Barreiras Rompidas

Para Amanda, Gina e Erick, as duas primeiras semanas foram muito cansativas. Mal começaram as aulas e os professores já haviam passado uma tonelada de deveres, nem puderam aproveitar os horários livres entre as aulas; e pela expressão da maioria dos alunos do sexto ano, eles pensavam o mesmo.

- Eu não acredito que é sexta à noite e eu estou fazendo o dever. É um absurdo. – Erick reclamava no Salão Comunal da Grifinória, escrevendo com raiva em seu pergaminho.

- É chato mesmo, mas nunca tinha visto tantos deveres juntos. – Amanda disse.

- Pelo menos se terminarmos hoje teremos o fim de semana livre – Gina disse – não ficaremos atolados que nem semana passada.

- Ai, nem me lembre. – Erick disse, tentando se livrar do pensamento.

- Então pára de reclamar e termina logo. – Gina mandou.

Erick fez uma careta e continuou a escrever.

- Amanhã tem os testes de Quadribol não é? – Amanda perguntou a Gina e esta confirmou com a cabeça. – Você me acorda?

- Claro. Você também vai né Erick?

- Se eu conseguir acordar, eu vou. – respondeu ele. – Acabei! – e largou a pena em cima da mesa e ergueu os braços.

- Eu estou quase acabando. – Amanda avisou.

- Quer que eu te ajude? – Erick se ofereceu com ar de superioridade.

- Não, o seu deve estar todo errado.

Erick fez cara de ofendido.

- Tá nada!

Amanda deu risada. Depois dela e Gina terminarem o dever, as duas subiram ao dormitório feminino e dormiram. Na manhã seguinte, Gina acordou Amanda como ela havia pedido e as duas foram tomar café. Não viram Erick nem no Salão Comunal e nem no Salão Principal.

- Cadê aquele garoto? – Gina perguntou.

- No mínimo deve estar dormindo. – Amanda respondeu, pegando uma torrada.

Depois de uns quinze minutos, Harry chamou Gina e Amanda para os treinos de Quadribol. Chegando lá o estádio estava vazio, Amanda e Hermione eram as únicas na arquibancada. Pouco depois foram chegando os candidatos para os testes e seus amigos que encheram um pouco o estádio.

Amanda não conseguia ouvir bem o que Harry gritava no campo, mas percebeu que os testes de artilheiros eram os primeiros. Depois de uma hora, Gina fora selecionada, assim como uma garota e um rapaz que Amanda não conhecia.

Durante os testes de batedor, que eram os próximos, Erick chegou à arquibancada com alguns biscoitos na mão, com cara de sono e bocejando frequentemente.

- Bom dia. – disse ele sentando-se ao lado de Amanda.

- Bom dia. Se atrasou, heim.

- Ah, é sábado, não é dia de acordar cedo. – Erick informou, colocando um biscoito na boca.

- Você não tem vontade de jogar Quadribol?

- Não. – respondeu Erick de boca cheia.

- Por quê?

- Porque tem que acordar cedo, treinar e jogar na chuva. É péssimo. – Ao terminar, alguns farelos voaram de sua boca em Amanda.

- Ai, que nojo! Vira pra lá! – Amanda reclamou colocando a mão no rosto do amigo virando-o para o outro lado e com a outra mão sacudindo sua blusa.

- Desculpa! – pediu ele, levando a mão à boca e rindo.

Depois dos testes de batedores foram os de goleiro, o qual Rony conseguiu novamente e ao acabar os testes, Gina se encontrou com Amanda e Erick e os três caminharam para o castelo.

Ao chegaram perto da entrada do castelo, viram Draco, Zabini e Pansy saindo. Amanda congelou. Tinha evitado cruzar com ele nas últimas semanas, mas agora não tinha como evitar. Gina olhou para ela e sorriu como se dissesse "Fica calma, nós só cruzaremos eles". Erick estava com o olhar fixo no trio.

"Calma, Amanda, talvez eles nem nos percebam. Eles normalmente não falam com a gente, e não é agora que falarão.", pensou ela.

- Ah, que lindo os três patetas passeando alegrinhos pelo jardim! – Pansy disse de um jeito fofo irritante. "Droga, só acontece comigo..." prensou Amanda.

- O que você quer? – Erick perguntou meio que desafiando.

- Olha como fala comigo, garoto! Tem que me tratar com respeito. – Pansy alertou-o.

- Tudo bem, tratarei você com o respeito que merece. – Erick disse e Pansy empinou o nariz. – Cala sua boca, idiota!

Pansy ficou chocada e ofendida. Draco e Zabini não falaram nada, só olhavam.

- Ta pensando o que? Que pode falar assim comigo?

"Parece o Draco de saia", Amanda pensou. "Eles combinam mesmo..."

- Eu não estou pensando, eu posso. E você, acha que pode falar do jeito que quiser com a gente? Pois te digo uma coisa: não pode! Acha que só por que vocês são – e fez uma vozinha fina irritante - sangue-puro, ricos e estão na Sonserina, blá blá blá, como se isso fosse grande coisa, pode tratar os outros como quiserem? Ledo engano. Vocês três – Erick apontou para Pansy, Draco e Zabini – não são superiores a ninguém, nem aos alunos de outras casas nem aos trouxas – Erick deu ênfase nessa última palavra e olhou para Draco, que apenas levantou as sobrancelhas. – E por que tanta implicância? Que saco!

Zabini ficou na frente de Pansy e olhou para Erick.

- Isso não é jeito de se falar com uma dama!

- Mas eu não estou falando com nenhuma dama, - retrucou Erick – estou falando com essa coisa atrás de você.

Antes que Zabini ou Pansy pudessem dizer alguma coisa, Amanda interrompeu.

- Chega Erick, vamos indo. – e pegou no braço do amigo.

- Não se mete sua trouxa asquerosa. – Zabini disse.

- Não fale assim com ela!

Amanda certamente esperava que quem a defendesse seria Erick, mas ao invés disso, ouviu a voz arrastada de Draco. Olhou para ele, assim como os outros, que estavam espantados. Draco estava com os olhos levemente arregalados e com os lábios apertados, incrédulo com o que dissera. Pansy foi até ele indignada.

- O que você disse?! – ela falou com certo tom de raiva na voz. Zabini agora ao seu lado, também encarava Draco, esperando uma explicação. Amanda, Gina e Erick esperando para ouvir também.

Draco finalmente abriu a boca e disse:

- Quis dizer... trouxa? É... é sangue-ruim. – concluiu ele, temendo que Zabini e Pansy não acreditassem na desculpa ridícula que ele improvisara.

Amanda e Gina se entreolharam. Zabini ergueu uma sobrancelha. Draco franziu o cenho e virou-se para continuar andando. Pansy esperou um pouco e logo saiu atrás dele, Zabini em seguida.

- Isso não acabou. – disse ele ao passar por Erick.

Erick fez uma careta para Zabini após este passar por ele e virou-se para as amigas.

- Tudo bem, o que aconteceu aqui? – e olhou para Amanda.

Amanda não disse nada, olhou para Gina e ela também estava esperando uma resposta.

- Por que vocês estão olhando pra mim? – perguntou ela.

- Você pode ser capaz de dar uma explicação. – explicou Erick.

- Mas não posso. Estou tão chocada quanto vocês.

- Parece que alguém teve uma recaída. – Gina disse rindo.

