Nesse capítulo algumas revelações serão feita que surpreenderão e muito Izayoi.

Boa leitura!


Domingo à noite e Izayoi terminava de se aprontar para o tão esperado jantar. Ela se olhava no espelho admirando a si própria arrumada em um vestido num tom verde esmeralda. O modelo era frente única com um decote em v e bem marcado abaixo do busto com uma faixa de seda e a saia era levemente drapeada e com um corte assimétrico produzindo um efeito de leveza ainda maior com a suavidade do tecido. As sandálias de tiras finas e delicadas eram da mesma cor, especialmente confeccionadas para ela. Pequenos brincos de esmeralda e um delicado bracelete completavam o visual.

Izayoi sorriu olhando-se no espelho enquanto retocava a maquiagem, estava se sentindo tão ansiosa que parecia uma adolescente indo ao primeiro encontro. "Mas que tolice" ela pensou, este não era o primeiro e na verdade nem era um encontro, mas ela estava ansiosa sim, como há muito tempo não se sentia, com aquele friozinho no estômago e isso era tão bom...

Alguns minutos depois as irmãs Hasimoto deixavam a casa em companhia do pai e seguiam para o grande salão localizado no centro de Tóquio, onde o jantar ocorreria.

Quando chegou ao local, Izayoi pôde perceber que a grande maioria das pessoas que confirmaram a presença estava ali. Famílias inteiras compostas por pais, avós, filhos, etc estavam ali para se divertirem e contribuírem para a felicidade de crianças desfavorecidas. Ela sorriu por sua iniciativa ter dado bons resultados.

Logo os amigos vieram cumprimentar a família na mesa que ocupavam, o senhor Hasimoto recebia inúmeros comentários elogiosos às suas filhas, sobre como eram lindas, engajadas e preocupadas com questões sérias.

O tempo passou e a mais velha das Hasimoto já não parecia mais tão empolgada, já era tarde em sua concepção e Oyakata não havia chegado. "Ele não viria mais, era fato, mas por quê? Ele garantiu que viria". Ela pensava quando uma voz chamou sua atenção.

- Izayoi, o que você tem? Você estava tão sorridente quando nós chegamos, agora parece desanimada.

- Não houve nada papai, eu estou bem. - Ela disse voltando a sorrir.

- Acho que uma taça de champanhe fará bem a você. - Keiko disse, pegando a irmã pela mão. - Nós vamos circular um pouco papai.

- Podem ir. - O homem respondeu, não se importava que as filhas saíssem, ele estava em companhia de outros homens e mantinham uma conversa que em nada interessava as duas jovens.

Keiko conduziu a irmã mais velha até uma das mesas do outro lado do salão, onde estavam Naomi com o noivo Sado Hiramoto e outros amigos. O grupo conversava animadamente e Naomi não tardou a perceber que havia algo incomodando sua amiga, ela discretamente se aproximou de Izayoi e as duas se afastaram o suficiente do grupo para conversarem com o mínimo de privacidade.

- O que houve Izayoi?

- Eu esperava que ele viesse. - Ela respondeu sem pensar muito.

Naomi fez uma expressão confusa ao olhar para a amiga e perguntou:

- Ele quem?

Izayoi se voltou para ela e pensou por um instante antes de falar.

- Oyakata. Eu o convidei para o evento e ele me disse que viria.

- Pode ter acontecido alguma coisa Izayoi, ele é um homem tão ocupado, pode ter tido um imprevisto.

- É pode ser... mas eu queria tanto vê-lo. - A jovem falou em um tom quase sussurrado.

Izayoi permaneceu no jantar e assim como todos ali, assistiu a apresentação do coral que foi belíssima e emocionou a todos. As crianças a homenagearam com um buquê de flores e com uma mensagem que foi lida por um deles, nomeado orador. A homenagem arrancou lágrimas da jovem Hasimoto e aplausos dos convidados.

