Capítulo 3 – A cruel realidade

O mês de setembro se passou rapidamente para Harry, que está realmente gostando de lecionar DCAT e em especial, por estar de volta a Hogwarts. Para Hermione, por outro lado, os dias não podiam estar passando mais devagar; seus sentimentos por Harry, que ela agora descreve para si mesma como uma "atração física pelo proibido", se tornam mais fortes a cada momento que passa com ele e em sua ausência, ele não sai de seu pensamento. Felizmente, Harry não parece ter percebido nada, assim ambos continuam sendo os amigos de sempre. Ela finalmente conseguiu escrever uma carta para Rony, ainda que não tal qual uma namorada deveria... na verdade, mais como uma amiga escreveria. Coisas melosas do tipo "estou com tanta saudade" e "penso em você o tempo todo" foram deixadas de lado e substituídas por "espero que esteja tudo bem com você" e "é muito bom estar aqui"...

Em meados de outubro, enquanto se dirige á sua primeira aula depois do almoço, Hermione vê uma cena que a deixa no mínimo surpresa, de um jeito muito bom: Harry ajudando um aluno do 1º ano a se livrar de Pirraça, que estava impedindo sua passagem por um dos corredores do 1º andar. Mas o que Hermione acha mais curioso é o fato do garoto ser um aluno da Sonserina.

- Obrigado, prof. Potter.

- Não foi nada.

- O senhor é o meu professor favorito... – Ryan se volta para Harry e acrescenta antes de ir embora correndo.

- Ah... obrigado, Ryan – Harry agradece, parecendo ligeiramente sem jeito.

- Bom trabalho, prof. Potter – Hermione aproxima-se dele no corredor, logo que o garoto se afasta – Você realmente leva jeito pra lidar com os alunos.

- Será mesmo?

- Você parece surpreso...

- Eu estou; nunca imaginei que ouviria de um aluno da Sonserina que sou seu professor preferido...

- Bom, você é o meu professor favorito também... – ela diz em tom de brincadeira enquanto caminham lado a lado pelo corredor – Isso te deixa surpreso?

- Nem um pouco – Harry responde com um largo sorriso – Eu sei que sempre fui seu grande preferido, Herms...

- Aí está: mais uma vez, um dos comentários de Harry me fazem ficar imaginando coisas... Você deve ser o preferido de muitos alunos...

- Você acha?

- Claro, você é educado, atencioso, trata com gentileza todos os alunos, até mesmo os pestinhas da Sonserina... além disso, é muito amável e... – Hermione interrompe bruscamente sua "enumeração das qualidades de Harry" ao dar-se conta de que na verdade está confessando o que ela mesma acha, tudo o que vê nele.

- Obrigado, Hermione. É bom saber que você pensa tudo isso de mim... – Harry diz não dando importância ao fato de ela estar agora vermelha como um tomate.

- De nada. Eu... tenho que ir agora... 3º ano da Corvinal... acho. Nos vemos depois, então – ela se despede confusa.

- Claro, nos vemos depois.


Nesta noite, Hermione demora a conciliar o sono; seus pensamentos são tomados pela sensação de que está metida em um grande problema. Por que isso tinha que acontecer? Depois de tanto tempo de convivência estritamente platônica, por que agora os meus sentimentos por ele tinham quem mudar? E ainda mais assim, da água para o vinho! No começo eu não estava tão preocupada porque parecia ser só uma atração física, nada de mais, achei que passaria logo, mas agora... eu percebi que é muito mais que isso. Não é só desejo que estou sentindo pelo Harry; a verdade é que eu me apaixonei mesmo por ele... Tenho total consciência do quanto isso é irracional, errado, chega até a ser ridículo! Pelo amor de Deus, é o Harry! Melhor amigo de Rony e namorado de Gina! Ele está proibido pra mim em todos os sentidos, ainda mais porque, acima de tudo, é o meu melhor amigo. Ele nunca me perdoaria se soubesse como estou pensando nele agora... nem Rony e nem Gina também. Nem sequer eu mesma me perdoaria se acabasse estragando a nossa amizade. Felizmente ninguém desconfia de nada, muito menos Harry. E haja o que houver, eu preciso garantir que continue assim...

No final de outubro, todos em Hogwarts estão animados com a festa de Halloween, que este ano será no sábado. Na quinta-feira antes da festa, Harry leva Hermione até seu quarto depois das aulas, antes do jantar.

- Quero te mostrar uma coisa... – ele diz parecendo ansioso.

- Está bem. O que é? – Hermione espera com curiosidade enquanto ele abre uma das gavetas da cômoda. Ela tinha decidido continuar a ocultar seus sentimentos, mas não consegue evitar sentir-se feliz só por estar perto dele, só de poder olhar pra ele...

- Aqui – Harry responde entregando a ela uma caixinha escura – Dê uma olhada... – ele a incentiva ao ver sua expressão confusa.

