Aí está mais um capítulo para aqueles que estão acompanhando essa fic. Espero que gostem.

Boa leitura!


Algum tempo depois...

Oyakata e Izayoi mantinham sua relação de amizade. Encontravam-se sempre que podiam em jantares, almoços, eventos ou quando a mulher ia até a casa dele para visitar o pequeno Sesshoumaru por quem tinha um carinho especial.

A ligação entre os dois tornou-se mais forte a cada dia, durante os meses em que se encontraram e puderam assim conhecer um ao outro melhor. Era inegável para o executivo o quanto se sentia bem em companhia de Izayoi. Ela era uma mulher inteligente e que sabia instigá-lo com conversas inspiradoras e sua doçura e delicadeza eram um diferencial a mais.

Ao final de mais um dia comum de trabalho, Izayoi deixava o banheiro particular que tinha anexo a sua sala na empresa. Ela gastara alguns minutos ali refazendo a maquiagem, escovando os cabelos e ajeitando o traje composto por um vestido preto e branco bem ajustado ao corpo e com cumprimento até um pouco acima dos joelhos, o sobretudo branco de mesmo cumprimento conferia elegância ao conjunto, que era acompanhado por meias finas e sapatos de salto alto também pretos.

Ao entrar novamente em sua sala Izayoi pegou a bolsa e as chaves e saiu. Eram 19h30min quando ela tomou o elevador, pôde ver pelo delicado relógio Channel que usava.

Segundos depois a porta do elevador se abria no térreo e a jovem caminhou placidamente pelo hall de entrada do edifício indo até a porta de vidro, que se abriu automaticamente com a sua aproximação.

Um Jaguar preto estava parado em frente ao prédio e seu ocupante saiu de dentro dele assim que viu a mulher se aproximar, dando a volta para cumprimentá-la.

- Boa noite! - Ele disse.

- Boa noite Oyakata!

- Você está linda. - Falou cortês.

- Obrigada! Você também. - Izayoi respondeu analisando-o sem nenhuma discrição.

O homem estava elegantemente vestido, como, aliás, era seu costume. Vestia um terno escuro sobre uma camisa social azul sem gravata, belos sapatos e como acessório apenas um relógio de ouro.

- Vamos? - Ele perguntou.

- Sim.

Oyakata abriu a porta do carro permitindo que Izayoi entrasse e se sentasse no banco do passageiro, depois caminhou até o lado que ocuparia.

Os dois tiveram um jantar tranqüilo em um nobre restaurante da cidade, ficaram em uma mesa reservada e sem a agitação do meio do salão.

- Como está o Sesshoumaru?

- Ele está ótimo. Crescendo tão rapidamente que às vezes me assusto. Parece que foi ontem que vi o rostinho dele pela primeira vez e o segurei no colo...

Izayoi podia ver emoção nos olhos dele ao falar disso, ela queria saber exatamente o que havia acontecido, mas achava que não deveria perguntar, não deveria ser tão invasiva mesmo que eles agora fossem amigos. Talvez em algum momento ele se sentisse à vontade o suficiente para falar sobre sua separação.

- Eu acho que os pais tendem a querer que os filhos permaneçam pequenos para sempre, temem o momento em se tornam adultos e independentes completamente deles.

- Eu não desejo ser esse tipo de pai, eu quero que Sesshoumaru cresça para se tornar o melhor que ele puder ser, que seja um homem honrado e de caráter. Mas acima de tudo eu faço questão de que ele cresça sabendo que pode contar comigo sempre, não importando as circunstâncias. Nós só temos um ao outro e eu preciso que ele saiba que sempre estarei com ele.

- Eu não tenho dúvidas de que você construirá uma relação de amizade e cumplicidade com ele. Primeiro porque você o ama e depois porque está disposto a isso. - Izayoi disse o fitando intensamente.

- É o que eu espero...

Alguns minutos de silencio e contemplação preencheram o local. Izayoi o observava atentamente tentando desvendá-lo.

- Você ainda a ama? - A pergunta escapou pela garganta de Izayoi. Ela pensava nisso, a questão passou por sua mente e seu cérebro processou tão rapidamente que ela não conseguiu controlar.

Oyakata a olhou surpreso e pensava na pergunta feita, esta ecoou em sua mente pelo que pareceu ser uma eternidade para Izayoi.

- Eu não sei. - ele respondeu finalmente. - Não sei o que sinto nesse momento por ela.

- Eu diria que sim.

- Diria? Meus sentimentos por ela já oscilaram tanto. Entre amor, ódio, mágoa... eu realmente não sei o que sinto atualmente, mas duvido que seja amor.

- O que aconteceu Oyakata? Por quê? – A jovem resolveu perguntar. Já que havia tocado no assunto, talvez ele resolvesse se abrir. Rezou para que ele não se sentisse ofendido com a pergunta e aguardou por uma resposta, fosse qual fosse.

- Ela não queria as mesmas coisas que eu, nós discordávamos em tudo nos últimos anos juntos. – começou a explicar falando calmamente, o que trouxe certo alívio a Izayoi. - Eu queria um filho, ela não, esse foi o estopim. Karin rejeitou a idéia de ser mãe desde o primeiro minuto em que soube que estava grávida, eu a forcei a levar a gravidez à diante e parte de mim esperava que ela fosse mudar quando visse o filho, quando o tivesse nos braços, mas isso não aconteceu e quando Sesshoumaru nasceu ela se foi.

Izayoi podia sentir a mágoa nas palavras dele embora a face continuasse serena assim como sua voz. Ela o viu levar a taça de vinho a boca e degustar a bebida aromática.

- Desculpe, eu fui indiscreta. Sinto muito por tocar nesse assunto, não queria fazê-lo se sentir mal.

- Tudo bem. Falar sobre isso não pode me machucar mais.

