Olá leitores!
Há um bom tempo eu não atualizava essa fic. Mas eu não desisti dela, aliás, ela é importantíssima então eu não pretendo e não posso abandoná-la. É crucial contar a estória de como Oyakata e Izayoi se uniram e como foi a infância do Sesshy. E eu adoro essa fic também. Acho esse casal muito fofo.
O capítulo está bem grandinho e eu escrevi ele praticamente todo hoje. Não tive tempo de revisar, então se encontrarem algum erro grotesco gritem.
Boa leitura!
A noite do leilão finalmente chegara. Não era preciso dizer que Izayoi estava nervosa.
A mulher terminava de se arrumar em seu quarto para ir ao evento acompanhada por seu pai e sua irmã mais nova. Ela vestia um modelo longo cor de cobre, frente única e com apliques em cristal ao longo do decote. As delicadas sandálias pretas que ela trazia nos pés combinavam perfeitamente com a pequena bolsa que levaria consigo. Olhou-se no espelho finalizando a maquiagem primorosa que valorizava ainda mais seus belos traços. Os cabelos estavam presos em um penteado elegante que permitia que seu decote ficasse à mostra e as únicas jóias eram brincos pequenos e um anel de brilhantes.
- Iza? – Uma voz chamou sua atenção. – Já está pronta? – Indagou Keiko entrando no quarto.
- Sim. – Izayoi respondeu sem parecer muito empolgada e isso foi percebido pela irmã.
- Nossa Iza nem parece que estamos indo a uma festa! O que você tem?
- Nada Keiko. – A mais velha respondeu após pensar um pouco.
- Pode me contar Iza. Você está preocupada porque o Oyakata estará lá e tem medo do que o papai possa fazer?
Izayoi sorriu levemente ao olhar para a irmã, às vezes esquecia de que Keiko não era mais uma criança e podia compreender suas preocupações.
- Estou um pouco preocupada sim. – Admitiu. – Mas espero realmente que o papai se comporte, do contrário, não sei como ficará minha relação com ele daqui para frente.
- Nós ficaremos de olho nele eu te ajudo. – Keiko disse segurando uma das mãos da irmã como forma de apoio.
- Obrigada irmãzinha! Agora vamos, antes que o papai comece a gritar. – Izayou sorriu e conduziu a irmã para fora do quarto.
As duas desceram os degraus da escada e encontraram o pai na sala de estar desfrutando de uma bebida qualquer. O velho Hasimoto estava acompanhado de um de seus amigos e sócio nas empresas, Nadao-san.
- Boa noite! – As jovens cumprimentaram juntas aos homens assim que se aproximaram.
- Boa noite! – Nadao-san que as conhecia desde crianças respondeu com um sorriso.
- Minhas filhas, vocês estão simplesmente radiantes. – Hasimoto disse orgulhoso.
- Ah, obrigada papai! – Keiko disse se aproximando dele com seu belo vestido azul claro também longo e que ao contrário do da irmã não era ajustado ao corpo, mas sim soltinho dando um ar ingênuo e gracioso a ela.
- Podemos ir Izayoi? – O homem perguntou à filha mais velha.
- Sim podemos. – Ela disse em seu tom habitual e sorriu levemente.
Os quatro deixaram a mansão em um dos carros da família que era guiado pelo motorista.
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O leilão da Christie's seria realizado em um luxuoso hotel no centro de Tóquio. Todas as importantes famílias, empresários e grandes fortunas foram convidados a participar do evento que tinha várias peças inestimáveis a serem leiloadas e sabia-se que parte da arrecadação seria revertida para ajudar na construção de um novo hospital infantil.
O grande salão do hotel estava ricamente decorado e iluminado especialmente para aquela ocasião. Naomi havia feito mais um belo trabalho. Ela era mestra no assunto.
Oyakata chegou ao local sendo conduzido pelo motorista e estava sozinho. Hakudoushi também iria ao evento, mas como estava no hospital e não tinha certeza do horário de sua saída, disse ao irmão que fosse na frente.