- Você acha? – Amanda perguntou incerta.

- Por qual outro motivo ele te defenderia na frente dos amigos dele?

Amanda sorriu.

- Gina, por que você foi falar isso? – Erick perguntou alarmado. – Agora ela teve uma recaída! Acorda Amanda! – e sacudiu a garota.

- Pára. – Amanda protestou tirando as mãos dele de seus braços. – Eu não tive uma recaída. – "Ainda não".

- Como se eu acreditasse. – Erick disse sem acreditar em Amanda.

- Que seja...

- E o que você vai fazer? – perguntou Gina.

- Nada. O que você quer que eu faça? Fale com ele? Até parece...

- Eu já sei! Esqueça ele de uma vez por todas! – Erick sugeriu.

- Não está ajudando. – Gina disse.

- E nem quero!

- Ah, muito obrigada amigo do peito. – Amanda agradeceu irônica.

- Só estou pensando em você. Acha que quero que você volte com aquele panaca? Claro que não. E você é uma tonta de ainda gostar dele.

- Quando que eu disse que gosto dele?

- Não disse, mas pensou.

Amanda torceu a boca, derrotada.

- Rá! Sabia... – Erick disse vitorioso. - Eu nem sempre falo besteiras.

Realmente, era estranho ouvir Erick falando alguma coisa com conteúdo. Quanto ao acontecido, claro que Amanda havia se surpreendido com Draco, mas não pôde deixar de gostar do que ele fizera. Defendê-la na frente dos amigos que odeiam trouxas? Era raro. Ele próprio odiava. Não sabia ao certo o porquê dele ter feito isso, mas sentiu um fiozinho de esperança crescendo dentro de si, mesmo contra vontade.

- Bom, eu não farei nada quanto a isso. – Amanda disse por fim.

- Você vai esperar ele fazer? – Gina perguntou.

- Como se ele fosse. Ele deve estar se torturando por ter falado uma "besteira dessas".

Draco continuou seu curso. Bateu com a mão na testa pensando: "O que foi que eu fiz? O que aconteceu ali?!".

- Draco, espera! – Pansy gritou um pouco atrás dele com Zabini. – O que aconteceu? – perguntou ela quando chegou a seu lado.

- Nada! – Draco quase gritou. Sabia que agora Pansy e Zabini ficariam perguntando o que houve.

- Parecia que você estava defendendo aquela sangue-ruim. - disse Zabini estranhando.

- O que?! Defendendo?! – Draco perguntou como se fosse absurdo. – Por que eu defenderia uma... trouxa?

- Eu que te pergunto. – Pansy pressionou.

- Eu não a estava defendendo. – Draco disse com firmeza.

- Então me explica o que houve. – Zabini pediu.

Draco pensou um pouco.

- Já está na hora de parar de perturbar qualquer um que vemos. – ele explicou.

- Como assim?! – Pansy e Zabini disseram em coro. - É nossa maior diversão aqui! – Pansy terminou

- Talvez sua, minha não é mais.

Pansy olhou decepcionada para Draco.

- O que houve com você?

- Cresci. Você devia fazer o mesmo.

Pansy ficou ofendida e triste e saiu de perto deles.

- Pegou pesado, Draco. – Zabini disse a ele.

- Só falei a verdade. – Draco disse sem o menor arrependimento.

- Você está mesmo diferente. O que aconteceu durante as férias? – Zabini tentou descobrir.

- Nada. Só amadureci.

- Você está meio chato. – Zabini revelou

Draco nada disse.

- Então ta. – Zabini disse por fim e foi para o castelo.

Depois dessa conversa, Draco conseguiu organizar os pensamentos. Ele mesmo não havia entendido o porquê de ter dito aquilo. Foi como um impulso, uma necessidade de defender Amanda da ofensa de Zabini, o que resultou em uma desculpa ridícula para tentar disfarçar e depois em uma discussão entre os três. Estava na hora de voltar a andar mais com Crabbe e Goyle, eles perceberiam menos.

Draco sentiu a confusão de sentimento voltar à tona. Ele se odiava por tê-la defendido, ainda mais em público, ao mesmo tempo em que se sentia bem por tê-la defendido. Agarrou os cabelos e puxou-os, tamanha era sua frustração.

Talvez sua mãe estivesse certa, talvez ele realmente gostasse de Amanda. "Isso é um absurdo, eu não gosto de trouxas nem de mentirosas.", Draco balançou a cabeça.

Nas três semanas seguintes, Amanda ansiava por encontrar Draco pelos corredores; mesmo achando que nada aconteceria, não podia evitar procurá-lo discretamente. Apesar de Gina e Erick, principalmente Erick, aconselharem-na a não ter esperanças e esquecê-lo dizendo que ele não mudaria, Amanda não se decepcionou. Encontrava-o frequentemente pelos corredores com Crabbe e Goyle, e Draco sempre a olhava de soslaio. Amanda ficava feliz ao perceber isso, como se estivesse começando do zero, mas Gina a repreendia toda vez.

Para Draco estava mais complicado, sua mente estava dividida pelos seus sentimentos renovamos por Amanda e pela sua repulsa por trouxas. Logo teria que se decidir, pois tinha a tarefa do Lorde das Traves para cumprir e ficar perdendo tempo com garotas, sentimentos confusos e todas essas coisas de mulher, pensava ele, era intolerável.

Draco ainda não pegara firme na missão "Matar Dumbledore". Às vezes ia para a biblioteca pesquisar alguma poção fatal ou maldição para lançar sobre o professor, mas não era tão empolgante como havia imaginado e logo desistia. Para ajudar, ainda tinha que consertar um tal de Armário Sumidouro escondido em uma sala pouco convidativa na Sala Precisa, que seria usada para um possível ataque de comensais à escola.

Como havia planejado, começou a andar mais com Crabbe e Goyle que o ajudavam a entrar e sair da Sala Precisa em segurança. Se eles desconfiavam do que Draco fazia dentro da sala, ele não estava preocupado; não devia satisfações a ninguém, então pensem eles o que quiserem.

Quanto à Amanda, para ajudar, Draco a via frequentemente pelos corredores e seus olhares sempre se cruzavam e toda vez se irritava consigo mesmo. Não conseguia evitar de tocá-la novamente. Rapidamente virava o rosto e se forçava a odiá-la, lembrando-se de que ela era 'uma trouxa repugnante, nojenta e indigna de seu afeto', sem sucesso.

Durante essas três semanas, Draco teve impulsos de falar com ela algumas vezes em que se cruzavam pelos corredores. Mas ele não desistia de reprimir sua vontades e planejava meios de dar um jeito nisso. Pensou em ele lançar um feitiço da memória nele mesmo, para se esquecer de Amanda de uma vez por todas. Ao pensar nisso, lhe surgiu um medo e descartou a ideia. "Eu fiquei com medo porque posso perder toda a minha memória, não outro motivo qualquer...".

Convenientemente, Draco recebeu uma carta de sua mãe, exigindo que ele parasse de ser tão cabeça dura e orgulhoso e fosse logo falar com ela. Draco grunhiu ao ler a carta. Sua mãe ainda não desistira do sonho romântico que tinha e que queria que ele vivenciasse.