O jantar continuou e Izayoi procurou falar sobre outros assuntos mais amenos e conseguiu em alguns momentos até arrancar um sorriso de seu acompanhante. Sorriso este que ela gostaria, estivesse presente sempre naquele rosto.

Oyakata era um homem muito bonito, mas a tristeza e a mágoa eram latentes em seu semblante. Isso incomodava Izayoi, era inaceitável para ela que ele sofresse calado pelo que acontecera. Ele amava aquela mulher, isso era inegável, mas ela o havia abandonado e a seu filho, não merecia sequer um fio de tristeza da parte dele. No fim das contas, pensava Izayoi, Karin é quem havia perdido mais naquilo tudo. Ela havia jogado fora a felicidade ao lado de um homem maravilhoso como Oyakata e da preciosidade que era Sesshoumaru.

Talvez fosse seu destino encontrá-lo. Seus caminhos se cruzaram para que ela pudesse curar o coração dele e fazê-lo enxergar que ainda podia ser feliz. Tal tarefa seria aceita de bom grado por Izayoi, que já há algum tempo descobrira-se completamente apaixonada pelo "amigo". Ela o queria para si e faria o possível para alcançá-lo.

Horas mais tarde, o carro de Oyakata estacionava em frente ao portão da mansão Hasimoto. Ele desceu e deu a volta no automóvel abrindo a porta para Izayoi, dando-lhe sua mão e a ajudou a sair. Quando a mulher ficou de pé ambos se encararam mais uma vez intensamente como havia acontecido em várias ocasiões naquela noite.

- Eu adorei a noite Oyakata.

- Eu também. – Respondeu sério sem deixar de fitá-la.

Izayoi agiu rapidamente e mais uma vez de forma impulsiva. Ela tocou os lábios do homem com os seus podendo sentir o quanto eram macios e quentes.

- Izayoi? - Ele a chamou enquanto ainda sentia os lábios doces dela roçando gentilmente o seu.

- Shii... não diga nada, me deixe apenas desfrutar dessa sensação. - Ela pediu e o beijou mais uma vez delicadamente mantendo os olhos fechados. - Boa noite! - despediu-se segundos depois e antes mesmo que ele pudesse dizer algo caminhou apressada até a porta de entrada da casa, abrindo-a e entrando logo depois.

Oyakata a observou "fugir" e depois de pensar por alguns segundos no que acabara de acontecer voltou a entrar em seu carro e partiu dali.

Naquela noite, já em sua casa, o jovem executivo pensava no que estava acontecendo entre ele e a bela Izayoi. Oyakata não se sentia pronto para um relacionamento, não se sentia pronto para embarcar nessa aventura novamente, não queria isso, mas era impossível ignorar que algo estava acontecendo ali e não era só por parte dela.

O homem estava deitado em sua espaçosa cama, sozinho como todas as noites desde que se divorciara. Certamente outras mulheres surgiram em sua vida desde a separação, mas relacionamentos fugazes não eram suficientemente significativos para fazê-lo admiti-las em sua casa, em sua cama. Estranhamente, naquele momento, Oyakata desejava que alguém estivesse ali, uma certa mulher de profundos olhos castanhos e feição gentil, sorriso acolhedor, a pele macia e perfumada e longos e sedosos cabelos negros.

Oyakata respirou profundamente e apertou os olhos com força tentando livrar-se de tais pensamentos, ele não podia sentir isso novamente, não podia querer isso. O homem se virou escondendo o rosto entre os macios travesseiros e tentou se desligar de tudo aquilo para dormir, o que não foi fácil.

No dia seguinte na casa dos Hasimoto, Izayoi ainda dormia quando uma das empregadas foi chamá-la a pedido de seu pai, que estava preocupado com o fato da filha ainda não ter se levantado àquela hora da manhã.

- Eu estou bem, diga ao papai que não se preocupe. – A jovem disse depois de abrir a porta. – Eu dormi muito tarde ontem e estou cansada, apenas isso.

- Sim senhorita, eu direi. – A mulher concordou e se retirou.

Izayoi voltou ao interior do quarto fechando a porta atrás de si e caminhou de volta a sua cama. De fato não dormira muito bem na noite anterior, ficou perdida em pensamentos durante horas antes de finalmente conseguir dormir. Não conseguia parar de pensar em Oyakata e no gosto e textura dos lábios dele. Como um beijo tão singelo pôde mexer tanto com ela, a jovem não sabia responder. Ficara nervosa e o coração bateu acelerado naquele momento como se tivessem trocado um beijo repleto de paixão.

Izayoi sorriu ao lembrar de como se sentira na hora, depois voltou a ficar séria ao pensamento de que sua atitude precipitada poderia fazê-lo se afastar dela. A jovem não conseguia entender como seu comportamento mudava de forma tão inesperada quando estava diante daquele homem. Por que não podia conter impulsos que antes conseguia controlar muito bem? Ficou perdida em pensamentos mais uma vez, até que resolveu se levantar e tomar um banho para começar mais um dia.


Nesse capítulo fica bastante evidente que Izayoi está mesmo apaixonada por Oyakata e ela acaba tomando uma atitude precipitada ao avançar sobre ele e beijá-lo. Essa atitude pode gerar os mais variados tipos de reação por parte do homem, que como pudemos ver está muito confuso e ainda magoado. As feridas causadas pelo fim do casamento e o abandono da ex-mulher ainda estão presentes e isso vai dificultar ainda mais a aproximação de Izayoi.

Oyakata também está balançado, mas não se acha pronto para um envolvimento sério. Será que ele vai ceder aos encantos de Izayoi? Isso é o que veremos nos próximos capítulos.

Quero agradecer muito pelos reviews recebidos. Obrigada meninas!

Beijos!