Oi gente!

Trouxe mais um capítulo para alegrar vocês ou não. Esse é um capítulo longo e em certos aspectos triste. Espero que gostem.

Boa leitura!


Quarta-feira da semana seguinte após o encontro com Oyakata no parque e Izayoi estava convencida de que ele não entraria em contato com ela. Ela lamentava por isso, talvez devesse ter agido de forma diferente, talvez devesse ter sido mais sutil, porém agora não adiantava ficar remoendo o assunto mesmo que lhe doesse a distância do homem.

Àquela hora Izayoi terminava de ler e assinar alguns papéis que foram trazidos mais cedo por sua secretária. Estava próximo do fim de mais um dia de expediente e ela tinha um compromisso naquela noite.

Izayoi chegou a um famoso restaurante de Tóquio às oito horas daquela noite. Ela vestia calças marrons com corte elegante e uma blusa marfim, presa ao pescoço com um decote que deixava boa parte de suas costas à mostra. O decote pôde ser verificado quando ela retirou o casaco da mesma cor da calça antes de se sentar na cadeira que havia sido gentilmente afastada pelo homem que a acompanhava.

Toda a cena foi observada atentamente por um par de olhos dourados, cujo dono estava sentado em uma mesa no fundo do restaurante.

Izayoi sorria enquanto conversava com aquele homem. Ele parecia gentil e a mulher parecia à vontade na companhia dele como se fossem conhecidos de longa data ou mais que isso.

Oyakata continuou a observar os dois enquanto desfrutava de sua bebida. A ele pareceu que Izayoi estava muito bem, mesmo com seu afastamento, diferente do que ele imaginava. Sentiu-se culpado por não se aproximar mais da mulher, pensava no quanto isso a magoaria, mas considerava mais sensato manter-se afastado para evitar um envolvimento que certamente não acabaria bem em sua opinião. Ele não estava disposto a ter um relacionamento e era isso o que Izayoi queria, era isso o que ela merecia, porém estava além do que ele poderia oferecer.

Minutos mais tarde a pessoa a quem Oyakata aguardava chegou ao restaurante. Ele vinha sendo conduzido pela hostess do local até a mesa onde o irmão estava quando viu Izayoi e parou para cumprimentá-la.

- Olá! Boa noite. – Ele falou de forma cortês ao parar próximo da mesa onde a mulher estava.

- Hashi! Boa noite. Como vai? – Izayoi disse sorrindo docemente.

- Eu estou muito bem e você?

- Estou bem. Deixe-me apresentá-los, Hashi este é Niiyama Takao, meu amigo. Takao, este é Taisho Hakudoushi também meu amigo.

Os dois homens cumprimentaram-se educadamente.

- Taisho da Corporação Taisho? – Takao indagou.

- Bom, aquela empresa pertence a minha família, mas eu não tenho nada a ver com ela, temos apenas em comum o nome. A responsabilidade pela corporação é toda do meu irmão. Eu pertenço à área médica. – Hashi falou em seu tom tranqüilo habitual.

- Hakudoushi é diretor do Hospital Central de Tóquio. – Izayoi informou.

- Ah sim!

- Você quer se juntar a nós Hashi? – A mulher perguntou de forma gentil.

- Não obrigada. Eu estou sendo aguardado. – Hashi disse indicando com a cabeça a direção onde o irmão estava.

Izayoi olhou para o local e viu Oyakata ao longe. Ao sentir o olhar dela sobre si, o executivo voltou seu olhar para aquela direção e os dois se fitaram por alguns instantes.

- Eu vou indo. Bom jantar para vocês.

- Igualmente. – Takao falou enquanto Izayoi manteve-se muda, a voz parecia ter-lhe fugido.

Na outra mesa Oyakata olhava para o irmão enquanto este se aproximava.

- Boa noite. – O mais novo disse ao chegar.

- Boa noite.

Hashi sentou-se à mesa e pediu também uma bebida antes de voltar a falar.

- Estava cumprimentando Izayoi. Você a viu ali?

- Sim. Ela chegou depois de mim.

- Vocês se falaram?

- Ela não havia me visto até você chamar a atenção dela para a minha presença.

- Hum...

- Você demorou... – O mais velho disse.

- Desculpe. Tive um problema para resolver antes de sair do hospital. – Hashi se justificou. Ele vivia sendo chamado nos momentos mais impróprios, era uma responsabilidade muito grande dirigir um hospital e ele matinha total controle sobre a instituição, acompanhando de perto tudo o que acontecia lá. - Você não vai falar com a Izayoi?