Hermione abre a caixinha e encontra um belo anel de brilhantes.

- Nossa, é... lindo... muito lindo! – ela exclama em resposta ao olhar indagador dele e, nesse momento, sua mente a leva em uma fantasia na qual um apaixonado Harry a está pedindo em casamento com aquele anel e ela, igualmente apaixonada e encantada, responde "sim"...

- Ela vai gostar, não vai?

Hermione é arrancada de seu devaneio pela pergunta de Harry.

- Perdão... ela? – ela pisca algumas vezes, para ter certeza de que ouviu direito.

- Gina! Ela vai gostar do anel, não vai?

O entendimento finalmente a atinge.

- Ah, claro! Claro que sim, tenho certeza de que ela vai adorar... – ela responde fechando a caixinha e devolvendo-a a Harry – Você vai... pedi-la em casamento? – ela pergunta com a voz embargada.

- Vou. Acho que quando nos encontrarmos nas férias de Natal – Harry informa animado.

- Que bom, eu fico muito feliz por vocês... – Hermione diz tentando forçar um sorriso.

- Obrigado, Herms – ele torna a guardar a caixinha e em seguida abraça Hermione ternamente. Ela permanece em silêncio, enquanto luta com todas as forças para não chorar.

Durante o jantar, Hermione não consegue se concentrar em sua comida; a lembrança de Harry lhe dizendo que vai pedir Gina em casamento continua indo e vindo em seu pensamento. Ela sente-se ao mesmo tempo estúpida e culpada porque mesmo em seu subconsciente, ainda tinha esperanças de que seus sentimentos poderiam ser correspondidos e que sua relação com Harry poderia se tornar diferente...


No dia seguinte, os alunos do 4º ano de Grifinória e do 5º ano de Lufa-Lufa têm suas aulas de Transfiguração coma profª McGonagall, já que Hermione avisou, logo de manhã cedo, que não estava em condições de dar aulas porque não tinha amanhecido bem, o que era absolutamente verdade, já que tinha passado grande parte da noite anterior chorando e dando socos no travesseiro, sentindo raiva de tudo, inclusive de Harry por ter tido a audácia de mostrar-lhe o anel que daria a Gina; mas na mesma hora se arrependia e começava a sentir raiva de si mesma por pensar isso. Era lógico que ele tivesse feito isso, afinal de contas, eram grandes amigos e isso era natural.

- Hermione... você está acordada? – Harry bate à porta do quarto dela durante o intervalo para o almoço.

- Estou – ela responde co ma voz um tanto rouca.

- Eu posso entrar?

- Não, não entre!

- Herms, eu estou preocupado... você está bem?

- Estou bem, só não quero ver ninguém agora...

- Mas...

- Por favor, vá embora... eu só preciso... ficar um pouco sozinha...

Harry não fala nada por alguns instantes, apenas permanece parado do lado de fora do quarto de Hermione.

- Tem certeza de que está bem?

- Tenho. Nos vemos depois – ela responde chegando até a porta, pelo lado de dentro.

- Certo. Até depois, então...

Ela escuta os passos dele se afastando e se recosta na porta, dando um longo suspiro.

- Não posso continuar assim... desse jeito não vamos mais poder nem nos ver sem que eu me sinta mal; isso vai fazer com que ele se sinta mal também... Preciso acabar com isso. Tenho que fazer até o impossível pra esquecer, pra deixar de sentir qualquer coisa a mais pelo Harry; não importa o quanto isso possa ser difícil, a amizade dele é mais importante do que tudo pra mim...


No sábado, Hermione está cumprindo à risca sua determinação de manter-se apenas amiga de Harry; finalmente saiu do quarto e quando ele insistiu em saber o que tinha acontecido, ela lhe disse apenas que tinha tido alguns "problemas femininos", mas que já estava bem; diante dessa explicação, ele não toca mais no assunto.

- Está ansioso pra festa desta noite? – ela pergunta a ele durante o almoço.

- Acho que sim; não exatamente ansioso, mas o Halloween é sempre legal, ou pelo menos, quase sempre...

- Eu estou bastante animada!

- Tem certeza de que está bem pra ir à festa? Ontem você mal saiu do quarto... não é melhor descansar?

- Não, eu estou bem. Não se preocupe, estou ótima!

- Nunca pensei que você fosse assim tão fã de festas...

- Normalmente não sou, mas é uma boa oportunidade pra... seguir em frente.

- O que você quer dizer com isso?

- Ah, nada... nada não, deixa pra lá.

- Você tem estado um tanto misteriosa ultimamente... – Harry comenta observando-a fixamente.

- É impressão sua, Harry – ela responde desviando o olhar dele.

Continua...


N/A: Oi gente! Coitada da Hermione, deu mesmo pena dela nesse capítulo, né? Obrigada a nanybell, mel potter granger e Iza (ainda bem que existem as fanfics pra o nosso deleite!!) pelas reviews! Muitos beijos e até o próximo capítulo!