Era um sábado de manhã, o dia estava ensolarado e o céu esplendidamente azul.

Na casa dos Hasimoto, Izayoi tomava café da manhã tranqüilamente na sala de jantar, quando a irmã mais nova desceu as escadas animadamente e entrou no cômodo.

- Bom dia aneesan!

- Bom dia. – A mais velha respondeu sem 1/3 da animação da outra.

- Nossa Izayoi, que desanimo! O que está acontecendo, você anda tão pensativa?

- É isso. Só estou pensativa, nada de mais.

- Vamos ao parque Hayto fazer uma caminhada?

- ...

- Vamos Izayoi, já viu o dia lindo que está fazendo? Nós podemos ir ao parque, fazer uma caminhada e depois ir a algum local para almoçarmos, que tal? Vamos, vamos, vamos...

Izayoi não tinha a menor vontade de sair, como havia imaginado sua atitude precipitada afastara Oyakata. Ele não entrou mais em contato com ela desde aquela noite há algumas semanas atrás e a jovem lamentava por sua imprudência, daí o seu desanimo.

- Vamos Izayoi. – Keiko que era pouco mais que uma adolescente insistiu e a irmã viu que não teria como fazê-la parar.

- Está bem eu vou. Deixe-me apenas subir para trocar de roupa e passar um filtro solar.

- Tudo bem. Enquanto você se arruma eu termino de tomar o meu café.

Minutos depois Izayoi descia as escadas vestindo calças de moletom azul claro com camiseta e tênis brancos. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e a franja fora colocada para trás com a ajuda de uma presilha, os óculos escuros estavam nas mãos quando ela alcançou a sala de jantar.

- Vamos? – chamou a atenção da irmã.

- Vamos. Deixe-me pegar meus óculos. – A mais nova disse se levantando e indo até o aparador próximo à escada para pegar o par de óculos deixado ali minutos antes.

As duas saíram no carro da mais velha, que foi dirigindo até o parque Hayto, um dos mais movimentados e procurados por famílias inteiras e atletas profissionais ou de final de semana.

Cerca de vinte minutos depois, com a rua livre do tráfego intenso, elas chegaram ao parque e estacionaram em um local próximo à entrada. Logo começaram a caminhar pelo local munidas de óculos escuros e garrafas d'água previamente compradas.

Caminharam por aproximadamente uma hora conversando sobre vários assuntos e vez ou outra Keiko tentava arrancar alguma informação da irmã mais velha, para saber o que se passava com ela, porém nada conseguiu. Izayoi mantinha-se calada diante das perguntas da irmã e apenas sorria levemente com a curiosidade dela.

- Você não vai mesmo me contar, não é?

- Não. – Izayoi disse sorrindo, levando na brincadeira as indagações da irmã, mas sem respondê-las.

- Ah isso é injusto! Eu conto tudo da minha vida pra você Izayoi.

- Eu não tenho nada para contar Keiko... ainda.

A mais nova sorriu diante da quase certeza de que a irmã se abriria com ela quando estivesse pronta para fazê-lo.

Enquanto andavam despreocupadas, alcançaram uma área onde havia um lindo lago cercado por um gramado de um verde intenso e por grandes árvores que produziam sombras, aliviando o calor. Havia várias pessoas ali, muitos faziam piqueniques com suas famílias, outros liam livros, crianças brincavam e casais namoravam. As irmãs ficaram observando o local por um tempo, até que algo chamou a atenção de Izayoi. Próxima a um dos bancos do parque estava uma jovem que vestia um traje branco, ela estava sentada em uma manta que havia sido estendida sobre o gramado. Com ela estava um bebê de cabelos prateados que brincava distraidamente com uma bola multicolorida.

Izayoi caminhou até o local lentamente sem dizer uma palavra à irmã, que a observou por um tempo antes de resolver segui-la. A mulher se aproximou da jovem que oferecia um brinquedo ao menino e quando o viu mais de perto teve certeza de quem era.