Tão logo adentrou o salão o belo homem de cabelos prateados chamou a atenção dos que ali estavam. Ele não era visto com freqüência nesses tipos de evento e quando aparecia estava geralmente sozinho ou em companhia do irmão. Todos conheciam o executivo e presidente da Cooporação Taisho, mas sua vida pessoal era considerada um mistério. As pessoas sabiam que ele havia se casado ainda muito jovem, por volta dos vinte e cinco anos e que havia se mudado para os Estados Unidos. Ficara lá durante alguns anos e ao retornar, aquela que devia ser sua esposa não estava em sua companhia. Pelo fato de ser extremamente discreto, pouco se sabia sobre o que havia acontecido com o casal, apenas se sabia que haviam se divorciado e ele decidira retornar ao Japão. Pouquíssimas pessoas sequer sabiam que uma criança fora gerada naquele casamento.
Oyakata foi cumprimentado por várias pessoas e passou a conversar com elas. Logo um garçom serviu-lhe de champanhe e ele passou a degustar a bebida enquanto conversava. Naomi logo identificou sua presença e foi até ele cumprimentando-o cordialmente e sendo correspondida.
- Boa noite Oyakata! Que bom vê-lo.
- Boa noite Naomi! É bom revê-la também. – Respondeu com um sorriso gentil estampado na bela face. – Você é a responsável por tudo isso?
- Sim. – A amiga de Izayoi respondeu simplesmente. – O que achou?
- Ambiente agradável, decoração magnífica... – Iniciou pensativo enquanto parecia admirar o local. – Está tudo perfeito Naomi.
- Vou aceitar isso como a verdade considerando a sua seriedade e bom gosto. – Naomi respondeu divertida.
Momentos depois Izayoi também chegou e não tardou a identificar a figura de seu amado que mantinha uma conversa animada com Naomi e algumas outras pessoas. Ela lhe sorriu docemente ao vê-lo e perceber que ele também a olhava a distância.
Naomi percebeu o sorriso diferente que surgiu nos lábios de Oyakata e se virou para olhar a mesma direção que ele vendo logo o motivo daquele sorriso.
- Oh Izayoi chegou! – Ela comentou verificando que o homem ao seu lado olhava fixamente para a amiga que atravessava o salão.
O velho Hasimoto seguiu acompanhado de suas filhas e do sócio até a mesa reservada a eles. Sentaram-se no local e admiraram a decoração comentando como Naomi havia sido bem sucedida mais uma vez.
- Nossa está tudo tão lindo! – Keiko disse.
- Está sim. Naomi é ótima em organizar eventos. – Izayoi respondeu. – Por falar em Naomi, eu a vi ali na frente. Eu vou até lá cumprimentá-la. Com licença papai, Nadao-san. – A jovem pediu já se levantando da mesa.
O pai de Izayoi logo ficou sério e viu a filha se afastar caminhando de forma elegante até o local onde estava um grupo de pessoas conversando. Naomi de fato estava ali, mas não passou despercebido por ele o homem de longos cabelos prateados e porte imponente, que ele jamais encontrara pessoalmente, mas que sabia se tratar de Oyakata Taisho.
Izayoi alcançou o grupo e com um sorriso no rosto cumprimentou aquelas pessoas. Naomi a apresentou a alguns dos homens ali que não a conheciam pessoalmente e logo depois o olhar da mulher encontrou o de Oyakata que a admirava.
- Olá! – Foi doce ao cumprimentá-lo, mas manteve a distância, pois ninguém ali sabia sobre o relacionamento dos dois.
- Olá Izayoi! – Ele respondeu com a voz grave e tranqüila fazendo uma reverência respeitosa. Izayoi sorriu ainda mais.
O grupo conversou por mais algum tempo sobre assuntos diversos. Aqueles eram homens importantes e influentes na cidade e se mostraram surpresos ao conhecer Izayoi pessoalmente. Sabiam que o velho Hasimoto havia colocado sua filha mais velha no comando dos negócios da família, mas não esperavam que ela fosse uma jovem tão sensível e delicada como Izayoi se mostrava. Lidar com o mundo empresarial em uma sociedade machista e paternalista como a japonesa não era uma tarefa fácil e apenas mulheres fortes e absolutamente decididas e seguras de si poderiam fazê-lo. Izayoi era uma dessas mulheres, mas nada tirava sua graça, beleza e delicadeza, o que fazia o homem que participava da conversa sem tirar os olhos dela admirá-la ainda mais.
Um pouco mais tarde aquele grupo se dissipou restando apenas Izayoi, Naomi e Oyakata ali.
- Naomi, onde está o Sado? Ele não virá? – Izayoi perguntou a amiga sobre o noivo dela que estranhava não ter visto até aquele momento.
