Capítulo 4 – Um desastroso Halloween
Durante a noite da festa de Halloween, o castelo está amplamente adornado com sua decoração habitual e o teto encantado no grande Salão reflete a bela noite estrelada lá fora. Este ano, além do jantar tradicional com todos os alunos, os professores têm uma atração a mais: o prof. Slughorn está dando uma festa em sua sala.
- Obrigada por me esperar pra irmos juntos, Harry – Hermione agradece ao encontrá-lo ao pé da escadaria.
- Tudo bem, você só demorou um século pra se arrumar... – Harry responde em tom brincalhão, mas pára de falar no momento em que a vê diante dele – ... mas valeu a pena esperar – ele acrescenta sem poder se conter, olhando-a por vários segundos.
- Harry? O que foi? – Hermione pergunta ao ver que ele continua imóvel e em silêncio.
- Nada, nada – ele responde dando uma tossidinha – Você está linda! – ele confessa fixando o olhar no corpo dela, bem modelado pelo vestido azul longo e justo, com um decote "comportado" no busto.
- Obrigada – ela diz animada – Vamos indo então?
- Claro.
- As festas de Slughorn são sempre bem animadas, não é? – Hermione comenta quando chegam à sala do professor de Poções.
- Ele adora isso! Acho até que prefere dar festas a aulas... – Harry opina enquanto responde ao acendo de Slughorn do outro lado da sala.
- Harry! É sempre um prazer vê-lo, meu caro! – ele vem ao encontro deles, passando com certa dificuldade por entre os demais convidados para apertar a mão de Harry – E que bom que veio também, profª Granger! – ele acrescenta para Hermione, cumprimentando-a elegantemente – A senhorita está realmente bela... Como sempre, não é mesmo, Harry?
- É verdade, senhor – Harry concorda animado, deixando escapar um sorriso.
- Eu agradeço os elogios – Hermione responde sentindo mais uma vez seu rosto aquecer, fato que costuma acontecer bastante na presença de Harry...
Mais tarde, quando as músicas deixam de ser agitadas e dançantes e passam para um ritmo mais lento e suave, Harry convida Hermione para dançar e ela aceita imediatamente, embora no momento, comece a achar que não foi uma boa idéia ter dito sim.
- Ah, minha nossa... estar tão perto dele faz o meu coração acelerar! – ela pensa quando se sente envolver nos braços dele, uma mão em sua cintura, a outra em suas costas – O que ele está fazendo? Me deixando maluca, é isso! Posso sentir a respiração dele, o peito aconchegante, o cheiro dele... Isso tudo é tão... tentador! Não posso evitar querer... mas tenho que resistir!
Hermione desfruta da proximidade com Harry durante quase toda a música, sempre tomando o cuidado de parecer controlada, até que a lembrança dele confirmando que irá pedir Gina em casamento repentinamente invade sua mente.
- Não, não, isso não está funcionando! Eu prometi a mim mesma que tiraria da cabeça esses pensamentos deliciosos, porém insanos com o Harry e vou conseguir, custe o que custar! Graças aos céus a música acabou! – Obrigada pela dança, Harry – ela diz determinada – Agora eu tenho que... nos vemos depois...
Quando Hermione se afasta rapidamente de Harry, ele acha o comportamento dela um tanto estranho, mas não tem como segui-la e averiguar, porque a profª Trelawney o intercepta justo nesse momento.
Enquanto isso, Hermione chega ao balcão de bebidas pensando em tomar algo para relaxar; antes havia bebido somente um cálice de hidromel, por isso resolve tomar algo mais forte dessa vez. Uísque de fogo lhe parece ótimo...
Depois de uma conversa interminável com Trelawney sobre "as bênçãos e as maldições de sua visão interior", durante a qual Harry quase perdeu as esperanças de que um dia fosse acabar e que recuperaria sua liberdade, ele finalmente consegue se livrar e sai ansioso em busca de Hermione.
Ela continua no balcão de bebidas, e quando ele se aproxima, pode perceber claramente que o copo na mão dela certamente não é o primeiro nem o segundo...
- Hermione?
- Harry! Ela exclama com excessiva animação, focalizando-o com certa dificuldade – Você demorou muito! – ela se atira nele e o abraça, sussurrando em seu ouvido, com a voz um tanto pastosa – Eu fiquei com muita saudade...
- Herms, você está...
- Você – ela começa a dizer com o dedo indicador no peito dele – Está realmente... uma delícia!