Em uma quarta-feira, na hora do almoço, Draco estava almoçando infeliz ao lado de Pansy. Os rapazes estavam em qualquer lugar do castelo. Pansy tagarelava sem parar com Daphne Greengrass a sua frente sobre coisas de garotas. Arriscou uma olhada para a mesa da Grifinória e viu que Amanda o olhava. Por mais incomum que fosse, ela não desviou o olhar e, mais incomum ainda, deu um sorriso de compaixão, ao que Draco percebeu, talvez por estar ao lado de Pansy. Draco relaxou a expressão, mas não retribuiu o sorriso, logo Amanda desviou o olhar e fixou-o em seu prato. Viu que Gina Weasley lhe dera uma cotovelada e as duas começaram uma discussão.

Aquele pequeno gesto de Amanda era o que restava para Draco atender ao pedido de sua mãe. Toda a sua raiva e ódio por ela sumiram de repente, assim como seu apetite. Levantou-se às pressas da mesa, ignorando os protestos de Pansy. Dirigiu-se à biblioteca, pegou alguns pergaminhos, um tinteiro e uma pena e sentou-se na mesa mais escondida que havia. Precisava fazer isso agora enquanto seu orgulho dava um passeio com seu ego nos confins de sua mente.

"Tudo bem, como eu começo?" Draco se perguntou passando a pluma da pena no nariz. "Já sei".

'Amanda, se possível queria falar contigo, mas isso não significa nada, afinal você é uma sangue-ruim, jamais... '.

Draco parou de escrever, amassou o pergaminho e deixou-o em cima da mesa. Não se arriscaria a jogar no lixo ou em qualquer lugar que alguém pudesse ler. Iria queima-lo depois. "Se eu escrever isso ela vai virar um murro na minha cara. E não faz sentido depois da gafeque eu cometi.". Draco coçou a cabeça. "O que uma garota gostaria de receber? 'Querida Amanda?' Não, muito forçado... que dificuldade...".

Depois de um bom tempo e vários pergaminhos amassados, Draco escreveu o bilhete. Não ficou totalmente satisfeito, mas melhor do que isso não ficaria então foi até o Corujal e enviou. Agora só restava esperar a resposta, isso se haveria uma resposta.

- Melhor de 9! – Erick exclamou arrumando as peças.

- Nem pensar! Você é muito ruim, estou cansada de ganhar. – Gina recusou, se encostando à cadeira, na Sala Comunal da Grifinória e cruzando os braços. Depois do almoço, eles não tinham aula e nenhum deles estava realmente com vontade de fazer os deveres.

- Nossa Gina, eu queria ter metade da humildade que você tem. – Erick disse irônico.

- O que eu posso fazer? É de família.

- O xadrez, né?

Gina olhou séria para Erick.

- A humildade também.

- Que humildade?!

Gina olhou brava para ele.

- Amanda! Você está ouvindo tudo isso e não está fazendo nada?! Amanda? Amanda! – Gina chamou-a.

Amanda estava com o braço apoiado na mesa e o queixo apoiado na mão, de olhos fechados. Abriu-os devagar ao ouvir Gina chamando.

- Pois não?

- Você não estava nos vendo jogar? – Erick perguntou indignado.

- Eu vi até a metade da terceira partida, depois me deu um soninho. – Amanda respondeu esfregando um dos olhos e bocejando.

Erick olhou para amiga com os olhos semicerrados. Voltou-se para Gina e disse:

- Mais uma!

A garota bufou.

- Ta, mas se eu ganhar de novo acabou.

Amanda retomou seu cochilo. Alguns minutos depois, ouviu umas batinas na janela da sala, mas nem se deu ao trabalho de se virar e ver. Após alguns segundos sentiu um vento sobre sua cabeça, abriu os olhos e uma coruja cinza tinha acabado de pousar na mesa, de frente para ela, com uma carta.

- Oi. Carta pra mim? – Amanda perguntou estranhando, como se não fosse óbvio. Pegou a carta e agradeceu à coruja que levantou vôo e saiu. Amanda abriu-a e leu meio sonolenta.

"Sei que você deve estar com raiva de mim, mas queria conversar com você se possível. Estarei no lugar e hora de sempre.

Ass.: D.M."

Amanda arregalou os olhos, piscou com força para conseguir acordar totalmente e releu a carta várias vezes. Olhou para os amigos e só Gina aparentava curiosidade, Erick parecia nem ter notado a presença da coruja, estava concentrado no jogo.

- Está tudo bem, Amanda? – Gina perguntou.

- Eu acho. – Amanda respondeu sentindo-se repentinamente feliz e nervosa ao mesmo tempo.

- De quem é a carta?

- É mais um bilhete. Pode ler. – Amanda disse e entregou-o a amiga.

- Gina, sua vez. – Erick avisou. Seus olhos pararam na carta que Gina segurava. – De quem é?

- A Amanda acabou de receber... Ei! – Gina não terminou a frase e Erick tomou a carta de sua mão. – Eu nem terminei de ler.

Erick leu-a com aspecto bravo. Amanda e Gina se entreolharam. Erick terminou de ler e falou mais alto que o normal.

- O que significa isso?! – algumas pessoas ao redor olharam. Gina tomou-lhe a carta.

- Fica quieto! As pessoas estão olhando. – Gina alertou. Amanda deu uma olhada geral e realmente várias pessoas estavam observando-os, mas logo voltaram a seus afazeres.

- Por que ele te mandou isso? – Erick perguntava inconformado, agora falando baixo.

- Parece que ele que falar comigo.

- Ele é um tonto se acha que você vai.

- Calma, Erick, eu não vou, por mais que seja tentador. – Era tentador sim. Apesar de tudo que Draco dissera, Amanda ainda tinha resquícios de sentimentos por ele. Porém, ao lembrar das duras palavras de Draco, automaticamente vinha uma onda de raiva e ela ficava dividida novamente.

- Ah não?! Achei que você iria correndo se ele chamasse. – Erick disse naturalmente.

Amanda se ofendeu.

- É claro que não! Magoei, Erick. – Amanda reclamou e Erick pareceu não entender o motivo e Gina apenas balançou negativamente a cabeça como quem diz 'homens...'.

- Ele está pensando que eu trouxa? – Amanda indignou-se se referindo a Draco.

- Mas você é. – Erick respondeu, novamente não entendendo. Amanda estranhou, mas logo caiu a ficha.

- Ah... me expressei mal. – Amanda se desculpou. – Ele está pensando que eu sou idiota? Um simples bilhete não fará com que eu o perdoe por tudo o que disse.

Erick sorriu para Amanda.

- Estou tão orgulhoso!

- Obrigada, papai.

- Então você o deixará esperando a noite toda? – Gina perguntou.

- Sim, nem vou responder 'não', ele que perca o tempo dele lá sozinho. – Amanda respondeu decidida.

Erick parecia que ia chorar.

- Eu podia te dar um beijo por isso, Amanda! Quanta emoção.

- Obrigada de novo, papai. – Amanda riu.

Logo Gina e Erick voltaram a jogar. Amanda deu uma olhada pelo salão comunal e reparou que Harry e Rony os olhavam.

- Gente, nós estamos vestidos de palhaço? – Amanda perguntou.

- O que é palhaço? – Erick perguntou.

- Depois eu te explico. Nós estamos fantasiados e eu não percebi?

- Não. Por quê?

- O Harry e o Rony estão nos encarando. Está me incomodando. – Amanda respondeu em voz baixa.