- Ele já deveria estar aqui. – A mulher disse olhando o delicado relógio em seu pulso. – Está atrasado para variar. – Concluiu sorrindo levemente.
Um garçom foi até eles e os serviu de mais bebidas. Oyakata pegou duas taças de champanha e estendeu uma a Izayoi.
- Obrigada! – Ela agradeceu sorrindo docemente.
- Você está linda. – O ouviu dizer.
- Você também querido. – Disse sem se importar em usar o termo carinhoso já que a única pessoa ali que talvez pudesse ouvir o que ela dizia a ele era sua melhor amiga.
Os dois miravam-se e tinham um brilho apaixonado nos olhos dourados e castanhos. Naomi sorriu levemente ao observar os dois, mas seu sorriso logo diminuiu quando ela percebeu a aproximação do pai de Izayoi.
- Iza? – Ela a chamou e indicou com olhar o homem que se aproximava a passos decididos sendo seguido pela filha mais jovem.
Izayoi se virou e também teve seu sorriso diminuído ao ver que o pai vinha em sua direção. O coração disparou de repente, um medo imenso tomou conta dela.
- Boa noite! – O velho Hasimoto disse logo que parou frente a eles. A feição estava serena, mas o tom de voz não escondia seu desagrado.
- Oh boa noite Hasimoto-san! – Naomi o cumprimentou sorridente tentando amenizar o clima pesado que se formara. – Keiko, como vai?
- Estou bem Naomi. Essa festa está maravilhosa. Parabéns! – Keiko também foi simpática.
- Não vai me apresentar ao seu amigo, minha filha? – Hasimoto indagou olhando de Izayoi para Oyakata que estava absolutamente tranqüilo naquele momento. Izayoi tremeu, mas não demonstrou fraqueza.
- Claro papai! Este é Taisho Oyakata. Oyakata, este é meu pai Hasimoto Itaki. – Ela disse com a voz doce.
- Hasimoto-san ... - Oyakata iniciou mantendo sua postura séria e cortês. – é um prazer conhecê-lo. – Concluiu fazendo uma leve reverência.
- É um prazer conhecê-lo também Taisho. Há muito ouço falar em você, mas ainda não havia tido a oportunidade de encontrá-lo.
- A oportunidade se fez presente esta noite. – Oyakata disse calmamente. Izayoi permanecia levemente apreensiva enquanto fitava o rosto do pai.
- Ouvi falar muito em você por causa da empresa. Os negócios vão bem, não é mesmo? Você conseguiu manter a empresa no mesmo nível que sei pai deixou. – O pai de Izayoi iniciou uma conversa aparentemente amistosa e normal entre dois homens de negócios.
- Os negócios vão muito bem sim, na verdade o nível de crescimento da empresa ultrapassou aqueles previstos pelo meu pai.
- Sim, o velho Taisho... – Hasimoto disse pensativo. – Eu o conheci. Era um homem íntegro. Um dos pilares da nossa sociedade. – O tom usado pelo pai de Izayoi era muito significativo.
- Papai. – Izayoi resolveu intervir. – Não acha que devemos retornar à mesa. Não é educado deixar-mos Nado-san sozinho por tanto tempo.
- É verdade querida. Vamos voltar à mesa. – O homem disse. – Com licença Taisho. – Pediu de forma educada.
- Tem toda. – Oyakata respondeu acenando levemente com a cabeça.
Keiko e Izayoi também pediram licença e a mais velha lançou um olhar significativo ao amado.
- Nos falamos depois. – Ela disse logo que o pai começou a se afastar e viu o homem sorrir levemente e concordar com um aceno.
Hasimoto e as duas filhas se afastaram e Oyakata permaneceu ali em companhia de Naomi.
- Não se preocupe com Hasimoto-san ele é apenas um velho com idéias retrogradas. – A mulher vestida em um elegante vestido preto disse.
- Ele não me preocupa. Conheço bem o tipo. Convivi com um por mais de vinte anos. – Oyakata disse de forma tranqüila o que fez Naomi encará-lo curiosa. Ele nada mais disse.
Oyakata se referia ao pai quando disse aquilo. O velho senhor Taisho era, como disse o Hasimoto, um dos pilares da sociedade japonesa. Era um homem corretíssimo, sagaz e absolutamente rígido. Ele assim como o Hasimoto mantinha a família sob rédeas curtas. Sua esposa era uma mulher bela e submissa, a esposa ideal em sua visão tradicionalista. Os filhos tinham que ser obedientes e seguirem seus passos sempre. Eram educados para serem seus sucessores nos negócios e na vida. Ocorre que os dois filhos não compartilhavam os mesmos sonhos e objetivos do pai.