- Oi, bom dia! Lembra-se de mim? – Ela perguntou de pé ao lado da jovem.

- Oh olá! Lembro sim senhorita.

- Como está?

- Bem e a senhorita?

- Estou bem também. E esse pequenininho como está? – Izayoi indagou com a voz suave tipicamente usada para falar com bebês e se agachou para alcançá-lo. – Oi, coisa linda! – Ela se dirigiu ao menino.

Izayoi pegou Sesshoumaru no colo depois que ele estendeu os braços para ela e se levantou ficando de pé. A babá se sentou no banco ali e observou os dois.

- Oi Izayoi! Quem é o seu amiguinho? – Perguntou Keiko chegando ao local.

- Keiko, este é Sesshoumaru. Ele não é lindo?

- É sim, uma gracinha. – A mais nova falou brincando com uma das mãozinhas do bebê. – Como vocês se conheceram?

- O pai dele nos apresentou. Não é Sess? – Izayoi sorriu com a própria forma de chamar o menino. – Vocês estão aqui sozinhos, Megumi?

- Sim, nós sempre vimos aqui para que Sesshoumaru possa aproveitar o sol e brincar com outras crianças. O senhor Taisho nos deixou aqui antes de ir para um compromisso e depois voltará para nos buscar.

- Ah sim..

- Izayoi, vocês estão falando do Senhor Taisho? – Perguntou Keiko.

- Sim.

- Eu não sabia que vocês se conheciam e nem que ele tinha um filho com tão pouca idade.

Izayoi sorriu com o comentário da irmã, que provavelmente cometera o mesmo erro que ela ao imaginar de que Taisho falavam.

- Você está pensando no Taisho pai Keiko, nós estamos falando de Oyakata Taisho, que é filho do Senhor Taisho do qual sempre ouvimos falar.

- Ah, entendo!

Não muito tempo depois, as irmãs ainda estavam ali conversando e brincando com o pequeno Sesshoumaru e sem saberem estavam sendo observadas.

Há alguns metros dali protegido à sombra de uma árvore, Oyakata via mais uma vez o carinho e atenção que Izayoi dispensava a seu filho e um pequeno sorriso de satisfação aparecia em sua face. Uma sensação estranha o invadiu ao rever a mulher, sentia falta dela, das conversas que mantinham, de seus encontros, mas Oyakata achava que nada mais poderia ser como antes. Não depois de ter ficado evidente que Izayoi esperava mais dele do que só amizade.

Depois de observá-los por alguns minutos, Oyakata se pôs a caminhar lentamente até eles. Não foi percebido por nenhuma das mulheres.

Izayoi brincava com Sesshoumaru sentada sobre a manta e Megumi permanecia sentada no banco ao lado olhando para os dois e sorrindo.

Oyakata se aproximou lentamente e a criada o percebeu, mas recebeu um sinal para que ficasse quieta. Ele se sentou ao lado dela no banco, sem que Izayoi percebesse, pois estava de costas. O homem continuou a contemplar a brincadeira da mulher com seu filho, ela fazia cócegas em Sesshoumaru arrancando gargalhadas dele.

- Você é coisa mais linda que eu já vi. Eu estava com saudades. – Ela disse erguendo-o com os braços aproximando e afastando de seu rosto em uma brincadeira que divertia o menino.

- Você está apaixonada pelo meu filho? – O som da voz grave fez Izayoi estremecer.

Ela imediatamente se virou para trás fitando o homem vestido em calças sociais cinzas e uma camisa social branca cujas mangas foram erguidas até os cotovelos. Ele provavelmente livrara-se das outras peças que compunham seu traje normal para uma reunião de negócios enquanto ainda estava no carro. Os olhos dourados refletiam a luz do sol intensamente enquanto ele a fitava.

Izayoi sorriu e voltou a olhar para Sesshoumaru que agora estava sentado em seu colo.

