Capítulo 7 – Os fins justificam os meios?

É engraçado como a vida pode ser injusta... não é irônico o fato de que quando Hermione me queria, eu a rejeitei, e agora que eu a quero, ela não parece estar mais interessada? Isso é ridículo! Mas o mais ridículo mesmo é que eu tenha chegado a pensar que seria diferente... Rony é o namorado dela, é claro que ela vai querer viajar pra ficar com ele... ela é a namorada do Rony! Em que diabos eu estava pensando? Agora me sinto mal por ter ficado imaginando coisas... Mas, pensando bem, foi ela quem começou, ora! As idéias dela é que me fizeram ter idéias! Mas isso agora não vem ao caso, a verdade é que "Hermione e eu" nunca vai acontecer... – Harry reflete com desconsolo, sentado sozinho nos degraus de pedra do lado de fora do castelo.

- Aí está você! – Hermione vê mandando em sua direção – Faz tempo que estou te procurando... – ela senta-se próximo a ele.

- Por quê? Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu é que pergunto. Você está estranho...

- Não é nada.

Hermione o observa atentamente por alguns instantes, estudando-o com interesse. O que será que deu nele? Estava tudo bem, de repente ficou assim, todo esquisito, meio frio e distante. Eu devia insistir e perguntar o que houve mesmo, mas não quero que ele se chateie...

- Vamos, está quase na hora do jantar – ela avisa ficando de pé – Você não vem? – ela acrescenta ao ver que ele continua sentado.

- Pode ir, eu vou depois.

- Se ficar muito temo aqui fora vai congelar... e acabar ficando doente!

Então um súbito momento de inspiração atinge Harry. "Ficando doente"... é isso!! Aposto que se eu estivesse doente, Hermione não iria viajar; ela ficaria aqui, cuidando de mim... ótimo, é disso mesmo que eu preciso! Não ficar doente de verdade, é claro, é mais algo como... ajudar a sorte...

- Harry! – Hermione o chama do alto da escadaria – Você vem ou não?

- Ah, claro. Vou sim, já estou indo! – ele exclama animado, acompanhando-a, mas sem antes deixar escapar um espirro.

- Saúde.

- Obrigado, Herms.


No dia seguinte, Harry levanta cedo da cama, disposto a colocar seu "plano" em prática. Eu me sinto realmente mal por fazer isso, mas é como dizem: "No amor e na guerra vale tudo"...

Estranhando a ausência dele à mesa do café da manhã, Hermione vai até o quarto de Harry e fica realmente preocupada quando ele não atende a porta, mesmo depois de ela ter batido várias vezes.

- Harry... você está aí? – ela decide entrar assim mesmo, já que ele não responde – Ora essa, então você ainda está dormindo! – ela exclama ao vê-lo na cama, sob os cobertores – Eu sei que hoje é domingo, mas seria bom levantar agora... Harry? Você está bem?

Ele abre os olhos devagar e encara Hermione com um olhar vago.

- Não muito... estou com muito frio pra levantar... – ele responde em voz muito baixa.

- Você não parece bem – Hermione aproxima-se mais dele com uma expressão preocupada e, sentando-se perto dele, coloca uma das mãos sobre sua testa. Imediatamente ele sente um calor repentino e o simples contato com a pele dela traz de volta à sua mente a imagem dela sem roupa e molhada. Ele respira fundo, procurando se conter; não é bom ficar muito "animado" agora...

Hermione provavelmente teria um ataque se soubesse o que estou pensando agora! Sei que isso é totalmente inapropriado, afinal, durante muito tempo eu só a enxergava como uma irmã... mas a questão é exatamente esta: ela não é minha irmã, ela é... tudo o mais...

- Você está queimando de febre! – Hermione exclama retirando a mão da testa de Harry.

É isso mesmo que parece... – ele pensa consigo mesmo – Graças a uma poçãozinha simples, que causa aumento da temperatura corporal...

Hermione fica preocupada demais para perceber a farsa e então, o plano de Harry segue como o esperado.

- Não se preocupe, eu vou ficar bem... só preciso... descansar um pouco... eu acho...

- Eu vou à ala hospitalar pedir à enfermeira pra preparar algo pra você...

- Não, não precisa se incomodar, Hermione... eu mesmo posso fazer isso... além do mais, você precisa ir...

- Eu preciso ir?