Hakudoushi, desde muito cedo se interessara pela medicina e mesmo contra a vontade do pai entrou para a Universidade e matriculou-se nesse curso causando a ira do patriarca. Muitos foram os desentendimentos na família por conta disso, mas a senhora Taisho acabou por amaciar o coração do marido e convenceu-o de que o filho mais novo tinha um dom e isso não poderia ser modificado. Quanto ao filho mais velho, apesar dos atritos com o pai, Oyakata sempre participara dos negócios e sempre demonstrara interesse pelo assunto, o que agradava ao pai. Os problemas começaram quando o jovem conheceu Karin que viria a ser sua esposa e mãe de seu filho. O senhor Taisho fora terminantemente contra o relacionamento, pois a jovem em questão não era de uma das nobres famílias conhecidas por ele. Oyakata se envolveu com ela assim mesmo e ao decidir se casar teve seu relacionamento com o pai destruído. O senhor Taisho disse que o deserdaria se ele se casasse com aquela mulher e Oyakata não hesitou em abandonar tudo para ter a mulher que amava.
O velho Taisho não chegou a cumprir a promessa de deserdar seu primogênito, mas nunca mais falou com ele. Oyakata perdeu totalmente o contato com o pai, falava apenas com a mãe e com o irmão mais novo que já há algum tempo não vivia na casa da família. Vivera por conta própria nos Estados Unidos, tinha dinheiro o suficiente e se fosse necessário montaria sua própria companhia. Determinação e capacidade para isso não lhe faltavam.
A senhora Taisho falecera cerca de um ano após o filho ter partido e apenas nessa ocasião, Oyakata retornou ao Japão para prestar suas últimas homenagens à mãe que ele amava profundamente. Nesse dia ele encontrara o pai.
Após o funeral o jovem Taisho embarcou de volta aos Estados Unidos e os dois não mais se viram ou se falaram e o velho Taisho faleceu sem que voltasse a por seus olhos sobre o filho.
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Algum tempo depois foi anunciado o início do leilão. Sado, o noivo de Naomi, havia finalmente chegado e juntou-se a Oyakata e à noiva em uma das mesas para participar da ação. Hakudoushi ainda não chegara e o irmão mais velho suspeitava que pelo horário, ele não viria mais.
Do outro lado do salão, Izayoi mantinha-se mais calada do que o habitual enquanto desfrutava de sua taça de champanha. Os olhos dela não desgrudavam do belo homem sentado próximo a sua amiga. Ela tinha vontade de se levantar daquela mesa e ir até ele, ficar ao seu lado, beijá-lo docemente e sentir seu perfume masculino. Não se importaria que todos ali ficassem sabendo que havia algo entre os dois. Porém as conseqüências de uma atitude como essa, poderiam ser desastrosas, então ela optou por controlar-se naquele momento e faria o possível para manter seu pai longe de seu amado.
O leilão ocorreu sem qualquer intercorrência, com peças valiosíssimas e inestimáveis sendo arrematadas pelas centenas de homens e mulheres abastados que havia ali. Hasimoto-san arrematara quadros e outros objetos. Oyakata, pelo que Izayoi pôde observar, arrematara um vaso belíssimo de porcelana da dinastia Ming, provavelmente para substituir o que fora quebrado por Sesshoumaru. Ele também adquiriu algumas obras de arte e um telescópio antigo e raro que mais tarde decoraria a casa, além de um par de belíssimas e antigas espadas que foram forjadas por um conhecido mestre nessa arte e pertenceram a um importante senhor na Era Feudal.
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Após o leilão o jantar foi servido e enquanto fazia sua refeição Izayoi viu uma jovem ser conduzida à mesa onde estavam Oyakata e seu casal de amigos. Ela viu a amiga cumprimentar a mulher que ela desconhecia e depois esta foi apresentada a Oyakata que a cumprimentou como um cavalheiro que era.
Izayoi sentiu-se estranha diante daquilo e ainda mais depois que viu a jovem se sentar à mesa para acompanhá-los. A cena era incômoda. Ali estava um casal de noivos e agora uma mulher se sentava ao lado de Oyakata que todos supunham não ser comprometido solteiro, mas que na verdade era.
