Oi!

Voltei com mais um pedacinho dessa história pra vocês. Acho que aqui, algumas pessoas perceberão que estavam enganadas quanto a alguns aspectos da trama. rsrsrs

Espero que gostem.

Dois meses depois...

Era um sábado à tarde e Oyakata desfrutava de alguns momentos em companhia do filho aproveitando a folga. Estavam no jardim da mansão e o pai caminhava com o menino no colo.

Diferente dos dias normais de trabalho, Oyakata naquele momento não usava seus habituais terno e gravata. Vestia uma calça jeans e uma camisa branca de mangas cumpridas que foram erguidas até o cotovelo. Os cabelos estavam presos como de costume e a franja caia levemente sobre os magníficos olhos dourados.

- Olá! – Uma voz masculina chamou a atenção dele e o fez voltar seus olhos para o local de onde ela vinha.

- Hashi! Como está? – Perguntou o mais velho ao irmão caçula.

- Eu estou ótimo. E vocês? Como é que está esse garoto, que parece mais crescido cada vez que venho aqui? – Perguntou pegando o sobrinho no colo.

- É... ele está crescendo rápido mesmo. Nós estamos muito bem.

- Ótimo! Eu vim aqui para lhe fazer um convite, ou melhor, reforçar um convite.

Oyakata arqueou as sobrancelhas diante das palavras do irmão.

- Do que está falando Hashi?

- Você recebeu um convite essa semana, não?

- Para o lançamento de um livro. O que você tem a ver com isso?

- A organizadora do evento é uma conhecida minha e sua também, mas vocês provavelmente não se vêem a muitos anos. Shinosaki Naomi, lembra-se dela?

- Creio que sim.

- Pois bem. É um evento grande e vai haver muita gente lá, achei que seria uma boa oportunidade para você voltar a circular.

- Circular?

- É. – O mais novo confirmou enquanto segurava com muito jeito o sobrinho. – Você precisa sair, não dá pra viver só dedicado ao trabalho Oyakata.

- Eu não vivo só para o trabalho. – Respondeu se sentando em uma das cadeiras que rodeavam uma mesa ali.

- Não, você vive também para o Sesshoumaru.

Hakudoushi repensou o que iria dizer após ver o olhar severo que o irmão lhe lançava. Ele se sentou em uma outra cadeira próxima a ele e voltou a falar.

- Olha irmão, eu sei como se sente, ou melhor, eu consigo imaginar como você se sente com tudo o que aconteceu, mas está na hora de tocar sua vida pra frente...

- Não acha que estou fazendo isso? – O mais velho o interrompeu.

- Em parte talvez. Você está trabalhando, os negócios continuam indo maravilhosamente bem, mas e a sua vida pessoal? Sua vida não pode se resumir a ser pai do Sesshoumaru. Não leve o que eu digo a mal, você é um pai maravilhoso eu sei disso. Esse garoto tem muita sorte... – Falou fitando os olhos dourados do menino que o encarava emitindo sons guturais como se conversasse também com o tio.

- Nesse momento é apenas isso o que eu quero, ser o pai de Sesshoumaru.

- Entendo, mas isso não impede que você saia e conheça pessoas. Muitos dos que estarão lá são nossos velhos amigos da época de colégio, outros da faculdade e haverá pessoas novas para se conhecer. É uma oportunidade de reatar antigos laços que se romperam quando você foi embora.

Oyakata pareceu considerar por um instante a proposta do irmão. Ele ficou pensativo e manteve-se sério durante esse tempo.

- E então, o que me diz?

- Eu vou pensar Hashi... vou pensar.

Hakudoushi sorriu levemente encarando o irmão. Se ele iria pensar, já era um começo. Há vários meses tentava em vão fazê-lo voltar a viver, tinha esperança de fazê-lo sair daquele isolamento a que se submetera desde o divórcio.

A festa de lançamento do livro acontecia em um museu na cidade de Tóquio. A Hasimoto, uma das mais reconhecidas editoras do país lançava o que prometia ser um best-seller e o salão do museu estava repleto de convidados.

Hasimoto Izayoi estava entre os presentes ali, ela representava a editora que pertencia a sua família, no lançamento daquele livro. A jovem e bela mulher de longos cabelos negros, estava elegantemente trajada em um vestido preto justo ao corpo com alguns bordados brilhantes e circulava por entre os convidados, sorrindo gentilmente todo tempo. Ela era a mais velha das duas filhas de Hasimoto Takeshi, conhecido editor e empresário, proprietário de inúmeros veículos de imprensa escrita, como revistas e jornais.