- Viajar... passar o feriado...

- Não seja bobo! Eu não vou viajar! E deixar você desse jeito? Não vou a parte alguma! – Hermione responde com tanta convicção que Harry tem certeza absoluta de que está conseguindo seu propósito. Mas ainda assim, ele acha melhor argumentar, para tornar a coisa mais real.

- Eu não quero que estrague suas férias por minha causa... se você quiser ir, vá... não precisa ficar... aqui... cuidando de mim... não é sua... obrigação... – ele insiste, tentando parecer sincero, fazendo questão de pontuar sua declaração com um ou outro espirro e pequenos acessos de tosse.

- É verdade, não é minha obrigação, mas eu quero ficar e cuidar de você, está bem?

Harry encara Hermione por um momento; a atitude de proteção dela o deixa sem ação.

- Está bem – ele apenas concorda.

- Muito bem. Agora fique quietinho aqui enquanto vou à ala hospitalar... – ela diz gentilmente antes de levantar da cama e sair do quarto.


Durante os dias seguintes, Harry recebe com satisfação os cuidados de Hermione, tomando o cuidado de livrar-se discretamente das poções que ela lhe traz, esvaziando os copos em vasos de plantas e pias, por exemplo. Fora esse pequeno inconveniente, ele deleita-se com o tempo que Hermione passa com ele, tomando sua temperatura, afofando seu travesseiro e até mesmo repreendendo-o:

- "Eu avisei pra não ficar lá fora no frio, não avisei? Mas você é tão...

- Teimoso, eu sei. Eu sou mesmo muito teimoso... "

Mas o que Harry mais aprecia em sua "convalescença" é o fato de Hermione mimá-lo ao ponto de lhe dar um sininho para que ele toque para chamá-la.

- Você não acha que isso é um exagero, Hermione?

- Não, não é.

Eu só tenho que chamar que ela vem correndo... pra mim... Como nos meus melhores sonhos...

- Não esqueça, se precisar de qualquer coisa é só tocar o sino... Qualquer coisa.

Tudo o que eu preciso é de você, Hermione...


Pouco antes do Natal, Harry começa a mostrar sinais de melhora e então se recupera completamente; apesar de ter gostado muito de receber os cuidados de Hermione, alguma hora teria que "melhorar"...

- Não acredito que você fez isso! – Harry exclama animado ao abrir o presente de Hermione na manhã de Natal.

- Você gostou? – ela pergunta com um sorriso de ansiedade.

- Claro que sim, é incrível! Um pacote com ingressos para todos os jogos da próxima temporada de Quadribol! É o máximo! – ele confirma com uma euforia quase infantil – E sabe quem vai comigo a todos os jogos?

- Quem?

- Você!

- Eu?

- É claro! Quem mais iria?

- Eu não sei, talvez Rony... ou Gina – Hermione responde como se estivesse sugerindo o óbvio.

- É verdade, mas eu realmente quero levar você – ele afirma decidido.

- Mesmo eu não entendendo nada de Quadribol?

- É mais um motivo pra você ir! Assim quem sabe aprende a apreciar o esporte...

- Está bem, então – Hermione aceita sorridente e então é pega de surpresa pelo abraço de Harry.

- Obrigado, Herms.

- Foi um prazer, Harry. Mesmo. E obrigada também por me convidar pra ir aos jogos com você... achei que preferisse ir com a sua futura noiva...

A menção desse "detalhe" faz Harry lembrar que ainda não contou a Hermione sobre sua decisão a respeito do noivado.

- Sobre isso de "futura noiva"... – ele começa a dizer quando o abraço é desfeito – Na verdade, eu não vou pedir Gina em casamento.

Hermione fica bastante surpresa com a notícia; surpresa e também ligeiramente aliviada.

- Mas por quê?

- Eu pensei melhor e acho que estava me precipitando quanto a isso, então... há algumas semanas, eu devolvi o anel.

- Verdade? Então é sério mesmo?

- É, é sério mesmo – Harry sorri diante da incredulidade de Hermione.

Ela fica momentaneamente sem ação, sentindo que deveria dizer "eu sinto muito", como uma boa amiga, mas isso seria mentir quase que descaradamente. Felizmente, Harry a livra do problema de não saber o que dizer.