A jovem Hasimoto sacudiu a cabeça levemente tentando afastar tais pensamentos. Era absurdo sentir ciúmes apenas por que uma mulher que não fazia idéia de que Oyakata era seu, estava sentada ao lado dele sorrindo demasiadamente em sua opinião. A verdade era que Izayoi ansiava poder estar ao lado dele, apresentar-se com ele nos lugares, desfrutar daquela noite com ele sem medo do que o pai que a observava atentamente poderia fazer.
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Cerca de duas horas mais tarde teve início o baile que fazia parte da programação do evento. Hasimoto-san permanecia em sua mesa conversando com o sócio enquanto as filhas pareciam distraídas também conversando.
- Keiko você sabe quem é aquela mulher que está na mesa com Naomi? – Izayoi perguntou à irmã.
- Não. Eu nunca a vi antes. – A mais nova respondeu e Izayoi permaneceu intrigada.
Quando Naomi finalmente se levantou da mesa para falar com uma pessoa e voltou seus olhos por alguns instantes para a direção onde a amiga estava sentada. Izayoi fez um sinal discreto para que ela fosse até lá.
Minutos depois Naomi caminhou graciosamente até Izayoi deixando para trás o noivo, a misteriosa mulher e Oyakata que neste momento conversava com outro homem que Izayoi reconheceu como sendo o prefeito da cidade.
- Com licença. – A mulher pediu assim que alcançou a mesa. – Meninas podem me ajudar em uma coisa? – Falou fitando as irmãs ali. – Pode me emprestá-las Hasimoto-san?
- Claro. – O homem respondeu sorrindo. – Ele conhecia Naomi desde a infância e gostava muito dela.
Izayoi e Keiko se levantaram e seguiram a organizadora do evento até o banheiro feminino. A ajuda nada mais era do que uma desculpa para tirá-las dali.
- Amiga, você está preza com o seu pai aqui não é? Nem está se divertindo.
- É. Pelo menos até quando durar minha paciência. – Izayoi disse séria enquanto fitava seu reflexo no grande espelho. Ela retirou um batom de dentro da bolsa e um pequeno estojo com a intenção de retocar a maquiagem. Keiko e Naomi fizeram o mesmo.
As mulheres se mantiveram em silêncio enquanto se miravam através do espelho. Assim que terminou de aplicar o batom nos lábios pequenos e bem desenhados Izayoi o guardou na bolsa e se voltou para a amiga.
- Naomi, quem é aquela mulher que está com vocês na mesa?
- Ah, é a filha de um cliente meu. – Respondeu enquanto ainda terminava seus retoques. – Ela veio com os pais, mas como a mãe estava com dor de cabeça, eles resolveram ir embora, mas ela quis ficar, então veio para a nossa mesa. Por quê?
- Por nada. – Izayoi disse simplesmente. - Como eu nunca a havia visto achei estranho ela se sentar com vocês.
- Humm... – Naomi sorriu fitando a amiga. – Iza não me diga que você está com ciúmes por causa do Oyakata?
- Ela está com ciúmes sim. – Disse Keiko também sorrindo. – Não tirou os olhos de lá desde que aquela moça apareceu.
Izayoi se manteve calada por algum tempo fitando a irmã e a amiga e pensando no que realmente estava sentindo.
- E se eu estiver com ciúmes? – Indagou fazendo birra. – Sou eu quem deveria estar ao lado dele não ela. – Voltou a falar dessa vez utilizando um tom triste.
- E por que você não vai se sentar conosco?
- O meu pai teria um ataque se eu fizesse isso... – Disse desanimada.
- Hei, cadê a minha irmã forte e determinada? – Keiko perguntou olhando nos olhos da irmã.
- Eu também estou estranhando Izayoi. Você disse que não deixaria nada afastá-la do Oyakata. – Naomi recordou. – Minha amiga é uma mulher adulta, responsável, comanda uma empresa milionária e absolutamente não tem medo do papai.
- Vocês têm razão. Isso é ridículo. Estou parecendo uma adolescente preocupada em desapontar o pai...
- Bom, se quer evitar atritos eu entendo perfeitamente, mas Keiko pode ir também. Assim ela faz companhia à filha do meu cliente. Acho que vocês são da mesma idade. Nenhuma chance de Oyakata se interessar por ela amiga. Não se preocupe. Sem ofensa Keiko, mas vocês são jovens demais pra ele.