Izayoi tinha uma participação ativa nos negócios da família, trabalhando com o pai desde que terminara a faculdade alguns anos antes. O velho Hasimoto era conhecido por controlar com mãos de ferro seus negócios e sua família, mas poucos sabiam da docilidade dele ao lidar com as duas adoradas filhas, as quais criou desde o falecimento precoce de sua esposa.

A autora do livro surgiu no salão, conversou com a imprensa e logo passou a assinar os exemplares que eram adquiridos pelos convidados. Tudo estava indo conforme planejado e Izayoi decidiu parar por um momento e relaxar um pouco tomando uma taça de vinho em companhia de sua amiga Shinosake Naomi, também organizadora do evento.

- E então Izayoi, o que está achando até o momento?

- Está tudo perfeito Naomi, você nunca me decepciona. – Izayoi respondeu sorrindo antes de tomar mais um gole de seu vinho branco.

A amiga sorriu em resposta e também levou seu drinque, que fora servido por um dos garçons a boca. As duas observavam o cenário ao redor, a movimentação das pessoas em seus trajes elegantes naquela noite de verão e as conversas animadas que elas mantinham.

Izayoi estava distraída quando seu olhar encontrou uma figura ímpar no meio do salão. O homem alto e de porte elegante conversava com algumas pessoas enquanto saboreava o que parecia ser um wisk. A jovem teve seu olhar imediatamente capturado pela figura daquele homem de cabelos longos e prateados, presos em um rabo de cavalo baixo. Ele usava smoking como todos os homens ali, mas era diferente dos demais. Izayoi sorriu levemente ao pensar que nenhum homem que ela já conhecera lhe parecia tão bem, vestido em um smoking.

- Izayoi? – A voz da amiga chamou sua atenção.

- Sim? – Respondeu sem tirar os olhos daquele homem.

- Você não escutou uma palavra do que eu disse, não é? O que foi que prendeu sua atenção desse jeito? – Naomi questionou seguindo com os próprios olhos o olhar da amiga. – Aaahh! Você também fará parte do clube das que se encantaram por Oyakata Taisho?

- O quê? – Izayoi perguntou olhando dessa vez para a amiga.

- É para ele que você estava olhando, não é? Eu não culpo você amiga, aquele homem é capaz de prender o olhar de qualquer mulher. Ele é lindo, não é? – Naomi perguntou sorrindo.

- É sim. Eu já ouvi falar nesse nome, mas nunca o tinha visto. Eu o imaginei diferente do que vejo.

- Você deve ter ouvido falar primeiro no pai dele, um homem muito rico e influente. O velho senhor Taisho faleceu há uns dois anos.

- Uhmm. – Izayoi apenas murmurou.

- Oyakata estava fora do país até pouco tempo atrás, por isso vocês nunca se encontraram. Quando eu soube que ele estava de volta, logo providenciei para que ele recebesse o convite. Um homem na posição dele não perderia uma oportunidade de reencontrar velhos amigos e contatos.

- Você o conhece, pessoalmente quero dizer? – Izayoi demonstrou interesse.

- Conheço sim. Ele é um tanto sério, mas é uma ótima pessoa e um cavalheiro, no sentido literal da palavra. Amiga, não me diga que está interessada?

- Interessada, eu? Ele é casado pelo que eu soube Naomi.

- Não é mais. Ele se divorciou e por isso voltou ao Japão, para recomeçar.

Izayoi não pôde deixar de sorrir levemente diante da informação e nada mais disse, também não era necessário, Naomi era sua melhor amiga e a conhecia muito bem, ela sabia que o mais velho dos Taisho havia chamado a atenção da amiga.

Mais tarde naquela mesma noite, Naomi aproveitou uma oportunidade em que o número de pessoas em volta de Oyakata havia diminuído e puxando a amiga pela mão foi em direção ao local onde ele estava, agora conversando apenas com um senhor de idade e um outro jovem que, aliás, era muito parecido com ele.

- Venha Izayoi, eu vou apresentá-los e prepare-se porque você ainda não viu praticamente nada do que é Oyakata Taisho.

Izayoi depositou sua taça sobre o balcão do bar e seguiu a amiga sem hesitação. Quando chegaram suficientemente perto, Naomi os cumprimentou chamando sua atenção e Oyakata se virou para fitá-la.