Terminada a cerimônia todos deixaram o local, as irmãs Hasimoto foram convidadas por amigos que estavam ali para irem a outro local e aproveitarem o restante da noite, porém a idéia pareceu atraente apenas para Keiko que os acompanhou, enquanto Izayoi partiu para casa em companhia do pai.

Logo que chegou em casa Izayoi se recolheu. Em seu quarto ela retirou o lindo vestido que usava e seguiu para o banheiro onde usando um produto específico, retirou a maquiagem para logo depois tomar um banho. Ao retornar ao quarto, já vestida em uma camisola de seda branca, a jovem se sentou na cama e só naquele momento notou que havia uma mensagem na secretária eletrônica. Ela apertou o botão indicado e ouviu o recado.

"Izayoi, me desculpe, mas não poderei comparecer ao jantar, infelizmente tive um problema. Estou indo para o hospital agora, depois eu ligo para você e explico tudo".

Izayoi ficou apreensiva, ele estava indo para um hospital, mas por quê? Ela olhou no visor digital da secretária e identificou o horário em que a chamada foi feita, 22:30hs. O que terá acontecido?

A noite não acabaria tão cedo afinal e nem de forma tranqüila para Izayoi, ela estava preocupada e pensava se deveria, se poderia, ligar para casa dele e saber o que havia acontecido ou se esperava que ele entrasse em contato como disse que faria. Não ligou e passou longas horas, deitada na cama pensando, até que adormeceu devido ao cansaço.

Naquela manhã Izayoi acordou mais cedo do que o normal e assim que se arrumou desceu as escadas e caminhou até a sala de jantar onde o café da manhã estava servido. Ela ainda estava pensativa e ansiosa, por isso não conseguiu comer nada, apenas tomou chá.

Minutos depois Izayoi estava em seu carro e dirigia pelas ruas de Tóquio em direção ao trabalho, não tardou a chegar à portaria do edifício e um dos vigias se surpreendeu com a presença dela ali tão cedo.

- Bom dia Senhorita Hasimoto! - Ele a cumprimentou enquanto abria a porta de vidro que levava à recepção.

- Bom dia! - Ela respondeu, mas sem muita atenção.

A jovem caminhou diretamente ao elevador e depois para sua sala, onde se sentou na cadeira com a expressão mais séria que o normal e encarou por longos minutos o aparelho telefônico sobre a mesa.

As horas passavam lentamente na opinião de Izayoi e ele não dava notícias, o que a estava deixando nervosa. Cansada de ficar ali trancada e pensando em inúmeras coisas, ela levantou-se decidida, pegou sua bolsa e saiu da sala apressada.

Mais tarde, em uma maravilhosa casa de um bairro nobre da capital japonesa, diante do imenso portão de ferro havia uma BMW prateada. O motorista dirigiu cuidadosamente até alcançar o portão e foi abordado por um dos seguranças que visava identificar o visitante.

Lá dentro o interfone tocava, o segurança pedia autorização para deixar o visitante entrar.

- Pode deixá-la entrar. - Kaede respondeu falando do aparelho que ficava na cozinha.

Segundos depois a porta da frente da imponente casa era aberta e o visitante convidado a entrar.

- Bom dia Senhorita! - A senhora de meia idade falou sorridente.

- Bom dia! Eu sou Hasimoto Izayoi, gostaria de falar com o Senhor Taisho, ele está?

- Sente-se Senhorita Hasimoto, eu vou chamá-lo.

Izayoi observou a criada caminhar até sumir por um corredor, ela não se sentou, limitou-se a observar o ambiente repleto de elegância em que se encontrava. Não demorou muito para que Oyakata surgisse na ampla sala, acompanhado pela criada.

- Izayoi? - Ele a chamou demonstrando surpresa por vê-la ali.

- Olá! - Ela respondeu meio hesitante e séria. - Eu normalmente não ajo tão impulsivamente, mas fiquei preocupada após ouvir a mensagem que você deixou. Hoje pela manhã liguei para o escritório e me disseram que você não tinha ido ao trabalho, então eu resolvi vir até aqui.