Gina e Erick se viraram para verificar.

- Devem estar achando que estamos "aprontando alguma". – respondeu Gina voltando sua atenção ao jogo.

- E se estivermos, o que eles têm a ver?

- Em nada, mas sabe como eles são curiosos.

Amanda fechou a cara.

- Não gostei.

- Ninguém gosta, mas você quer fazer o quê? – Erick perguntou, se concentrando no jogo.

- Dar um soco na cara de cada um.

- Nossa, que revolta. – Gina espantou-se.

- Eu não gosto de gente enxerida. Tenho certeza que eles também não.

- É, mas nós somos gente boa e não amolamos ninguém, por isso somo tão legais! – Gina disse sorrindo.

- Eu sou gente boa. – Erick disse como se pedisse para incluí-lo no grupo.

- Claro que é. – Gina concordou. – Xeque-mate!

- Ah, Gina! Tenha a santa paciência! Não acredito que você ganhou de novo... Já chega! Eu desisto. – Erick disse ficando emburrado e bagunçando todas as peças.

- Relaxa, é só um jogo. – Amanda tentou acalmá-lo.

- A culpa é das peças! Ninguém me dá dica nenhuma, só xinga, eu heim!

Draco estava ansioso por aquela noite. Não sabia como Amanda havia reagido ao receber a carta nem se ela iria ao encontro. Tentava não pensar nisso. Ao jantar, olhava de quando em quando para Amanda à mesa da Grifinória. Ela olhava para ele às vezes, mas sem nada significativo.

Às quinze para às oito, Draco se levantou e foi até à Sala Precisa. Não fazia tanto tempo que estivera ali, mas quando esteve foi por outros motivos. Passou três vezes diante da parede até que a porta da Sala apareceu. Entrou e contemplou-a.

Era estranho estar ali, naquela sala, depois de uns três meses. Ao mesmo tempo lhe trazia boas e más. Deu uma volta pelo aposento e tudo continuava igual: o sofá de três lugares à direita, uma porta à esquerda, onde era o banheiro, a cama de casal ao fundo, com as cortinas abertas, em um patamar mais alto, todas as mesinhas caídas, assim como a mesa maior com as guloseimas espalhadas pelo chão.

Draco foi até às mesas e com um aceno de varinha endireitou-as e com outros acenos e algumas palavras mágicas concertou os objetos quebrados. Depois disso, deu uma olhada geral no quarto; tudo parecia organizado.

Foi até a cama, que ele nunca havia se deitado, para esperar por Amanda. A cama tinha uma colcha branca com detalhes em dourado, dois travesseiros grandes e quatro almofadas iguais à colcha. Draco sentou-se nela e percebeu que era muito fofa e confortável. Ajeitou-se e se deitou. Olhou para o teto que era escuro com alguns pontos prateados, parecendo o céu à noite. "Nunca tinha reparado nisso. Também, pra quê ficar olhando para o teto?". Era um bom lugar para ficar, mas apesar disso não conseguiu ficar ali por muito tempo, tamanha era sua ansiedade.

Levantou-se e deu uma volta pelo quarto. Nada havia mudado mesmo, nada estava empoeirado ou tinha sinal de que alguém havia estado ali. Olhou para seu relógio de pulso: eram 20h20 e Amanda não havia chegado. Draco começou a ficar nervoso.

Sentou-se no sofá para tentar se acalmar. Ficou ali pouco mais de quinze segundos, levantou-se e andou novamente. Sentou-se na cama, no degrau, caminhou e caminhou pela sala e só havia se passados 10 minutos. "Vou esperá-la até às 21h" pensou Draco e começou seu curso.

O relógio marcou 21h e nem um sinal de Amanda. "Tudo bem, ela quer fazer um pouco de drama se atrasando. Vou esperar até às 21h30". E continuou a andar. Foi até o banheiro, lavou o rosto e as mãos inúmeras vezes para passar o tempo.

Eram 21h30 e nada. "Que demora! Já me fez esperar 1h30, está bom demais! Não agüento mais ficar sem fazer nada, mas vou esperar até às 22h, se ela não vier, irei embora e desistir". Draco pensava com convicção.

Às 22h55, Draco estava deitado de bruços na cama, com o rosto enfiado entre os travesseiros e batendo alternadamente com duas almofadas em sua cabeça. "Que tédio.". Nunca havia ficado entediado por tanto tempo por vontade própria. Levantou-se da cama depressa e foi até a porta. Estava decepcionado e irritado. "Já chega. Não vou mais correr atrás dessa garota, ela ta pensando que eu sou um mané? De jeito nenhum! Já me fez perder 2 horas da minha vida e nenhuma garota vale isso", então Draco saiu da Sala Precisa sem olhar para trás e foi dormir chateado e mal-humorado.

Na manhã seguinte acordou do mesmo jeito. Ignorou quase todos que falaram com ele e os que não conseguiu evitar, foi grosso e estúpido. Foi tomar café da manhã sem vontade, não queria nem estar no mesmo ambiente que aquele grifinória que o rejeitara depois dele, de certa forma, ter pedido desculpas. Ele já sabia que havia exagerado e para Draco admitir isso estava bom demais e Amanda sabia como ele era então por que não fora se encontrar com ele?

À mesa da Sonserina, automaticamente Draco olhou para o lugar em que Amanda costumava se sentar e lá estava ela conversando tranquilamente com Gina Weasley. De repente, a raiva foi sumindo de Draco dando espaço para o vazio e o desejo. Por mais que na noite passada ele estivesse extremamente enraivecido com Amanda, agora não conseguia mais; iria falar com ela de algum jeito.

O que Draco queria mesmo era puxar ela para algum canto onde pudessem conversar em paz, mas pelas encaradas que Erick Rivers lhe lançava, isso estava fora de questão. Iria então escrever-lhe outra carta.

Depois das aulas, Draco foi novamente à biblioteca e depois de pensar muito, escreveu o que achou ser a carta mais vergonhosa que já escrevera. Se sentiu meio estúpido com isso, mas mesmo assim foi até o Corujal e enviou-a, esperando que dessa vez lhe desse algum resultado.

Amanda estava nos jardins de Hogwarts treinando alguns feitiços com Gina quando uma coruja interrompeu-lhes pousando no gramado. Amanda olhou direto para a carta que a coruja trazia espanta, mas de certa forma feliz. Amanda se abaixou, pegou a carta e quase a rasgou na ansiedade de abrir.

- Outra carta do Malfoy? – Gina perguntou adivinhando, lendo a carta por cima do ombro da amiga.

"Amanda,

Pelo tempo que você me fez ficar esperando ontem, suponho que continua com raiva de mim. Sei que falei demais naquele dia, mas será que podemos conversar?

Estarei lá hoje novamente, mas dessa vez me faça esperar menos de duas horas. D.M."

Gina terminou de ler a carta e olhou para Amanda que estava com uma expressão feliz, mas discreta no rosto.

Amanda riu da carta, mas não sabia ainda se estava disposta a perdoá-lo. Percebeu que Draco estava arrependido só não queria admitir com clareza, talvez fosse demais para ele.

- Ele ficou me esperando por duas horas. – Amanda comentou olhando a carta com carinho.

- É, Amanda, você está valendo duas horas. – Gina disse rindo. – E já está te chamando pelo primeiro nome.

O rosto de Amanda iluminou-se ao perceber.

