Eu repostei o capítulo com algumas pequenas mudanças, mas que eu achei necessárias para melhorar o texto.

Foram apenas alguns pequenos detalhes.

Boa leitura!


Numa quinta-feira à tarde Oyakata estava no escritório e vislumbrava a paisagem da cidade através da grande janela atrás de su

Numa quinta-feira à tarde Oyakata estava no escritório e vislumbrava a paisagem da cidade através da grande janela atrás de sua mesa. Ele estivera ocupado com reuniões durante toda a manhã e após o almoço havia retornado ao escritório onde teve uma outra reunião com a área jurídica da empresa. Neste momento o executivo pensava sobre algo que havia lido no jornal naquela manhã e sobre o que poderia fazer com aquela informação.

Minutos depois ele tomou uma decisão e pegando o telefone sobre sua mesa discou para sua secretária a chamando. Logo a mulher de cabelos curtos e estatura mediana apareceu na porta e fazendo uma reverencia indagou ao chefe.

- Pois não Taisho-sama?

- Sente-se Yumika. – ele disse indicando a cadeira à frente de sua mesa e logo continuou. – Eu quero que você providencie para mim uma passagem para Kyoto e reserva no hotel Hyatt Regency Kyoto. Está havendo uma conferência na cidade e provavelmente eles estão cheios então você terá que ser persuasiva. Eu quero ficar nesse hotel.

- Sim senhor. – A mulher respondeu. - E para quando devo reservar o vôo senhor Taisho?

- Para amanhã o mais cedo possível. – ele disse calmamente.

- Certo. E quantos dias o senhor pretende ficar hospedado no hotel? – a mulher perguntou de forma profissional anotando as informações em uma agenda.

- Reserve para o final de semana. – ele respondeu simplesmente.

- Eu vou providenciar. Com licença. – A secretária se levantou se saiu da sala para cumprir com o que lhe foi ordenado.

Oyakata continuou em sua sala e voltou sua atenção para o exterior visível através das janelas.

...

Ao chegar em casa naquele início de noite Oyakata cumpriu com seu ritual indo ao encontro do filho para vê-lo, era a primeira coisa que fazia ao colocar os pés em casa.

O menino havia saído do banho há pouco tempo e a babá terminava de vesti-lo quando ele se agitou ao ver o pai.

- Oi rapaz! – a voz grave e tranqüila de Oyakata preencheu o ambiente.

Megumi terminou de ajeitar a roupa de Sesshoumaru e o pegou no colo entregando-o logo em seguia ao pai. Sesshoumaru sorria para o pai demonstrando a alegria de sempre ao vê-lo.

- Como você está, hein? – o executivo conversava com o filho. – Você fez muita bagunça hoje?

Megumi sorria observando os dois, ela admirava a relação do patrão com o filho e o carinho que demonstravam um pelo outro.

- Está tudo bem Megumi? – perguntou casualmente.

- Está sim Taisho-sama. – ela respondeu ainda sorrindo.

- Há alguma chance de você vir trabalhar nesse final de semana? – Oyakata perguntou com o filho ainda no colo dessa vez fitando a jovem. – eu vou fazer uma viagem e devo ficar fora todo o final de semana. É a primeira vez que me afasto dele desde que nasceu, ele provavelmente vai sentir minha falta, mas se você estiver aqui, por se alguém que está sempre presente, acho que ele sentirá menos.

- Sem problemas senhor, eu venho sim.

- Obrigado. – falou voltando a fitar o filho.

Oyakata entregou o filho a Megumi, pois era hora da refeição dele e depois seguiu para seus aposentos onde pretendia livrar-se do terno e gravata para tomar um banho e relaxar. Enquanto estava no chuveiro e a água quente escorria pelos músculos de seu corpo, o homem pensava no que faria no dia seguinte, em como agiria quando fosse o momento.

Durante o jantar Oyakata informou à governanta sobre sua viagem e ela não estranhou, imaginou que seria uma viagem de negócios que costumavam ser freqüentes antes de Sesshoumaru nascer, depois disso Oyakata evitou, de todas as formas possíveis, ter que sair do país ou da cidade e quando saía voltava sempre no mesmo dia ficando o mínimo de tempo possível longe de seu herdeiro.

- Eu pedi a Megumi para vir ficar com Sesshoumaru enquanto eu estiver fora, acho que será melhor para ele.

- Concordo. Ele sentirá muita falta se ficar sem os dois. Normalmente quando você não está por perto ela está e vice-versa.