- Quanto foi que você bebeu? – Harry questiona diante da exclamação dela.
- Por quê? Eu tenho que estar bêbada pra te achar gostoso? – Hermione pergunta em um tom desafiador – Eu quero beijar você agora... – ela acrescenta inclinando-se mais sobre ele.
- Já chega! Você já bebeu demais! – Harry afirma com energia e tira o copo da mão de Hermione – Pelo ano inteiro, eu diria... venha, está na hora de ir – ele a segura pela mão e começa a conduzi-la para a porta e depois para fora da sala.
- Pra onde você está me levando?
- Pra o seu quarto.
- Ah... certo! – Hermione dá uma risadinha travessa, mas Harry a encara sério – Me solte! Eu posso ir sozinha! – ela parece se irritar com a expressão dele, e tenta se desvencilhar.
- Eu não acho que possa – ele responde segurando-a firme – Quanto você acha que bebeu? – Harry pergunta com ironia, mas Hermione reflete por um momento antes de responder; lembrava de ter bebido um copo a cada vez que olhava para Harry ao longe, imaginando como gostaria de estar com ele, pensando em tudo que não poderia ter; tinham sido muitos pensamentos... e também muitos copos...
- Só... muito – ela responde agora séria – Mas o que você tem com isso? Vai cuidar da sua vida e me deixa! Me deixa! – ela grita com ele enquanto passam por um corredor vazio.
- Quer fazer o favor de se acalmar? – ele pede soltando-a por um instante.
- Eu estou calma, muito calma! Sabe por quê?
- Por quê?
- Porque você já era!
- Como é que é?
- Eu não estou mais nem aí pra você! Antes eu ficava toda... tremendo por dentro quando estava com você... ficava me derretendo por você, mas agora acabou!
Harry a observa completamente confuso.
- Eu não quero mais nada com você! Nada, nada... nada...
É uma sorte Harry aproximar-se a tempo para segurá-la, pois nesse instante, Hermione encerra seu desabafo com um desmaio.
Horas mais tarde, quando o dia está amanhecendo, Hermione desperta sentindo-se cansada, como se não tivesse dormido nada esta noite.
- Bom dia.
Ela escuta uma voz próxima e quando se vira para a direita, vê Harry sentado em uma cadeira perto da janela, ainda vestindo seu traje de festa; é então que ela percebe que ainda está usando seu vestido.
- Bom dia – ela responde sonolenta.
- Com está se sentindo?
- Como se tivesse batido com a cabeça na parede uma dezena de vezes...
- Eu posso imaginar... – Harry diz disfarçando um sorriso – Tome, eu tinha pego um chá pra você na enfermaria – ele se levanta e apanha uma xícara sobre a mesinha.
- Obrigada. O que aconteceu? – Hermione pergunta depois de beber um gole do chá que Harry lhe ofereceu.
- Muita coisa. Você não se lembra de nada? – ele senta-se agora aos pés da cama dela.
- Lembro de estar na festa de Halloween... de dançar com você... de ter visto você conversando com a Trelawney... e acho que só isso.
- Então não lembra de todo o uísque de fogo que bebeu?
Ela bebe mais um gole de chá, parecendo surpresa.
- Bem, isso explica a dor de cabeça...
- É, e talvez explique outras coisas também, embora eu não tenha certeza...
- Do que você está falando?
- Está bem, vou lhe contar exatamente o que aconteceu: Depois que acabamos de dançar, você saiu praticamente correndo como se estivesse fugindo de mim; tudo bem que eu não danço tão bem assim, mas não era pra tanto! Eu tentei ir atrás de você, mas Trelawney me interceptou no meio do caminho e eu fiquei preso lá, tentando parecer interessado em Adivinhação. Então, não sei quanto tempo depois, eu finalmente consegui te encontrar no balcão de bebidas. Não faço idéia do quanto você já tinha bebido, mas deve ter sido muito porque assim que me viu, você se jogou em cima de mim e disse que eu estava uma delícia...
- Eu fiz isso? Ah, meu Deus! Harry, me desculpe...
- Não, espere, ainda tem mais! Depois você disse que me achava gostoso e que queria me beijar...
- Oh, não! – Hermione começa a ficar realmente preocupada com o relato de Harry sobre a noite anterior.
- Quando eu tentei te trazer pra o seu quarto você ficou brava e disse que eu já era, que antes você se derretia por mim, mas agora não queria mais nada comigo.