Você pensa em ir?

- Ainda não. Mas vou responder dessa vez. Vamos para a torre da Grifinória?

Ao chegarem lá, Amanda e Gina subiram para o dormitório, que estava vazio. Amanda pegou um pergaminho, tinteiro e pena e se preparou para escrever.

"Malfoy,

Você foi bem claro quando disse que não queria mais me ver. Eu respeito sua decisão. O que o fez mudar de ideia?

A.T."

- Você até sublinhou o 'Malfoy'.

- É claro que sim. "É Malfoy para você, Thornton". – Amanda imitou Draco

- Eu duvido que ele vá responder. – Gina disse, descrente.

- Eu também, mas dependendo do que ele escrever, as coisas podem mudar. Vamos até o Corujal agora?

Depois de enviar a carta, Amanda e Gina saíram depressa do Corujal. Se Amanda e Draco continuassem se correspondendo assim, eles acabariam se encontrando lá mesmo. Pouco tempo depois, Amanda recebeu a resposta.

"Amanda,

O importante é que eu mudei de ideia. Sabe o quão difícil foi para eu admitir que gosto de você? Pare de me torturar e venha esta noite... por favor.

D.M."

- Ai, meu Deus. – Amanda entregou a carta de Gina e se soltou na poltrona em que estava sentada no salão comunal, sentindo seu coração derreter. Amanda não conseguia se conter de alegria. Draco realmente gostava dela e ela não consegui acreditar que ele havia escrito aquilo.

Gina olhou para Amanda espantada, mas sorrindo.

- Até eu me derreteria. Dizer que gosta de você junto com um 'por favor' e uma confissão de que você o está torturando não indo se encontrar com ele é uma grande coisa vinda do Malfoy.

Amanda não conseguia dizer nada, apenas concordou com a cabeça com um sorriso bobo no rosto.

- Agora você vai?

- Sim, sim! – de repente, Amanda sentiu-se totalmente insegura. – Mas, Gina, por que ele gosta de mim?

- O que quer dizer?

- É que tem tantas garotas mais bonitas aqui em Hogwarts... por que ele me escolheu?

Gina fechou os olhos lentamente. Abriu-os e em seguida disse:

- Amanda... eu não estou acreditando... você está insegura, é isso?

- É... acho que tudo isso é bom demais para ser verdade.

Gina ergueu as sobrancelhas e começou a falar entre risos, sem dizer algo realmente. Depois de uma risada ela conseguiu encontrar as palavras:

- Amanda, eu posso te garantir que isso não é tão bom quanto você pensa, quero dizer, ele é de família de comensais. Se eu pudesse fazer você gostar de outro cara, eu faria. Em especial o Fred, que eu sei que ele gostou de você. Seríamos como irmãs! – Gina sonhou e perdeu o foco da conversa, deixando Amanda vermelha como um pimentão.

- Mas Gina, o Draco me escolheu no meio de tantas e pelo jeito me aceita como trouxa. Eu gosto dele e acho que ele gosta de mim.

- Olha, eu não acho não, eu tenho certeza. – Gina rebateu, o que fez Amanda sorrir. – Mas pensa se isso der certo mesmo, como vai ser? Os pais dele não te aceitarão sendo trouxa. – ela disse com cautela.

- Um passo de cada vez, por favor.

- Tudo bem. Está vendo como não é tanta sorte ou bom demais como você imagina? E para de ficar insegura. Para você ter uma noção, o Draco é feio.

Amanda arregalou os olhos.

- Está surpresa? – Gina riu. – É verdade. Você foi a primeira pessoa que eu conheço que o acha bonito. Nem Hermione, nem Hanna, Claire ou qualquer outra garota que eu tenha conversado sobre isso o acha bonito. Além das meninas da Sonserina, mas elas não contam.

Amanda ainda estava pasma com a revelação. Desde a primeira vez que viu Draco ela o achou bonito. Na verdade, lindo. E agora vem a Gina e fala que ele é feio? "Para o mundo que eu quero descer".

- Eu não sei o que você viu nele, seriamente, mas você viu. E foi o mesmo com ele em relação a você. Você tem algo que as outras garotas de Hogwarts não têm.

Amanda sentiu sua autoestima ir parar na Torre de Astronomia. Gina percebeu a mudança e acrescentou:

- Agora para de se preocupar com isso, é bobagem.

- Vou precisar de um tempo para digerir tudo isso. Mas obrigada. – Amanda disse. – E outra coisa, não conta para o Erick, senão ele não vai deixar. – Amanda alertou-a.

- Nossa, é verdade. Quem diria que Erick era superprotetor.

Às 20hs, Amanda já queria ir para o sétimo andar, mas enrolou um pouquinho, em parte por insistência de Gina e quando deu 20h20, Amanda foi. Ficou de frente à parede da Sala Precisa, nervosa, enrolando ainda mais. Finalmente passou três vezes em frente a ela e esperou a porta aparecer.

Dentro da Sala Precisa, Draco estava a um canto, em pé, de braços cruzados, batendo o pé direito com impaciência. "Ela vai me fazer esperar de novo", pensava ele irritado "Realmente, nenhuma garota vale tudo isso. Só vou esperar até às 21h, se ela não vier é o fim, não aguento mais me rebaixar..." Draco não terminou o pensamento, sentiu seu coração acelerar ao ouvir a porta se abrir. Descruzou os braços e deu uns dois paços à frente, aguardando. Quando Amanda entrou, Draco se sentiu aliviado e feliz e resistiu para não sorrir.

Amanda entrou na Sala cautelosa, sem saber ao certo o que esperar. Fechou a porta às suas costas e olhou para a sala saudosa. Tudo parecia estar exatamente no mesmo lugar. Avistou então Draco um pouco afastado dela, sério. Andou mais para dentro da sala um pouco sem jeito, esperando que ele começasse a falar. Draco foi até ela até ficar mais ou menos a um metro de distância.

- Que bom que você não me fez esperar duas horas de novo. – ele disse.

- Oi para você também. – Amanda disse irônica. – Resolvi atender ao seu pedido dessa vez. – ela disse com ar de superioridade.

- Como se você não quisesse vir. – ele debochou.

- Admito que a sua última carta-bilhete me surpreendeu. – Amanda falou, sem baixar a pose.

- Sério? Eu escrevi com pressa, estava meio revoltado com sua resposta. – Draco admitiu. - Eu nem reli.

Então Draco escreveu que gostava de Amanda inconscientemente? "E isso é bom? Acho que sim, já que ele não se forçou a isso.".

- De qualquer forma, você sabia que eu fiquei esperando que nem um tonto aqui? – reclamou ele.

- Você não pediu para eu confirmar presença.

- Há, há. Pensei que você viesse já que eu te enviei um bilhete muito bem educado.

- Pensou errado. – disse ela sem ser grosseira.

- Percebi. - disse Draco incomodado.

Os dois ficaram alguns segundos, que pareceram muito longos, sem dizer nada, até que Amanda quebrou o silêncio.

- Por que você queria que eu viesse?

Draco estava sem jeito para falar.

- Sobre aquele dia... em junho.

Amanda aquiesceu.

- Estou ouvindo. – ela disse encorajando-o.

Draco inspirou fundo.

- Acho que eu exagerei.

Amanda permaneceu séria.

- É, exagerou.