- Por que eu faria isso? – Indagou tranqüilamente. - Ela está acompanhada e parece estar se divertindo, certamente não sentirá falta de um cumprimento meu.

- Ela pareceu perturbada quando viu você aqui.

Oyakata permaneceu em silêncio após a afirmação do irmão e logo Hakudoushi se pronunciou outra vez.

- O que aconteceu entre vocês afinal? Vocês estavam saindo juntos, como amigos eu sei, mas estavam sempre juntos e de repente se afastaram...

O outro se manteve em silêncio por um longo tempo, mas sabia que o irmão não desistiria pelo olhar que mantinha ao encará-lo.

- Ela me beijou. – Falou finalmente.

Hashi logo compreendeu. Ele sabia que o irmão não queria se relacionar emocionalmente com ninguém e ao investir em uma aproximação desse tipo, Izayoi havia ultrapassado a barreira da amizade. Hashi soube logo no início que a bela mulher de olhos castanhos queria Oyakata mais do que como um amigo, não era tolo e tinha certeza que Oyakata também sabia, mas não entendia porque o irmão agia como se não tivesse conhecimento dos sentimentos dela e como se achasse possível manter uma amizade com uma mulher que claramente o queria como homem.

- Quando isso aconteceu? – Hashi indagou após suas divagações.

- Há algumas semanas atrás.

- E desde então você se afastou dela?

Oyakata confirmou com um aceno de cabeça e voltou a levar o copo com a bebida à boca. Hashi demonstrou insatisfação ao ouvir aquilo balançando levemente a cabeça de forma negativa.

- Ela parece bem. – O mais velho se referia ao fato dela estar acompanhada de um outro homem. - Não haverá problemas se mantivermos distância

- Izayoi o apresentou a mim como um amigo.

- Nós também somos amigos ou éramos. – O tom de voz do irmão causou estranheza a Hakudoushi.

- Então vê-la com outro incomoda você?

Mais uma vez Oyakata manteve-se calado como se refletisse sobre as palavras do irmão.

Os quatro jantaram e inevitavelmente, em certos momentos, Izayoi olhava para a mesa onde os irmãos estavam, era mais forte que ela. Não via Oyakata desde aquele domingo no parque e tinha vontade de ir até lá, mas dessa vez manteria controle sobre seus impulsos.

- Você já quer ir? – Ouviu a voz de Takao se pronunciar.

- Sim, por favor. Acho que estou ficando com dor de cabeça.

Takao já havia pagado a conta, então os dois se levantaram para sair dali. Caminharam até a porta e Oyakata pôde ver a mão do suposto amigo de Izayoi pousada baixo demais em suas costas enquanto a conduzia até a saída. Aquilo o perturbava mais do que ele gostaria e ele lutava contra isso.

Antes de sair em definitivo Izayoi acenou para os dois e apenas Hakudoushi correspondeu ao gesto enquanto Oyakata apenas a fitou nos olhos.

Os irmãos Taisho permaneceram ali por mais algum tempo antes de irem para suas respectivas casas e Oyakata não mais falou sobre sua relação com Izayoi.

Os dias e semanas passaram lentamente em Tóquio. O outono chegava trazendo ventos frios que despiam as árvores de suas folhas e flores remanescentes do verão.

Izayoi estava em casa, deitada em sua cama tentando se concentrar na leitura de um livro. Tentava se concentrar, o que era uma tarefa difícil, pois sempre que ficava sozinha e sem alguma atividade que a ocupasse, seus pensamentos corriam velozmente até alcançar Taisho Oyakata.

Eles não se falavam desde o passeio no parque e não se viam desde aquele restaurante. Estava claro para Izayoi que Oyakata não se interessava por ela, que não a queria e normalmente ela já o teria apagado da memória e seguido com sua vida. Era jovem, bela e rica, não faltavam homens para cortejá-la, mas dessa vez a jovem simplesmente não conseguia seguir em frente, simplesmente não conseguia tirar aquele homem da cabeça.

Por diversas vezes pensou em procurá-lo, mas isso exigiria demais de seu orgulho e ela tinha medo do que ele poderia fazer ou dizer. Tinha medo de cometer outra imprudência e voltar a se atirar nos braços dele, sendo logo repelida.

O coração de Oyakata havia sido profundamente ferido, ele estava magoado demais para pensar em amor, Izayoi tinha consciência disso e não poderia culpá-lo depois de tudo pelo que ele passou. Mas ela ansiava mostrar a ele que ainda era possível ser feliz, que ele ainda podia amar e ser amado. Como fazer isso? Ela pensava enquanto deitava o livro sobre o colo. Como mostrar a ele que com ela seria diferente? Como fazê-lo ver que podia confiar nela, que seu coração estaria a salvo com ela?