Izayoi falou quase sem dar pausa para a respiração, Oyakata embora estivesse surpreso não parecia irritado ou incomodado com a presença dela ali.

- Me desculpe ter vindo sem avisar. Isso não é de bom tom. – Ela se pronunciou novamente.

- Não se preocupe, eu é quem lhe devo desculpas. Eu deveria ter ligado para você o quanto antes, realmente não atentei para o fato de que você poderia ter ficado preocupada.

- Eu fiquei. - Ela respondeu num tom baixo.

- Por favor, sente-se. - Ele pediu. - Você quer beber alguma coisa?

- Água seria ótimo. Obrigada.

- Kaede? - O homem chamou.

- Eu já vou providenciar. - Ela respondeu já se retirando.

Oyakata havia se sentado no sofá ao lado de Izayoi, ela o encarava vividamente esperando que ele dissesse alguma coisa.

- Eu tive um imprevisto ontem quando estava me aprontando para sair. - Ele falou, mas interrompeu seu relato ao ver Kaede se aproximar com a bandeja trazendo a água que a mulher havia pedido.

Antes que Kaede se retirasse da sala uma outra voz pôde ser ouvida chegando ao local.

- Senhora Kaede, nós já voltamos. - Falou uma jovem.

Izayoi olhou para ela e seus olhos se prenderam a quem ela acompanhava. Oyakata observava a mulher atentamente e esta não deixava de encarar o pequeno ser que estava no colo daquela jovem.

Oyakata se levantou do sofá e caminhou na direção da moça pegando a criança em seu colo, depois voltou a se aproximar de Izayoi e após fitar o rostinho do bebê por alguns instantes voltou seu olhar para ela.

- Izayoi, este é Sesshoumaru, meu filho. - Disse calmamente, observando a reação da jovem.

- Filho... - Izayoi repetiu como se quisesse confirmar que havia entendido corretamente ainda encarando o bebê.

- Foi por ele que não fui ao jantar. Quando estava me preparando para sair Kaede verificou que ele estava febril e não se sentia bem. Eu tive que levá-lo ao hospital.

- Claro! Eu entendo, isso não podia esperar, era mais importante sem dúvida.

Izayoi voltou a encarar os olhos dourados de Oyakata depois sorriu se aproximando mais dos dois.

- Que coisa mais linda! - Ela falou tocando delicadamente o rosto do menino. - Ele está melhor agora, não é?

- Está. O pediatra disse que é a dentição, pode provocar febre quando começa a surgir e é desconfortável para a criança.

- É verdade. Eu posso segurá-lo? - Izayoi pediu e Oyakata entregou o filho a ela.

- Meu Deus. Você é lindo, sabia bebê? - Ela falou se dirigindo ao menino enquanto o pegava no colo.

Os dois voltaram a se sentar e Oyakata passou a observar a interação entre Izayoi e seu filho.

- Ele se parece muito com você. – A mulher falou voltando a encarar o homem.

- Sim parece.

Izayoi segurava o menino de pé em seu colo para visualizar melhor seu rosto de traços finos e delicados, os cabelos eram prateados assim como os do pai e os exóticos olhos dourados também estavam presentes adornando o belo rosto.

A jovem brincava com o menino e o fazia sorrir enquanto tocava o rosto dela com as mãozinhas pequeninas.

- Que gracinha! Fico feliz que o mal-estar dele não tenha sido por nada grave.

- Eu também fiquei muito aliviado depois de conversar com o médico.

- Por que eu nunca soube que você tinha um filho? – Izayoi perguntou tranqüila, ainda brincando com o bebê.

Oyakata pensou por alguns instantes antes de responder, e isso fez com que a mulher de olhos castanhos voltasse seu olhar para ele. O rosto do homem tornara-se sério e o olhar parecia perdido em lembranças que faziam seus orbes dourados brilharem de forma triste.