- Mas, Amanda, tente entender o meu lado. – Draco pediu a ela. – Eu venho de um família sonserina e de sangue-puro, já foi difícil te aceitar como grifinória, sangue-ruim então... quero dizer, trouxa, - corrigiu ele depressa - foi bem pior.

Amanda já havia pensado nisso e já sabia o que dizer.

- Tudo bem, mas não precisava ter sido tão grosso, se tivesse falado com jeito, teria sido melhor.

- Mas eu não sou bom em falar com jeito. – Draco disse sem demonstrar qualquer tipo de sinal de que talvez mudasse; aquele era seu jeito e ponto. – Além disso, fiquei revoltadíssimo ao descobrir, foi um choque e tanto.

- Eu ainda não entendo como você não sabia que eu sou trouxa. – Amanda disse confusa.

Draco também se perguntava como ele nunca soubera. Não se lembrava de ter ouvido alguém a chamando de sangue-ruim perto dele, só depois que eles terminaram.

- Eu também não sei. E... – Draco começou e Amanda avançou um passo, esperando. – me desculpe.

Amanda deu um sorriso tímido ao ouvir seu pedido de desculpas principalmente por ele ter sido feito por vontade própria de Draco.

- E como você chegou a essa conclusão, de querer me ver de novo? Achei que me odiasse.

- É claro que eu não te odeio. – Draco disse imediatamente. – Quero dizer, eu também achava isso, mas... estava errado. Muito errado.

- De acordo com a sua carta, foi bem difícil para você admitir isso, não é?

Ele havia escrito isso? Draco se perguntava.

- Você não faz ideia. – ele respondeu e esticou o braço direito na direção de Amanda, com a palma virada para cima. – Você me desculpa?

Amanda alargou o sorriso, sem mostrar os dentes e colocou sua mão esquerda sobre a dele.

- Desculpo.

Draco puxou Amanda para mais perto, pegou a outra mão dela e colocou os dois braços dela em volta de seu pescoço. Descansou as mãos na cintura dela e encarou aqueles olhos azuis novamente depois de tanto tempo. Sem querer perder mais tempo, Draco se inclinou e a beijou.

Amanda correspondeu ao beijo com prazer. Sentiu seu coração acelerar e passou as mãos pelos cabelos sedosos de Draco, puxando alguns fios de leve, que fez com que ele sentisse um arrepio agradável. Ele puxou Amanda ainda mais perto e abraçou apertado, se perdendo no momento.

Draco não se importava que Amanda fosse trouxa, que ele tivesse uma missão que custaria sua vida para cumprir ou se alguém descobrisse sobre eles. Só se importava com os dois, ali na Sala Precisa, fazendo as pazes. Draco aprofundou-se mais do beijo, sentindo um calor agradável percorrer por seu corpo.

Depois de um longo beijo eles se separaram e Draco deu vários beijinhos no pescoço de Amanda, percebendo que pele dela se arrepiava. Olhou para Amanda atentamente. Como pudera dizer todas aquelas coisas a ela? Correra o risco de perder a garota que ele mais gostava por um motivo que agora ele considerava uma bobagem. E como ele a achava linda. Tudo nela parecia perfeito para ele: os cabelos no tom certo de castanho, os olhos azuis penetrantes, as bochechas cheinhas e naturalmente rosadas e seus lábios tão beijáveis. Draco reparou que ela passara algum batom rosa, pois seus lábios não tinham dessa cor naturalmente. Sorriu involuntariamente.

Amanda olhava Draco e não conseguia ver defeito algum. Seu lábio inferior era ligeiramente maior que o superior, seus olhos cinzentos e frios, seu nariz reto e fino demais. Amanda adorava tudo. Era isso que fazia Draco ser... Draco – além de sua personalidade encantadora. E aquele sorriso. Amanda nunca vira Draco sorrir daquele jeito, um sorriso grande e espontâneo, mostrando todos seus dentes. Era perfeito. Não eram extremamente brancos e perfeitamente alinhados, como nas propagandas de creme dental. Mas era perfeito. Nem parecia o rapaz que havia dito aquelas ofensas meses atrás; parecia outra pessoa, uma pessoa nova.

- Você tem um sorriso lindo. – ela disse.

Draco ficou sério na mesma hora e disse:

- Mas não conta pra ninguém, vai estragar a minha imagem. – e sorriu.

Amanda riu.

- Estou feliz que estejamos bem de novo.

- Eu também. – ele disse e deu-lhe outro beijo, dessa vez mais curto. – Eu gosto muito de você, Amanda.

- Eu também gosto muito de você... Malfoy. – Amanda disse seu sobrenome de propósito, para ver sua reação.

Draco rolou os olhos.

- Pode me chamar de Draco agora. Achei que estivesse claro.

- Agora está. – ela disse sorrindo. – Vem cá, vamos sentar aqui. – Amanda puxou Draco pela mão até o sofá de três lugares. – Como foram sua férias? – ela perguntou quando se aconchegaram.

Como se fosse um choque de realidade, Draco lembrou-se de sua tarefa para este ano e ficou extremamente desanimado, o que não passou despercebido por Amanda.

- Não foram boas? – ela perguntou preocupada.

- Não muito.

- Quer conversar?

- Não, prefiro não falar sobre isso. – respondeu Draco incomodado. Amanda não precisava tê-lo acordado tão cedo, agora o que ele menos queria era sair do ótimo ambiente em que estava com ela. A garota abraçou-o pela cintura e Draco passou os braços em volta dela.

- Não fica assim. Esse ano será melhor. – Amanda confortou-o.

"Não tenho tanta certeza", Draco pensou.

Mesmo sabendo que esse ano não seria um ano fácil, Draco já se sentia melhor agora que voltara com Amanda; apesar de não poder contar seus problemas a ela, ele ficava mais calmo quando estava com ela.

- Nossa Draco, você não está com calor? – de repente Amanda perguntou ao notar seus braços cobertos por mangas compridas. – Ergue as mangas. – e pegou o braço esquerdo de Draco e começou a erguer a manga, mas foi bruscamente interrompida quando ele puxou o braço.

- Não! – ele exclamou.

Amanda se assustou e ergueu as mãos mais ou menos acima do ombro.

- Desculpa...

- Tudo bem. – ele disse, abraçando-a novamente e beijando sua testa. – Não foi nada.

Amanda achou estranha a atitude de Draco por uma coisa tão simples. No momento, resolveu ignorar.

Durante uma parte do resto do tempo em que ficaram na Sala, Amanda contou a Draco sobre suas férias, mas este não estava interessado, mesmo porque não acontecera nada de interessante, mas ele parecia incomodado, então Amanda não insistiu no assunto. A última coisa que Draco queria falar era sobre Comensais da Morte, que o lembrava de sua dura realidade.

Fora isso, os dois foram à mesa de guloseimas e comeram e beberam um pouco de tudo: torradinhas, bolachinha doces, sucos, até café tinha ali. Amanda se perguntou se não estragavam de ficar ali, mas aí lembrou que aquela era a sala mais mágica que havia em Hogwarts.

Passado algum tempo, que pareceu ser no máximo meia hora, Amanda olhou o seu relógio de pulso e levou um susto ao ver as horas.

- 23H30?! Meu Deus, que tarde! – Amanda exclamou levantando-se do sofá. Draco se espantou também.

- Já?!

- É! Temos que ir! – Amanda falava agitada.