- Konbanwa cavalheiros! – A jovem de curtos cabelos castanhos falou.

- Konbanwa! – Os dois primeiros responderam.

O Taisho se virou e seu olhar cruzou com o de Izayoi.

- Konbanwa senhoritas! – Ele respondeu ao cumprimento após alguns segundos.

Izayoi parecia hipnotizada, por todos os deuses que olhos eram aqueles que aquele homem possuía. Um mar dourado e brilhante como o sol iluminava seu belo rosto de feições serenas e sérias e a voz, Kami-sama, a voz era grave, tranqüila e macia, se é que é possível uma voz ser macia.

A jovem não coordenava muito bem os pensamentos naquele momento, Naomi não exagerara afinal, Oyakata Taisho era de fato capaz de encantar uma mulher.

- Que bom que pudemos contar com a presença dos dois irmãos Taisho dessa vez. Fico feliz que tenha vindo Oyakata.

- Obrigado Naomi! Eu vim e não me arrependi, está tudo ótimo. – A voz dele soou novamente.

- Deixe-me apresentá-los. Essa é Hasimoto Izayoi, minha amiga e responsável por tudo isso. Creio que vocês não tiveram a oportunidade de se conhecerem antes.

- De fato não. É um prazer conhecê-la pessoalmente. Até então só havia lido ou ouvido falar a seu respeito.

- Bem eu espero. – Izayoi disse sorrindo e concedendo a mão para que o homem a sua frente a tomasse em cumprimento. – Comigo ocorreu o mesmo, apenas o conhecia pelo que ouvia dos outros ou lia nos jornais.

- Dentre eles o seu, eu presumo? – Oyakata perguntou.

- Exato. – Ela confirmou sorrindo.

Por longos minutos o pequeno grupo conversou. Trocaram impressões sobre o evento, sobre o livro e a autora, além de outros assuntos.

No decorrer da noite embora desejasse manter a conversa com Oyakata, Izayoi e Naomi tiveram que atender aos demais convidados, e a primeira teve ainda que lidar com a imprensa. Vez ou outra Izayoi buscava com seus olhos castanhos, o homem de fascinantes olhos dourados que em sua opinião abrilhantavam aquele salão. A jovem ficou inexplicavelmente feliz ao constatar que ele ainda estava por ali, apesar da noite já estar chegando ao fim, com as pessoas se despedindo para irem embora.

Oyakata estava sentado no bar conversando tranqüilamente com o irmão e outros dois homens. Falavam de negócios provavelmente e quando se viu livre, Izayoi se sentou em uma das mesas e passou a observá-los discretamente.

Hakudoushi deixou a companhia do irmão por alguns instantes e saiu dali, parecia ter ido atender ao telefone celular. Minutos depois o rapaz retornou e quando passou pela mesa onde Izayoi estava sentada, agora em companhia de Naomi, se deteve por um instante para falar com elas.

- Fim de noite e vocês se cansaram, por isso estão sentadas aí?

- Pois é, nós trabalhamos muito para tornar essa noite um sucesso. - Respondeu Naomi.

- E foram bem sucedidas com certeza. Vocês estão cansadas demais para nos acompanharem em um drinque? - O jovem perguntou.

Naomi olhou para a amiga como se procurasse adivinhar qual seria sua opinião quanto à idéia. Izayoi mais uma vez lançou um olhar discreto sobre Oyakata e logo depois sorriu para a mulher a sua frente.

- Por que não? Será um prazer. - Ela respondeu.

O evento já havia terminado, mas algumas pessoas ainda permaneceram na área externa do museu, onde havia um lounge com várias mesas espalhadas por um belo jardim. O ambiente era agradável com uma iluminação suave e romântica.

Eles se sentaram ali e fizeram seus pedidos. As bebidas não demoraram a serem servidas e eles as desfrutaram ao som de uma música suave que era cantada por uma jovem acompanhada por um pianista.

Logo a afinidade entre Oyakata e Izayoi ficou clara. Hakudoushi se surpreendeu com a receptividade de seu irmão e a interação dele com aquela bela mulher. Ele parecia relaxado e embora seu semblante ainda fosse sério, o caçula podia jurar que ele estava se divertindo.

Capítulo curtinho pessoal, eu sei. O fato é que eu ainda não estou muito segura quanto a algumas coisas nessa história, mas eu vou me achar tenho certeza.

Conto com os reviews de vocês para saber como devo prosseguir.

Beijos!