- Oyakata... – Ela murmurou o nome que era falado inúmeras vezes em sua mente.

Na mansão Taisho, Oyakata havia chegado em casa a pouco tempo. Foi diretamente até seu quarto e logo se dirigiu ao banheiro onde tomou um banho morno e trocou de roupa. Asssim que retornou ao quarto saindo do banheiro ouviu batidas na porta.

- Entre. – Respondeu sentando-se na cama.

- Boa noite.

- Boa noite Kaede. – Falou à governanta, que entrou no aposento.

- Você quer que mande servir o jantar?

- Eu não estou com fome. – O homem disse tranqüilamente.

Kaede cruzou os braços frente ao corpo e deu mais alguns passos parando próxima a ele.

- Ultimamente você nunca está com fome. Não vejo você se alimentar a dias Oyakata.

O homem suspirou e respondeu.

- O fato de você não ver, não significa que eu não o esteja fazendo.

- É verdade, mas eu sei que não está. O conheço o suficiente para saber isso.

O homem manteve-se em silêncio enquanto fitava um ponto qualquer no aposento.

- Você está voltando a ficar como nos primeiros dias Oyakata...

- Eu só estou cansado Kaede.

- Essa desculpa seria aceita por qualquer outra pessoa, mas não por mim. Eu sei que não é isso.

Kaede olhava a face inexpressiva dele e sabia pelo olhar que ele estava sofrendo. O conhecia melhor do que ninguém e nunca conseguiria enganá-la.

- Não deixe que aconteça. – Ela voltou a se pronunciar. – Não permita que a tristeza e a solidão consumam você, não se deixe levar por elas. Ainda há pessoas nas quais você pode confiar, pessoas com as quais pode contar. – O tom usado por Kaede era sóbrio assim como sua face.

Oyakata não se manifestou, apenas olhou a mulher a sua frente nos olhos e a viu sorrir.

- Eu vou fazer um chá para você e o obrigarei a tomar se for necessário. – Falou fingindo autoridade e caminhou até a porta para sair do quarto.

Oyakata se deitou na cama e fitou o teto pensando nas palavras de Kaede. Ele a tinha como uma mãe, ninguém ousava se dirigir a ele daquela forma, ninguém tinha intimidade para isso, mas ela, ela o criara tinha todos os direitos.

Kaede só o tratava dessa forma informal quando estavam sozinhos, diante de outras pessoas ela mantinha a formalidade devida ao relacionamento entre patrões e empregados. O respeito e o carinho entre os dois foram cultivados através dos anos e ela era certamente a pessoa em quem ele mais confiava, mais até do que em seu irmão. Por isso dava a ela total controle sobre sua casa e a responsabilidade de cuidar do bem estar de seu bem mais precioso, Sesshoumaru.

Ao pensar no filho Oyakata se levantou da cama e saiu do quarto percorrendo o corredor e abrindo uma porta que ficava alguns metros antes da sua para quem vinha da escada. Ele abriu a porta lentamente e se aproximou do berço onde o menino dormia tranqüilamente. Estava crescendo tão rápido, logo estaria andando e depois correndo pela casa. O pai sorriu levemente ao pensar nisso e levou sua mão ao rosto de Sesshoumaru acariciando-o com cuidado para não acordá-lo.

- Eu te amo garoto. – Falou baixo enquanto o observava.

Kaede como prometido, vinha da cozinha trazendo uma bandeja com chá quente. Ela passou pela porta aberta do quarto do pequeno Sesshoumaru e viu que Oyakata estava ali. A governanta colocou a bandeja sobre um móvel que ficava no corredor e entrou no quarto se aproximando também do berço.

- Seu chá está pronto. – Falou fitando o rosto sério do homem que ainda observava o filho.

Oyakata ergueu os olhos para fitá-la e a mulher pôde ver o que ele estava sentindo estampado ali naquele mar dourado.

Mais uma noite passou e Oyakata adormeceu sozinho em seu quarto depois de tomar o chá preparado por Kaede.


Oohh! Quero pegar Oyakata no colo.

Ele ainda está bastante machucado e com medo de se envolver, mas já deu para sacar que ele está a fim da Izayoi, só tem que deixar esse medo de lado e investir na mulher que nós sabemos que é a ideal para ele.

Quero reviews, hein? Um capítulo grande desse merece.

Beijos!