Ele apenas concordou com um aceno de cabeça.

- Ficará fora por quanto tempo? – Kaede perguntou.

- Durante o final de semana, provavelmente no domingo pela manhã eu já esteja de volta. Se acontecer alguma coisa ou se precisarem de mim, eu quero que me liguem imediatamente.

- Não se preocupe, nada vai acontecer.

- Vou ligar para o Hashi e mandar ele vir aqui para ver vocês. – o homem disse e a velha senhora sorriu diante do excesso de zelo dele.

- Não se preocupe Oyakata, nós vamos cuidar bem de Sesshoumaru e da casa. – ela disse.

- Eu sei Kaede, eu sei...

...

Na sexta-feira por volta das nove da manhã Oyakata chegava ao aeroporto para tomar o avião direto para Kyoto. Não seria uma viagem longa e ele aproveitaria o tempo para pensar no que faria.

...

No auditório de uma famosa Universidade, a platéia estava atenta ao que era dito pela mulher vestida em um traje social composto por calças de lã fria marrons, blazer ¾ na cor marfim bem marcado na cintura e de apenas um botão e uma blusa na mesma cor sob o blazer. A imagem elegante e a postura altiva combinavam com a seriedade do assunto abordado e dava ainda mais respeitabilidade aquela mulher.

Izayoi era palestrante naquela Universidade, havia sido convidada para apresentar duas palestras sobre sua especialidade, Psicologia do Consumidor. A platéia era composta por estudantes de Marketing, Propaganda e Publicidade, Administração e áreas afins, além de outros profissionais.

O auditório estava cheio e a voz doce de Izayoi prendia a atenção de seus interlocutores utilizando uma linguagem simples e alguns gráficos para exemplificar as teorias e pesquisas na área. Ela falava através de um microfone e vez ou outra caminhava pelo palco de forma graciosa com seus saltos altos e finos. Havia interação com a platéia que fazia perguntas sobre o tema e alguns alunos pediam dicas sobre a carreira. Conheciam bem o trabalho de Izayoi na Editora Hasimoto e as grandes transformações e crescimento alcançado pelo grupo, após ela tê-lo assumido. Toda a parte visual das grandes publicações foi modificada, assim como a parte editorial e até o tipo de papel utilizado nas impressões, após uma extensa pesquisa liderada pela jovem junto ao mercado consumidor, que modernizou todo o processo antes adotado por seu pai.

Da última fileira de cadeiras estofadas e confortáveis, Izayoi era observada com especial atenção. A bela face que se mantinha séria, mas eventualmente deixava escapar um sorriso ao interagir com os alunos, o tato dela para lidar com eles fazia pensar por que ela não lecionava, certamente seria uma ótima professora.

Mais trinta minutos de perguntas respondidas e considerações feitas pela Doutora e a palestra foi encerrada sob os aplausos e agradecimentos dos que dela participaram.

Izayoi desceu do palco e conversou com algumas pessoas, foi muito cumprimentada por alunos e acadêmicos e manteve sua gentileza e carisma habitual para com todos eles.

Terminada a "sessão de cumprimentos", a mulher caminhou para fora do auditório em companhia de uma jovem aluna da universidade que ficara encarregada de auxiliá-la durante sua estadia ali. A jovem a assistia no que dizia respeito à agenda e outros detalhes pertinentes à palestra.

- Hasimoto-san? – Dois jovens estudantes se aproximaram sorridentes e lhe fizeram uma reverência respeitosa. Izayoi parou para atendê-los.

- Olá! – Cumprimentou sorrindo.

- Olá senhorita! – A menina que havia se aproximado acompanhada de um rapaz disse. – Eu me chamo Satiko Nara e este é Hideki Nagai.

- Muito prazer. Eu sou Izayoi, mas vocês provavelmente já sabem disso, não é?

- Ah sim! – Hideki disse. – A senhorita é muito conhecida aqui.

- Verdade? Não consigo imaginar o porquê. – A mulher disse divertida e os três jovens sorriram.

- Seu trabalho na Editora Hasimoto trouxe grandes transformações não só para sua empresa, mas para o mercado em si. Essas mudanças têm sido tema de muitos trabalhos acadêmicos inclusive o nosso.

- Eu me sinto lisonjeada em ouvir isso, mas a verdade é que apenas apliquei aqui algo que já vem sendo feito há algum tempo nos países ocidentais. Eu apenas ajudei a modificar o pensamento retrógrado de alguns empresários. Essas mudanças teriam que acontecer cedo ou tarde, do contrário o Japão ficaria para trás diante de toda a evolução que ocorre no mundo dos negócios.