- Calma Amanda. Nós iremos embora, relaxa. – Draco acalmou-a colocando as mãos sobre os ombros dela.

- Tudo bem. – ela disse se acalmando.

- Ótimo. – Draco disse indo até a porta. – Deve estar muito escuro no corredor, melhor acender as varinhas. – ele pegou sua varinha e murmurou Lumus. Amanda fez o mesmo.

Amanda nunca havia andado por Hogwarts após o toque de recolher, então não sabia como era, mas sabia que seria medonho. O castelo iluminado, o pouco que era durante o dia e com as tochas, já era um pouco assustador, no escuro então seria muito pior.

Draco abriu a porta e deu um passo para fora da sala com a varinha em frente, Amanda grudada nele. Esta olhou o corredor e estava realmente muito escuro, exceto pelas luzes de suas varinhas. Amanda fechou a porta e os dois foram até o meio do corredor, olhando para os dois lados e tentando iluminar o máximo que podiam. Amanda agarrou-se no braço de Draco quando começaram a andar.

- Está tudo bem? Você parece nervosa.

- Só um pouquinho de medo.

- Ah, Amanda, qual é! Não vai acontecer nada. – Draco disse achando bobo o medo dela.

- Nunca se sabe. E você sabe o caminho? Nesse escuro tudo parece confuso para mim.

- Claro que sei. É por aqui, vamos. – Draco disse com segurança.

Amanda ainda não se sentia bem, não conseguia ver mais que uns dois ou três metros a sua frente, sempre olhava para trás e tinha a péssima sensação de que alguém os observava.

Após alguns minutos andando, Amanda viu uma coisa perolada com forma humana flutuando a poucos metros a frente dos dois. A garota sentiu todos os pelos de seu corpo se eriçar e se agarrou na cintura de Draco.

- Ah! Um fantasma! – ela exclamou.

- Eu vi. E daí? – Draco perguntou com indiferença.

- Eu me assustei!

- Ah, que frescura. Nós os vemos o tempo todo pelo castelo.

- É, mas não no escuro quase total, quando estamos passeando pelo corredor depois do horário de recolher. Dá muito mais medo!

- Não está fazendo o menor sentido isso. Você só é muito medrosa.

- Ah, me deixa. – Amanda reclamou e apertou ainda mais o abraço. Draco passou um dos braços pelos seus ombros e eles continuaram a andar.

Após um bom tempo caminhando, Amanda já havia se desgrudado de Draco e andava a uns dois passos atrás dele cansada e entediada, praticamente se arrastando.

- Draco, nós já passamos por este corredor uma pá de vezes. – Amanda avisou.

- Não passamos não. – Draco retrucou decidido.

- Passamos sim! – ela insistiu.

- Eu conheço muito bem este castelo; eu saberia se já tivéssemos passado por aqui.

- Mas Draco, esse é o corredor da Sala Precisa.

Draco parou de andar; virou o rosto para seu lado esquerdo e viu a tapeçaria dos trasgos dançando balé. Draco olhou para Amanda descontente. Esta fez cara de "eu te disse".

- Nem uma palavra. – ele mandou e continuaram a andar.

Draco se sentiu estúpido por não saber sair do sétimo andar, sendo que ele já fora ali tantas vezes. Ao chegarem ao fim do corredor, ao invés de virar para a direita, como estava fazendo, virou para esquerda e logo achou as escadas.

- Eu disse que sabia o caminho.

- Claro, depois de rodar por quase meia hora o sétimo andar até eu teria achado o caminho certo.

- Vamos logo, vou te levar à Torre da Grifinória. – Draco disse mal-humorado. Amanda achava graça da irritação dele e fofo da parte dela acompanha-la até a Torre da Grifinória. Draco, então, a acompanhou até chegar ao quadro da Mulher Gorda.

- Obrigada! – Amanda agradeceu e deu um passo em direção a ele para beijá-lo.

- Espere. – Draco pediu colocando a mão em frente ao rosto de Amanda, que parou desconcertada. – Apague a varinha.

- Por quê?

- Os quadros têm olhos.

Amanda olhou ao redor e todos os quadros estavam de olhos fechados, encostados nas molduras e dormindo profundamente.

- Estão todos dormindo.

- Nunca se sabe, agora apague. Nox.

Amanda rolou os olhos e apagou sua varinha. Os dois andaram agarrados pelos corredore quase o tempo todos, se era para alguém – ou algum quadro – ver, já teria visto faz tempo. Os dois se curvaram um pouco para frente na intenção de se despedirem, mas acabaram batendo as testas.

- Ai! – exclamaram baixinho. – Isso não vai dar certo. – Amanda disse.

Amanda esticou os braços até encontrar os ombros de Draco. Passou as mãos pelo seu pescoço, pelas bochechas e colocou os dois polegares sobre os lábios dele e finalmente o beijou.

- Consegue voltar para o seu dormitório?

- Claro que sim, eu conheço esse castelo. – Draco respondeu, achando bobagem a preocupação da garota.

- Sério? Ouvi algo parecido com isso hoje. – Amanda comentou inocentemente. Draco olhou sério para ela.

- Até amanhã. – ele se despediu se virando e erguendo a varinha para acendê-la.

Amanda se virou para acordar a Mulher Gorda, mas parou quando ouviu um barulho próximo a ela. Virou-se depressa e acendeu a varinha. Deu uns passos a frente e iluminou a escada mais próxima, de onde tinha vindo o barulho. Draco estava caído ao pé da escada com as pernas nos degraus.

- Nossa, Draco, você está bem? – Amanda perguntou indo ajudá-lo.

- Estou ótimo, não preciso de ajuda. – ele respondeu grosso se levantando depressa.

- Está bem. Acende a varinha dessa vez.

Draco a encarou.

- Você não tem uma mulher gorda pra acordar?

- Tenho. Então tchau e toma cuidado com as escadas. – Amanda se despediu sorrindo.

Draco não respondeu, virou-se, acendeu a varinha e foi embora.

Amanda voltou-se para o quadro da mulher gorda e a chamou delicadamente várias vezes. Demorou mas ela finalmente acordou reclamando.

- Quem está querendo entrar a esta hora?

- Eu. "Chifre de Unicórnio".

- Vai ficar querendo, eu não vou abrir. – a mulher respondeu voltando a dormir.

- Olha, se você não me deixar entrar agora, eu ficarei te incomodando a noite toda, mas se deixar, você poderá voltar a dormir logo. – Amanda disse a ela de braços cruzados esperando.

A Mulher Gorda abriu os olhos e a olhou pensativa, então girou o quadro e a deixou entrar.

- Obrigada. – agradeceu Amanda.

Amanda entrou feliz na Torre da Grifinória saltitando sutilmente. Passou pelo Salão comunal e reparou que a lareira continuava acesa, mas bem fraca mesmo sem ninguém ali.

- Boa noite, Amanda.

A garota se arrepiou inteira e virou fazendo uma pose qualquer de kung fu em direção à poltrona de onde vinha a voz, que estava virada para a lareira.

- Quem está aí?!

- Sou eu. – e Harry levantou-se da poltrona, ficou de frente para Amanda, cruzou os braços e a encarou sério. Estava de pijamas e com o cabelo todo desgrenhado, parecia que estava deitado até pouco tempo.

- Nossa, Harry, - Amanda começou, se recompondo. – quer que eu tenha um ataque?

