Capítulo 5 – Despertando o interesse

Durante os dias que se seguem à festa de Halloween e à surpreendente confissão de Hermione para Harry, o assunto não volta a ser mencionado e eles fingem que não aconteceu, tal como haviam combinado; ignorar parece ser a coisa certa a fazer e Hermione está cumprindo isto à risca, já que, contrário ao que ela mesma poderia pensar, ter sido sincera com Harry a fez sentir-se mais tranqüila em relação às suas emoções, que ela imagina irão desaparecer com o tempo. No entanto, o mesmo não se pode dizer de Harry... Enquanto Hermione pouco a pouco volta a sentir-se à vontade na presença dele e aparentemente a vê-lo apenas como amigo, ele não deixa de pensar nela de outras formas. Por mais que tente, ele simplesmente não consegue evitar; é como se a revelação dela tivesse aberto as portas de sua imaginação para um mundo que ele nem sequer sabia que existia...


No café da manhã do sábado que marca o início da temporada de quadribol, Harry demora mais do que o normal para terminar seu mingau de aveia, já que seus pensamentos se desviam constantemente para Hermione, levando sua mente a divagar sobre ela...

É pura bobagem imaginar isso, mas será que em um mundo onde nem Rony nem Gina existissem, Hermione e eu poderíamos ser ... algo mais? Se isso fosse possível, como seria? Provavelmente nós teríamos acordado juntos esta manhã, depois de ter passado uma ótima noite... e podíamos aproveitar o dia claro para dar um passeio pelos jardins... se chovesse podíamos ficar perto da lareira, bebendo chocolate quente...

- Harry, você já acabou?

Ele toma um susto ao ouvir Hermione falar com ele.

- Já acabei o quê?

- De tomar café! Nós temos que ir agora!

- Ir... pra onde? – Harry pergunta ligeiramente atordoado.

- O jogo de quadribol, Harry! – Hermione exclama com impaciência.

- Ah, é, o jogo! – Harry finalmente "volta à Terra" – Sim, eu já acabei, vamos indo! – ele diz levantando-se da mesa.

- Você está bem? Parece meio... distante – Hermione comenta quando estão deixando o Salão Principal.

- Claro que estou bem, é impressão sua! – ele responde animado.

- Se você está dizendo...


Grifinória contra Sonserina foi uma partida bastante disputada, com um placar final de 250 a 100 para Grifinória, depois de quase 3 horas de jogo.

- Acho que nunca tinha assistido a uma partida tão longa! – Harry comenta ao final do jogo, quando ele e Hermione descem as arquibancadas.

- Nem eu. Nos nossos tempos de escola o apanhador sempre capturava o pomo em pouquíssimo tempo...

- Quando você diz "o apanhador" está falando de mim, não é? – Harry pergunta em um tom divertido.

- Você é muito convencido! – Hermione o repreende, mas com um sorriso – Que tal caminharmos um pouco pelos jardins, já que o dia está claro?

- Boa idéia – Harry aprova, recordando imediatamente seus pensamentos durante o café da manhã.

- Você sente falta de jogar quadribol? – ela pergunta quando se aproximam da orla da floresta.

- Às vezes...

- Você adorava jogar quando era garoto... parecia até que o quadribol era mais importante que qualquer outra coisa...

- Também não era pra tanto! – Harry tenta se defender, mas acaba desistindo sob o olhar acusador de Hermione – É, acho que era sim. Mas o que me fazia gostar tanto assim de quadribol era voar... eu adoro mesmo isso!

- Eu não vejo por quê...

- Não vai me dizer que você ainda tem medo de voar! – Harry exclama incrédulo.

- É claro que sim, isso é muito perigoso! Ainda mais em uma vassoura veloz! – ela responde decidida.

- Eu te levo pra dar um passeio qualquer dia desses... – Harry oferece em um tom amável – Aposto que você vai... AI!!

- O que foi? – Hermione se sobressalta ao ouvir Harry gritar.

- A minha mão...