- É verdade. – Hideki concordou – Mas não podemos negar que a senhorita deu o primeiro passo com a sua gestão sobre empresas Hasimoto.

- Bom, nós não vamos mais atrasá-la senhorita. Foi um prazer conhecê-la e espero que possamos nos encontrar novamente no próximo semestre. – A jovem Satiko disse sorrindo de forma vitoriosa. Izayoi ficou intrigada.

- Satiko fez uma prova para estagiar na Editora Hasimoto e passou. – Hideki informou.

- Oh meus parabéns! Não é fácil conseguir uma vaga para estágio lá.

- Não é mesmo senhorita, por isso estou tão feliz.

- Então nós, muito provavelmente iremos nos encontrar Satiko.

- Eu espero que sim. Tenha uma boa tarde Hasimoto-san. – A jovem disse já se despedindo e pegando na mão do amigo para sair dali.

- Boa tarde Hasimoto-san. - Hideki agiu da mesma forma.

- Igualmente. – Izayoi desejou e viu os jovens saírem juntos e de mãos dadas dali. Trocaram um beijo no corredor e continuaram a caminhar para fora do prédio.

A mulher voltou a caminhar em companhia da assistente e as duas falavam sobre o horário da próxima palestra que ocorreria naquela mesma tarde após a pausa para o almoço. Elas caminharam para o exterior do prédio principal da universidade onde se podia ler o grande letreiro que dizia Universidade de Kyoto.

- Izayoi? – Uma voz familiar fez com que a mulher se virasse para ver quem a chamava.

Os olhos castanhos e vivazes dela demonstraram a surpresa que teve ao ver de quem se tratava, as palavras lhe fugiram por um instante enquanto o observava.

- O que está fazendo aqui? – ela perguntou após alguns segundos.

- Nós podemos conversar?

- Sim. – respondeu após respirar fundo. – Nadeshiko, eu vou almoçar e você pode fazer o mesmo. Estarei aqui antes do horário da próxima palestra. – ela orientou a jovem.

- Sim senhorita. Se precisar de algo pode me ligar.

- Eu ligarei.

- Com licença.

A assistente se afastou e Izayoi voltou seu olhar para o homem parado a sua frente. Ele vestia um terno cinza com camisa azul, diferente do tipo normalmente utilizado para o trabalho. As mãos estavam nos bolsos enquanto ele a fitava com o semblante aparentemente tranqüilo.

- Aconteceu alguma coisa, por que está aqui?

- Não aconteceu nada. Não fique preocupada, eu apenas quero conversar com você.

Izayoi fez um movimento de cabeça em concordância e passou a caminhar lentamente em direção ao belo jardim que havia na universidade indicando ao homem que a acompanhasse e assim ele fez e conversaram enquanto caminharam.

- Acho que não preciso dizer o quanto sua presença aqui está me parecendo estranha. Tem certeza de que não aconteceu nada?

- Tenho. – ele disse calmamente.

Um instante de silêncio se formou e Izayoi sentiu o olhar dele sobre si.

- Nos últimos dias eu estive pensando em você. – a declaração causou certa surpresa na mulher. Ele continuou. – eu fiquei chateado com o que aconteceu, com o fato de você ter ido a minha casa quando eu não estava.

- Eu achei que não se incomodaria se eu fizesse uma visita ao Sesshoumaru no aniversário dele. – ela disse em um tom de voz baixo e com o coração ligeiramente apertado.

- Não me chateei por você ter ido visitá-lo Izayoi, mas por ter escolhido fazer isso quando eu estava fora. Você quis me evitar.

A essa altura eles haviam alcançado um banco de madeira em meio a um canteiro de flores e próximo a uma árvore de cerejeira. Oyakata indicou o lugar para que Izayoi se sentasse e após ela tê-lo feito também se sentou. Eles se encararam e mesmo estando tensa Izayoi manteve-se firme diante dele.

- Eu entendi o recado Oyakata, por isso optei por ir até sua casa quando você não estivesse. Você não queria mais me ver, não queria proximidade comigo e eu aceitei isso. – ela disse olhando-o nos olhos.

- Eu lamento que tenha pensado que eu me afastei de você por não apreciar sua companhia ou por não gostar de você. Não foi esse o motivo.

- Então qual foi? – Ela indagou de forma decidida, sabia o motivo, ou pelo menos imaginava qual seria, mas queria ouvir da boca dele.

