Izayoi e Oyakata mantiveram contato após aquele dia e passaram a conversar por telefone com uma certa freqüência. Numa dessas conversas combinaram de se encontrarem para um jantar e Oyakata iria buscá-la.
Izayoi não contou a ninguém que iria sair com o empresário, não queria especulações a respeito, afinal não havia nada entre eles além de excelente conversa. Os dois gostavam da companhia um do outro e se entendiam perfeitamente.
O local escolhido por Oyakata era um restaurante tipicamente Japonês, tradicional e impecavelmente decorado de forma elegante.
Os dois se sentaram e foram servidos de saque.
- Gostou da minha escolha?
- Adorei! Mas confesso que fiquei surpresa, você morou tanto tempo fora do país, que achei que escolheria um restaurante ocidental.
Oyakata sorriu levemente.
- Eu já desfrutei o suficiente da cultura ocidental. No momento prefiro voltar às minhas raízes. Eu sentia falta disso. - O homem dos olhos dourados falou enquanto degustava o nobre saque a sua frente.
- Eu também já tive a minha cota do ocidente, passei uma temporada em Londres estudando e embora eu gostasse muito de lá, também sentia muita falta de casa.
- Você fez faculdade em Londres?
- Uma especialização, eu fiquei lá durante dois anos.
- Especialização em quê? - Ele perguntou com a voz suave olhando-a nos olhos.
- Psicologia. - Oyakata demonstrou estranheza, ela completou. - Focada em Mídia, publicidade e mercado consumidor. Eu sou psicóloga e me interessei por essa especialização. Não era bem o que eu queria, mas foi necessário para desempenhar bem o meu tipo de trabalho atual.
- Uhmm...
- Fez sentido agora?
- Fez. Eu não saberia dizer o que uma psicóloga faz administrando uma editora.
- De fato não faz muito sentido uma Psicóloga atuar como administradora, mas eu precisei assumir grande parte dos negócios depois que meu pai esteve doente. Ele continua a me dar todo o suporte e aconselhamento, mas atualmente sou eu quem dirige tudo.
Os dois continuaram conversando e Izayoi observava cada gesto daquele homem, o ensaio de sorriso que vez ou outra aparecia no canto dos lábios bem desenhados...
- Engraçado... – Ela iniciou. - conhecendo você, vejo que muito do que dizem a seu respeito não corresponde à realidade. As pessoas o descrevem com um homem sério demais, que se dedica única e exclusivamente ao trabalho, um executivo implacável e intolerante.
- Talvez essa seja a imagem que eu venda. - Ele disse com outro daqueles sorrisos discretos nos lábios, depois concluiu. - Isso é lenda. Eu não sou o demônio que apregoam.
- Não, não é. - A jovem disse pensativa encarando vividamente o homem a sua frente.
O jantar transcorreu tranqüilamente, era possível notar o quanto tinham em comum um com o outro, quanto aos gostos e pontos de vistas sobre vários assuntos. Izayoi às vezes se perdia naqueles olhos âmbares que demonstravam muito além do que as pessoas podiam ver. Oyakata era um homem singular, educado, inteligente, sóbrio e compreensivo. Izayoi podia listar inúmeros adjetivos para defini-lo, porém se perguntava por que um ar de tristeza insistia em macular a beleza rara daquele olhar.
Após o jantar Oyakata levava Izayoi para casa, ele dirigia o Jaguar negro pelas ruas da cidade enquanto conversavam trivialidades sobre suas temporadas no estrangeiro. O magnata pensava durante a conversa, no quão à vontade estava naquele momento, fazia tempo que não se sentia tão bem na companhia de uma mulher, enquanto que a jovem herdeira da Editora Hasimoto, tinha em mente o quanto adoraria que a noite se prolongasse um pouco mais...
Minutos depois o carro parou em frente à bela casa dos Hasimoto, Oyakata deu a volta no carro abrindo a porta no lado do passageiro para que Izayoi saísse, o que só fez confirmar as informações sobre seu cavalheirismo aos olhos da mulher. Quando chegaram à porta de entrada toda em madeira de lei, Izayoi se virou com um sorriso afável para o empresário que disse:
- Gostei muito dessa noite, há muito não desfrutava de um jantar tão agradável. Você é uma excelente companhia.
- Obrigada! Eu posso dizer o mesmo Senhor Taisho, sua companhia me foi muitíssimo agradável.
Oyakata olhou um pouco surpreso para Izayoi após seu comentário como se quisesse desvendar as intenções por trás daquelas palavras, porém nada conseguiu ver além do terno sorriso que ela lhe mostrava.
- Concordamos em algo mais então Senhorita Izayoi, e, por favor, me chame de Oyakata, do contrário me sentirei com 30 anos a mais do que realmente tenho.