- Completamente. – Respondeu depois de algum tempo.

Oyakata permaneceu sério olhando para aquela mulher. O que estava acontecendo afinal? De onde surgiu todo esse encantamento entre os dois? Seu filho e ela, ele pensava.

Sesshoumaru estendeu os bracinhos para o pai pedindo colo ao que ele logo atendeu.

- Ah! Só agora você notou minha presença, rapaz? – Disse num tom suave se dirigindo ao menino.

- Há quanto tempo está aí? – Izayoi perguntou se sentando no banco.

Megumi logo se levantou e se pôs a arrumar os brinquedos que estavam espalhados sobre a manta.

- Alguns minutos apenas. – Respondeu.

- Senhor Taisho, eu vou até aquela lanchonete comprar água mineral para dar a ele. – Megumi informou. Oyakata apenas confirmou com a cabeça e viu a jovem de branco se afastar dali.

- Essa foi uma coincidência e tanto...

- Foi sim. Minha irmã me arrastou para cá no intuito de fazermos uma caminhada e ... algum tempo depois que eu cheguei vi Sesshoumaru aqui com a Megumi. Eu vim falar com eles e acabei ficando aqui.

- Onde está sua irmã?

- Alguns amigos dela passaram por aqui. Como ela percebeu que eu não iria caminhar, foi com eles fazer uma corrida. Já deve estar voltando.

Um momento de silêncio desesperador para Izayoi se formou. Ela olhava para um ponto qualquer a sua frente onde várias pessoas brincavam e crianças corriam de um lado a outro. O homem a seu lado permanecia com a face impassível como se nada o incomodasse, enquanto segurava o pequeno Sesshoumaru de pé em seu colo.

- O que aconteceu naquela noite aborreceu você? – Ela não conteve a pergunta, queria ser capaz de deixar que as coisas acontecessem, mas era incapaz de ser passiva.

- Aborrecer... Não creio que essa seja a palavra correta. – Ele disse fitando os olhos castanhos vidrados nos dele. – Eu fiquei surpreso.

- Surpreso? – Izayoi indagou como se aquilo sim fosse uma surpresa. Seria possível que Oyakata não tivesse percebido seu interesse por ele, o fascínio que exercia sobre ela?

- Eu não esperava esse tipo de atitude de você. – Ele falou permanecendo sério.

- É. Talvez eu não devesse tê-lo feito, mas não resisti.

Oyakata voltou a fitá-la vendo um sorriso nos lábios bem desenhados da mulher.

- Eu não me arrependo se é isso o que está se perguntando. Faria de novo. - Izayoi falou com atrevimento, o que fez Oyakata arquear as sobrancelhas ainda olhando para ela.

- Você sabe a que isso pode nos levar, não é? – Indagou sério.

Izayoi ergueu os ombros e voltou a falar.

- As possibilidades são muitas, mas não poderei saber se não arriscar, não é mesmo?

A pergunta ficou no ar. Naquele momento Megumi retornava com a água mineral para dar ao bebê. Ela colocou o líquido na mamadeira e logo depois recebeu o menino no colo para que ele o tomasse.

- Lá está a minha irmã. – Izayoi disse vendo a mais nova conversar com um grupo de pessoas perto da trilha. – Bom, eu acho que vou indo. Nós podemos falar sobre isso depois? – Se dirigiu ao homem que ainda estava sentado.

- Sim. – Foi a resposta dele enquanto a fitava.

- Então nos falamos depois. Tchau gracinha! – Ela foi até o menino e brincou com ele, que logo sorriu em resposta. – Tchau Megumi!

- Tchau senhorita!

A morena recolocou os óculos escuros depois de lançar um olhar significativo para Oyakata e caminhou calmamente até o local onde estava sua irmã. Já era quase horário de almoço, portanto elas iriam a algum restaurante próximo, enquanto Oyakata iria para casa garantir que a refeição de Sesshoumaru fosse servida na hora certa.


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