- O motivo foi exatamente o oposto. Quando eu a conheci, imaginei que era uma mulher linda e interessante com a qual eu poderia ou não me envolver. Eu conheci e me relacionei com outras mulheres após o divórcio, mas eram encontros casuais apenas, eu não queria e não estava pronto para um relacionamento de verdade.

- Você achou que poderia ter esse tipo de relacionamento casual comigo?

- No início sim, mas as coisas aconteceram de forma diferente e inesperada com você. Nós nos conhecemos melhor com o tempo, nos tornamos amigos e eu tomei ciência do que você sentia em relação a mim. Eu poderia ter cedido ao que você queria e à atração que eu também sentia por você, mas isso seria enganá-la e esta era a última coisa que eu queria para você. Você merecia mais do que se envolver com um homem que não estava pronto para retribuir aos seus sentimentos.

- Eu sempre soube, no fundo do meu coração, que a sua intenção era me proteger, me poupar de algum tipo de sofrimento, mas ainda assim doeu quando você se afastou, quando decidiu me tirar da sua vida. – as palavras de Izayoi estavam carregadas de emoção que também transpareciam em seus olhos, embora ela tentasse se conter.

- Eu não queria que se machucasse Izayoi. – ele disse a fitando com os orbes dourados brilhantes – mas essa minha atitude não surtiu efeito, para mim ou para você. A distância que eu coloquei entre nós também me machucou e machuca muito. Eu honestamente não estou sabendo lidar com isso.

- Não, não está. – a bela mulher sorriu levemente. – Você está com medo. Medo do que pode acontecer caso se permita amar outra mulher e que essa mulher entre em sua vida. Isso é perfeitamente compreensível depois de tudo o que aconteceu, você está ferido Oyakata e esta ferida ainda está aí e ela faz com que você tranque. Isso pode servir para evitar que você se magoe mais, mas também evita que você possa descobrir que ainda pode ser feliz.

Izayoi levou suas delicadas mãos ao rosto do homem que fitava um ponto qualquer no jardim enquanto a ouvia atentamente e o fez encará-la.

- Você precisa superar isso. – falou com suavidade. – precisa se permitir ser feliz novamente, não tem que viver preso ao que já passou.

- Essa não é uma tarefa fácil. – ele disse sério.

- Não, não é. Mas eu estou aqui. Eu quero que me dê a chance de entrar na sua vida e fazer você feliz. Eu quero ser a mulher que você ama, a mulher que você precisa e que confia que estará ao seu lado sempre não importa o que aconteça. Eu te amo.

As palavras de Izayoi pareciam ter quebrado a última barreira que mantinha Oyakata longe dela. O homem levou sua mão ao rosto dela e o acariciou levemente para logo depois tomar os lábios macios em um beijo intenso e imensamente saboreado. A mulher correspondeu com a mesma intensidade àquele carinho que queria receber daquele homem há tanto tempo.

O coração de ambos batia acelerado enquanto seus lábios ainda estavam selados um ao outro e desfrutavam daquela nova sensação que experimentavam juntos. O beijo longo foi sendo finalizado aos poucos enquanto as respirações estavam ofegantes. Um último contato foi feito por Oyakata nos lábios dela enquanto a observava ainda de olhos fechados e sorrindo.

- É infinitamente melhor beijar quando se é correspondida. – ela disse ao abrir os olhos e encontrar os dourados dele tão próximos dos seus. Ele também sorriu ainda acariciando o rosto dela.

- Desculpe por aquilo. – ele pediu. Izayoi fez um sinal negativo com a cabeça.

- Você acabou de se redimir. – falou antes de voltar a beijá-lo.

Momentos depois eles se abraçaram e Oyakata sentia o perfume dos cabelos dela e acariciava suas costas.

- Eu senti muito a sua falta. – ele sussurrou ao ouvido dela.

- Eu também querido.


Vou deixar todos os comentários a cargo de vocês.

Apenas quero dizer uma coisa. Essa coisa de colocar a Izayoi como precursora da aplicação da psicologia do consumidor nas empresas foi algo que me surgiu do nada. Eu peço que vocês considerem que essa história não se passa nos dias de hoje, mas há pelo menos duas décadas atrás, quando esse tipo de preocupação com o que pensa o consumidor não era muito difundida e eu quis colocá-la como a heroína que introduz isso no Japão já que ela se especializou na Europa e aprendeu isso por lá. É isso. Aguardo reviews.

Beijos!