Keiko fez uma careta em resposta e voltou a se olhar no espelho.
As palavras de Naomi arrancaram um sorriso dos lábios de Izayoi. Um sorriso genuíno que ainda não havia surgido naquela noite.
As três mulheres deixaram o banheiro e caminharam de volta ao salão principal sorrindo. Ao alcançarem o local e seguirem para a mesa, Izayoi deparou-se com uma cena que fez sangue gelar. Ela olhou para o canto esquerdo do salão onde havia um bar e viu Oyakata sozinho com seu pai.
Naomi percebeu a hesitação da amiga quando a viu parar subitamente. Ela olhou para a face rígida de Izayoi e depois para onde ela estava olhando logo entendendo.
- Izayoi vem comigo. – Ela pediu segurando o braço da amiga.
- Não Naomi, eu preciso ir até lá.
- De jeito nenhum! – A outra disse séria. – Vem comigo agora. – Disse quase como uma ordem.
Izayoi a acompanhou e à irmã até a mesa onde estava o noivo de Naomi e a jovem filha de seu cliente. Elas se sentaram e ficaram observando os dois homens que conversavam a vários metros de distância dali.
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O velho Hasimoto vira Oyakata conversando com o prefeito e sua esposa num local mais afastado da mesa onde antes ele estava sentado. Terminada a conversa o homem de cabelos prateados seguiu até o bar e aparentemente pedia uma bebida ao barman. Nesse momento o pai de Izayoi viu a oportunidade que queria.
O velho se aproximou a passos decididos de onde Oyakata estava e o abordou de forma educado se colocando ao lado dele que tinhas os braços apoiados no balcão.
- Taisho? – A voz grave do velho foi logo reconhecida por Oyakata que se voltou para ele com sua face serena e um leve sorriso no rosto.
- Hasimoto-san! – Disse fazendo um leve sinal com a cabeça. – Em que posso ajudá-lo?
- Pode me dizer o que exatamente está havendo entre você e minha filha? – O velho perguntou sem rodeios, o que já era esperado por Oyakata.
- Sua filha e eu estamos envolvidos. – Respondeu tentando ao máximo escolher bem as palavras e não atiçar a ira do pai ciumento. – Izayoi é uma pessoa muito especial para mim.
- Especial? – O velho indagou cético. – Vocês se conhecem há quanto tempo? Alguns meses?
- Pouco mais de um ano na verdade. Nos conhecemos em um evento como esse e nos tornamos amigos...
- Está me dizendo que é isso o que vocês são... amigos? – Hasimoto tinha a feição muito séria enquanto encarava o homem a sua frente que se mantinha tranqüilo e vez ou outra levava o drinque que fora servido a ele à boca.
- O senhor sabe que não. – Oyakata respondeu sem deixar de fitá-lo. – No início éramos apenas amigos, mas essa afeição evoluiu para algo mais. Eu gosto muito dela. Izayoi é uma mulher maravilhosa. – Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele ao se referir à mulher.
- Sim, minha filha é maravilhosa. Inteligente, linda e sensível. Ela merece o melhor que a vida pode lhe oferecer.
- Eu concordo. – Oyakata disse simplesmente.
Um momento de silêncio se fez entre os dois e eles se encaravam sem trégua como se estudassem um ao outro. Hasimoto considerava aquele homem que conquistara sua filha suspeito. Oyakata encarava aquilo tudo com tranqüilidade procurando entender o instinto de proteção do velho em relação a sua preciosa filha.
Do outro lado do salão Izayoi estava extremamente apreensiva. Os belos olhos castanhos não desgrudavam dos dois e ela já teria ido até lá se não tivesse sido impedida por Naomi e por sua irmã.
Voltando aos dois homens, após um momento de silêncio. Hasimoto-san também foi servido de uma bebida e após tomar um gole desta se voltou para Oyakata.
- Você tem um filho não é? Foi o que eu ouvi dizer. – Homem disse com um ar cínico na voz.
- Sim eu tenho.
- E ele não tem mãe? – Oyakata recebeu com suspeitas a pergunta do velho, mas não deixou de sorrir ao responder.
- É claro que ele tem mãe. Mas nós somos divorciados e ele mora comigo.
- Hummm... É difícil criar uma criança sozinho...
- O senhor deve saber bem não é, afinal criou suas duas filhas sozinho. – O olhar de Oyakata não deixava de fitar os orbes castanhos do outro como se tentasse detectar suas intenções.