Sua mão esquerda tinha acabado de roçar acidentalmente em uma planta de aspecto espinhoso.

- É melhor pedir à madame Pomfrey pra dar uma olhada... – Hermione sugere observando a mão de Harry.

- Não, não precisa, não deve ser nada de mais... além disso, nem está mais doendo...

- Deixe-me ver...

- Cuidado!

Harry puxa a mão de volta quando Hermione mal toca nela.

- Você disse que não estava mais doendo!

- Não está mais doendo tanto!

- Então é melhor ir logo à ala hospitalar.

- Não, vai passar logo...

- Quer para de ser teimoso? Sua mão está começando a inchar!

Harry observa a própria e mão, que realmente está ficando muito vermelha e inchada.

- Anda, vamos logo!

Ele acaba tendo que obedecer a Hermione ambos se dirigem à ala hospitalar.


- Eu tenho uma boa notícia e uma má notícia, profº Potter... – Madame Pomfrey anuncia depois de examinar a mão de Harry – A boa é que a planta não é venenosa, por isso você não corre nenhum risco grave...

- E a má notícia? – Harry pergunta ansioso.

- A má é que cada um dos pequenos espinhos que ficaram em sua mão devem ser extraídos imediatamente.

- Extraídos?

- Sim, com uma pinça – Madame Pomfrey responde com naturalidade.

- Será que não tem um jeito mais... fácil? Talvez algo que eu possa tomar... – Harry sugere com uma nota de pânico na voz - ... ou quem sabe a senhora pode bater na minha cabeça e enquanto eu estiver inconsciente, pode retirar os espinhos...

- Homens são muito medrosos! – a enfermeira comenta diante do crescente pânico de Harry – É por isso que são as mulheres que têm os filhos, porque os homens não iam agüentar...

Hermione começa a rir, mas pára quando Harry lhe lança um olhar de desaprovação.

- Bem, vamos começar, então? - - Madame Pomfrey pergunta com demasiada animação.

- Talvez médicos e enfermeiras gostem de torturar os pacientes... – Harry reflete consigo mesmo enquanto senta-se reto na cama, resignado.

- Você ficou muito molenga com o tempo, Harry! Antigamente costumava ser mais corajoso...

- Você não está ajudando, Hermione!

- Está bem, desculpe! Está melhor agora?

Hermione senta-se na cadeira ao lado da cama de Harry e segura sua mão livre, apertando-a suavemente.

- Está... obrigado. Você vai ficar aqui?

- Se você quiser...

- Eu quero.

- Então eu fico.

Ele fica realmente agradecido com o gesto dela, sobretudo quando a sente afagar sua mão gentilmente, ainda que isso não faça doer menos...


Na segunda-feira de manhã, Harry está se dirigindo à ala hospitalar para trocar seu curativo, quando passa pela sala de aula de Transfiguração e vê Hermione dando aula para os alunos do 2º ano. Ele pára à porta da sala e fica ali por alguns instantes, observando a professora.

- É incrível como ela consegue ser ao mesmo tempo rígida e exigente, mas também gentil e atenciosa com os alunos... Linda, inteligente, educada, amável... eles têm mesmo muita sorte em ter a professora Granger...

- Precisa de alguma coisa, profº Potter?

Hermione o vê parado à porta e vai até ele.

- Ah, não, professora, obrigado. Eu só estava passando, só isso... – ele responde com um sorriso – Bom dia, crianças! – ele acrescenta para os alunos que também o observam.

- Bom dia, profº Potter! – eles respondem com simpatia; as meninas principalmente, com mais entusiasmo.

- Como está sua mão? – Hermione pergunta em voz baixa.

- Muito bem, estou indo trocar o último curativo. Bom, nos vemos depois – Harry se despede e segue seu caminho.

- Certo. Até mais...

Hermione volta à sala para retomar sua aula. Enquanto isso, Harry caminha pelo corredor deserto, ainda pensando nela. Por mais que eu tente, é impossível negar o que está acontecendo...

Continua...