- Mas não vamos falar disso agora, afinal, é Natal! Temos mais o que fazer, não é? – ele diz com genuína alegria, o que a faz pensar que ele também não parece "sentir muito"...


- Que bom que você se recuperou a tempo pra o Natal, Harry. Seria muito chato se tivesse que passar o dia inteiro na cama... – Hermione comenta depois do café da manhã.

- Claro, você não achou que eu iria perder a diversão, achou? O lago está totalmente congelado... quer ir lá fora patinar um pouco? – ele convida em um tom animado.

- Escorregar um pouco, você quer dizer! Eu sou uma péssima patinadora...

Mesmo assim, Hermione o acompanha até o lago e, mesmo que Harry não tivesse acreditado quando ela disse que era terrível, depois de vê-la no gelo por dez segundos, ele não tem como duvidar.

- Eu não achei que você pudesse ser pior do que eu! – ele exclama entre risadas ao vê-la cair pela 3ª vez seguida.

- Quem sabe se você parasse de rir e me ajudasse a ficar de pé, as coisas seriam diferentes... – ela reclama mal humorada.

- Tudo bem, eu ajudo.

Harry estende a mão para ela, mas ao invés de apoiar-se nele, ela o puxa para o chão, fazendo-o cair também.

- Você é uma trapaceira! – ele acusa com falsa irritação enquanto ela ri sem parar.

- A culpa foi sua! Quem mandou ser desastrado?

- É assim, então? Ótimo, levante sozinha agora!

- Eu adoraria, Harry, mas não posso se você não sair de cima de mim primeiro...

Harry não se mexe por um momento; apenas observa Hermione fixamente, olhos nos olhos. Quando percebe que ele não está mais sorrindo, ele também fica séria e sustenta o olhar dele.

- Tem gelo no seu cabelo... – ela diz distraidamente, erguendo a mão e mexendo no cabelo dele.

- Obrigado – ele responde sem desviar o olhar dela.

- Harry?

- O quê?

- Você ainda está em cima de mim.

- Ah, certo! – ele fica de pé o mais rápido que pode – Desculpe, eu não percebi que estava incomodando você...

- Não, não estava incomodando, ao contrário... – ela o interrompe sem pensar – Quero dizer, não foi nada, tudo! – Hermione conserta depressa ao perceber o que disse – Obrigada.

Dessa vez ela aceita a ajuda dele e fica de pé sem demora. Quando deixam o lago pouco tempo depois, Harry está se sentindo mais feliz por dentro, imaginando que o tombo realmente valeu a pena...


As duas semanas de férias se passaram rápido demais, para o desapontamento de Harry e também de Hermione e assim chega o último dia do recesso natalinho.

- Fazia muito tempo que eu não me divertia assim aqui em Hogwarts... – ela comenta enquanto reorganiza os materiais em sua sala, depois do jantar. Harry a faz companhia, aproveitando mais uma oportunidade para estar com ela.

- Eu também. Graças a você ter cuidado tão bem de mim. Obrigado, se eu já não disse antes.

- Ora, Harry, você faria o mesmo por mim, não é? É pra isso que servem os amigos...

As palavras inocentes dela o fazem sentir-se péssimo; ela tinha gentilmente cuidado dele, achando que realmente precisava quando na verdade, só estava mentindo pra ela. Então, antes que a culpa o faça sentir-se pior, ele decide contar a verdade e suportar as conseqüências.

- Hermione, eu preciso te contar a verdade...

- Sobre o quê? – ela direciona sua atenção a ele, curiosa.

- Eu não estava doente de verdade. Só fingi estar.

- O quê? Fingiu? Do que você está falando? – ela questiona sentindo-se rapidamente irritada – Você ficou maluco?

- Talvez eu tenha mesmo ficado maluco! – ele também acaba ficando nervoso.

- Por que você fez isso?

- Pra você ficar aqui comigo!

- E por que você ia querer que eu ficasse...?

Então Hermione subitamente compreende a razão; ela pára de falar e encara Harry com u molhar penetrante. De repente tudo faz sentido...

Continua...


N/A: Olá! Muito obrigada a isadora aluada, HERMIJANEPOTTER, Josy, Aninha Snap, Bitriz, Lalah-Chan, e Erica Muniz pelas reviews, espero que tenham gostado do capítulo.

E não deixem de conferir o próximo porque vai ser especial!!

Bjks!

Star Potter 4Ever