- É verdade. Eu fui forçado a isso após a perda de minha esposa. Criei minhas filhas, as eduquei para se tornarem as mulheres que são hoje. Eu as amo.
- Tenho certeza que sim.
- Você também ama seu filho não é, seria capaz de qualquer coisa por ele? – A pergunta soou como um teste e Oyakata não se negou a participar dele.
- Certamente. Eu sou capaz de qualquer coisa para ver meu filho feliz.
- Acha que Izayoi seria uma boa mãe para o seu filho? A mãe ideal, já que a dele não está presente. – Antes que Oyakata pudesse dizer qualquer coisa o velho Hasimoto voltou a falar. – É claro que ela seria a mãe ideal. Ela é bonita e inteligente como eu já disse, jovem e amorosa. Que homem não a quereria como esposa e mãe de seus filhos...
- Qualquer homem sensato quereria. – Oyakata respondeu.
- Então é isso o que quer Taisho, alguém para cuidar do seu filho, para fazer o que a mãe dele se nega a fazer?
A pergunta e a insinuação feita pelo pai de Izayoi fizeram o estado de espírito de Oyakata mudar subitamente. Ele não poderia se importar menos com o que o velho Hasimoto pensava ou dizia a respeito dele, mas o homem estava tocando em um ponto absolutamente sensível da vida de Oyakata. Seu filho.
- Hasimoto-san... – Ele iniciou fitando o homem a sua frente com extrema seriedade agora e seu tom de voz deixava claro seu descontentamento. – Meu filho é uma criança, uma criança inocente. Eu apreciaria se o deixasse de fora dessa discussão. Estamos aqui falando sobre o meu relacionamento com sua filha que é uma mulher adulta e responsável por seus atos e suas escolhas. Meu filho nada tem a ver com isso.
- Não mesmo? – Hasimoto indagou.
- O senhor pode ter todos os argumentos contra mim. Pode dizer e pensar o que quiser a meu respeito, mas jamais mencione com o meu filho. – O tom sombrio e ameaçador utilizado por Oyakata poderia fazer tremer qualquer um e surpreendeu o velho Hasimoto, mas este não se intimidou.
- Você disse que é capaz de tudo por seu filho Oyakata, pois saiba que eu também sou capaz de qualquer coisa para preservar minhas filhas e para vê-las felizes. Nesse caso acredito que temos algo em comum. Somos dois pais zelosos preocupados com seus filhos.
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A mudança na expressão de Oyakata mesmo à distância não passou despercebida por Izayoi e o desespero dela cresceu ao ver isso.
- Naomi, pelo amor de Deus, eu preciso tirar o meu pai de perto do Oyakata. – Ela disse nervosa, mas buscando se conter.
- Calma Iza. – Keiko disse.
- Tem alguma coisa errada nessa conversa, eu sei. – A jovem voltou a afirmar. – Eu preciso ir até lá. – Disse decidida já se levantando.
- Não! – Naomi disse segurando-a discretamente pelo braço. – Deixe que eu vou. Eu arrumo uma desculpa qualquer para retirar o seu pai dali.
- Você pode dizer que eu estou me sentindo mal Naomi. – Keiko sugeriu.
- Não. Eu tenho uma idéia melhor. – Ela disse sorrindo. – Fique calma. – Pediu à amiga antes de se retirar dali.
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De volta ao bar, a tensão entre os dois homens era agora evidente e nenhum dos dois dava trégua. Naomi os alcançou rapidamente e sorrindo chamou a atenção dos dois ao chamar pelo nome do dono da Editora Hasimoto.
- Hasimoto-san! – O chamou. – Oh, espero não estar atrapalhando. – Ela disse ao fitar Oyakata que ao vê-la pareceu relaxar um pouco e suavizou a expressão.
- Não está atrapalhando Naomi. O que houve? – O pai de Izayoi indagou.
- O Secretário das Comunicações deseja muito conversar por alguns instantes com o senhor antes de ir. O senhor pode me acompanhar? Eu o levarei até ele.
- Claro. – O homem disse sorrindo dessa vez. – Com licença Taisho. – Pediu antes de deixar o local sendo conduzido por Naomi que conversava entusiasticamente com ele.
Oyakata permaneceu por apenas alguns segundos sozinho. Logo que viu o pai se afastar Izayoi caminhou até ele parando ao seu lado no bar.