Izayoi riu com gosto ao ouvi-lo. Era surpreendente como cada vez mais se encantava com aquele homem, mesmo o conhecendo a tão pouco tampo.
- Muito bem, o chamarei apenas de Oyakata, com a condição de que você também me trate apenas pelo nome.
Ele não respondeu, mas o belo sorriso que surgiu em seu rosto demonstrou que aceitava a condição. "E que sorriso!" Pensava Izayoi. Uma pena que ele não sorria com maior freqüência, por outro lado ela se sentia afortunada por contemplar cada pequena demonstração de contentamento por parte dele.
Houve um breve momento de silêncio em que ambos apenas se olhavam, como se não houvesse mais nada a dizer, Oyakata considerou que era hora de se despedir.
- Bom, está ficando tarde. Eu agradeço pela noite de hoje Izayoi.
A voz dele pronunciando seu nome em um tom profundo e suave causou à jovem uma sensação nova, de proximidade, tinha que admitir que se sentia desesperadamente atraída pelo magnata, mas não sabia se era correspondida. Oyakata era muito atencioso e gentil com ela, porém Izayoi não havia percebido nenhum interesse específico por parte dele.
A jovem considerou por um momento o que sentia e imaginou se deveria seguir seus instintos e dar um passo adiante, sabia que deveria tentar, queria ter outros momentos tão encantadores como aquele, ao lado dele e não havia outra forma de saber o que poderia ser, se não tentar e ela estava disposta a arriscar.
Antes que o homem desse as costas para caminhar de volta ao carro, Izayoi se pronunciou mais uma vez.
- Já que ambos nos sentimos da mesma forma em relação à companhia um do outro, gostaria que considerasse o convite para ir ao jantar beneficente que minha família promoverá na próxima semana.
- Eu vou considerar, eu prometo. - Ele falou mais uma vez com a voz suave.
- O jantar é para arrecadar fundos para uma instituição que ajuda crianças que perderam seus pais e não têm a quem recorrer.
- Entendo... você faz isso em nome da editora?
- Não, essa é uma iniciativa minha. Há muitos anos contribuo com instituições que ajudam às crianças. - Izayoi demonstrava paixão e ternura ao falar no assunto e isso foi percebido por Oyakata. - Um coral composto pelas crianças irá se apresentar no evento será um belo espetáculo. – Ela completou.
Oyakata sorriu de forma enigmática, o que deixou a mulher a sua frente um tanto intrigada.
- Então será um evento para todas as idades, familiar? - Ele questionou.
- Sim. Espero que isso não o incomode. - Izayoi disse meio incerta.
- De forma alguma. - Ele respondeu fitando-a. - Posso levar alguém comigo?
Izayoi se perguntou quem seria a tal pessoa e isso a fez ficar séria por alguns instantes, mas logo o sorriso voltou a sua face ao imaginar que ele provavelmente se referia ao irmão mais novo.
- O convite se estende a quem você quiser levar.
- Certo.
Oyakata se aproximou novamente dela e pegou delicadamente em sua mão a levando até os lábios e depositando um beijo suave em sua pele. O olhar de ambos se cruzou mais uma vez.
- Foi um prazer. Tenha uma boa noite!
- Boa noite Oyakata! Cuide-se.
Izayoi lançou um olhar intenso sobre o homem a sua frente e o viu sorrir de forma inesperada. O sorriso dele a fez perder o fôlego por alguns instantes e logo em seguida Oyakata caminhou placidamente até o carro dando partida logo depois de entrar. Izayoi o acompanhou com os olhos até que o perdeu de vista.
A semana passou rapidamente com Izayoi trabalhando todos os dias no escritório central da editora e Oyakata na sede da Corporação Taisho. Aquela fora uma semana corrida e embora os dois tivessem mantido contato, não se encontraram por conta de suas agendas repletas de compromissos.
Numa noite Izayoi estava em casa após chegar de mais um dia de trabalho, ela se livrou do tailler que usava e rumou para o banheiro onde a banheira já a aguardava, cheia com água morna. A mulher pegou alguns sais perfumados e relaxantes e os jogou na água, logo depois retirou a lingerie e acomodou seu corpo naquele oásis de água morna e perfumada.
Durante o banho Izayoi pensava em sua vida e em dado momento foi inevitável que a face de Oyakata Taisho viesse a sua mente. Ela não via a hora de poder revê-lo, ficou muito satisfeita quando ele ligou no dia anterior para saber como ela estava e eles conversaram por longos minutos. Antes de desfazer a chamada Izayoi quis se certificar de que o encontraria dali a dois dias no jantar beneficente.
- Não se preocupe, eu estarei lá. - Ele disse.
Izayoi mal podia esperar...
Mais um capítulo desta história para vocês. Não tenho o que comentar no momento, mas espero seus comentários.
Beijos!