- Poucas pessoas sabem que eu tive um filho e apenas algumas semanas depois me divorciei. Acho que queria preservá-lo e para isso o mantive longe dos olhares e das especulações alheias.

- Vocês se divorciaram logo depois que ele nasceu?

- Imediatamente após. Nos separamos e mais tarde o divórcio foi oficializado.

- Foi então que você decidiu vir para o Japão?

- É. Eu já tinha a intenção de voltar para casa, queria dar outro ambiente ao meu filho, queria que ele crescesse aqui.

- Deve ter sido muito difícil para você, ter que aprender a criar sozinho uma criança.

- Foi sim, mas a minha preocupação não era em como eu faria isso, afinal sempre tive Kaede para me auxiliar. Eu sou adulto e por mais que a separação tivesse doído, eu saberia lidar com isso, saberia me defender, mas ele...

Oyakata fitou o filho que agora estava adormecido no colo de Izayoi, aconchegado ao calor de seu corpo.

- Me preocupava a falta que ele sentiria da mãe, como ele sobreviveria sem ela. – Ele continuou.

Os dois ficaram em silêncio por algum tempo e Izayoi pensava em como uma mulher poderia abandonar o próprio filho tão precocemente.

Os pensamentos da jovem foram interrompidos pela chegada à sala da moça que anteriormente havia trazido Sesshoumaru.

- Com licença, senhor Taisho, está na hora da refeição dele. - Ela falou indicando o menino.

- Ele dormiu Megumi. - O pai falou baixo visando não acordá-lo.

- Eu darei a mamadeira assim ele não vai acordar. Posso levá-lo?

- Claro! - Izayoi disse se levantando e entregando o menino à babá. - Tchau gracinha! - Ela falou num tom suave enquanto acariciava os cabelos dele e sorria.

Oyakata observava intrigado o carinho daquela mulher para com sua criança, que fora abandonada pela mãe com apenas alguns dias de nascida.

Os dois observaram a jovem subir as escadas para ir ao quarto do menino, depois Izayoi voltou a se sentar encarando Oyakata. Ela viu o quanto ele estava pensativo e isso a intrigou.

- O que houve?

Ele apenas sacudiu a cabeça negativamente indicando que nada havia acontecido.

- Você gosta de crianças... - Ele concluiu.

- Não... eu as adoro. - A jovem respondeu sorrindo. - Não entendo alguém que não goste dessas criaturinhas tão graciosas e inocentes.

Oyakata voltou a ficar sério enquanto ainda encarava Izayoi.

- Acho que já vou indo. Eu queria apenas me certificar de que estava tudo bem.

- Obrigado por sua preocupação.

- Não agradeça, foi bom que eu tenha cedido à minha impulsividade desta vez, assim eu pude conhecer o Sesshoumaru.

Oyakata sorriu levemente.

- Eu pretendia apresentá-lo a você em breve, numa ocasião propícia.

- Eu entendo. Espero que possamos nos reencontrar em breve.

- Nós podemos nos encontrar durante essa semana, num jantar quem sabe? - O homem indagou, o que surpreendeu de certa forma Izayoi, ela tinha quase certeza que até aquele momento seus encontros foram todos à contive dela. Sorriu.

- Será um prazer. Você pode me ligar e nós marcamos.

- Eu farei isso.

Oyakata acompanhou a mulher ao exterior da casa e até seu carro que estava estacionado ali. Antes que ela entrasse no veículo eles despediram-se com um beijo no rosto que Izayoi desfrutou como se fosse um beijo apaixonado. Ela entrou no carro e partiu depois de acenar mais uma vez para ele.

Durante todo aquele dia em que esteve em casa, Oyakata não deixou de pensar em Izayoi o que o surpreendia de certa forma, porque tinha certeza de que nunca mais se interessaria por outra mulher daquela forma. A doçura e generosidade dela o cativaram, a inteligência e a beleza começavam a fasciná-lo e isso era totalmente inesperado.


Parece que Oyakata está começando a ceder aos encantos de Izayoi.

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