- Oyakata? – Ela o chamou vendo-o de costas para o salão e virado para o bar.
- Olá! – Ele disse ao se virar logo reconhecendo a voz doce dela.
Izayoi ficou calada por alguns instantes analisando a expressão dele tentando saber como ele estava naquele momento.
- O que aconteceu? O que meu pai disse a você? – Ela perguntou finalmente visivelmente apreensiva.
- Nós estávamos conversando. – O homem a sua frente respondeu calmamente.
- Conversando.. – Izayoi repetiu incerta. – Conversando sobre o que? – A ansiedade dela era absurda naquele momento.
- Foi uma conversa entre homens Izayoi. Não seria correto da minha parte discutir o assunto com você.
- Oyakata, por favor. – A mulher pediu. – O que o meu pai disse a você?
Sentindo o quanto ela estava tensa Oyakata tocou a mão dela com delicadeza e a apertou como para transmitir conforto.
- Está tudo bem querida. Acalma-se. – Ele falou com a voz suave e Izayoi ainda o encarava incerta. – Uma música suave e agradável soava no local naquele momento e Oyakata a fitava. – Não vamos desperdiçar essa noite agradável e essa música falando sobre o seu pai. Venha dançar comigo.
O homem a guiou até o local no centro do salão onde vários casais dançavam. Izayoi ainda estava tensa quando o sentiu envolvê-la pela cintura aproximando os corpos ainda que de forma discreta. Ela colocou a mão sobre o ombro dele e deixou-se ser conduzida através daquela melodia.
Ficaram em silêncio por um tempo e ele não deixava de fitar o belo rosto de Izayoi que estava sério demais naquele momento. Sério como ele não gostava de ver.
- Iza? – Ele chamou a atenção dela e viu os expressivos olhos castanhos o fitarem.
- Você não vai mesmo me contar? – Ela finalmente falou.
- Não. – Ele respondeu sorrindo e a acariciou nas costas.
Izayoi pareceu conformar-se. Ela deveria saber que Oyakata jamais revelaria o que seu pai tinha dito por pior que fosse. E por alguma razão ela sentia que o pai havia dito algo no mínimo desagradável. A expressão de Oyakata naquele momento mudara completamente. Tornara-se séria e sombria. Tinha que haver um motivo para aquilo.
Os dois dançaram por um bom tempo e Oyakata procurou distrair Izayoi de suas preocupações. Ele conseguiu fazê-la sorrir em alguns momentos e toda a movimentação deles foi vista pelo pai dela que ainda conversava com o Secretário das Comunicações do país.
Momentos mais tarde, já tendo voltado à companhia dos demais na mesa, Oyakata anunciava que iria embora. Ele despediu-se dos amigos e se voltou para Izayoi com um olhar terno.
- Eu queria muito ir com você. – Ela falou baixo apenas para ele ouvir.
- Talvez essa não seja uma boa idéia no momento. É melhor você evitar atritos com o seu pai. – Ele ponderou e Izayoi sentiu uma raiva intensa queimar em seu interior juntamente com a vergonha que estava sentindo. – Não fique assim Iza. Vá para casa com seu pai. Amanhã nos vemos.
- Está bem. – Ela concordou ainda que contrariada.
Oyakata beijou delicadamente e de forma respeitosa a mão direita dela e depois se levantou caminhando para a saída e indo embora dali.
Izayoi dera aquela noite por encerrada. Manteve-se sentada naquela mesa extremamente séria e irritada. Quando o pai retornou a companhia dela e também o seu sócio Izayoi anunciou que gostaria de ir embora, no que todos concordaram inclusive Keiko que em um pequeno teatro disse estar morrendo de dor de cabeça.
A pequena família deixou o museu e seguiu em seu carro para casa. Izayoi permaneceu calada durante todo o trajeto e se recusava a sequer olhar para o pai com medo do que poderia fazer, tão irritada estava. Logo que chegaram à casa, a jovem foi para o quarto e se trancou nele desejando apenas dormir e esquecer que aquele dia ocorrera.
O que dizer do velho Hasimoto? Pirado!!!
Eu entendo perfeitamente os sentimentos da Izayoi. O que ela sentiu ao ver o pai conversando sozinho com Oyakata conhecendo a peça como ela conhece. Houve uma certa tensão no ar sobre como seria o comportamento dele depois da conversa e das provocações do pai de Izayoi.
Vcs sentiram a tensão, não? Espero que sim.
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Beijos!
