

x dissabor

Akira não era muito de sentir tristeza, mas aquela coisa ruim no peito não poderia ser outra coisa. Isso só a deixava com mais raiva de Hibari. Como ele podia fazê-la se sentir assim?

Por um pequeno instante desejou ter morrido naqueles escombros. Não doeria tanto quanto ficar sofrendo por ele. Lembrava-se da época da escola, em que também trabalhava no Grêmio. Hibari não a agradava nem um pouco – muito assustador, muito metido, achava-se demais. Mas uma vozinha na sua cabeça dizia que ela sempre gostara dele.

O que tornava tudo mais triste ainda. Apertou os punhos, sentindo o corpo dolorido. Quando se despia para tomar banho, via todas aquelas marcas, aquelas mordidas. Hibari era mesmo um filho da puta. Os machucados doíam e ela sentia vontade de mandá-lo parar, mas isso seria violar a natureza dele. E eles haviam aprendido a se respeitar... ou algo assim.

Mas nada diminuía a aflição de Akira.

x doce

— Não vai dormir? — ele perguntou.

— Não — ela respondeu, sabendo o que viria a seguir.

— Ah.

E ele continuou lá. E adormeceu lá. E Akira não conseguiu dormir.

x duradouro

Akira olhou pela janela. Era aquele dia de novo. Estava viva há dois anos e por causa de Hibari. Olhou para cama. Tinha o cheiro dele. Tinha a presença dele. Sorriu. E ela nem havia precisado usar palavras para pedir que ele ficasse lá.

— Não vai dormir? — Hibari perguntou. Akira voltou calmamente para a cama, deitando-se ao lado dele, de bruços também. Sentiu um braço rodeando sua cintura e sorriu.

— Vou, sim.


N/A: DOCINHO, EU SEI QUE TU VAI ME ODIAR TÃO EPICAMENTE POR ESSA FIC, MAS. Desculpa pelo meu epic failnismo, Teddy. Eu queria saber escrever como tu na MF, mas são as impossibilidades da vida. Aliás, eu sei que a Akira está OOC HAHAHA Desculpinhas. Desculpinhas pela fic no geral. Mas teve uns trechos que se salvaram, vai...

(facepalm para mim, que esqueci de dizer os que as palavras significavam: decesso é morte, decúbito é deitado de bruços)