Hermione fica em choque, sem saber o que dizer; agora que Harry mencionou, a lembrança do que aconteceu parece voltar à sua mente.
- Então você desmaiou e eu te trouxe pra cá; quando voltou a si você me olhou séria por alguns instantes, sem dizer nada e aí, caiu no sono. Eu fiquei acordado o resto da noite, estava agitado demais pra conseguir dormir. Fiquei pensando no que você disse... é claro que estava bêbada, mas ainda assim... eu não sei, ficou uma pergunta... – Harry faz uma pausa e encara Hermione com firmeza – Quando foi que você quis alguma coisa comigo, Hermione?
Por seu tom de voz, Hermione percebe que ele está realmente intrigado e nesse momento, ela compreende que é hora de dizer a verdade...
- Ah, minha nossa... – ela põe a xícara de chá de um lado e esconde o rosto nas mãos – Harry, a verdade é que... desde que você voltou, eu comecei a sentir... umas coisas pro você... – ela descobre o rosto, mas evita olhar para Harry, parecendo interessadíssima nas paredes e no teto do quarto.
- Que tipo de coisas?
- Coisas. Harry, eu não planejei nada disso, mas quando menos esperei, aconteceu.
- Aconteceu?
- Eu meio que... de alguma forma... me apaixonei por você.
Ela gora o encara, ansiosa por sua reação.
- Você... está brincando, certo?
- Não, não estou brincando. Eu sei que sou uma pessoa horrível, que isso é totalmente errado por... um milhão de razões, mas... eu decidi que vou esquecer, isso vai passar e tudo vai ficar bem, ok? Não se preocupe, eu só preciso que você tente esquecer também. Por favor, podemos fingir que nada disso aconteceu? Continuar amigos como sempre?
Como Harry não diz nada, Hermione insiste, quase implorando.
- Por favor, não me odeie...
Harry observa sua expressão de pânico e ansiedade durante alguns instantes e então fala gentilmente, com um sorriso.
- Eu não odeio você, Hermione. E você não é uma pessoa horrível. Às vezes as coisas acontecem, mesmo sem a gente querer, mas se você diz que vai ficar tudo bem, então eu acredito em você.
- É mesmo?
- Claro que sim. Nós somos amigos e vamos superar isso, certo?
- Certo. Obrigada, Harry – responde aliviada – Por tudo. Por estar sendo tão... maduro, por cuidar de mim...
- Você sempre foi assim e também cuidou de mim, só estou retribuindo! – Harry dá um beijo na testa de Hermione e fica de pé – Está tudo bem com a gente, não é?
- Sim, está tudo bem – ela responde esboçando um sorriso.
- Vou pra o meu quarto agora, tomar um banho, trocar de roupa... nos vemos depois?
- Nos vemos depois.
- Ah... Herms? – Harry começa a dizer quando já está abrindo a porta.
- Sim?
- Independe de qualquer coisa, eu só quero dizer que... fico lisonjeado com o fato de você... gostar assim de mim... e também os elogios... bom, mesmo que isso seja muito impróprio, ainda assim... obrigado – ele confessa um tanto sem jeito.
- De nada – Hermione responde sorrindo agora da situação – Encerramos esse assunto aqui então?
- Isso mesmo.
- Eu continuo namorando Rony, você vai se casar com Gina e nós dois somos apenas amigos – Hermione resume rapidamente, como se isso fosse certo como 2 + 2.
- Claro, mas sobre eu me casar com Gina, isso ainda é só um plano... – ele a corrige de imediato.
- Tudo bem. Então... até tarde?
- Até mais tarde!
Já em seu quarto, Harry senta-se em sua cama pensativo, refletindo sobre as confissões de Hermione.
- Espero que ela tenha se enganado, que não seja nada sério, afinal somos nós! Tomara que tudo possa continuar normal entre nós dois... Nós dois: é algo que nunca tinha passado pela minha cabeça... eu jamais tinha pensado em Hermione desse jeito... – ele se surpreende relembrando o momento em que estavam dançando juntos na noite anterior – Não, isso seria muito estranho! – ele reprova a si mesmo, afastando ligeiro o pensamento.
Harry se levanta, vai até a cômoda e abre a gaveta onde havia guardado o anel de noivado de Gina, abre a caixinha e o observa por um momento.
- Só um plano... – ele repete para si mesmo antes de fechar a caixa e guardá-la novamente.
Continua...