- Onde você estava? – ele perguntou curto e grosso não dando atenção à pergunta de Amanda.

Amanda estranhou a pergunta. Ela não precisava de um terceiro pai e já ficou irritada.

- Harry, por que você quer...

- Apenas responda: onde você estava? – ele a interrompeu.

Amanda espantou-se por ele estar exigindo saber onde ela estivera na maior cara-de-pau. "Quem ele pensa que é?!". Mesmo querendo começar uma briga, preferiu evitar e inventar uma mentira.

- Fui beber água. – "Que desculpa idiota".

- A essa hora?

- É...

- E você achou que o sétimo andar séria um bom lugar para beber água? – perguntou Harry pressionando.

Amanda arregalou os olhos. "Como ele sabe que eu estava no sétimo andar?".

- Isso é ridículo! Por que eu estaria no sétimo andar a essa hora?

- Não sei, - Harry respondeu tranqüilo – talvez seja um bom lugar para se encontrar com alguém, - Amanda franziu o cenho – tipo o Malfoy.

Amanda quase soltou uma exclamação quando Harry terminou. "Como ele sabe de tudo isso? Ele estava me vigiando? Como? Por quê?".

- De onde você tirou essa idéia? – Amanda perguntou como se fosse absurdo.

- Não muda de assunto. Por que você está se encontrando com ele?!

Agora Amanda se irritou de verdade. Quem ele pensa que é pra ficar perguntando essas coisas? Amanda respirou fundo e disse:

- Isso é ridículo. Eu não me encontrei com ele! Por que você acha isso?

- Eu não acho, eu sei.

- Como?

Harry não respondeu na hora, então disse como se não devesse explicações.

- Eu apenas sei.

- Ah ta! Então tudo bem! Se você sabe eu não tenho motivos para questionar! – Amanda disse sarcástica e irritada. Virou para as escadas para subir para o dormitório.

- Amanda, eu sei que você estava com ele. Me responde! Por quê? O que vocês estavam fazendo?

Harry conseguiu tirar Amanda do sério. Virou-se para ele e disse:

- Harry, já disse que não estava com ele, é um absurdo! Mas se você tem tanta certeza, me prove!

- Eu já disse que sei e não importa como.

- Claro que importa! Ta pensando que é quem para exigir explicações sobre meus atos? Você, o Rony e a Hermione podem rodar o castelo à noite à vontade, quebrar 50 regras em meia hora e está tudo bem, mas quando eu saio um pouquinho da linha você quer saber o que estava fazendo?! – Amanda se exaltou, estava quase gritando.

- Você não entende! Eu preciso saber o que ele está fazendo! – Harry disse quase suplicando.

- E você acha que eu sei?!

- Claro, você estava com ele!

Amanda fechou os punhos, tremendo. Harry tinha passado dos limites e ela estava quase pulando em cima dele.

- Sabe o que eu acho?! Que se você não tem provas para suas acusações você deve manter sua boca fechada. – Amanda falava andando em direção a Harry, fazendo-o recuar. – E vê se pára de se meter na vida dos outros! O que te faz pensar que tem o direito de saber o que eu faço?! Eu não sei por que você acha que o Malfoy está tramando alguma, mas não é da sua conta! Não é sua obrigação impedir se ele estiver!

Amanda acabou de falar quase babando em cima de Harry. Este a olhava estático. Amanda virou-se e finalmente conseguiu ir para seu dormitório. Entrou e bateu a porta com tudo. Gina estava sentada na cama parecendo preocupada, assim como Hanna. Claire parecia não ter ouvido nada, continuava dormindo.

- Que gritaria foi essa?! – Hanna peguntou.

- Só um minuto. – Amanda se jogou na cama, quase chutando Sr. Darcy que estava ali perto, enfiou o rosto no travesseiro e começou a gritar, apertando os lados deste na cabeça. Tinha ficado com tanta raiva de Harry que precisava extravasar de algum jeito. Alguns minutos depois, Amanda parou de gritar, levantou o rosto e sentou-se na cama.

- Você está bem? – Gina perguntou cautelosa.

- Não! Eu não estou bem.

- O que houve?

- O seu futuro marido foi o que houve!

- Quem? – Gina perguntou confusa.

- O Harry, Gina!

- Ah, ele não é...

- Não importa! Estou extremamente irritada com ele! – Amanda falava entre dentes.

- Por quê? – Gina se ajeitou para poder ouvir bem.

Amanda percebeu que Hanna estava prestando atenção e inventou uma desculpa rápida, esperando que Gina entendesse.

- Eu saí para beber água e me perdi, demorei um pouco mais para voltar. Aí eu cheguei, o Harry estava me esperando e começou a me interrogar como se fosse da polícia, querendo saber onde eu estava e com quem.

- Mas que estranho. – comentou Hanna.

- É, aí eu me exaltei um pouco.

- Acho que foi mais que um pouco, conseguiu nos acordar. – disse Gina.

- Ah, tudo bem, às vezes as garotos precisam de um chega pra lá. Fez bem, Amanda. – Hanna aprovou, fazendo um sinal de positivo com a mão.

- Obrigada! – Amanda agradeceu orgulhosa.

- Meninas, eu vou voltar a dormir se vocês não se importam. Boa noite. – Hanna se despediu e deitou-se na cama.

Gina voltou-se para Amanda com olhar inquisidor. Amanda gesticulou com os lábios "Amanha eu te explico". Vestiu rapidamente os pijamas e foi dormir.

Na manhã seguinte, Amanda esperou Claire e Hanna descerem para o Salão Principal para contar a Gina os acontecimentos da noite passada. Conforme contava, sua expressão mudava e quando chegou na parte em que Harry a interrogara, ela se exaltou.

- Tive que me segurar para não socar a cara daquela criatura! – Amanda falava raivosamente.

- Calma Amanda. – Gina tentava acalmá-la. – Relaxa, respira fundo.

Amanda respirou fundo umas três vezes e conseguiu relaxar um pouco.

- Gina, preciso me vingar! Não estou aguentando!

- Dizem que a vingança é o prazer de uma mente pequena. E não é o certo a fazer.

- Mas é a única coisa que eu quero agora. Como ele sabia onde eu estava? – Amanda não parava de se perguntar.

Gina esfregou o queixo com o indicador e o polegar.

- Não tenho certeza. – ela respondeu em dúvida.

- Pode falar, já ajuda.

- Pelo que sei, o Harry tem um mapa que mostra onde todos estão em Hogwarts.

Amanda arregalou os olhos.

- Então é isso! Que safado! Como você sabe disso?

- Ele o usava quando estávamos na AD.

- Mas como funciona? Onde ele conseguiu?

- Aí eu já não sei. Mas sei que ele o guarda a sete chaves, provavelmente junto com a capa da invisibilidade.

- Isso é muito injusto! Que falta de privacidade! Por que ele gosta tanto de xeretar na vida dos outros? – Amanda estava inconformada.

- Sei lá, acho que ele tem um impulso de fazer isso, de descobrir as coisas.

- Ele gosta de bancar o herói que eu sei. E como faz para ele parar com isso?

- Não faz, apenas aceita. – Gina respondeu dando de ombros.

- Mas isso é o fim! – Amanda disse indignada. – Mas tem um jeito disso acabar.

- E qual é? – Gina perguntou receosa.

- Pegar esse mapa.